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2. KILDER OG METODE

2.2. Normativ analyse: gjeldende rett

2.2.6. Forvaltningspraksis

DIOGO BATISTA

Há muito realismo neste mundo irreal, só possível graças a complexos mecanismos que garantem os movimentos ameaçadores destes seres mitológicos

Entre os turistas que habitualmente visitam o Palácio da Bolsa, lá estão eles, reunidos num único espaço: o abominável homem das neves, um ser extraterrestre, um ciclope, um dragão, entre outros. Quem por lá passa, poderá pensar que se trata de uma espécie de convenção anual de monstros ou algo que se pareça, mas, na verdade, trata-se apenas da exposição Mitos e Monstros, que in- vade a cidade do Porto a partir de amanhã. Tem a chancela do presti- giado Museu de História Natural de Londres (MHNL) e junta os protago- nistas dos mitos mais conhecidos de todos. Com o objectivo de descobrir como muitos deles surgiram, vai ser possível desvendar estas histórias fantásticas recorrendo à investiga- ção científi ca.

É a primeira vez que o museu lon- drino traz uma exposição ao Porto e, por esse mesmo motivo, a curio- sidade é transversal a todos aqueles que estão envolvidos na preparação do evento — desde os representantes do Palácio da Bolsa até à equipa téc- nica que se encarregou de montar este mundo mitológico. “Todos nos perguntam quando podem visitar a exposição e trazer cá os fi lhos”, diz, com orgulho, Miguel Maria, director executivo da Associação Comercial do Porto, explicando também que toda a montagem demorou cerca de uma semana e foi cuidadosamente acompanhada pelos técnicos ingle- ses do MHNL.

O tema da exposição parece não deixar ninguém indiferente e isso mesmo pode ser comprovado atra- vés da reacção daqueles que nestes dias visitam o Palácio da Bolsa. Por enquanto, a exposição ainda não está aberta e apenas podia ser vista através dos vidros das portadas que circundam o Pátio das Nações, mas já era o sufi ciente para atrair o olhar dos visitantes que percorriam o es- paço e que rapidamente se juntavam para admirar os monstros, à medida que os reconheciam. De máquina fo- tográfi ca em riste, muitos deles não resistiam e registavam o momento. Há muito realismo neste mundo irreal, só possível graças a comple- xos mecanismos que garantem os movimentos ameaçadores destes

Logo ali ao lado existe um painel que junta várias páginas de jornal com fotografi as de um grande ser que se assemelha a um réptil ma- rinho. Pelos altifalantes, ouvem-se vozes de pessoas que testemunham ter avistado um monstruoso ser num lago. É o lago Ness, na Escó- cia, onde muitos juram ter avistado uma criatura do assombro, a quem já carinhosamente chamam Nessie. Apesar da sua imensa popularidade, este ser pré-histórico — que, reza o mito, sobreviveu ao longo de milha- res de anos — não pode ser avistado em Mitos e Monstros. Talvez por não ser, de facto, dado a aparições ou talvez porque o seu tamanho não permitiria a entrada no palácio. Mas não foi esquecido.

São vários os mitos que marcam presença nesta exposição, e mesmo os visitantes mais esquecidos podem recordar estas histórias fantásticas graças às narrativas que descrevem cada um dos monstros. Para além desses textos, existe ainda o olhar da Ciência sobre este mundo mito- lógico, dado pelo MHNL. “A ideia é desmistifi car todos estes mitos e monstros. E quem melhor que o museu de Londres para nos dar es- sa explicação?”, diz Sérgio Ferreira, explicando logo de seguida que a ré- plica do crânio de ciclope que lá está exposto, corresponde, na verdade, ao crânio de um rinoceronte.

Mas nem sempre a Ciência conse- guiu, com sucesso, derrubar alguns mitos. Talvez porque “nenhum lu- gar é maior do que a imaginação”, como se lê na apresentação da ex- posição. No fundo, é esse o desafi o que esta mostra sugere: explorar as fronteiras entre a imaginação e a re- alidade. E, para falar um bocadinho sobre isso, vai estar na inauguração, amanhã, o professor e arqueólogo Joel Cleto, que sempre assumiu in- teresse por todo este lado fantástico da História.

Mitos e Monstros, diz a organiza- ção, “é transversal a todo o tipo de público” e “desengane-se quem pen- se que as crianças se vão assustar”, garante Sérgio Ferreira. É ir até ao Pátio das Nações do Palácio da Bolsa a partir de amanhã e até 4 de Janeiro. De segunda-feira a domingo, todo es- te mundo mitológico pode ser visita- do de manhã, entre as 9h e as 13h, e à tarde, entre as 14h e as 18h. Texto

editado por Ana Fernandes

Mitos e Monstros é uma exposição do Museu de História Natural de Londres que abre amanhã no Porto. No Palácio da Bolsa, há dragões, ciclopes e histórias sobre o Nessie. Mas também ciência

Exposição

Hugo Morgadinho

seres mitológicos. “Os movimentos são tão reais que as pessoas vão fi car deslumbradas”, diz Miguel Maria, enquanto aponta o movimento da cauda do imponente dragão que por lá está. “Tenho a impressão que es- tamos quase sempre a ser observa-

dos pelo Yeti”, confessa Sérgio Fer- reira, coordenador do Turismo do Palácio da Bolsa. E, de facto, o olhar feroz do abominável homem das neves move-se quase a 180 graus, percorrendo grande parte daquele espaço.

II.

PÚBLICO, SÁB 17 OUT 2015 | CULTURA | 29

FOTOS: PAULO PIMENTA

Escombros, um espectáculo que mostra a sua própria construção

Na mitologia grega, por ter desafi a- do os deuses, Sísifo foi condenado a um castigo ilógico: teria de trans- portar uma pedra até ao cimo de uma montanha e, quando estivesse prestes a chegar ao topo, a pedra ro- laria montanha abaixo até ao ponto de partida, invalidando assim todo o esforço despendido. Sem questionar o sentido deste esforço, Sísifo seria obrigado a repetir eternamente a mesma acção. Foi esta inconsequen- te pena que levou Albert Camus a questionar o sentido da acção hu- mana na era moderna, e em parti- cular a mecanização resultante do trabalho.

Tal como Camus, o dramaturgo, coreógrafo e sonoplasta Joclécio Azevedo tem vindo a questionar-se sobre o sentido do nosso percurso errático na vida (artística). Um per- curso muitas vezes absurdo, que costuma estar cheio de dicotomias: encontrar, perder; partir, fi car; criar, destruir. No fundo, um percurso que está constantemente a reinventar- se, ou ainda um percurso que dá origem a vários percursos.

É precisamente esta complexa noção de que algo nunca está ter- minado, esta ideia de que estamos constantemente a construir e a des- construir aquilo que concebemos, que Joclécio evoca em Escombros, hoje em estreia absoluta no Teatro Carlos Alberto, no Porto. Em cena, os intérpretes — o próprio Joclécio Azevedo, acompanhado da perfor- mer Catarina Miranda e da artista turca Ece Canli — procuram contra- riar a ideia de criação, e não apenas do ponto de vista artístico , enquan- to processo linear, isto é, que tem um começo e um fi m. Interessa-lhes uma performance que remeta para uma noção de momento perfor- mativo “que pode ser reinventado, reapropriado, transformado conti- nuamente”, explica ao PÚBLICO o artista brasileiro.

Escombros é um exercício perfor- mativo que, recorrendo a objectos inanimados como a madeira e o metal, quer explorar alguns “con- fl itos existenciais” resultantes da nossa experiência no mundo. Esta

Construir, destruir