Uma das maneiras de se medir o desempenho organizacional é abordar, de forma comparativa, as diversas unidades avaliadas através de técnicas tais como a Análise Envoltória de Dados (AED), que será mais bem detalhada no Capítulo 3 que trata da metodologia utilizada na dissertação. Dentro da perspectiva da AED, a definição geral de eficiência técnica de uma organização ou atividade produtiva, quando se comparam duas ou mais organizações, está relacionada à produção de um bem ou serviço com a menor utilização possível de recursos, ou seja, eliminando-se as “folgas” (FERREIRA; GOMES, 2009, p. 24). Assim, a eficiência pode ser definida como o grau em que uma unidade de tomada de decisão (DMU – Decision Making Unit) pode aumentar os seus outputs (resultados), sem aumentar seus inputs (recursos) ou reduzir seus insumos sem diminuir os resultados.
Quando comparado a outros setores, o setor bancário apresenta características particulares que se refletem nas formas de mensuração da eficiência. Como discutido por Holod e Lewis (2011), os resultados das estimativas de eficiência podem ser sensíveis à especificação dos inputs e outputs. E essa especificação está fortemente associada com a forma como os bancos são abordados. Modenesi (2007) aponta que desde 1960, a teoria da organização industrial tem sido utilizada para discutir o setor bancário. A partir da década de 1980, começou- se a se aplicar também a chamada moderna teoria da intermediação financeira, que consiste em compreender as instituições financeiras como intermediários financeiros.
Freixas e Rochet (1999) distinguiram três abordagens para o setor bancário: a perspectiva da produção, a perspectiva da intermediação e a perspectiva moderna. A perspectiva da produção apresenta as atividades bancárias como uma produção de serviços para depositantes e tomadores de
34 empréstimos. Sob esta perspectiva, os principais recursos de um banco são trabalho e capital, os quais rendem como produto os serviços prestados aos depositantes e tomadores de empréstimos. A perspectiva da intermediação financeira atribui ao banco a tarefa de assumir a posição de intermediador entre poupadores e investidores. A principal fonte de renda da atividade de intermediação financeira refere-se ao cálculo decorrente das seguintes funções: de um lado captar recursos com agentes superavitários e remunerá-los e, do outro lado, em aplicar os recursos obtidos em agentes deficitários, cobrando pela disponibilização do recurso. A diferença entre as taxas de captação e aplicação é chamada de spread. O custo de disponibilizar o recurso abrange uma série de serviços, tais como despesas administrativas, impostos, taxas e riscos (MODENESI, 2007, p. 62). Nesta abordagem, os principais insumos são trabalho, capital financeiro e as fontes de financiamento e os produtos, por sua vez, são os montantes financeiros. A perspectiva moderna incorpora elementos comuns de ambas as abordagens e algumas características específicas da indústria bancária, a exemplo de gerenciamento de risco e processamento da informação.
O processo de intermediação financeira consiste na canalização de recursos de poupadores para investidores. Por meio desse processo, os agentes econômicos que possuem oportunidades de investimento produtivo obtêm os recursos necessários à consecução de seus planos de investimento. O intermediário financeiro (instituição financeira) une os interesses dos poupadores de recursos (ofertantes de recursos financeiros) e investidores (tomadores de recursos) (MODENESI, 2007, p. 62).
Além das medidas de eficiência que podem considerar diversos inputs e outputs, há vários índices calculados a partir de medidas contábeis, tais como o ROE (Return On Equity) e ROA (Return On Assets). O ROE é considerado o principal quociente de rentabilidade utilizado pelos analistas para representar a medida geral de desempenho da empresa. Segundo Richard et al. (2009), o ROE é uma medida de quanto a empresa gera para os seus proprietários e é calculado pela divisão entre o lucro líquido pelo valor contábil do patrimônio líquido.
35 O rendimento sobre o patrimônio líquido representa o rendimento obtido pela empresa para o investimento dos acionistas; ou seja o rendimento gerado sobre o patrimônio dos proprietários. Este rendimento para os acionista é lucro líquido, que refere-se ao rendimento oriundo de todas as fontes de renda da empresa, sejam elas operativas ou não operativas. O ROE calcula-se com a seguinte expressão:
ROE = (Resultado Líquido/ Patrimônio Líquido)
De acordo com Richard et al. (2009), o ROA é definido como a relação entre o lucro operacional líquido da empresa e os ativos registrados em seu balanço patrimonial, sendo calculado de acordo com a seguinte expressão:
ROA = (Resultado Líquido / Ativos Totais)
As medidas de desempenho são aproximações que tentam abarcar a dimensão produtiva percebida na realidade da empresa. De um modo geral, apenas para citar alguns exemplos, elas permitem efetuar comparações com outras empresas, estimar o desempenho futuro da empresa, a partir da alteração de recursos ou condições econômicas, avaliar efetividade de políticas, estratégias e os efeitos das condições ambientais na empresa, bem como avaliar a efetividade da gestão. De acordo com Berger e Humphrey (1997), as informações obtidas nos estudos de eficiência, especialmente na indústria bancária, possibilitam subsidiar políticas governamentais, no tocante a efeitos da desregulamentação, fusões e estruturas de mercado; pesquisas científicas quanto à descrição da eficiência da indústria, à comparação entre as firmas e à avaliação das diversas maneiras de medição; bem como o aperfeiçoamento de práticas gerenciais.
Porém, as medidas utilizadas conseguem abranger apenas recortes da percepção de eficiência da empresa. Em função dessas questões e dos diferentes paradigmas existentes para abordar o assunto, não há consenso na literatura sobre a melhor técnica de mensuração da eficiência.
Diversos estudos têm utilizado medidas baseadas em resultados financeiros como o estudo da relação multinacionalidade e desempenho (Grant, 1987; Ruigrok e Wagner, 2002; Lu e Beamish, 2004). Neste sentido, apesar de o desempenho sofrer a influencia de múltiplas variáveis, espera-se que seja
36 possível identificar se o banco conseguiu atingir níveis de paridade ou de superação em relação ao mercado externo.