3.2 Normal form of braids
3.2.3 Decomposition into normal form
Professor Tadeu: Sim desde que tal produção seja passada para o papel e a redação seja corrigida.
Professor Alan: Sim porque a partir do momento que o aluno se sente seguro para se expressar oralmente, a segurança para produção de uma atividade manuscrita também vai aumentar.
Professora Francisca: Sim, atividades, em que os alunos exponham seus pensamentos e pontos de vista, ajudam no desenvolvimento da oralidade e na criatividade, pois com isso os alunos tendem a sentir - se mais seguros e participativos, contribuindo assim com a modalidade oral da língua.
Professora Cássia: Sim, basta que nossos alunos se interessem mais pelo ProJovem, valorizem esta oportunidade que o governo federal está propondo.
Essas respostas ao questionário evidenciam que os professores acreditam, assim como eu, que o desenvolvimento de atividades orais fazem com que os alunos tenham mais segurança para colocar as suas opiniões, pensamentos, argumentos e que a partir desse tipo de atividade, eles se sentirão mais seguros para produzirem seus textos escritos.
Contribuindo com o que foi explicitado no parágrafo anterior, Douglas Barnes (1974 apud Cazden 1991, p.12) afirma:
Os estudos dos fenômenos lingüísticos nos âmbitos escolares deveriam orientar-se para a busca de soluções para os problemas docentes. As formas lingüísticas nos interessam unicamente na medida em que através delas podemos observar desde dentro das circunstâncias sociais da classe, e conseqüentemente, a capacidade de assimilação dos alunos. E interessam os contextos sociais de cognição, porque a expressão oral combina o cognitivo e o social. O currículo real (em oposição ao pretendido) consiste nos significados que uma classe e um professor concretos representam ou realizam. Para aprender, os estudantes têm de valer-se do que já sabem se querem encontrar sentido no que o professor lhes explica. A expressão oral permite submeter à reflexão os processos mediante aos que os alunos relacionam novos e antigos conhecimentos, se bem que dessa possibilidade dependem as relações sociais e o sistema de comunicação implantado pelo professor.
Cazden (1991) também reforça a importância da linguagem na escola. Segundo a autora, determinadas instituições docentes fazem da comunicação um elemento decisivo e apresenta alguns motivos para isso: (i) porque a linguagem falada é o meio em que ocorre o ensino e também é uma forma de o aluno mostrar ao professor os conhecimentos por ele aprendido; (ii) porque as escolas são ambientes humanos menos concorridos, devido ao tempo que as pessoas passam dentro delas; (iii) porque a linguagem falada é uma parte importante das identidades de quem as usa.
A partir dessa importância atribuída à linguagem, em específico, à linguagem falada na sala de aula, entende-se que é indispensável que professor e aluno estejam trabalhando juntos num processo contínuo de interação e reflexão e, essa necessidade confirma minha decisão em realizar uma pesquisa em minha própria sala de aula e torna evidente que a reflexão proposta por Shön deve estar presente em todas as situações que acontecem em sala de aula.
Quando busquei, nos professores, respostas para as minhas questões, estava refletindo na minha ação, porque era uma reflexão que acontecia durante a minha prática e uma reflexão sobre a reflexão na ação, como propõe Shön, porque me possibilitava criar novas ações para mudar a prática e levar meus alunos a se desenvolverem, o que foi possível, por meio das atividades realizadas, principalmente pelos debates e pelos textos de opinião desenvolvidos no decorrer do trabalho.
Observa-se também que, ao aplicar o questionário junto aos professores, eu estava expandido a minha reflexão pessoal para uma reflexão coletiva, conforme propõem Pimenta e Ghedin (2005), quando destacam a necessidade de o professor não ser apenas um professor reflexivo, mas tornar-se, a partir dessa visão reflexiva, um intelectual crítico reflexivo que leva em consideração a práxis, reconhecendo a relevância de desenvolver pesquisas no âmbito escolar, que busca, a cada dia, ser um profissional em permanente formação e que acredita que essa reflexão coletiva pode mudar a dinâmica de sala de aula.
Com o objetivo de mostrar aos participantes da pesquisa que numa sociedade letrada como a nossa, a fala e a escrita têm a mesma importância, estendi minhas reflexões aos alunos. Em cada tarefa realizada, eu lançava algumas questões para pensarmos e discutirmos coletivamente. Após o debate sobre a diminuição da idade penal, foi realizada com os alunos uma entrevista semi-estruturada. Essa atividade também foi filmada (Fita: FV: 02-1/2007) e teve uma duração média de 40 (quarenta) minutos. No entanto, ela teve início, logo depois da realização do debate, por isso alguns episódios aqui apresentados, iniciam-se a partir dos trinta e seis minutos de duração da filmagem.
A necessidade de se realizar uma entrevista semi-estruturada (brevemente explicada na seção destinada à metodologia empregada nessa pesquisa) surgiu a partir das seguintes finalidades: (i) aprofundar o questionário aplicado inicialmente aos alunos; (ii) conhecer e entender as reais dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos, no âmbito da língua materna; (iii) perceber se as atividades propostas estavam sendo úteis para o desenvolvimento da competência comunicativa do educando; (iv) promover uma reflexão conjunta professor/ aluno sobre a importância das atividades orais (debate e relato de opiniões pessoais) para o desenvolvimento da escrita dos alunos.
Na primeira questão, foi perguntado se, com a realização do debate, a escritura de um texto sobre a diminuição da idade penal ficaria mais fácil. Alguns alunos verbalizaram suas opiniões:
Episódio 4 – Conversando com os alunos sobre as atividades desenvolvidas em