Ensemble updating of categorical state vectors
2.2 Decomposable graphical models (DGMs)
As empresas dos especialistas pesquisados usualmente se focam em suas estratégias internas e buscam melhorar a própria produção. As instalações de cada canteiro, para cada obra, necessitam ser planejadas individualmente segundo as características de cada empreendimento. A afirmação do Entrevistado 8 vem ao encontro dessa afirmação: “Instalações que é um pouco diferente da indústria porque cada canteiro é uma indústria”.
Aparentemente, não há a busca de informações sobre a produção dos concorrentes está direcionada à verificação no mercado de disponibilidade de mão-de-obra junto aos empreiteiros. A verbalização abaixo, do entrevistado 2 contribui com o entendimento dessa afirmação:
O pessoal do marketing, o pessoal do financeiro, fazem um planejamento e decidem: bom a gente tem um mercado muito legal pra atingir aqui, a gente tem uma capacidade muito legal pra produzir aqui, tudo isso é aprovado ok, chama a produção, produção eu tenho que fazer isso. [...] Então a partir daí nós vamos coletar o que é necessário, vamos planejar o que é necessário pra atender aquela demanda e vamos ao mercado verificar se existe possibilidade de atender aquela demanda, ah eu vou precisar de, pô de, duplicar a minha produção, calma, eu não sei se eu consigo, me da um mês pra checar e ai vou retornar ó direção posso, pode te comprometer com essas obras. Então na verdade a demanda da produção vem dos outros setores.
Uma boa parte da produção das empresas participantes da pesquisa é executada por terceiros. Assim, algumas práticas produtivas acabam sendo semelhantes nas empresas
que compartilham dos mesmos empreiteiros. A gestão do cronograma das obras é pratica usual entre as empresas dos especialistas pesquisados. Como exemplo, seguem as verbalizações dos entrevistados 3 e 4:
Toda a segunda-feira, nós temos uma reunião na obra na qual nós vemos o que foi planejado, que seria feito naquela semana, na mesma hora nós realimentamos o cronograma. Quer dizer, dependendo da reunião, nós temos a realidade da obra e planejamos a próxima semana, com um detalhe, por equipes. As equipes que têm, por exemplo, caminhos críticos, eles sabem que aquele trabalho deles é crítico. E analisamos as quatro semanas seguintes ainda, de maneira mais rápida, analisando as restrições (ENTREVISTADO 3).
Nós aqui temos cronogramas semanais, mensais e da obra inteira. Esses cronogramas me dão o FEEDBACK inteiro da obra (ENTREVISTADO 4).
A atualização tecnológica é feita de formas diversas. As viagens e a participação em feiras, cursos, palestras e seminários foram recorrentes nas empresas dos especialistas pesquisados. O Entrevistado 8 relatou: “Eu tenho verba para curso, seminário, para treinamento, para participação, ida no SINDUSCON, tem as palestra técnicas, produções técnicas”. O entrevistado 4 verbaliza a sua forma de atuação:
[...] a indispensável necessidade de estar permanentemente acompanhando a evolução tecnológica. Materiais e métodos de execução, fundamental. Como é que eu faço isso, eu mando minha equipe técnica participar de seminários, encontros, palestras, cursos. Para a gente manter sempre atualizado. Os fornecedores também trazem muita informação boa. Eles estão permanentemente revisando os projetos. Então a maneira que eu me mantenho competitivo é essa. É manter a minha turma, primeiro, atenta ao mercado, segundo, presente em eventos que tratem do assunto.
A verbalização do Entrevistado 5 complementa o assunto:
A gente busca ver como as pessoas estão fazendo, tá, não só aqui, especialmente eu viajo bastante visitar obras até mais fora daqui que aqui até pelo acesso, não que não tenha aqui, aqui a gente até busca informações [...].
Os fornecedores, dentre eles os projetistas (empresas terceirizadas) são uma fonte de atualização tecnológica utilizada por algumas empresas. O relato do entrevistado 1 ilustra a afirmação:
A busca da concorrência, assim como esse pessoal, também ele tem muita rotatividade, e dentre os encarregados, alguns recebem formação da empresa, a gente forma dentro do quadro profissional, e outras a gente busca. Daqueles que a gente formou podem sair e trabalhar para outras empresas. Depois, quando vêm pra nós vem com vício e quando vão pra eles vão com vício também, entendeu? Então isso acaba gerando uma realimentação. No serviço especializado, como instalações elétricas, hidráulicas, impermeabilização, gesso, etc. esse pessoal trabalha pra várias empresas e, às vezes, nessas reuniões técnicas que tem dentro do canteiro de obras, a gente acaba solucionando alguns problemas que ocorrem, essas informações aparecem do mercado.
As empresas, na avaliação de novas tecnologias, levam também em consideração a ocorrência de patologias decorrentes das mesmas. Assim buscam se utilizar das melhores práticas conhecidas. Essas práticas são confirmadas segundo o relato do entrevistado 5: “a
gente tem sérias deficiência a nível de tecnologia o Brasil é atrasado. Então assim o que a gente usa, procura ter as melhores práticas conhecidas, tu usa o que melhor conhece naquele momento a gente não vai inventar”. Também o entrevistado 9 expressa opinião convergente com a anterior: “não, o pessoal sofreu muito aqui no começo. Muito mesmo. E depois a gente tomou uma decisão: Vamos deixar esse negócio consolidar, deixar criar uma mão-de-obra de instalação, especializada aqui. Depois eu acho que a tendência é entrar. Aí sim [...]”.
Não existem maiores dificuldades em descobrir as tecnologias construtivas que são utilizadas na construção civil. Isso devido às características dos empreendimentos: obras a céu aberto e, normalmente, em lugares de livre circulação de público e sem possibilidade de ocultação à observação. Um dos entrevistados, entretanto, acredita que, por mais que outras empresas busquem copiar suas tecnologias, não terão os recursos humanos semelhantes, capazes de reproduzir o desempenho.
Este tópico foi referente à estratégia de Produção. O tópico seguinte aborda a relação das empresas com os critérios competitivos ligados às estratégias competitivas.
5.1.1.5 Critérios Competitivos
Além das estratégias funcionais, traduzidas nas estratégias de marketing, recursos humanos, financeira e de produção, Costa (2003) faz referência também aos critérios competitivos que as apóiam na direção das estratégias competitivas. Barros Neto (1999) cita os critérios competitivos mais citados pelos autores, que são: Qualidade, Confiabilidade de entrega, Flexibilidade, Custo e Capacidade de Inovação. As empresas dos especialistas pesquisados frequentemente se apóiam na qualidade dos próprios produtos, no cumprimento dos prazos de entrega, no atendimento personalizado e na fidelização dos clientes, nos baixos custos que conseguem obter em seus empreendimentos. Dos critérios competitivos, aparentemente a Capacidade de Inovação é o menos desenvolvido pelas empresas dos especialistas pesquisados. Embora algumas dessas empresas entrevistadas sejam abertas a novas tecnologias, outras costumam migrar para a sua utilização após estas estarem exaustivamente testadas pelo mercado e já haver a certeza de que não ocorrerão futuros problemas. Além disso, há relatos de que o próprio público consumidor seja extremamente criterioso e, por vezes até, avesso à experiência com novas tecnologias. A verbalização a
seguir (ENTREVISTADO 9) comprova a idéia: “[...] é dividido como na preferência do dry
wall [...]. Acho que o consumidor prefere, se ele tiver a opção, alvenaria”.
Este tópico abordou os critérios competitivos, a última análise dentro dos fatores internos de competitividade. A seguir, será feita a análise do resultado da pesquisa para os fatores estruturais.
5.1.2 Fatores Estruturais
Os fatores de natureza estrutural estão parcialmente sob sua área de influência da empresa, embora não sejam inteiramente controladas por ela e estão relacionados ao ambiente competitivo, ao mercado, à configuração da indústria e à concorrência em que a empresa está inserida (COUTINHO; FERRAZ, 2002).