termos de resultado existe uma certa ―homogeneidade‖ na variação dos resultados das cinco primeiras palavras-chave, entre dois e três pontos percentuais - embora entre espraiamento e adensamento seja um pouco maior (mais de seis pontos percentuais).
Esta análise permite identificar dois grupos distintos de resultados (porém interconectados), os quais apresentam ―comportamentos‖ e números de artigos encontrados relativamente próximos. O primeiro grupo que será designado como o da ―Análise Conjuntural‖, é composto pelas palavras-chave adensamento, crescimento, espraiamento, sustentabilidade e transporte. O segundo grupo, que será designado como o da ―Análise Propositiva‖, é composto pelas palavras-chave crescimento inteligente, desenvolvimento voltado para o trânsito e policentrismo. A palavra-chave megacidade, tenderia, normalmente a ser enquadrada no primeiro grupo, mas, em função do resultado na pesquisa, não foi incluída neste grupo e foi objeto de análise a parte.
O grupo da Análise Conjuntural respondeu por 90,18% dos resultados da pesquisa. Neste grupo, como de resto em toda a pesquisa, a palavra-chave transporte foi a que apresentou o maior número de artigos encontrados com 525 ocorrências. Este resultado reflete uma preocupação nas abordagens de questões urbanas, com o incremento da população e do aumento da produção e venda de automóveis, principalmente nos chamados países emergentes123. Associada a esta questão e como contraponto, aparecem discussões a
respeito do sistema de transporte público e de massa e questões a respeito da acessibilidade124. A palavra-chave com o segundo maior número de artigos encontrados,
Crescimento (458), é uma continuação da principal discussão associada ao tema Transporte; o grande incremento da população urbana e, principalmente, o grande crescimento das cidades. Este crescimento urbano que introduz, invariavelmente, a discussão de modelos seja de crescimento das cidades, como dos sistemas predominantes de transporte, contrapondo-as com as questões ambientais, econômicas e culturais. Estas importantes questões são o principal mote de discussão do terceiro tema em resultados: sustentabilidade, com 387 artigos encontrados.
123 Segundo dados da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers (OICA) a produção mundial
cresceu 41,36%, entre 2000 e 2010 (de 41.215.653 para 58.264.852). Em 2011, as dez maiores produções de automóveis eram, em ordem decrescente: China, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Índia, Estados Unidos, Brasil, França, Espanha e Rússia (WORLDOMETERS, 2013). Note-se que neste ―ranking‖ quatro países fazem parte dos chamados BRICS (composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, são consideradas os grandes mercados emergentes).
124Entendendo Acessibilidade nos termos da definição de Merlin e Choay (2010, p.5) como sendo a possibilidade
de acesso a um lugar ou de um lugar, caracterizando o nível de serviços disponíveis para este local, influenciando de forma direta no nível de valores da terra urbana.
Os temas que aparecem em seguida no número de artigos encontrados, espraiamento (346 artigos) e adensamento (221 artigos), são consequência dos temas anteriores, isto é, tratam da questão da expansão urbana e do debate entre os dois principais ―modelos‖ de crescimento de cidades: o modelo espraiado, adotado principalmente nos Estados Unidos e Canadá através da crescente suburbanização das cidades125 e seu contraponto, defendido
por parcela significativa de urbanistas, que é da proposição de implantação e mesmo incremento de cidades mais adensadas.
No segundo grupo, as palavras-chave, apresentaram resultados muito menores comparativamente com as palavras-chave do primeiro grupo. De certa forma esse era um resultado esperado, visto que três destas palavras-chave tratam de algumas das propostas de eventuais ―soluções‖ para as questões urbanas: crescimento inteligente (81 artigos), policentrismo (61 artigos) e desenvolvimento orientado para o trânsito (30 artigos). Naturalmente, por serem, propostas, apenas os grupos de estudo ligados aos temas tendem a tratar destas abordagens e mesmo algumas que já tiveram iniciadas eventuais intervenções em áreas urbanos, ainda estão em estágio inicial, o que também reduz possibilidades de uma análise mais ampla por parte da academia e de seus pesquisadores.
Finalmente, apresenta-se aqui a palavra-chave Megacidade, que, em princípio seria enquadrada no primeiro grupo. Seu resultado, com apenas 39 artigos encontrados poderia ser considerado uma contradição aos resultados do tema crescimento, pois, invariavelmente, esta outra questão aborda os problemas de cidades de grande população, geralmente designadas megacidades. Duas hipóteses são levantadas para explicar este resultado, a primeira é que o tema não aparece na pesquisa por não se adotar a denominação ou palavra chave megacidade, ocorrendo eventualmente textos que tratam desta questão sem utilizarem esta expressão, o que faz com que não o artigo não seja selecionado na pesquisa e apareça em resultados. A única maneira de contornar este ―problema‖ seria a elaboração de pesquisa ―manual‖, isto é pesquisa de artigo por artigo (sem uso de ferramentas de busca) o que, em função da base de artigos, cerca de 49.970 (TAB. 29), inviabilizariam a execução da pesquisa. A segunda hipótese é a própria diversidade de entendimentos do que seria uma megacidade, que pode ter critérios diferentes para enquadramento ou não nesta ―categoria‖, enquanto Brinkhoff (2013) utiliza como parâmetro população de 20 milhões de habitantes, Davis (2006, p.14) estabelece parâmetro de 8 milhões.
125Os Estados Unidos, no censo de 1970 registra pela primeira vez que o número de norte-americanos vivendo em
subúrbio era o maior entre os extratos de população e que, em 2000, este extrato não só se mantem como o maior como é superior à somatória de todos os demais extratos populacionais (HAYDEN, 2003, p.10).
A análise da evolução da produção ao longo do período da pesquisa, demonstrada através do gráfico 20 mostra que os dois grupos ―Análise Conjuntural‖ e ―Análise Propositiva‖ apresentam ―comportamentos‖ semelhantes.
Gráfico 20 - Evolução do número de artigos em todas as palavras-chave Fonte: Pesquisa do autor na Base de Periódicos Capes (2013)
No primeiro grupo ―Análise Conjuntural‖ (adensamento, crescimento, espraiamento, sustentabilidade e transporte), existe o que se pode qualificar como certa variação na produtividade com anos de crescimento e outros com redução na produção, como se observa, na linha de evolução de transportes com redução no ano de 2009 em relação a 2008, crescimento em 2010, nova redução em 2011 e crescimento acentuado em 2012. O mesmo ocorre no tema crescimento, com aumento constante entre 2005 e 2009, queda em 2010, retomada em 2011 e ligeira queda em 2012. O mesmo pode ser observado nas demais palavras-chave, como a redução de 2008 em espraiamento e a retomada no ano seguinte, ou as reduções na produtividade sobre o tema sustentabilidade observadas nos anos de 2009 e 2011 e as ―retomadas‖ nos anos subsequentes. Embora esta inconstância ocorra em todas as palavras-chave do grupo, como uma tendência comum, a outra e talvez mais importante, é a existência de uma tendência geral ao crescimento na produção de artigos que abordem estes temas.
0 20 40 60 80 100 120 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Adensamento Crescimento Crescimento Inteligente DOT Espraiamento Megacidade Policentrismo Sustentabilidade Transporte
No segundo grupo ―Análise Propositiva‖ (crescimento inteligente, desenvolvimento voltado para o trânsito e policentrismo), embora existam eventuais variações na produção de artigos ao longo do período da pesquisa, o que se pode inferir é que existe certa constância ou uma tendência a produção média de artigos sobre os diferentes temas.
A mesma análise feita para o segundo grupo pode ser adotada para a palavra-chave megacidade e mesmo o que poderia ser interpretado como uma possível tendência de queda quando se analisa os resultados entre 2010 e 2012 não poderia ser interpretada como tendência em razão das ―quedas‖ observadas nos anos de 2004 e 2006. Para esta palavra- chave, pode-se sugerir que existiria uma propensão à produção constante de artigos que utilizam esta palavra-chave, reportando às observações feitas quanto à abordagem do tema sem se referir especificamente a esta expressão.