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De teknisk-industrielle institutter foran 1990-årene

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3.1 De teknisk-industrielle institutter foran 1990-årene

Em “Estética da Criação Verbal”, Bakhtin ([1979]2011) caracteriza o texto por meio da perspectiva do enunciado, uma vez que esse está incluído em uma cadeia discursiva e, portanto, não existem formas discursivas puras. Entretanto, para esse estudioso, a reprodução de um texto (enunciado) por um sujeito falante em outro contexto caracteriza-se como um novo acontecimento, um novo elo na cadeia discursiva, e, por sua vez, um novo enunciado repleto de significações adquiridas na nova situação comunicacional.

Bakhtin ([1979]2011, p. 308) considera que: “Todo o texto tem um sujeito, um autor (o falante, ou quem escreve)”, ou seja, esse teórico atribui o status de autor a qualquer sujeito que tome uma posição axiológica pelo uso da palavra em uma comunidade discursiva. De acordo com Faraco (2009, p. 94), “a posição do autor criador [para Bakhtin] é um modo de ver o mundo, um princípio ativo de ver que guia a construção do todo estético e direciona o olhar do leitor”. Em outros termos, é um ponto de vista do sujeito a respeito de um objeto de discurso.

Destacamos que essa visão bakhtiniana de autor é diferente da proposta por Foucault (1999) que atribui tal status apenas ao sujeito que possui um determinado papel social como clérigos, juízes, professores, etc., ou seja, apenas aqueles que possuem o poder de instaurar a ordem social. Logo, o discurso por autoridade é responsável por atribui poder ao sujeito falante, uma vez que apenas quem o detém possui o direito de estabelecer a ordem social, impondo o que deve ser feito, ou dito em uma comunidade discursiva. Nessa visão, não se considera os diálogos do cotidiano como uma autoria, somente o discurso institucionalizado, socialmente, confere ao falante a condição de autor.

Considerando essas colocações, apresentarmos um conceito de comentário

online, visto que trabalhamos com o AVA Moodle. Procuramos defini-lo

fundamentados em Santos (2013) e Santos e Alves Filho (2012). Para esses pesquisadores:

O comentário online origina-se como uma resposta a um fato noticiado, ou ainda, uma resposta a outros comentários sobre um mesmo acontecimento enunciativo. O comentário online, assim como outros gêneros do meio impresso (a exemplo da carta do leitor), atende à necessidade social de manifestação da opinião na esfera jornalística além de responder a um posicionamento cultural da mídia que visa incendiar a participação responsiva de todos os leitores por meio da opinião destes sobre as notícias veiculadas. Não se trata de um gênero complementar nascido no meio digital, embora o meio digital tenha possibilitado um uso mais intenso e frequente. No final das notícias de muitos portais é comum encontrarmos um espaço para a publicação dos comentários, acompanhados de frases tais como: Deixe seu comentário; Seja o primeiro a comentar essa notícia. Ou seja, assistimos a um encorajamento explícito para a manifestação das opiniões pessoais no espaço intitulado de comentário (ALVES FILHO; SANTOS, 2013, p. 63, grifos dos autores).

Esse gênero digital é uma réplica ou tréplica de diálogo, isto é, uma apreciação do comentador/enunciador a uma temática discutida em um ciberespaço, segundo os referidos pesquisadores.

De acordo com Santos e Alves Filhos (2012, p. 03, grifo dos autores), “cada enunciado (comentário) é como uma parte constitutiva de uma sequência maior que é o comentário online”. Por essa assertiva, concebemos o comentário online como os pontos de vistas e/ou réplicas (ou tréplicas) de diálogos produzidos no e-fórum/aula. Nessa visão, o comentário é a compreensão responsiva ativa do enunciador e, por sua vez, o nosso objeto de estudo. Por conseguinte, o e-fórum acadêmico é o conjunto de todos os comentários discentes produzidos como respostas a certo tópico de discussão do professor em uma situação de ensino-aprendizagem. Ilustremos essa questão com comentários postados em portais de notícias, ou ainda, em salas de aulas virtuais.

Nas redes sociais ou portais virtuais, segundo Santos (2013), o comentário online apresenta quatro funções retóricas: 1) investigar a opinião do público, comentadores, em relação aos portais de notícias; 2) obter contribuições para organização e correção de notícias veiculadas nesses portais; 3) receber, ou apresentar as críticas dos comentadores, sendo esse gênero dedicado à expressão da opinião pública; 4) e convidar outros comentadores para ações públicas.

No contexto acadêmico, quando o e-fórum/aula é utilizado como ferramenta para a realização de uma atividade de linguagem, o comentário online possui as seguintes funções: 1) averiguar a compreensão do aluno sobre o conteúdo e os textos estudados em aula; 2) estimular a discussão do conteúdo e dos textos entre os alunos; 3) favorecer o desenvolvimento da leitura e da escrita crítico-reflexiva dos alunos; 4) e avaliar os alunos, considerando a participação e a compreensão dos textos comentados. Essas funções caracterizam o gênero comentário como resultante das relações dialógicas constituídas entre diferentes sujeitos sociais, enfatizando a importância do estudo da construção de sentidos do comentário discente em aulas de virtuais.

O gênero comentário online é formado em uma cadeia discursiva mediante as réplicas e tréplicas de diálogos produzidas pelos interlocutores de um acontecimento discursivo específico. Ele resulta das relações sociais entre os participantes de uma comunidade discursiva, sejam os leitores de um jornal virtual, ou ainda, os alunos e os professores de um AVA, entre outras esferas sociais.

Além disso, a pesquisadora Santos (2013) acentua, fundamentada no pensamento bakhtiniano, que o comentário online é marcado pelo plurilinguismo expressivo de diferentes locutores. Nessa perspectiva, esse gênero discursivo é constituído por vozes sociais que se alternam em um diálogo amplo, havendo uma “dialogização interna”, ou melhor, um “discurso bivocal” nele, e, portanto, o discurso do sujeito (comentador) é perpassado por outras vozes sociais, mesmo que essas vozes não estejam explícitas textualmente em seu comentário.

Ressalvamos que a expressão “discurso bivocal” é originada nos estudos bakhtinianos, ela diz respeito ao plurilinguismo presente nos gêneros discursivos, quer dizer, o discurso de outrem incorporado à linguagem do falante com propósitos diversos, em particular, com o intuito de contrapor a expressão do autor, ou ainda, sustentar um argumento do locutor, acentuando sua posição sobre temática.

Nesse aspecto, a bivocalidade está relacionada à construção híbrida do enunciado, que, embora pertença a um único locutor, é composto por diferentes enunciadores, sendo o discurso do “eu” marcado por índices linguístico-discursivos e composicionais de dois ou mais “outros” enunciadores, e por sua vez, diferentes perspectivas semânticas e acentos axiológicos. (BAKHTIN, [1975]2010b).

Os sentidos presentes em um enunciado estão (sub)divididos em diferentes vozes e, por sua vez, há diferentes apreciações em um mesmo texto. Nesse caso, o comentário online é constituído pelas relações dialógicas existentes entre o sujeito falante – o locutor – e outros sujeitos – interlocutores –, sendo o sentido de um texto resultante do diálogo entre perspectivas diversas de um mesmo tema.

No e-fórum acadêmico, o comentário online traz à tona os pontos de vista dos alunos sobre a compreensão do texto, e por sua vez, apresenta como esses comentadores, ou melhor, sujeitos responsivos atribuem sentidos para o texto comentado. Dito de outra maneira, esse gênero mostra os indícios linguístico- discursivos que favorecem o entendimento de como o tema discutido é desenvolvido pelas relações dialógicas constituídas pelos interlocutores virtuais.

Destacamos que as discussões realizadas em portais de notícias e em e-fóruns acadêmicos são estimuladas por um locutor, ou seja, esse sujeito evoca seus interlocutores para participar do debate. Por exemplo, no caso, desta pesquisa, observamos que os alunos são estimulados pelo professor, ou tutor a distância a comentarem os textos com frases como: “Quem começa?! Vamos lá? Participem!”.

Consideramos essa invocação do locutor – professor e/ou tutor – para a participação do interlocutor – aluno – uma característica inerente a ambos os gêneros: e-fórum de discussão e comentário online, pois esses são constituídos pela relação entre uma pergunta e uma resposta. Logo, a pergunta de um traz implícita a resposta de outro, como defende o pensamento bakhtiniano o “eu” constitui-se na relação com o “outro”.

Outra característica do comentário online diz respeito ao público presumido porque o discurso produzido é, sempre, direcionado a alguém específico. De acordo com Santos (2013), no caso das redes sociais ou dos portais, há dois tipos de interlocutores do comentário online: o interlocutor imediato e o interlocutor

genérico. O primeiro é o “tu” a quem o locutor se dirige diretamente por meio da réplica de diálogo; enquanto, o segundo é o leitor do comentário, ou seja, o sujeito que se constitui como um interlocutor indireto do enunciado no processo de interação realizado no espaço virtual.

Na esfera digital, as noções de interlocutor imediato e interlocutor genérico possuem uma relação entre o público e o privado, pois o ciberespaço propicia um ambiente para a interação de maneira direta entre o sujeito “eu” – locutor – e sujeito “outro” – interlocutor –, permitindo a realização de um diálogo semelhante às conversas privadas, porém, acessível ao público em geral. (SANTOS, 2013). De acordo com Santos (2013), um diálogo “privado” entre dois sujeitos ou um grupo social, uma vez realizado em um espaço virtual é inserido, simultaneamente, em um processo interativo mais amplo, no qual os possíveis leitores dos comentários tornam-se também interlocutores, ou ainda, coautores do discurso do outro, já que os discursos são produzidos como réplicas e tréplicas direcionadas ao discurso do outro.

No caso do e-fórum acadêmico, o comentário produzido pelos alunos ora é endereçado a outro aluno, ao professor, ou ainda, ao tutor a distância da sala de aula virtual. Esse aspecto do comentário indica uma propriedade do enunciado, já manifestada por Bakhtin e o Círculo, que consiste no endereçamento do texto, ou seja, todo enunciado procede de alguém, e também é direcionado a alguém. Nessa visão, os discursos não são produzidos no vácuo, mas sim com objetivos concretos, logo, ao enunciar o sujeito tem uma intenção e um interlocutor pré-determinado, seja em uma situação face a face, ou ainda, em uma situação de escrita.

Santos (2013) destaca também que a interação entre os comentadores e os portais ocorre de maneira diferenciada, pois esses portais não replicam seus

comentadores na cadeia discursiva de comentários, mas sim mediante a comunicação restrita a exemplo do email, respondendo aos comentadores conforme seus interesses. Isso não é suficiente para inexistência de interação já que os enunciados surgem como uma resposta ao incentivo do portal, ou seja, sempre, acontece uma interação. Igualmente, ocorre dentro do processo de interação realizado em e-fóruns/aula, nos quais o professor-tutor orienta seus alunos a respeito de algum problema de compreensão ou de linguagem por meio do email no AVA Moodle, evitando constrangimentos aos alunos, como também o desvio dos outros alunos do objeto de discussão. Mas se essa intervenção do professor-tutor fosse pública, em algumas situações, poderia favorecer a construção do tema, diminuindo, ou até mesmo, prevenindo o desvio temático no e-fórum/aula.

Além disso, a pesquisadora aponta ainda que o comentário online permite diferentes formas de interação entre os comentadores que podem manifestar suas opiniões em uma cadeia discursiva constituída em torno de uma notícia. Segundo ela, a leitura da notícia é responsável por “proporciona uma interação entre leitor (mesmo aquele que não comenta) e portal, uma vez que o portal e o jornalista, ao produzirem a notícia, levam em conta um leitor presumido” (SANTOS, 2013, p. 119). Por esse motivo, as escolhas lexicais, ideológicas e discursivas do narrador do portal para a construção da notícia são influenciadas pelo leitor presumido, e, consequentemente, esse sujeito também entra em contado com a ideologia desse narrador do portal, no caso, o jornalista.

De acordo com Santos (2013), a construção da notícia é conduzida pelo leitor presumido, sendo esse sujeito responsável pelas escolhas linguísticas, ideológicas e discursivas do jornalista do portal para a construção do texto noticiado. Por consequência, o sujeito leitor dialoga também com outra ideologia por meio da interação no portal, analisando os fatos pela apreciação de outro sujeito, no caso, o jornalista. Dessa maneira, o sujeito leitor é influenciado pela apreciação do discurso de “outro”, avaliando os fatos pelas relações dialógicas constituídas no ciberespaço, seja com os comentadores ou com o narrador da notícia. Nessa perspectiva, a referida pesquisadora alega que: “Essa pluralidade de interações cria um campo fértil para diferentes relações dialógicas e ideológicas” (SANTOS, 2013, p. 120), ou seja, permite o confronto entre diferentes pontos de vista sobre uma mesma temática.

No caso do e-fórum/aula, o aluno entra em contado não somente com o texto indicado pelo professor que traz uma ideologia acerca do tema discutido em sala de aula, mas também com os pontos de vista de outros alunos leitores/comentadores que realizam suas apreciações, considerando suas experiências com relação ao objeto de discussão.

Essas relações dialógicas constituídas entre os participantes do e-fórum enriquecem a aula, e também aprimoram os conhecimentos dos alunos formando leitores mais críticos, pois possibilita que esses leitores reflitam acerca de um mesmo tema a partir de outras perspectivas ideológicas, contribuindo para uma melhor compreensão responsiva do texto. Além disso, a interação verbal entre os alunos no e- fórum/aula favorece uma avaliação mais coerente pelo professor (ou tutor) porque propicia uma visão mais ampla da participação desses alunos, como também do processo de aprendizagem.

Ressalvamos que semelhante ao portal de notícias, o professor-tutor no e- fórum/aula constrói seu enunciado postado por meio de um tópico de discussão, considerando um interlocutor presumido, no caso, o aluno virtual. Esse sujeito quando interagem com o enunciado do professor-tutor, ou ainda, de outro aluno entra também em contado com outras ideologias, bem como com outro estilo de linguagem construindo seu comentário pela interação verbal realizada na aula.

Postas essas considerações, a concepção de gênero discursivo adotado, neste trabalho, está alicerçada nos estudos de Bakhtin e o Círculo, sendo o gênero conceituado tanto como uma forma discursiva, relativamente, estável em razão de conservar os principais traços que o caracteriza como também uma forma mutável em virtude de estar sempre em constante processo de transformação uma vez que se altera a cada evento em que é empregado. (SOBRAL, 2009).

Nesse caso, os gêneros discursivos são, concomitantemente, formas normativas fixas para que não sejam (re)inventados novos gêneros a cada situação comunicativa, mas também são formas mutáveis que se adaptam, ou melhor, adquirem novas características devido as mudanças ocorridas nas diferentes esferas sociais como aconteceu com a eclosão da Internet na sociedade contemporânea.

Essas formas discursivas são constituídas mediante a interação com outros gêneros, apropriando-se de seus elementos e, por sua vez, transmutando-se nas esferas sociais. Além disso, os gêneros caracterizam-se efetivamente por seu hibridismo devido

os traços linguísticos extraídos de suas tipificações. Esse hibridismo possibilita a identificação de marcas que evidenciam o contato com gêneros discursivos de outras esferas sociais a exemplo do e-fórum de discussão acadêmico. Portanto, os gêneros organizam-se mediante as relações sociais entre os participantes da situação comunicacional, resultando do plurilinguismo, ou seja, da interação entre diferentes vozes sociais.

Tendo apresentado o conceito de gênero em que estamos alicerçados nos detemos, agora, a explicitar os elementos constitutivos do gênero discursivo. Para tal, apoiamos-nos em Bakhtin ([1975]2010b e [1979]2011), Fiorin (2006), Faraco (2009), Sobral (2009), Brait (2010), Cereja (2010) e Santos (2013).