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3.5 De teknisk-industrielle forskningsinstitutter 1 En juridisk introduksjon
Voloshinov ([1926]1976) enuncia no ensaio “Discurso na Vida e Discurso na
Arte”, que não existe forma de comunicação isolada de uma situação comunicativa concreta, quer dizer, a forma abstrata participa do processo de interação verbal relacionando-se com outras formas de discursivas, adquirindo características que aparecem apenas por meio da conexão de um enunciado com o meio social. Logo, a interação entre discursos constitui a base de composição dos enunciados porque esses são construídos no diálogo de uma forma verbal com outra.
Nessa visão, o mesmo estudioso enfatiza a importância do contexto para a compreensão de um enunciado, e por sua vez, para a sua construção composicional, pois, segundo ele, a situação extraverbal não se justapõe ao enunciado, nem tampouco é causa dele, mas “se integra ao enunciado como parte constitutiva essencial da estrutura de sua significação” (VOLOSHINOV, [1926]1976, p. 05). O contexto influencia, diretamente, na composição do enunciado, pois o enunciador efetua suas escolhas lexicais, considerando uma intenção, um interlocutor e um contexto social.
Voloshinov ([1926]1976, p. 06) ressalta que “o enunciado pode agir apenas se sustentado em fatores constantes e estáveis da vida e em avaliações sociais substantivas e fundamentais”. Nesse caso, os julgamentos de valor, quer dizer, os acentos apreciativos assumem um papel relevante para a organização dos enunciados em estruturas formais porque dizem respeito à maneira como o locutor expõe seus pontos de vista no enunciado, ou seja, como ele seleciona o material linguístico e organiza a forma composicional do gênero.
Ao tratar da obra literária, o estudioso citado acrescenta que a forma artística deveria ser estudada a partir de dois aspectos: 1) o conteúdo como uma avaliação ideológica; 2) e o material linguístico como a materialização da técnica da avaliação; pois, segundo ele, a forma abstrata deve ser avaliada por sua relação com o conteúdo, visto que essa relação a torna mais que um material técnico, abstrato, sem um valor concreto. Em outros termos, o conteúdo, o material e o contexto são essenciais para a composição de um enunciado concreto.
Ao discorrerem acerca da ordem metodológica para o estudo da língua, Bakhtin/Volochínov ([1929]2010) abordam também sobre as formas dos atos de fala e como essas evoluem, ou melhor, transformam-se a partir de sua conexão com a
interação verbal. De acordo com esses estudiosos, as situações de enunciação e os interlocutores do discurso (o auditório do locutor) determinam a maneira como o discurso interior é expresso em sua forma definitiva.
Esses estudiosos asseguram que o meio extraverbal e o auditório são responsáveis por moldar as formas típicas de enunciados, sendo assim a construção composicional desses enunciados respondem as necessidades da vida cotidiana, e, portanto, são formas com características relativas e não reiteráveis; por conseguinte, essas se modificam conforme a situação de comunicação, na qual, os sujeitos do discurso estão envolvidos. Por causa disso, os referidos estudiosos defendem que a forma composicional não pode ser estudada dissociada do conteúdo temático e do material linguístico porque essa relação garante a mobilidade do gênero, tendo em vista que a atualização é responsável pela atribuição de novos aspectos – temáticos e estruturais – aos enunciados.
Ilustremos essa questão com o seguinte exemplo: um fórum aberto em um espaço presencial apresentará características orais e os participantes se comunicarão apenas em tempo real, além disso, alguns turnos da discussão se perderão durante o debate. Por outro lado, esse mesmo fórum aberto em um espaço virtual poderá acontecer tanto oralmente pelo uso de vídeo, quanto pela escrita, e por sua vez, os participantes poderão interagir em tempo real (sincrônico), ou ainda, em um tempo virtual (assincrônico), podendo refletir melhor sobre aquilo que pretendem expor na discussão, pois, os enunciados ficaram registrados no ambiente virtual. O gênero discursivo e-fórum de discussão modificará segundo a situação comunicativa e seu público, adquirindo características próprias do ambiente em que estiver inserido como um recurso de comunicação verbal.
No ensaio “Estrutura do Enunciado”, Voloshinov ([1930]1981) retoma essa discussão sobre a constituição do enunciado, e por sua vez, da forma composicional afirmando que “o conteúdo e o sentido de um enunciado não podem se realizar e se concretizar senão dentro de uma forma, sem a qual eles não existiriam” (VOLOSHINOV, [1930]1981, p. 11); desta maneira, a forma composicional é entendida como um modo de materialização do discurso do locutor. Esse estudioso destaca ainda que a produção de um enunciado exige do locutor a delimitação existente entre a forma verbal, a situação de comunicação e o interlocutor. Logo, esse sujeito
deve selecionar os elementos essenciais à organização dessa forma verbal que são: a entonação, o material linguístico e a disposição desse material no interior de um todo.
Também, nesse ensaio, o estudioso enfatiza que “a situação e seu respectivo auditório determinam a entonação através da qual se realizam a escolha e a ordenação das palavras, fazendo com que o enunciado ganhe sentido próprio”. (VOLOSHINOV, [1930]1981, p. 12); pois, conforme esse mesmo estudioso: “O discurso verbal é o esqueleto que só toma forma viva no processo da percepção criativa consequentemente, só no processo da comunição social viva”. (VOLOSHINOV, [1926]1976, p. 11). Em outros termos, o contexto, as esferas sociais e as relações dialógicas estabelecidas pelo locutor do discurso definem a forma de composição de seus enunciados; deste modo, um mesmo conteúdo receberá cuidados lexicais e estruturais distintos conforme a situação enunciativa.
Bakhtin ([1979], 2011, p. 283, grifos do autor) declara que o ser humano se comunica por meio de enunciados, sendo esses compreendidos como “formas relativamente estáveis e típicas de construção de um todo”. Para esse estudioso, as formas (gêneros) moldam o nosso discurso de maneira padronizada, mas flexíveis, maleáveis e inovadoras, podendo se modificar de acordo com as circunstancias de produção do enunciado. Por esse motivo, não podemos falar de formas fixas quando tratamos sobre os gêneros discursivos, mas sim de formas típicas que se adéquam as esferas sociais existindo uma enorme diversidade de gêneros para atender as variadas situações de comunicação.
Sobral (2009) acrescenta que os estudos bakhtinianos apontam dois fatores determinantes para um texto tornar-se um enunciado: o seu projeto (ou intenção) e a
execução desse projeto. Esses dois aspectos estão associados ao objetivo que o sujeito
tem para o seu discurso e ao modo como o expressa ao seu interlocutor. Desse ângulo, segundo esse estudioso, a escolha de um tipo de oração está, sempre, relacionada ao todo de um enunciado, e, por sua vez, a constituição do sentido dele realizar-se-á por meio da mobilidade da frase em seu todo, sendo o sentido dependente do projeto enunciativo do locutor. É a partir desse projeto que o sujeito dispõe os elementos linguísticos compondo o enunciado completo.
Em suma, a forma composicional é a maneira de organizar o texto, isto é, o modo como o sujeito dispõe suas palavras para alcançar sues propósitos com um público específico. Cada gênero discursivo possui uma composição particular, porém
flexível para ser reconhecido como tal e adapta-se a certas situações de comunicação a exemplo do fórum, que pressupõe uma discussão por meio da comunicação oral sincrônica em torno de uma mesma temática entre diferentes sujeitos, e que se modificou para atender às necessidades do meio virtual através da comunicação assincrônica escrita.
Na próxima seção, apresentamos o terceiro elemento dos gêneros discursivos conforme os estudos bakhtinianos: o estilo.