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1. Sammendrag og hovedkonklusjoner

6.3 De største eiernes andeler

Segundo dados do Comitê Gestor da Internet29, o acesso à internet no Brasil vem aumentando nos últimos anos. Em 2007, 34% da população brasileira (45 milhões de pessoas) utilizava a internet como meio de comunicação. Em 2011, o número de pessoas que acessou a internet por meio de celulares cresceu 340% e estimava-se que os acessos móveis no país chegariam a 73 milhões de usuários em 2012 e a 124 milhões em 2014.

Os dados revelaram ainda que, em 2012, o celular já era a segunda tecnologia mais presente nos domicílios brasileiros, estando em 87% dos lares no país, atrás apenas da televisão, presente em 98% deles. Já segundo dados do site Brasil LINK30, o público internauta jovem do Brasil é líder mundial em uso de redes sociais. Cada jovem brasileiro passa cerca de 14 horas por mês navegando nestes sites, média superior a de grandes mercados on-line. O segundo maior país em termos de uso de redes social foi a Rússia, com uma média de 10,8 horas por mês. O Facebook foi o site mais popular (96% dos internautas brasileiros têm uma página nessa rede social), seguido do YouTube (70%), Skype (69%), Google+ (67%), Twitter (64%), Orkut (57%) e Instagram (52%). E grande parte desse acesso se deu por meio das tecnologias móveis, já que 88% dos celulares dos jovens internautas brasileiros têm os aplicativos dessas redes sociais.

Essa tendência é confirmada também pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, segundo a qual 53% dos jovens internautas brasileiros usam seus celulares para entrar em mídias sociais e 16% usam tablets. Por fim, os levantamentos publicados no site da Brasil Link indicam também que 71% dos internautas brasileiros são amplos compartilhadores de conteúdos nas redes sociais, o maior percentual entre todos os países pesquisados.

Portanto, as redes sociais da internet se constituem como um dos ambientes midiáticos mais relevantes para parcela da juventude brasileira. Segundo Haythornthwaite e Wellman (apud RECUERO, 2009, p. 15), “Quando uma rede de computadores conecta uma rede de pessoas e organizações é uma rede social”. Essa definição nos permite pensar as redes sociais não apenas como um fenômeno tecnológico, mas como algo que resulta da interação social

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O Comitê Gestor da Internet é uma entidade criada pelo Governo Federal para tornar efetiva a participação da sociedade nas decisões envolvendo a implantação, administração e uso da Internet. É um órgão composto por membros do Ministério das Comunicações e do Ministério da Ciência e Tecnologia e por representantes das empresas operadoras e gestoras da infraestrutura de acesso a internet, de provedores de acesso ou de informações, de usuários e da comunidade acadêmica. Disponível em:<cgi.br>. Acesso em: 10 ago. 2014.

30

Disponível em: < http://brasillink.usmediaconsulting.com/2014/08/6-tendencias-recentes-em-redes-sociais-no- brasil/>. Acesso em: 10 ago.2014.

mediada pelas tecnologias digitais. Portanto, em cada nó da rede há pessoas historicamente situadas. Seguindo esta definição, Recuero (2009) explicita que as redes sociais são constituídas de atores sociais (pessoas, instituições, grupos organizados etc.) e suas conexões. Os atores, no entanto, não se referem necessariamente a indivíduos imediatamente reconhecidos na esfera virtual, mas a representações performáticas desses. No Facebook, por exemplo, cada participante é representado por um “perfil”, que pode conter sua foto ou uma imagem ilustrativa e dados pessoais que podem ser perfeitamente iguais aos de sua identidade civil ou, ao contrário, pode ser ficcional, daí a noção de atores. Já as conexões de uma rede social podem ser compreendidas como os caminhos ou elementos que promovem a interação nas redes.

Entretanto, vale ressaltar que as redes sociais referem-se a um conceito mais amplo do que as redes sociais da internet, ou dos sites de redes sociais. Conforme explica Capra (2008), o estudo das redes começou nos anos de 1920, quando ecologistas viram os ecossistemas como comunidades de organismos inter-relacionados por meio de redes de alimentação. Já no campo das ciências sociais, as redes são fenômenos que envolvem relações sociais e redes de comunicação que envolvem linguagem simbólica, restrições culturais, relações de poder, entre outros. “Assim como as redes biológicas, elas [as redes sociais] são autogenerativas, mas o que geram é imaterial. Cada comunicação cria pensamentos e significados, os quais dão origem a outras comunicações, e assim toda a rede se regenera" (CAPRA, 2008, p. 22). De modo geral, portanto, as redes sociais são “estruturas dinâmicas e complexas formadas por pessoas com valores e/ou objetivos em comum, interligadas de forma horizontal e predominantemente descentralizadas” (SOUZA; QUANDT, 2008, p. 36). E, neste sentido, podem existir dentro ou fora da web.

Já, quando falamos em redes sociais da internet, estamos nos referindo aos sites de redes sociais. Estes se referem a plataformas, ferramentas ou programas (softwares) criados especificamente para a “visibilidade e a articulação das redes sociais” (RECUERO, 2009, p. 102)

De um ponto de vista mais crítico, é preciso reconhecer que as redes sociais atuam com o imperativo de tornar público o mundo, incluindo-se aí o que outrora foi considerado do âmbito privado. Além disso, desponta como necessidade, em uma sociedade amplamente individualizada, a busca permanente por socialização, por pontos de contatos com grupos sociais, mesmo que se tratem apenas de laços aparentes. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (2008), em sua obra Vida para o Consumo, as redes sociais fazem parte de um espectro mais amplo do que ele chama de “sociedade de consumidores”. Para esse autor, o

que caracterizaria tal sociedade, mais do que a necessidade incessante em consumir, é o fato de haver uma transformação dos consumidores em mercadoria. Num mundo farto em informações, a subjetividade humana deseja tornar o sujeito visível e, para tal, força os sujeitos-consumidores cada vez mais a figurar com características daquilo que se chama “mercadoria”. Colocam-se em prateleiras de destaques online, promovem automarketing, enfim, fazem tudo para obter o olhar alheio, tal qual um produto no mercado. Neste universo, as redes sociais passam a figurar também como confessionários eletrônicos em uma sociedade que transfigura a todos em mercadoria:

Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas (BAUMAN, 2008, p. 9-10)

Apesar deste traço inegável da cultura digital, que atravessa as redes sociais online, também reconhecemos que tais redes são ambiguamente constituídas e constituidoras de espaços de discussão e difusão de informações, em especial imagéticas, que vão além do “neonarcisismo” criticado por Bauman (2008), compondo-se por vezes em verdadeiras esferas comunicativas, nas quais as práticas discursivas não se dão meramente em função daquilo que é ou não a opinião dos meios de comunicação de massa ou tão somente de assuntos de ordem individualista e do mundo privado. Exatamente por se situar no terreno movediço das comunicações horizontalizadas, as redes sociais da internet, como locus privilegiado da comunicação em rede, podem oportunizar tensionamentos e/ou reflexões analítico- interpretativas que geram percepções ampliadas sobre fatos e versões dos mais diversos assuntos que por lá circulam.

No campo da Educação Física, apontamos que, no que se refere ao assunto “esporte”, ou, mais precisamente, ao esporte veiculado pela mídia, por exemplo, as significações a respeito desse conteúdo podem ser reformuladas coletivamente nos redutos da comunicação em rede, visto que parcela dos jovens têm interagido com notícias, informações e comentários sobre o campo esportivo nas redes sociais da internet que extrapolam os controles e interesses dos meios de comunicação tradicionais e assumem contornos inéditos na cultura contemporânea. Assim, na cultura digital, a existência e proliferação de assuntos esportivos passou a conviver com outros redutos de produção e difusão de signos esportivos que não são exclusividade de "um discurso da e sobre a imprensa", mas se trata de uma modalidade de

troca simbólica entre agentes (praticantes ou meros apreciadores) de determinadas práticas corporais, no sentido de fazer circular informações a respeito de modalidades, que por vezes inexistem no âmbito das mídias de massa, em especial do jornalismo esportivo das redes de TV.

É o que fazem, por exemplo, os praticantes atuais de slackline, le parkour, entre outras modalidades, que formam grupos e comunidades nas redes sociais para difundirem imagens dessas práticas providas pelos próprios praticantes, para organizarem encontros, fóruns de discussões, etc. Nestes casos, nas redes sociais são constituídos por espaços de discussão e difusão de informações, em especial imagéticas, que decorrem de diversas práticas corporais, compondo-se verdadeiras esferas comunicativas em que as práticas discursivas não se dão em função daquilo que é ou não a opinião do jornalismo esportivo, visto que raramente há cobertura de tais modalidades na mídia tradicional.

Sendo assim, o engajamento na produção e distribuição de informações de modo livre e disperso pela rede mundial de computadores, em especial nas redes sociais, são tópicos que poderiam/deveriam ser abordados nas interlocuções entre jovens e as práticas educativas da Educação Física escolar, no sentido mesmo daquele reclamado pela Mídia-Educação. Além disso, no âmbito da formação de professores de Educação Física, poderiam/deveriam estar na ordem do dia dos currículos de licenciatura a tematização e a vivência das potencialidades da interação, da participação e do compartilhamento nas redes sociais em prol da produção de conhecimento sobre aspectos que afetam esta área do saber.

Ademais, um olhar apurado sobre as novas formas simbólicas que passam a compor o cenário da cultura digital e das redes sociais no que diz respeito à Cultura Corporal de Movimento, um dos aspectos mais exaltados cultura digital refere-se ao potencial da linguagem imagética, com destaque para a fotografia e o audiovisual, revelada na ampla produção, exposição e circulação de fotos e vídeos nesses espaços.