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Com o apoio de amigos, continuamos com o estudo, e a pesquisa foi divulgada entre conhecidos, que foram repassando para outros. Em pouco tempo, conseguimos o número de respostas de que necessitava para o meu trabalho.

Foram enviados e-mails com as seguintes informações: nome da pesquisadora, mestrado em Gerontologia da PUC, a importância deste trabalho para a pesquisadora, ênfase na seriedade da pesquisa, não-identificação do entrevistado. As questões deveriam ser respondidas por homossexuais masculinos e enviadas ao e- mail da entrevistadora. (anexo)

As respostas eram na maioria curtas, apesar de haver também algumas mais elucidativas, o que não é difícil de entender, haja vista serem por e-mail, e esse meio de comunicação ser rápido, claro e direto. E geralmente constam apenas informações necessárias. Outra hipótese é falar de si para alguém desconhecido e, principalmente, terem que assumir sua identidade sexual para outra pessoa.

O pensar, escrever e compartilhar essa vivência, esse sentimento, pode ser dolorido para alguns, porque lidar com as angústias experienciais é enfrentar algo escondido, um segredo, algo negado, um limite pessoal, resgatar uma realidade, enfrentar muitas vezes a moral social e seus valores.

As perguntas foram baseadas nas hipóteses iniciais, e como seriam feitas via e-mail, delimitar uma idade deixava de ser uma exigência, pois não sabíamos quem se disporia a respondê-las. Por isso, as mesmas questões, escritas de forma diferente, foram divididas em três faixas etárias: juventude, maturidade e envelhecimento.

A crença religiosa foi um item. A fé poderia ser aceita ou não por um coletivo e, cada uma dessas crenças tem influência em como lidar com a identidade sexual.

Considerou-se a etnia, pois interessava reconhecer, dentro deste Brasil de diversidades culturais, quem responderia às questões. Não devemos nos esquecer de que essa diversidade também abrange uma diferença econômica que garante que se tenha acesso ou não à tecnologia: o computador como recurso de pesquisa e desenvolvimento pessoal.

Indagou-se também sobre “morar com alguém, há quanto tempo e se teriam companheiro”, pois partimos da hipótese de que recursos afetivos poderiam ocorrer,

e seria importante entender como os entrevistados se sentem nessa relação. Saber o local da residência seria uma forma de verificar de onde vinham as respostas, e até se se tratava de locais onde há mais possibilidade de liberdade sexual.

A ocupação e a formação seriam um meio de identificar o nível de conhecimento, recursos úteis para a elaboração do trabalho, e que, provavelmente, poderiam garantir uma independência financeira que possibilitaria meios para conhecer e freqüentar pessoas, grupos que lhe interessassem. Dependendo das escolhas, se formam grupos e até guetos que se reúnem em algum lugar para compartilhar interesses.

Com base nestes dados individuais, pessoais, partimos para as perguntas que envolviam o envelhecimento, distribuídas do seguinte modo:

• Até 29 anos - com que idade acha que vai envelhecer, o que é ser velho para você e como se vê daqui a muitos anos? Esta idade foi escolhida como parâmetro, pois se imagina ser uma idade em que já se começa a ter certa independência financeira, compreende certos movimentos e formações sociais.

• De 30 a 60 anos - como tem lidado com esta fase e o que espera da vida? Escolhemos esta faixa de idade, pois é nela se procuram recursos e relações mais duradouras e que dêem certa estabilidade; a vivência já mostrou várias alegrias e amarguras da vida, da sobrevivência.

• Acima de 60 anos - como tem sido a sua vida e o que espera dela? Como os homossexuais masculinos, sabendo e estando mais próximos das mudanças físicas e emocionais, convivem com elas.

Percebeu-se no andamento da pesquisa a dificuldade de encontrar estas pessoas mais idosas. Ao mesmo tempo em que se falava, buscavam-se os sujeitos

pelos contatos com pessoas já conhecidas. A informação que me chegava é que eles se encontrariam no Largo do Arouche, no bar chamado Caneca de Ouro, e na boate Bailão. Teria seu diferencial das demais boates por não haver go-go boys e nem apresentações de drag-queens, porque (a pesquisadora pôde conhecê-los antes da intenção da pesquisa) buscam lugares novos.

Das respostas recebidas via e-mail, verificou-se que as pessoas com mais idade, por não terem muito acesso ao computador ou serem mais excluídas da sociedade, não se dispuseram a participar.

A análise das respostas foi realizada individualmente quanto aos itens e depois, fez-se um cruzamento entre elas. Principalmente, foram importantes as respostas escritas por trazerem a realidade destes sujeitos, envolvendo desafios, medos, angústias, realizações, esperanças, expectativas, buscas. Uma pequena transparência das vivências atuais. As respostas contêm elementos relevantes que podem ser suporte preventivo e, acima de tudo, um aspecto da importância dada pelos sujeitos.

Por meio da pesquisa, buscamos entender as questões relevantes da população, em relação à sua identidade sexual, idade e envelhecimento e tentar entender e compreender estas pessoas dentro de suas especificidades e construir recursos para uma maior qualidade de vida.

APRESENTANDO OS DADOS COLETADOS

O

presente estudo tem como sujeitos pessoas que se identificaram como homossexuais masculinos após entrar em contato com a pesquisadora ou receber por amigos o questionário da pesquisa.

Porém, como já citado, não encontramos os idosos. Tentamos um contato via e-mail com um site que divulgava trabalhos com idosos homossexuais. Expusemos o interesse em conhecer esses grupos, saber como são, como lidam com a escolha sexual, como trabalham, quem procuram. Procuramos também saber quem são essas pessoas, mas foi em vão, apesar de estar em um veículo de serviço à comunidade. Verificamos que existe, apesar de mais visíveis, um sentimento de “estar em guarda”, pelo histórico discriminatório, o que algumas vezes dificulta a divulgação, a construção e a troca de saberes.

A partir do momento em que se mudou totalmente o foco do site, o processo se realizou rapidamente, conseguindo os participantes por conhecidos e encami- nhamentos via e-mails. As respostas foram coletadas em aproximadamente duas semanas. A participação tão prontamente foi algo que muito me incentivou. Ao mesmo tempo, as respostas, vindas de lugares distantes e sem conhecer a pesquisadora, colocavam a importância, a necessidade de um pensar coletivo a respeito. Recebemos também respostas do exterior. Um fato interessante é que algumas mulheres casadas e com filhos participaram da pesquisa. Imagino que tenham deixado de ler que o questionário era para os homossexuais masculinos.

4.1. Identificação dos participantes

A pesquisa foi desenvolvida com a participação voluntária de 12 homossexuais masculinos, com faixa etária de 18 a 42 anos.

Os dados serão colocados na mesma ordem em que os itens foram expostos no questionário, nomeando os sujeitos de A,B,C... até L, o que corresponde aos 12 participantes, e em idade crescente.

Tabela 1 – Faixa etária

Número de pessoas Idade Sujeito 1 18 A 1 20 B 1 23 C 1 24 D 1 27 E 1 28 F 1 30 G 2 32 H e I 1 41 J 1 42 K 1 46 L

Este estudo acabou por abordar várias idades entre 3 décadas, que poderá proporcionar dados expressivos para a análise do processo de vivência e o que esperam da vida.

O fato destes sujeitos responderem, pode ter sido pela percepção anterior de sua identidade sexual e, possível reconhecimento na puberdade.

Tabela 2 – Religião Número de pessoas Sujeito Religião 2 A e C Acreditam em Deus 3 F, H e J Católico 1 B Católico não-praticante 3 E, K e L Espírita 1 D Espírita Umbandista 2 G e I Não têm

A religião mais recorrente é o espiritismo, enquanto o catolicismo, talvez pelo processo histórico, como já foi descrito, e pela posição atual sobre a homossexualidade, não seja muito praticado. Os que acreditam em Deus se apegam a algo, a alguma fé, e aqueles que se caracterizam como “sem religião”.

Tabela 3 – Etnia Número de pessoas Sujeito Etnia 9 A, B, C, E, F, H, J, K e L Brancos 1 I Mulato 2 D e G Não responderam

Como o Brasil é um país rico em diversidade cultural, em virtude do acolhimento de povos de etnias diferentes, o reconhecimento da homossexualidade seria facilitador ou dificultador.

O fato de 2 pessoas não responderem, pode-se compreender talvez como o não entendimento da questão “etnia”, ou o não querer revelar ou até mesmo o simples fato de não querer responder, pois tocar neste assunto pode levantar questões carregadas de preconceito. No estudo, pois, não vamos nos aprofundar na questão discriminatória “etnia”.

Tabela 4 – Mora com alguém – há quanto tempo – tem companheiro

Número de pessoas Sujeito Mora com alguém

5 A, B, F, G e H Com a família

1 D Ainda com a família

2 C e K Não

3 E, I e J Sim

Número de pessoas Sujeito Há quanto tempo

3 A, B, D e G Sempre

3 E 1 ano e 8 meses

I 2 anos

J 7 meses

2 K Há 10 anos mora sozinho e tem

companheiro também há 10 anos, que reside em Campinas

C Mora sozinho e não tem companheiro 1 F Mora com a família, mas não descreve

há quanto tempo

1 H Mora no momento com a família, mas

já morou 3 anos sozinho no exterior

Número de pessoas Sujeito Tem companheiro

4 E, I, J e K Têm companheiro

Metade dos entrevistados, 6 pessoas, mora com a família. Três deles moram com companheiros e dois moram sozinhos. Percebe-se que dos participantes de faixa etária até os 30 anos, a maioria, exceto um deles, não tem companheiro, pois podem usufruir na família, de atenção, cuidado e afeto. Isto não é indicativo se teriam assumido sua identidade sexual a seus familiares e se foram aceitos. Nota-se, também, que os sujeitos que têm companheiros e moram com eles, têm idade entre 32 e 41 anos. O sujeito que se diferencia em ter companheiro e não morar junto, apesar de ter a relação mais duradoura de 10 anos, é o sujeito K.

Tabela 5 – Em que cidade reside

Número de pessoas

Sujeito Em que cidade reside

8 D, F, G, H, I, J e K São Paulo

1 A Santos

1 B Uberlândia 1 C Brasília

A maioria dos sujeitos residem em São Paulo. Mas foi interessante como o veículo Internet se move, pois pessoas desconhecidas, de outros Estados e, em grande parte pelo Orkut, se disponibilizaram a participar da pesquisa.

Tabela 6 – Ocupação Número de pessoas Sujeito Ocupação 1 A Estudante 1 B Administrador de empresa

1 C Técnico em informática e bailarino

1 D Bancário 1 E Auxiliar administrativo 1 F Desempregado 1 G Gerente de loja 1 H Consultor financeiro 1 I Arquiteto 1 J Professor universitário

1 K Gerente de compras e importação

1 L Aposentado

Neste estudo, revelou-se um dado que contradiz algumas leituras, ou seja, muitos anteriormente recorriam a profissões ligadas à arte, por serem mais liberais e lidar com a subjetividade das pessoas. Também pelo fato de estarem ligadas à estética, ao belo, as pessoas que a elas se dedicam, teriam maior liberdade de expressão e poderiam ser quem são sem críticas ou discriminações. Porém, com o passar do tempo, este estigma também foi desaparecendo, e hoje já surgem, ocasionalmente, homossexuais masculinos trabalhando em outras áreas e que se assumem. Porém, como ainda existe o preconceito, muitos, mesmo trabalhando em profissões diversas, por medo da discriminação e de perder o emprego, não conseguem viver plenamente sua identidade sexual. O resultado deste estudo mostra a busca por diferentes empregos, que vão contra o imaginário social em relação às escolhas e vocações profissionais dos homossexuais. Observa-se também que a maioria tem renda, o que possibilita certa independência financeira.

Tabela 7 – Formação

Sujeito Formação

A Ensino superior (cursando) B Publicidade e propaganda (cursando) C Sistema de informação D Turismo E Jornalista F Magistério 2.º grau G 2.º grau H Administração de empresas I Arquitetura J Sociólogo, com pós-graduação e

doutorado

K Administração de empresas, comércio exterior, com pós-graduação

L Ginásio

Percebe-se que muitos participantes tiveram a oportunidade de cursar ou concluir ou o 3º grau. Alguns deram continuidade profissional direcionada pela formação, porém outros se encaminharam para trabalhos não-relacionados ao que estudaram. Observa-se por esta amostra que buscam áreas de exatas e humanas.

4.2. Dados relativos às respostas subjetivas em relação ao envelhecimento

– 6 sujeitos responderam às três questões destinadas às pessoas até 29 anos:

1ª questão: com que idade acha que vai envelhecer?

Sujt. - idade - resposta

A - 18 - Quando o meu espírito decidir envelhecer

B - 20 - Bom. Fisicamente acho que se envelhece cedo, aos 40+-, depende da vida que se leva, mais mentalmente.

C - 23 - Se pudesse evitar isso, mas como não posso... realmente não sei, mas acho que com uns 40 anos, 50 anos.

D - 24 - Acho que com uns 48 anos. E - 27 - 60

F - 28 - com nenhuma idade.

As respostas abrangeram sentimentos desde o espírito decidir envelhecer, o físico de 40 – 60 anos, o evitar envelhecer fisicamente, pois o mental não envelhece e sim amadurece, e a não-determinação do envelhecimento cronológico. O envelhecimento físico aparece como uma perda e é inevitável, apesar de existir vontade mental e emocional de não passar o tempo.

2ª questão: o que é ser velho para você?

Sujt. - idade - resposta

A - 18 - Ser velho é deixar de aproveitar as coisas boas da vida, deixando de acreditar nela.

B - 20 - Ser velho é quando se perde a vontade de viver e se entrega, ficar parado sem atividades físicas e mentais.

C - 23 - Ser velho é ser uma pessoa folgada, acomodada..entende? Não é só questão de idade, é questão de bem-estar.

D - 24 - Eh, chegar aos 80 anos e ver que cada momento que foi proporcionado em toda sua vida... Viver intensamente sem se

arrepender, e se caso o arrependimento acontecer, ter aprendido com isso.

E - 27 - Curtir tudo aquilo que não se teve tempo quando era mais jovem. F - 28 - Envelhecer dentro de si é a pior velhice.

Grande parte das respostas considerou que ser velho envolve as perdas físicas, a descrença sobre a vida, o enclausurar-se, o corpo que muda, que se vai, o desistir da vida. Somente um dos participantes ressaltou o tomar uma atitude diante da realidade de sua vida e viver o que não foi vivido quando jovem.

3ª questão: como se vê daqui a muitos anos?

Sujt - idade - resposta

A - 18 - Feliz, olhando pra trás e me sentindo feliz por não ter deixado passar nenhuma oportunidade que a vida me ofereceu.

B - 20 - Sou uma pessoa muito ativa, pretendo me formar e trabalhar na minha área, sair do país pra me especializar, casar com alguém no Brasil e viver minha vida com qualidade.

C - 23 - Se estiver solteiro, espero estar com minha casa e com meus verdadeiros amigos perto de mim. Não precisaria de mais nada. D - 24 - Bem-sucedido amorosa e financeiramente.

E - 27 - Um velhinho sarado passeando na praia com meu marido, diariamente.

F - 28 - Sozinho

As respostas variam: aproveitar cada momento, dar importância à realização pessoal e profissional, não se entregar ao envelhecimento, buscar recursos afetivos por perto, concluir que o velho que se acomoda não é pela idade, mas pelo bem-estar da pessoa, aprender com os erros, se ver “sarado” e acompanhado e o se ver sozinho.

– 6 sujeitos responderam às duas questões destinadas às pessoas de 30 – 60 anos:

1 questão: como tem lidado com esta fase da vida?

Sujt - idade - resposta

G -30 - Diria que estou vivendo a fase dos 30; acho o mundo homossexual muito promíscuo e instável.

H - 32 - Acho que tem sido a melhor fase de minha vida, preparado para novos rumos que ela (minha vida) possa tomar.

I - 32 - De maneira muito tranqüila

J - 41 - Tem sido uma fase muito produtiva quanto à realização profissional. Embora distante da minha família, que mora em Minas, estou vivendo

uma fase muito produtiva ao lado do meu companheiro. Quanto à sexualidade ainda sinto muitas dificuldades em lidar com o fato de estar envelhecendo.

K - 42 - Muito bem, estou em uma fase de plenitude sexual e profissional. L - 46 - Com mais paciência e menos ansiedade.

Entre as respostas, observamos a insegurança amorosa, a dificuldade em relação aos relacionamentos; ao mesmo tempo, verifica-se o momento profissional em desenvolvimento, a vivência que ensinou a lidar com menos ansiedade e com companheiro fixo vivendo um momento pleno sexual e profissional.

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2ª questão: o que espera da vida?

Sujt. - idade - resposta

G - 30 - É muito difícil um homossexual no Brasil conseguir se realizar sentimentalmente. O modelo americano é bem diferente.

H - 32 - Sou independente financeiramente, faço minhas viagens, malho; e verificando alguém compatível comigo, para futuro relacionamento. Encontrando muita gente, mas por enquanto, ninguém especial. I - 32 - Que não me falte trabalho nos próximos 10 anos.

J - 41 - Ultimamente, a grande preocupação que tenho está centrada na aquisição de uma casa própria, juntamente com meu companheiro. Espero envelhecer ao lado dele e conquistar uma velhice com uma certa tranqüilidade.

K - 42 - Crescer profissionalmente, quanto à minha vida pessoal espero continuar com meu namorado até o fim de nossas vidas, já estamos juntos há 10 anos.

L - 46 - Tranqüilidade e estabilidade.

Estes dados mostraram que os participantes que não têm companheiros, o “outro” como suporte afetivo dele sentem falta, e há a esperança de o encontrar, e viver juntos pelos anos adiante. Os que já têm companheiro fixo procuram a liberdade residencial, a continuidade desse relacionamento fiel, buscando, em geral,

tranqüilidade e estabilidade. A garantia e a estabilidade profissional também são preocupações dos participantes.

4.3. A análise do material

Ao apresentar os dados separadamente, pudemos observar algumas características e vamos correlacioná-las, nos atendo às respostas com mais detalhes.

Com base nos resultados obtidos nas entrevistas, podemos comprovar parte da hipótese da pesquisa, ou seja, o envelhecimento remete a pensar na perda física, que tem um valor significativo com o avançar da idade. Denominaram o início do envelhecimento a partir dos 40 anos, quando sabemos que já se inicia o processo de envelhecimento da pele e até a mudança da forma do corpo, como mesmo descrevem os sujeitos:

Bom. Fisicamente acho que se envelhece cedo, acho 40 anos, mais ou menos, depende da vida que se leva, mas mentalmente não se envelhece e sim amadurece”

(sujt. B, 20 anos)

Acho que com uns 48 anos. (sujt. D, 24 anos)

Com 60 anos. (sujt. E, 27 anos)

Se pudesse evitar isso, mas como não posso..realmente não sei, mas acho que com uns 40 anos, 50 anos.

(sujt.C , 23 anos)

Estes sujeitos estão com a metade da idade que declararam ser a idade em que vão envelhecer. Um dos sujeitos fala explicitamente no físico que envelhece, mas se

apóia na idéia de sentir-se velho ou não. Encontramos duas falas que buscam recursos para lidar com essa fase da vida: um pelo espírito e outro pelo amadurecimento. Já um terceiro sujeito apresenta que viver essa idade é inevitável. Por esta resposta, vê-se que a temporalidade, de certa forma, incomoda. Melhor se fosse atemporal.

Ao mesmo tempo, podemos observar que esses seis sujeitos, que têm até 29 anos de idade, conforme vão se aproximando dos 30 anos, acham que vão envelhecer mais tarde, ou seja, a idade suposta para o envelhecer vai aumentando.

Estas respostas nos levam a pensar na definição cronológica sobre a velhice estipulada pela OMS, e pelo código brasileiro, que caracteriza como “velhas” pessoas acima de 60 anos. Apesar de o envelhecimento ser gradativo, se levarmos em conta a parte biológica e o tempo trabalhado, este processo envolve os anos que vão se passando e o momento que deparamos com mudanças corporais, vivenciais, e até mesmo de elaboração dessas experiências.

Nota-se, ainda, que se identificar como homossexual exige recursos internos mais maduros. O que, muitas vezes, faz com que as vivências, se comparadas aos heterossexuais adolescentes, ocorrem em tempos diferentes. Por exemplo, quando estes adolescentes estão no início de suas descobertas com namoradas, os homossexuais estão passando pelo conflito de se conhecer e perceber que seus desejos são distintos. Então, até assumirem sua escolha e poderem ir ao encontro de serem correspondidos, não corresponde à adolescência, pois tais descobertas podem ocorrer mais tardiamente.

É interessante recordar que Joel Martins (apud) lembra que é importante se ter uma possibilidade de ser neste tempo, um tempo vivido com uma determinação consciente e efetiva de nossa existência.

O corpo, a percepção do desejo, do prazer, equivale a um turbilhão de dúvidas e de questionamentos, aliados a sentimentos de culpa, de medo, o que faze os homossexuais refrear a vontade de compartilhar com alguém o que eles guardam dentro de si, apesar de, atualmente, estarem mais liberados.

Muitas são as informações veiculadas pela Internet, além dos sites que permitem uma procura mais reservada e que garante a privacidade; além disso, já há um esclarecimento maior por meio de revistas. Livros específicos são vendidos nas livrarias e, ultimamente, existem mais boates GLS, que começam a deixar de ser um ambiente exclusivamente dos excluídos em busca de um par e o exibicionismo do corpo como mercadoria, para também se tornar um ambiente de busca de diversão de heterossexuais.

Esta nova conduta de adolescentes heterossexuais em relação a ambientes que eram exclusivamente de homossexuais tem provocado muitas reflexões, pois para os homossexuais, no caso de estar buscando um parceiro, o outro agora tem que ser visto e indagado quanto à sua sexualidade. Ademais, existe uma chance maior de encontrar um conhecido, um vizinho e sua identidade sexual ficar conhecida. Esse aspecto teria que já ser trabalhado antes de eles freqüentarem aqueles ambientes, pois tinham certeza de que em tais locais sua privacidade estaria garantida.

Por outro lado, podemos pensar também, que o fato de estar sendo freqüentado pelos heterossexuais significa que já existe por parte destes uma maior aceitação, possibilidade de convivência, e até torna-se importante para conhecer o que antes era desconhecido, deixando de lado o receio de freqüentar os locais e ser