Sobre as características urbanas da cidade do Crato podemos afirmar que por apresentar um relevo acidentado, determinadas situações geográficas como ladeiras, baixios, o canal do rio Granjeiro que atravessa a cidade entre outros formam condicionantes importantes para a atual configuração territorial e através de sua evolução urbana percebemos a territorialização desse espaço cearense.
A expansão dessas áreas nem sempre foram acompanhadas da infraestrutura necessária visto que a população as ocupava, construíam novas moradias, originando novos bairros que cresciam em direção aos distritos e à Chapada do Araripe.
Se antes essas áreas não apresentavam condição de moradia como rede de saneamento, energia, transportes, calçamentos e demais atributos, o fato de terem sido incorporadas a “urbanidade” também não as dotou, imediatamente, dessas mesmas condições. Os projetos destinados ao manejo sustentado dos recursos naturais precisam incorporar um aspecto complementar que regulamente o uso racional dos ecossistemas e, no caso da cidade do Crato com a Chapada do Araripe: a primeira floresta nacional do Brasil, onde a especulação imobiliária caminha em direção à Chapada, há que se promover a convivência salutar para ambas.
Como a área ocupada, da cidade, se expandiu e promoveu modificações ao longo desses períodos, a gestão dessa cidade deve acompanhar com cautela essa expansão bem como a autorização de novos empreendimentos imobiliários, que requerem a implantação de novos equipamentos públicos, calçamentos, asfaltos e outros e, paralelo a uma fiscalização permanente, promover um novo adensamento com o uso racional de seus recursos naturais, tão característicos desta região.
Conforme afirma Vitte e Keinert (2009, p. 23):
Outra possibilidade de diagnosticar a realidade urbana com base nos paradigmas das Ciências Sociais consiste em interpretar a desordem urbana como aparente, desvendando a ordem subjacente ao modo de produção capitalista. Em consequência, a própria noção de ordem a ser estabelecida é questionada, contribuindo para a definição da realidade urbana para além de seus receptáculos físicos e dando conta dos processos sociais que os produzem. Por essa nova leitura, o restabelecimento da ordem urbana pode ser orientado, entre outros, por princípios de justiça, equidade e igualdade. Assim, onde há iniquidade e injustiça, o planejamento é feito de forma a atender a esses princípios.
Esses princípios são particularmente mais necessários quando a cidade exercita uma reflexão sobre como o planejamento contínuo deve favorecer a todos os seus habitantes. Considerando que as pessoas têm necessidades diferenciadas há que se fazer justiça promovendo equidade e igualdade de acessibilidade aos seus espaços.
Logo a seguir é possível verificar, através de mapas que compõem o PDM do município de Crato, a evolução territorial urbana e a evolução urbana, respectivamente.
Mapa 04: Evolução Territorial do Município de Crato/CE.
Fonte: Secretaria da Infraestrutura da Prefeitura Municipal do Crato - 2010 PDM Crato. Plano Diretor Municipal, p.24.
Mapa 05: Evolução Urbana – Sede Municipal/CE.
Fonte: Secretaria da Infraestrutura da Prefeitura Municipal do Crato - 2010 PDM Crato. Plano Diretor Municipal, p. 17.
Quando se aborda uma questão tão polêmica quanto à expansão urbana, principalmente quando se relaciona a uma análise espacial da atuação imobiliária e imperatividade de planejamento e gestão da mobilidade e da acessibilidade na cidade parece ser muito fácil deter-se a uma temática única, mas é extremamente difícil não desenvolver uma abordagem mais complexa, pois estudar este espaço é considerar todos os movimentos que nele ocorrem, conforme enfatizado por Santos (2001:74):
Até agora o espaço foi utilizado, em quase toda a parte, como veículo do capital e instrumento da desigualdade social, mas uma função diametralmente oposta poderá ser-lhe encontrada. Acreditamos, aliás, impossível chegar a uma sociedade mais igualitária sem reformular a organização do seu espaço.
Nesse sentido podemos observar como na cidade é perceptível uma relação desigual entre o capital elitista, a sociedade diversificada, suas necessidades preeminentes e os recursos naturais finitos, pois os últimos ficam à mercê dos interesses flutuantes e momentâneos do primeiro. Para ordenar o espaço com responsabilidade social é primeiramente necessário um acesso a todos os bens e serviços essenciais como também gerar uma política de produção não subordinada a interesses capitais separatistas.
Na cidade a diferenciação e característica de cada um dos seus bairros devem ser parâmetros de compreensão dos recursos que ali necessitam ser direcionados. A existência de pouco ou muitos bairros na cidade ou mesmo a forma como eles são distribuídos pelo território citadino não deve provocar separatismo ou negligência. Pelo contrário deve ser foco das atenções de como propiciar uma interligação entre esses bairros privilegiando seus moradores.
A inclusão urbana não ocorre apenas com a implantação de infraestrutura básica ou privilegiada, mas também com a respeitabilidade às diversas necessidades de seus cidadãos. Como podemos perceber ao visitar os bairros de Crato, universo deste trabalho, bem como em outras cidades, há especificidades que a gestão deve ressaltar como diferenciação nunca como deficiência.
2.4.1. Os Bairros da Cidade.
Em Crato apesar da divisão dos bairros já existirem de fato há um longo período, apenas em 1999, na gestão do então Prefeito Municipal Moacir Soares de Siqueira, sob a Lei Nº 1.853 de 25 de fevereiro de 1999 oficializou-se essa divisão.
Neste ano o bairro denominado Barro Branco sofreu alteração em sua denominação para Bairro Nossa Senhora de Fátima, com o erguimento de uma estátua em homenagem a esta Santa, através da Lei Municipal Nº 2.835/2013, de 01 de abril de 2013, Crato/CE, embora a Padroeira da cidade seja Nossa Senhora da Penha.
Para uma melhor visualização dos bairros de Crato podemos observar o mapa 06, a seguir:
Mapa 06: Sede Urbana Municipal – IBGE
Fonte: Secretaria da Infraestrutura da Prefeitura Municipal de Crato PDM – Crato – Plano Diretor Municipal – 2010.
Os dados sobre cada bairro descrito a seguir permitem saber mais da população e de sua distribuição no território cratense, com alguns aspectos característicos de sua configuração e dados populacionais, o que nos permite considerar as condições de vivência enfatizando os aspectos da mobilidade entre esses bairros e os acessos a entrada/saída da cidade.