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Por muitos anos o Cariri concentrou grande poder econômico e político no interior cearense, tal fato é validado pelas lideranças políticas estarem sempre em contato com a capital e seu apoio às ações estaduais serem de grande relevância para o Estado, como afirma Barros (2008, p.72):

Data do século XVIII, o surgimento do Vale do Cariri, no sul, no sul do Ceará, como centro de polarização econômica. Esta situação se justificou pela diversificação

econômica aí ocorrida, graças principalmente às suas condições naturais de fertilidade, numa região frequentemente assolada pela seca. O Vale do Cariri constitui-se num celeiro supridor do sertão nordestino. Seu povoamento se iniciara no século XVII, da forma típica do desbravamento do Ceará – estabelecimento de fazendas de criação de gado e criação de aldeias de catequese indígena: sob a jurisdição da paróquia de Icó, até 1748. Os historiadores da origem das cidades do Cariri se baseiam no estudo dos livros das igrejas de Icó, Milagres e Missão Velha, o que já mostra a importância da Igreja Católica como formadora intelectual da ideologia e da organização familiar nos núcleos de povoamento existentes.

Por essa ação polarizadora de centro comercial e político despertava, também, nas pessoas que ocupavam os postos de poder local e da população cratense, na época, o desejo que essa cidade tivesse “a glória de atingir [...] a dignidade de capital, isto é, sede de governo derradeiro degrau de sua ascensão de aldeia à vila, a cabeça de comarca e a cidade” (FIGUEIREDO FILHO & PINHEIRO, 2010, p. 33).

Porém, esse desejo de tornar-se capital de estado não era ainda o bastante para os anseios da população local, pois a mesma, através dos seus vereadores cratenses, “em 10 de julho de 1828, numa demonstração de inteligência e patriotismo, dirigiram ao Governo uma representação, advogando a criação da Província do Cariri Novo, cuja capital será o Crato” (p. 28). Demonstra, também, um sentimento de valorização de sua terra natal que persiste entre as gerações até os dias atuais.

Como arrojo cratense para participar dos avanços sociais e culturais, em 07 de julho de 1855 foi publicado “O Araripe”, sendo o primeiro periódico do Crato e também do sul do Ceará o que coloca esta cidade a frente das outras cidades vizinhas, embora essa publicação tenha sido uma iniciativa particular do Sr. José Monte Furtado.

O Araripe foi publicado por 10 anos e tinha como orientador intelectual e político João Brígido, que fundou vários jornais e estava à frente do “Unitário” que combateu dois fortes partidos políticos como o do Comendador Antônio Pinto Nogueira Acioli e o do Coronel Marcos Franco Rabelo, reflexo da conjuntura política desse período.

No contexto educacional, além das implicações econômicas que favoreceram a vinda de novos habitantes para a região, a Diocese do Crato exerceu, e ainda exerce grande influência nas questões educacionais de Crato e do Cariri, de forma geral, atraindo muitos estudantes para a cidade. Daí sua participação latente nos moldes educacionais da população. Segundo Sousa (2000, p.35 e 36):

[...] três (03) grandes escolas que contribuíram para o desenvolvimento educacional da região: Seminário São José, de Crato, fundado em 1875; Colégio 24 de abril, de Jardim, fundado em 1916 e a Escola Normal Rural, de Juazeiro do Norte, fundada em 1934. [...] a educação no Cariri foi se diversificando com o surgimento de escolas de contabilidade, agrícola, informática, culminando com a fundação da Universidade Regional do Cariri – URCA, em 1986, cujo embrião foi a Faculdade de Filosofia do Crato, fundada em 1959.

O Seminário São José teve suas obras iniciadas em agosto de 1874 e sua aula inaugural em 07 de julho de 1875, pelo primeiro Bispo do Ceará, Dom Luís; e até os dias atuais ainda exerce grande influência na cidade e na formação de novos sacerdotes. Castro (S/D, p.07) vislumbra sua importância com as seguintes palavras: “Seu rastro luminoso reflete-se inconfundivelmente no panorama cultural do Ceará”. Mais uma afirmativa que reforça esse sentimento de valorização da cidade e tão característico culturalmente.

Ofereceu o primeiro curso de nível médio no interior do Ceará. Ordenando Padres e sendo referência histórica e geográfica na cidade. Pela sua localização é avistado logo que se chega à cidade além de nominar um dos bairros mais populosos da cidade. Podemos observar também a sua construção imponente como reflexo da influência católica na e para a região, (figura 09).

Figura 09: Seminário São José, Crato. Fonte: CASTRO, Orlando. Sem Data, p.07.

Ainda nos trilhos da educação encontramos, também em Crato, o Colégio Santa Teresa de Jesus, figura 10, mantido pela Congregação das Filhas de Santa Teresa, fundado no mês de Março de 1923 e, responsável inicialmente, somente pela educação feminina. Atualmente o ensino é ofertado para alunos de ambos os sexos.

Figura 10 – Ordem das Filhas de Santa Teresa de Jesus (1923) Fonte: Acervo do Colégio Santa Teresa, 2006.

Crato, por toda sua história, é bastante receptivo a quem busca vagas no sistema educacional, ainda hoje, influente na Região, pois pelas suas escolas passaram grandes nomes do cenário público desta cidade. Atrai, também, pela presença de diversos balneários e clubes de serra com águas de suas nascentes, atendendo aos diversos moradores da região que vêm, principalmente nos fins de semana, para as atividades de lazer, sendo essa uma prática recorrente ainda em nossos dias.

Como uma das principais cidades vizinhas na atualidade Juazeiro do Norte, cidade “romeira”, Crato recebe também, muitos habitantes vindos dos mais diversos lugares e alguns, visando ocupar vagas no mercado de trabalho, em um dos novos empreendimentos que se instalaram na região, ou ainda, motivados pelos mais recentes cursos de níveis superior ofertados pelas Universidades e Faculdades, públicas e particulares aqui instaladas.

Essa análise se faz necessária para uma compreensão no acréscimo do número de habitantes e sua consequente geração de consumo de bens e serviços, bem como da necessidade de implantação de novas infraestruturas. Originando a construção de novas moradias, fazendo surgir novos bairros, que precisam de eletricidade, coleta de dejetos, serviços de saúde, escolas e universidades, transportes, vias de acesso, enfim todo um (re) planejamento dessa cidade.

Para uma compreensão do aumento do índice populacional e das variações desses índices e de como alguns fatores determinaram esses resultados, como também a participação da Igreja nos censos realizados, podemos ler em Barros (2008, p. 62):

Os primeiros povoadores do Ceará são conhecidos através dos livros de registros de batizados das freguesias, porque eles ou se localizavam perto das antigas missões indígenas, ou imediatamente construíam uma igreja, cujo capelão era ao mesmo tempo autoridade temporal e espiritual. Exemplo desse tipo de povoamento é a atual cidade de Icó. Em 1698 o Rei de Portugal escreve ao capitão-general de Pernambuco, Caetano de Melo Castro, falando sobre a permissão dada a João da Fonseca Ferreira para organizar em terras, no Jaguaribe, uma aldeia de índios, nomeando para ela um padre.

Em 1784 foi realizado um censo na região do Cariri, este a pedido do presidente João César da Fonseca, cujo resultado não demonstrava um grande fortalecimento da região e explicitam, apenas, valores do município. Os dados populacionais sobre Crato, segundo Sousa (2000, p.16) são: Homens: 1.076 e Mulheres: 1.440, perfazendo um Total de 2.516 habitantes. No ano de 1792, segundo o mesmo autor, foi realizado um censo eclesiástico pelo padre João José Saldanha Marinho que percorreu várias freguesias na região e em Crato detectou os seguintes índices populacionais referentes à condição etária para o cumprimento dos mandamentos da igreja: Fogos4: 1.046; Pré-Comunhão: 108; Comunhão: 2.656 e Crisma: 583.

4 Em diálogo com o Padre Raimundo Elias Filho, Pároco da Paróquia de Santa Cruz da Trapa – Diocese de Viseu – Portugal, ele esclarece que o termo Fogos era bastante utilizado no passado, mas ainda hoje se faz uso desse termo, em Portugal, significando sempre habitação, casa e nos dá um exemplo: “A freguesia de Sacavém conta com 87 fogos onde vivem cerca de 300 habitantes”.

Com a chegada de novos migrantes “acelerado com a cultura da cana-de-açúcar”, a região, de acordo com Borba Alardo, comportava “11.735 habitantes registrando um crescimento da ordem de 80% em apenas 28 anos”, conforme Sousa: (2000, p. 17).

Publicado por Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, no Dicionário Topográfico e Estatístico da Província do Ceará, em 1861 ainda, segundo Sousa (2000, p.17), os valores em 1858, agora diferenciados, entre Livres e Escravos, está assim distribuído: Homens: Livres: 7.690; Escravos: 692 em Total de 8.382. Mulheres: Livres: 9.214; Escravas: 634 e Total: 9.848. Sendo o Total de homens e mulheres de 18.230.

Os índices populacionais foram registrados, novamente, por Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, indicadas em Sousa (2000, p.17), em 1864, mas referentes ao ano de 1860, com os seguintes resultados: Homens - Livres: 8.412; Escravos: 726 e Total: 9.138. Mulheres – Livres: 9.972; Escravas: 665 e Total: 10.637. Sua soma é de 19.775.

Neste mesmo período as condições econômicas geravam um aumento populacional devido às condições assim descritas por Sousa (2000, p.18):

No decorrer de 12 anos, de 1860 a 1872, a população do Cariri cresceu de 69.687 para 76.086, registrando um aumento demográfico de 6.399 habitantes. Convém destacar que enquanto crescia a atividade canavieira, menor ficava o número de escravos, constatando-se aí que o elemento servil tão importante na fase da exploração da cana-de-açúcar em todo Brasil, no Cariri ele não foi tão significativo, conforme o recenseamento de 1872.

No censo realizado no ano de 1900 os valores populacionais apresentados por municípios, visto que o de 1890 somente apresentou valores referentes ao Estado na sua totalidade, segundo Sousa (2000, p.18) indicava uma soma de 136.269 habitantes para a região do Cariri sendo, desse total, 30.321 em Crato.

A partir dos censos indicados e da estimativa para 1975 e 1996 pode-se observar um aumento dos índices populacionais em Crato, conforme indicação de Sousa (2000, p.20): 1920: 29.774 habitantes; 1940: 38.968 habitantes; 1950: 46.404 habitantes; 1960: 59.464 habitantes; 1970: 71.157 habitantes; 1975: 81.131 habitantes e 1976: 92.521 habitantes.

Atualmente, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE/2010, quando se refere ao índice populacional, Crato apresenta os seguintes valores expressos na tabela 01:

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