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Ao terminar cada entrevista, questionámos os participantes acerca de “como vê o turismo de natureza daqui a 10 anos?”. Considerámos que esta questão, embora subjetiva, permite-nos obter a perceção de quem trabalha na área do turismo de natureza no que se refere ao futuro do produto na região.

0 1 2 3 4 5 6 7 Impacto da visitação no habitat dos animais Atividades das empresas com preocupações de sustentabilidade Carência de preocupações ambientais das empresas Importância da conservação da natureza para o turismo Trabalho em cooperação no território para a sustentabilidade

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A análise dos dados obtidos através desta questão levou-nos à identificação de três categorias: a caracterização do produto no futuro; a evolução da procura e a evolução da oferta (Figura 18).

Figura 18 – Output do Maxqda com as categorias da dimensão visão prospetiva e respetivas frequências absolutas

Verificámos, assim, que os entrevistados destacaram, sobretudo, aspetos relacionados com o desenvolvimento da oferta de turismo de natureza no futuro.

Relativamente à caracterização do produto turismo de natureza daqui a 10 anos, foram referidos vários aspetos que passamos a apresentar no Quadro 55.

Quadro 55 – Ocorrências das subcategorias da categoria caracterização do produto daqui a 10 anos

Subcategorias da categoria: Caracterização do produto daqui a 10 anos Total

Reconhecimento de Portugal como destino de TN 1

Crescente interesse público do TN 2

Crescente peso da Arrábida dentro da região de turismo de Lisboa 1

Papel do TN no contexto turístico global 1

Foi mencionado que, no futuro, os agentes políticos estarão mais sensibilizados para este produto turístico e que este será cada vez mais contemplado nos planos das Câmaras Municipais e das entidades regionais de turismo. Nas palavras de um entrevistado afirmou-se que “o turismo de natureza vai, cada vez mais, afirmar-se no contexto turístico global” (PR_5: 48). Segundo outro entrevistado, o nosso país será reconhecido como destino de turismo de natureza, pois denota-se potencial, sobretudo quando divulgado através de feiras internacionais (PU_3: 58). Foi referido, ainda, que, especificamente, a Arrábida terá um peso crescente dentro da região de turismo de Lisboa.

Referiu-se que haverá uma evolução positiva da procura (Quadro 56).

Quadro 56 – Ocorrências das subcategorias da categoria evolução da procura daqui a 10 anos

Subcategorias da categoria: Evolução da procura daqui a 10 anos Total

Aumento da procura 3

Crescente interesse das pessoas pela natureza 2 Aumento da procura com preservação da natureza 1

Procura mais autónoma 1

No que se refere à evolução da procura evidenciou-se que esta “tende a crescer nos próximos anos” (PR_7: 66), que o turismo de natureza é “uma das áreas de turismo que terá um maior crescimento nos próximos anos, as pessoas, cada vez mais, se interessam

97 por questões associadas à natureza e têm essa necessidade” (PR_2: 78). Porém, este aumento da procura terá de ser acompanhado pela preservação da natureza para ser positivo. Outro participante referiu que a procura caracterizar-se-á por uma maior autonomia dos turistas que, dispondo de melhores serviços de apoio, não vão recorrer tanto a empresas: “enquanto, neste momento, ninguém faz o percurso sozinho na Arrábida, eu espero que, daqui a 5 anos, as pessoas possam fazer percursos sozinhas, porque têm apoio, porque têm pontos de SOS, porque têm pontos de água, porque os percursos estão marcados” (PR_8: 82).

A evolução da oferta foi também um aspeto amplamente abordado. Apresentamos a análise deste aspeto no Quadro 57.

Quadro 57 – Ocorrências das subcategorias da categoria evolução da oferta daqui a 10 anos

Subcategorias da categoria: Evolução da oferta daqui a 10 anos Total

Oferta mais estruturada na região 5

Aumento da oferta 2

Aumento das preocupações ambientais da oferta 2

Abrandamento e solidez da oferta 1

Oferta vai aumentar mas com algumas limitações 1 Empresas terão necessidade de adaptação 1

Decréscimo da qualidade da oferta 1

Salientamos que os entrevistados são da opinião de que a oferta estará mais e melhor estruturada e organizada no futuro. Afirmou-se que “daqui a 10 anos, nós estaremos com uma visitação organizada, não uma visitação de lazer” (PU_7: 42). Acrescentou-se que esta estruturação deverá ser acompanhada de uma cooperação política e, inclusive, entre as empresas. Foi considerado que esta estruturação está intimamente associada à concentração geográfica da região, “porque nós, no fundo, não somos uma área assim tão grande” (PU_8: 70). Defendeu-se que o aumento da oferta será consequência do crescimento da procura, que “vão nascer uma série de empresas e, algumas que já existem, provavelmente, vão orientar-se para o turismo de natureza” (PU_8: 70). O aumento da oferta será também associado ao exemplo e à inspiração de negócios existentes no futuro (PR_3: 54). Dois entrevistados consideraram que o aumento da oferta ganhará maior expressão com o aumento das preocupações ambientais das empresas do sector (PR_7: 64).

Em contrapartida, um participante salientou que “o crescimento que agora se sente vai abrandar, porque é inevitável que isso se veja; quando o mercado começa a ficar mais maduro os níveis de crescimento tendem a abrandar, mas também será, à partida, um

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turismo mais sólido” (PR_4: 71). Foi relevado que este aumento da oferta terá algumas limitações: “há cada vez mais atividades; o futuro para as atividades de turismo de natureza em Portugal é obviamente de expansão, mas em algumas das atividades nós já chegámos a um patamar em que já estamos a tentar cortar ou limitar, digamos, o acesso, o número de pessoas, por uma necessidade normal” (PU_4: 36).

Um entrevistado referiu que, no futuro, as empresas de turismo de natureza terão de adaptar a sua oferta a novas realidades, nomeadamente a um público mais autónomo: “será (…) uma evolução positiva mas as empresas vão sofrer com isso, vão ter de começar a procurar novos caminhos” (PR_8: 82). Outro entrevistado relevou que existirá um decréscimo na qualidade da oferta, caso se verifique uma massificação de turistas (PR_6: 125).

Em suma, podemos concluir que esta visão prospetiva dos entrevistados vislumbra um cenário bastante auspicioso no que respeita à procura e à oferta de turismo de natureza na região. Este potencial, conjugado com uma intervenção que contemple os vários aspetos abordados nas entrevistas, conduzirá a uma maior competitividade do destino turístico.