Ao abordar o dia a dia do Mosteiro da Ressurreição, pretende-se apresentar a sua dimensão mais humana, já que um Mosteiro é uma comunidade feita de seres humanos e não de anjos. Os monges são pessoas como nós, mas com uma vida voltada para o ideal ao qual escolheram livremente. Algumas vezes, pensamos e ouvimos: Como deve ser uma vida monástica? Será que o monge estuda? Monge come? Como eles vivem a dimensão econômica? Monge precisa pagar luz, água e telefone? Eles têm os mesmo direitos e os mesmos deveres como todo cidadão? Como a sociedade os vê? Egocêntricos, alienados ou idealistas? Alguém deseja ser monge? Quais as etapas de formação para se tornar monge? Enfim, Labora et Ora, a santificação do trabalho, quer enfatizar a dimensão concreta das ações, que ocorrem dentro do Mosteiro da Ressurreição. Na vida monacal o ora et labora não existe sem o outro, formando, assim, uma unidade perfeita. O trabalho é uma das formas de manifestar a fé celebrada na liturgia. Portanto, o estudo, o autosustento, a ação e a repercussão extra-muros, bem como os vocacionados em todas as etapas de formação, formam o grande corpo místico na Opus Dei. Neste capítulo trabalharemos as dimensões apresentadas acima.
5.1 - O estudo
Recomenda-se aos candidatos que chegam ao Mosteiro da Ressurreição, que tenham completado ao menos o ensino médio, para melhor absorver a formação monástica. Embora alguns, entre eles, tenham curso superior, a prioridade não é ter gente com diploma universitário, mas indivíduos que sejam verdadeiramente cristãos e apaixonados pelo ideal abraçado:
Em Ponta Grossa há espaço material e espiritual tanto para o intelectual refinado e erudito como para o bóia-fria analfabeto, para os cassiodoros e os godos. Não se trata de um Mosteiro “especializado”, assim como a Igreja, devedora “a gregos e bárbaros, a sábios e a ignorantes” (Rm 1,14) não é constituída apenas por um determinado tipo de pessoa. Qualquer atividade no
Mosteiro é voltada para o bem da Igreja e do Reino, e o seu valor, maior ou menos, é apenas aquele que Deus lhe atribui e que só d’Ele é conhecido.1
O fundamental dos estudos é a formação monástica, que pode durar de sete a dez anos. Somente após esta longa formação, alguns monges são convidados a iniciar os estudos filosóficos e teológicos. Atualmente, eles saem todas as manhãs para estudar na faculdade da diocese, isto é, de segunda à sexta-feira, das 8h00 às 11h45. A mensalidade e demais despesas são custeadas pelo próprio Mosteiro, que, por vezes, pesam no orçamento mensal, mas se faz um esforço comunitário para que seus membros completem seus estudos. A prioridade na vida monástica do Mosteiro da Ressurreição não é a ordenação sacerdotal. Alguns deles já concluíram a filosofia e a teologia, mas não foram ordenados presbíteros, isto ocorrerá somente se houver real necessidade na comunidade monástica. O mais importante é ser monge, depois presbítero.
No início das pesquisas, participei da missa no Mosteiro da Ressurreição. Era um dia de semana, comum. Após a celebração, dentro de uns trinta minutos, o padre, que presidiu a missa, estava com a roupa de trabalho, puxando uma vaca pela corda para levá-la ao pasto. Um serviço tão humilde e trivial, sendo realizado por um padre? Isto é um serviço que os escravos, os empregados ou algum candidato pode realizar, mas não um padre, como pensam algumas pessoas. Fiquei admirada com tal ação. Na prática, a ordenação presbiteral não é a função mais importante de todas, ao menos no Mosteiro da Ressurreição.
O sacerdócio devia ser um serviço prestado às pessoas e não um status de grandeza e de prestígio social, lamentavelmente, presente em alguns membros da Igreja Católica. Lembro-me quando estudava teologia com os seminaristas, muitos deles provinham de famílias muito humildes, mas ao receberem a ordenação sacerdotal ficaram com atitudes principescas. Ainda bem que atitudes semelhantes não atingem a todos, também há sábios e santos presbíteros entre nós.
No Mosteiro da Ressurreição, todos estudam. Aqueles que possuem os votos solenes vão à faculdade pela manhã. Os candidatos que chegam ao Mosteiro têm aulas de terça a sexta das 15h00 às 17h00 e, aos sábados, eles fazem a formação
1 Dom Mateus de Salles PENTEADO, OSB Mosteiro da Ressurreição: Síntese histórica e projeto
com o próprio Abade. Estudam: Liturgia, Sacramentos, História da Igreja e do Monaquismo, a Regra de São Bento, Espiritualidade, Canto e Idiomas. Enfim, os candidatos que estão iniciando a vida monacal estudam o tempo todo, seja na sala de aula, cujos professores são os próprios monges, seja nos diversos trabalhos que realizam. Assim, a Tradição Beneditina é transmitida de geração em geração, para aqueles que desejam trilhar os caminhos da vida monacal no Mosteiro da Ressurreição.
5.2 - O auto-sustento
A Regra de São Bento diz: “São verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos”2. Quando a Regra de São Bento foi escrita, a Itália estava depauperada pela interminável guerra entre godos e bizantinos nos anos 535 a 553 d.C. Não havia mão de obra nem dinheiro para pagá- la. O que fazer? Os duros e os cansativos trabalhos agrícolas talvez não fossem os mais apropriados para os monges, pois os monges praticavam a lei do jejum, a pontualidade, a celebração do Ofício Divino e a Lectio Divina. Se os monges executassem as tarefas longas e pesadas da colheita, poderiam ficar prejudicados. Mas a circunstância se impunha e a realidade foi vista como manifestação da vontade divina. Bento aceitou o trabalho agrícola para os cenobitas e ao mesmo tempo descobriu um princípio fundamental da vida cristã: viver do próprio trabalho, segundo o preceito paulino: “Fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos”(1 Cor 4,12). Pela primeira vez aparece na Regra a expressão já citada: “porque serão verdadeiramente monges, quando vivem do trabalho de suas mãos” 3. Este preceito milenar é colocado em prática também no Mosteiro da Ressurreição.
A fundação do Mosteiro da Ressurreição foi pautada pela tradição secular, mas adaptada à modernidade através das necessidades impostas pelo nosso tempo. O cotidiano é divido entre as sete orações, como vimos no capítulo quarto, e os diversos trabalhos necessários para a economia do Mosteiro. Perguntei ao monge como eles conseguem encaixar o lema Ora et Labora sem que um pese mais
2 MONJAS DA ABADIA DE SANTA MARIA, Regra de São Bento, Capítulo XLVIII, p. 8 3 Ibid., Capítulo XLVIII, p. 8.
sobre o outro? Com tanto tempo para a oração, como é possível encontrar tempo para os diversos trabalhos no Mosteiro?
A vida do monge é justamente este ora et labora, rezar e trabalhar. Rezar porque é uma necessidade, para preencher o espaço do qual viemos procurar e buscar, preencher com Deus é a parte da oração. O trabalho que é uma necessidade vital de todo homem. Temos que trabalhar para podermos manter-nos. Então, rezar e trabalhar, um complementa o outro, o Ofício Divino é um trabalho, Opus Dei. Ir ao coro, não significa somente rezar, mas é também um trabalho. Por isso, vamos em silêncio ao trabalho, para continuar rezando. O ora et labora é uma continuidade na presença de Deus. Enquanto estou diante de Deus, estou trabalhando e quando estou trabalhando, Deus está diante de mim. Está na minha presença, pois a oração continua. Aquilo que rezei e cantei lá no coro, com a comunidade, deve continuar ressoando durante todo o dia, nos trabalhos e no horário de silêncio. Em toda a nossa vida desde a hora que acorda até a hora que vai dormir.4
É a partir dos horários das orações, que o Mosteiro da Ressurreição organiza os diversos trabalhos, num total de seis horas diárias em comum, isto é, juntos na capela. O trabalho serve como meio de conversão para o monge. Portanto, cabe perguntar: quais os trabalhos que os monges deste mosteiro realizam? Eles não possuem empregados e todos os trabalhos são executados por eles mesmos. Na sala capitular, há vinte e sete vitrais, representando os vários trabalhos que a comunidade executa.
Os monges da Ressurreição cultivam uma horta, também criam galinhas, porcos e vacas, tudo para o consumo interno. A fábrica de velas deles é quase toda artesanal, e de lá saem os conhecidos círios pascais, vendidos para todo o Brasil.. O que será que eles comem? Da cozinha saem os pratos mais variados, por exemplo, arroz, feijão e repolho podem ser os ingredientes de um almoço. Macarrão com carne moída, outro. Sopa no jantar ou apenas um lanche, pão e frios. Aos domingos e nos dias de festas, as comidas são preparadas com antecipação, podendo ser carne assada, arroz com lentilha e salada, sobremesa como gelatina, sorvete ou bolo. O café geralmente é pão e queijo feito por eles mesmos, às vezes, tem margarina, leite e alguma fruta. Em geral, a alimentação é muito simples e bem criativa, comem pouca carne e não são vegetarianos.
4 Dom Bento de SOUZA, entrevista realizada pela autora, gravação em áudio, fita 3, Ponta Grossa,
A Biblioteca é um lugar muito especial. Está localizada dentro do claustro, local onde não é permitido o acesso de pessoas de fora do mosteiro. Mas, com uma licença, tive a oportunidade de estar algumas vezes dentro dela. Possui mais de dezenove mil acervos com uma variedade incrível de assuntos.
A hospedaria, que consiste em uma casa com quatro quartos com banheiros, pode receber até seis pessoas, tendo uma pequena cozinha e uma sala. Os hóspedes podem ficar até cinco dias, de terça-feira a domingo, não existindo um preço fixo, cada um paga de acordo com suas possibilidades. As pessoas procuram um lugar para rezar e para serem ouvidas. No tempo em que fiquei hospedada para realizar a pesquisa, encontrei uma variedade de hóspedes, inclusive pessoas de outras religiões. Lembro-me de um pastor, que há dez anos frequenta o Mosteiro da Ressurreição, fazendo seu retiro anual. Portanto, o Mosteiro da Ressurreição também é um local aberto ao diálogo ecumênico.
Há uma pequena loja no Mosteiro, onde eles vendem os seus produtos, tais como velas, pães, biscoitos e os CD-room com os salmos gregorianos em português, além dos quadros de ícones, pintados pelos próprios artistas do mosteiro.
A manutenção do prédio está sob a função chamada de mordomia, que é responsável pelos reparos, pela pintura, pela troca do telhado, pelo corte das árvores, pelo conserto da porta. Enfim, trabalho não falta! Falta tempo e gente para realizar tanta atividade. Eles também possuem um atelier de costura, confeccionando hábitos e paramentos para a própria comunidade e também para vender. Todo sábado, das 14h45 às 17h00, é dia da faxina geral no mosteiro, cada monge, além de limpar sua cela, tem outros ambientes para fazer a limpeza.
As pessoas que procuram o Mosteiro sempre são atendidas. Este trabalho é um grande contributo para a sociedade e, sobretudo, à Igreja. Quantas situações de risco foram solucionadas, somente porque a pessoa encontrou alguém para escutá- lo e, em função da gratuidade, os monges não cobram por este serviço. Sempre há algum monge-sacerdote para atendimento:
O Mosteiro da Ressurreição não exerce atividades “externas”, tais como colégios ou paróquias, por compreender que no seio da Igreja a sua vocação é essencialmente contemplativa. No entanto realizamos uma pastoral
intramonasterial, através do acolhimento das pessoas que procuram nossa comunidade em busca de auxilio espiritual, do sacramento da confissão ou de um ambiente onde se recolher em oração.5
O Mosteiro da Ressurreição trabalha em prol da pastoral da acolhida, da escuta e da orientação. Quando o grupo de jovens monges, os fundadores, saíram do Mosteiro de São Bento de São Paulo, fizeram uma experiência longe da cidade e voltada para a contemplação, sem atividades externas. Isto ocorreu não porque desejavam ser “diferentes”, mas porque compreenderam que este estilo de vida também é vida Monástica Beneditina.
Os Pais do monaquismo são os mesmos para todos os monges e monjas, que têm, portanto a mesma Tradição, expressa em tradições particulares. O ecumenismo monástico não visa eliminar essas diferentes tradições. Ao contrário: o que pretende é evidenciar o que têm em comum, permitir a livre circulação entre elas segundo os desígnios do Espírito e reintegrá-las na grande Tradição, viabilizando a recuperação do pluralismo existente nos primeiros séculos.6
Dentro da Ordem Beneditina é possível a existência de ramificações. Um dos exemplos recentes é o próprio Mosteiro da Ressurreição:
A árvore não dá frutos apenas devido a seus galhos e flores. Antes disto, possui um tronco, cujas raízes estão alicerçadas em diferentes direções, para lhes dar sustentação e firmeza. Desse conjunto de elementos depende a própria possibilidade de vida, enquanto árvore, e de formação de seus frutos e, assim, a sua perpetuação pelos frutos-sementes que germinarem a seu modo e lugar.7
Desde as origens mais antigas, os pais do deserto sempre valorizaram e trabalharam para se manter e ajudar os outros. Driot, em seu livro os Padres do Deserto, apresenta vários exemplos sobre este trabalho:
5 www.abadiadaressurreicao@org. Acesso em: 05 abril 2009.
6 Dom Mateus PENTEADO, OSB, Por um ecumenismo monástico, p. 8. (Mimeo)
7 Idalgo SANGALLI, O fim último do homem- da eudaimonia aristotélica à beatitude agostiniana,
As viagens até à cidade, para venderem o produto do seu trabalho, podia também ser uma ocasião propícia para praticarem a caridade. Foi assim que o aba Agatão encontrou um estranho doente, deitado na praça pública, sem ninguém que se ocupasse dele. O ancião alugou um apartamento e foi para lá viver com ele, trabalhando com as próprias mãos para pagar a renda, e gastando o resto do dinheiro que tinha nas suas necessidades pessoais e nas do doente. Ficou quatro meses, até conseguir curar o enfermo. E regressou em paz à sua solidão. O mesmo aba dizia: “Se pudesse encontrar um leproso, dar-lhe o meu corpo e tomar o dele, ficaria muito feliz.” Que melhor testemunho poderíamos encontrar? 8
Os filhos de São Bento sempre foram bons trabalhadores e colaboradores incansáveis para com o progresso do Ocidente:
Sendo pioneiros no desenvolvimento de técnicas em diversos setores como a agricultora (técnica da irrigação e drenagem do solo, bem como métodos para a aclimatação de plantas), a construção civil (pontes, igrejas, estradas), artesanato (fabricação de utensílios artísticos, cerveja), além, é claro, de um imenso esforço dispensado à educação humana e religiosa dos povos.9
O Mosteiro da Ressurreição, como protagonista da história Beneditina no Estado do Paraná, continua trabalhando e com todos os esforços para conseguir a sua própria autosustentação e também para repartir, com os mais necessitados, os bens materiais e espirituais.
5.3 - Ação e repercussão extra-muros
O Mosteiro da Ressurreição com seu lema milenar, ora et labora, procura viver intensamente, cada dia, não obstante desafios e dificuldades. Alguns trabalhos são mais visíveis que outros, tendo repercussão além das paredes do mosteiro. Os meios de comunicação ajudam para a divulgação, em massa, dos trabalhos monacais, como também a propaganda boca-a-boca, isto é, as próprias pessoas vão transmitindo aquilo que ocorre para os demais.
Ao pesquisar os arquivos da biblioteca, foram encontradas algumas reportagens noticiando a vida cotidiana e os acontecimentos especiais da vida dos
8 Marcel DRIOT, Os padres do deserto, p. 94-95.
monges do Mosteiro da Ressurreição. Nesta publicação é apresentada uma visão panorâmica dos trabalhos realizados pelos monges:
O Mosteiro da Ressurreição tornou-se conhecido no Brasil e no exterior a partir de 1994, quando a “febre” do canto gregoriano tomou conta do mundo. Os monges do Paraná cometeram o que, para alguns, é heresia, compondo melodias gregorianas para hinos, cânticos e salmos com letras em português. A ousadia deu bons resultados, e os cinco CDS anteriores já venderam, juntos, mais de 300 mil cópias. Especiais de TV e matérias nos principais jornais e revistas do país também contribuíram para a divulgação não só da musica, como também da própria vida monástica, que poucas pessoas conhecem de perto, mas que exerce grande atração por suas tradições milenares.[...]. Os monges cantam nas celebrações religiosas sete vezes por dia. Acordam às 04:20h e atravessam o dia numa rotina que se divide entre oração, estudo e trabalho. Além das tarefas domésticas tais como cozinhar, cortar a grama do jardim, lavar a roupa etc. Os monges também trabalham nos vários ateliês do mosteiro, produzindo ícones, velas artesanais, peças em cerâmica, pinturas em diversos materiais e paramentos litúrgicos. Da padaria do mosteiro saem pães, biscoitos e bolos, para o consumo próprio e para os frequeses da lojinha: e na licoraria, que mais parece um laboratório de alquimista, são produzidos licores a partir de fórmulas desenvolvidas pelos próprios monges e guardadas a sete chaves. Alguns monges trabalham, ainda, num projeto de tradução das obras clássicas da espiritualidade monástica, desde textos em latim dos primeiros séculos da Igreja até obras de autores contemporâneos. 10
De modo geral as pessoas desconhecem a vida monástica e sua estrutura de trabalho. Esta reportagem apresenta o cotidiano do Mosteiro como intenso e cheio de atividades, seja na oração, no estudo ou no trabalho. Se alguém imagina que o Mosteiro já é o céu, onde só se reza o tempo todo, engana-se, pois há muito trabalho para executar. Os próprios monges, quando precisam de um lugar para melhor mergulhar no silêncio e na oração, vão para o eremitério durante uma semana toda. Uma vez por ano, a comunidade toda faz o retiro anual, convidando algum pregador de fora.
Entre os mais variados trabalhos que um mosteiro presta à sociedade e mesmo ao claustro monástico, a vida de oração ocupa um lugar todo especial. As atividades são organizadas a partir dos momentos de oração. Ora et Labora é uma dimensão exigente especialmente para o monges, mas todo cristão é chamado a realizar estas duas dimensões em sua vida cotidiana.
10 Lizza EICHENBERGER, Vida monástica: monges gravam no cd de canto gregoriano, Revista
A reportagem deste jornal também apresenta o perfil do Mosteiro da Ressurreição com seu espaço natural que muito contribui para o bem-estar das pessoas. Apresenta também alguns trabalhos realizados pelos Monges:
É possível se isolar do mundo, numa época em que a televisão e a internet parecem estar por toda a parte? Talvez a questão não seja mais essa, quando o assunto é a vida em um mosteiro. [...] O Mosteiro da Ressurreição como é mais conhecido, é um espaço aprazível. Ali algumas pessoas vão buscar, por curtos períodos de tempo, lugar para refletir, orar, e fugir um pouco do barulho, fumaça e agitação do centro urbano. Diariamente, todos os membros da comunidade se reúnem em sete momentos de oração. Mas, no restante do tempo, eles trabalham. Enquanto desempenham diversas atividades que tornam o mosteiro autossuficiente, continuam orando, e parando apenas uma vez ou outra para admirar a beleza natural do lugar onde vivem. No entorno do prédio principal, outras construções menores incluem marcenaria, lavanderia, fábrica de velas e horta comunitária. Na entrada do Mosteiro, o visitante encontra um espaço para a venda de alguns produtos alimentícios de fabricação artesanal dos monges, além de obras de arte sacras, utilizadas em rituais religiosos, como ícones. 11
As homilias, numa linguagem simples, clara e direta, representam outra grande atração dos domingos e dos dias santos. As pessoas vêm de todas as cidades, Curitiba, Castro, Campo Largo, Norte do Paraná, para escutar a homilia e participar da liturgia “quase perfeita”. Quase todas as pessoas que frequentam a missa dizem que vale a pena participar dela no Mosteiro. Há alguma coisa diferente! Hoje, os monges também colocam no site do mosteiro as homilias do domingo, dando a possibilidade de que mais pessoas possam tomar conhecimento e lê-las.
Dentro do mosteiro, há alguns monges pintores de ícones, com projeção nacional e internacional, o mais conhecido dentre eles é Dom Ruberval. Observando, notei que alguns quadros não são assinados com o nome do artista, então, perguntei o motivo pelo qual não havia o nome do autor no quadro que pintou ou no texto que escreveu. A resposta foi que a obra ou o mesmo algum texto escrito não é somente de um monge, mas de todo o Mosteiro.
A grande sensação da época foi o surgimento do canto gregoriano em português. Eles foram os primeiros no Brasil a traduzir os salmos gregorianos do
latim para o português. Foram feitas várias reportagens sobre o fato inédito no Brasil. A Revista Veja, de circulação nacional, noticiou o acontecimento:
Os monges do Mosteiro da Ressurreição, de Ponta Grossa, que lançaram o