3. Metode
3.5 Dataanalyse
Os dados ora apresentados se referem a 441 dos 466 idosos elegíveis para o estudo, com idades de 60 anos ou mais, residentes no município de Macaíba-RN. Assim, identifica-se que houve uma perda amostral de 5,36% em relação à quantidade de idosos elegíveis. Porém, no que se refere à amostra calculada, tal perda foi nula, já que a amostra final resultou em um número de indivíduos maior do que aquele previamente calculado para o tamanho amostral. A tabela 2 abaixo apresenta a caracterização demográfica e das condições sócio-econômicas dos indivíduos arrolados no estudo.
Tabela 2: Distribuição das variáveis de caracterização demográfica e condições sócio- ecomômicas de uma amostra de 441 idosos, segundo as médias, desvios-padrão, medianas, quartis 25 e 75, freqüências absolutas/relativas e intervalos de confiança. Macaíba-RN. 2010.
Variáveis Média ± dp Mediana Q25 – Q75 IC (95%)
Idade 71,7 ± 8,76 70,00 65,00 – 78,00 70,6 – 72,6
Escolaridade 2,17 ± 2,74 1,00 0,00 – 4,00 1,72 – 2,50
Renda familiar em salários mínimos 2,00 ± 1,19 2,00 1,00 – 2,00 1,78 – 2,20 Densidade domiciliar 0,65 ± 0,37 0,60 0,40 – 0,80 0,60 – 0,68 Gasto mensal com medicamento 32,47 ± 72,83 0,00 0,00 – 30,00 20,91 – 40,05
Variáveis Categorias N % IC (95%) Sexo Masculino 140 31,7 27,3 – 37,3 Feminino 301 68,3 62,7 – 72,7 Estado Civil Solteiro(a) 21 4,8 3,0 – 7,3 Casado(a) 253 57,4 50,6 – 63,1 Viúvo(a) 143 32,4 27,1 – 38,6 Desquitado(a) / Divorciado(a) 24 5,4 3,8 – 8,5
Residência dominante Capital 60 13,6 8,0 – 22,8
Interior 381 86,4 77,2 – 92,0
Zona de residência dominante Urbana 228 51,7 40,7 – 60,0
Rural 213 48,3 40,0 – 59,3
Recebimento de aposentadoria Sim 340 77,1 72,5 – 81,8
Não 101 22,9 18,2 – 27,5 Companhia na residência Sozinho(a) 29 6,6 4,7 – 9,9 Esposa(o) 69 15,6 11,5 – 20,4 Esposa(o) + outros familiares 188 42,6 36,5 – 48,7 Outros familiares 155 35,1 29,3 – 41,6
Observou-se o predomínio expressivo de indivíduos do sexo feminino e a idade dos indivíduos variou de 60 a 99 anos, sendo que pouco mais de 19% dos idosos tinham 80 anos ou mais. A escolaridade dos indivíduos investigados não ultrapassou 2 anos completos de estudo e no que se refere ao estado civil, predominaram os indivíduos que possuem companheiro(a) estável, sendo ou não casados civilmente, destacando-se também o percentual de indivíduos viúvos. Daí a ocorrência de uma maior prevalência de indivíduos cuja companhia na residência é o esposo(a) mais outros familiares ou apenas outros familiares, que geralmente permanecem na companhia do idoso ocupando o papel de cuidador familiar ou dele dependem financeiramente. A presença de cuidador foi considerada quando da existência de algum indivíduo, caracterizado como cuidador e/ou responsável, prestador de cuidados diários ao idoso, sob remuneração ou não. Nessa característica prevaleceu os idosos que não os possuem, ou não relataram necessidade de cuidados diários. No que se refere às condições de residência dos indivíduos, observou-se que a grande maioria relatou ter residido em interior durante a maior parte da vida, e em área urbana.
Em relação às variáveis de condições sócio-econômicas, verificou-se o predomínio de indivíduos que recebem aposentadoria, sendo a maioria de um salário mínimo o que, em certa medida, justifica a ocorrência de uma baixa renda média familiar de 2(dois) salários mínimos, em média, visto que na maioria das vezes, o próprio idoso se enquadra como o único provedor para o sustento familiar. Grande parte dos indivíduos reside em casa própria e não se encontram inseridos em programas de
Presença de cuidador Sim 60 13,6 8,7 – 19,1
Não 381 86,4 80,9 – 91,3
Residência em casa própria Sim 368 83,4 74,9 – 88,6
Não 73 16,6 11,4 – 25,1
Recebimento de benefício
governamental Sim 44 10,0 6,4 – 13,6
Não 397 90,0 86,4 – 93,6
Tipo de benefício governamental recebido
Bolsa-escola 6 13,6 3,0 – 38,3
Bolsa-família 31 70,5 48,0 – 88,5
Outro 7 15,9 5,9 – 33,8
Forma de aquisição dos medicamentos Comprou todos 68 21,5 14,5 – 30,2 Comprou alguns e ganhou outros 66 20,8 14,5 – 26,8 Ganhou todos 183 57,7 49,0 – 67,9 Continuação Tabela 2
auxílio governamental, porém dentre aqueles que o são, a maior prevalência é do recebimento da bolsa-família. No que se refere à aglomeração domiciliar, representada pela quantidade de pessoas por cômodo, verificou-se uma média de pouco mais que 0,6 pessoas/cômodo nas residências dos indivíduos entrevistados. Por fim, a forma de aquisição de medicamentos mais relatada foi o recebimento gratuito em unidades ou centros de saúde do município.
O estado geral de saúde dos indivíduos foi analisado através de algumas variáveis relacionadas às condições sistêmicas, bem como aos hábitos do tabagismo e do etilismo. A quantidade de doenças auto-referidas foi de 1,5 (±1,2) doença, em média, enquanto que a quantidade de doenças para as quais o indivíduo toma medicação diária foi de 1,2 (±1,1) doença, em média. Considerada uma característica comum entre os idosos, o consumo regular de medicamentos também se destacou na população sob estudo, sendo relatado por 321 indivíduos (72,8%) e as freqüências dos tipos de medicamento utilizados se encontram apresentadas na figura 2.
Figura 2: Frequências absolutas/relativas e intervalos de confiança, segundo tipo de medicamento utilizado numa amostra de 441 idosos. Macaíba-RN. 2010.
Outras características referentes à saúde geral dos indivíduos são apresentadas na tabela 3 a seguir.
Tabela 3: Distribuição das variáveis de caracterização do estado geral de saúde de uma amostra de 441 idosos, segundo as freqüências absolutas/relativas e intervalos de confiança. Macaíba-RN. 2010.
Foi considerada a ocorrência de queda nas últimas quatro semanas previamente ao momento da investigação e observou-se que tal evento não ocorreu na maioria dos casos. Já a fratura óssea, um problema comum e de sérias consequências em idosos, foi investigada a partir dos 60 anos e também, na maioria dos casos, não esteve presente. Os hábitos de tabagismo e etilismo foram pesquisados na sua ocorrência atual e pregressa, identificando-se uma maior prevalência de indivíduos que não possuíam tais hábitos, seja no momento da pesquisa, seja em momento pregresso da vida. No entanto, vale destacar o alto percentual de idosos que fizeram uso pregresso do tabaco.
Ainda em relação ao tabagismo, verificou-se um tempo médio de retenção do hábito de 51,7 (±16,7) anos, naqueles indivíduos fumantes atuais. Nestes, a freqüência média diária de uso foi de 10 (±12,7) vezes, sendo o cigarro industrializado o tipo de fumo mais utilizado (43,6%; IC: 31,4 – 55,4). Para os indivíduos que relataram uso pregresso do tabaco, o tempo médio de uso foi de 33 (±17,4) anos e a freqüência média de consumo, um pouco maior, de 12,4 (±14,5) vezes por dia. O cigarro industrializado também foi o tipo de fumo mais utilizado (47,0%; IC: 36,3 – 56,9) e o tempo médio de abandono do tabagismo nestes indivíduos foi de 19,2 (±12,7) anos.
Variáveis Categorias N % IC (95%) Ocorrência de queda recente Sim 52 11,8 8,6 – 14,8 Não 389 88,2 85,2 – 91,4 Ocorrência de fratura óssea pós-60 anos Sim 42 9,5 6,9 – 11,9 Não 399 90,5 88,1 – 93,1
Uso atual de tabaco Sim Não 347 94 21,3 78,7 17,7 71,6 – 28,4 – 82,3 Uso pregresso de
tabaco
Sim 171 49,3 44,3 – 54,9 Não 176 50,7 45,1 – 55,7 Uso atual de bebida
alcoólica Sim 31 7,0 4,5 – 10,2 Não 410 93,0 89,8 – 95,5 Uso pregresso de bebida alcoólica Sim 100 24,4 20,9 – 30,7 Não 310 75,6 69,3 – 79,1
Já o etilismo, teve um tempo de uso de 40,4 (±17,5) anos, em média, e a freqüência semanal média de ingestão de bebida alcoólica foi de 4 (±3,1) vezes, para os indivíduos cujo hábito estava presente no momento da pesquisa. No caso do uso pregresso de bebida alcoólica, os indivíduos que se enquadraram nesta categoria, tiveram um tempo médio de uso de 29,3 (±17,0) anos, bebiam em média de 3,7 (±2,5) vezes por semana e abandonaram o hábito há 19,3 (±13,9) anos, em média.
Ainda dentro da caracterização da população do estudo quanto ao seu estado geral de saúde, a capacidade funcional, principal variável independente do estudo, aferida a partir da escala de independência para a realização das atividades da vida diária, de Katz, teve sua distribuição conforme apresentado na figura 4. Tal variável, como comentado anteriormente na descrição dos procedimentos de análise estatística dos dados, foi dicotomizada e, na figura abaixo, é apresentada tanto sua recategorização quanto o detalhamento da categoria “dependente em ao menos uma função”.
Figura 4: Frequências absolutas e relativas referentes à caracterização quanto à realização de atividades da vida diária, segundo o Índice de Katz, numa amostra de 441 idosos. Macaíba-RN. 2010.
Observou-se a expressiva prevalência dos indivíduos independentes para todas as funções consideradas e, dentre os indivíduos dependentes em ao menos uma das funções, a maior prevalência foi daqueles que necessitavam de assistência para o
desempenho de cinco funções, ou seja, indivíduos no limiar da dependência para todas as atividades da vida diária. A tabela 4 apresenta a distribuição de variáveis referentes ao auto-cuidado em relação ao uso de prótese dentária, bem como ao acesso a serviços odontológicos.
Tabela 4: Distribuição das variáveis de auto-cuidado e acesso a serviços em saúde bucal numa amostra de 441 idosos, segundo às freqüências absolutas/relativas e intervalos de confiança. Macaíba-RN. 2010. Variáveis Categorias n % IC (95%) Auto-percepção de necessidade de substituição de prótese Sim 117 26,5 20,4 – 33,7 Não 136 30,8 24,1 – 38,2
Tempo de última visita ao dentista
≤ 6 meses 60 13,6 8,9 – 17,2
> 6 meses e ≤ 1 ano 39 8,8 6,5 – 12,0
> 1 ano e ≤ 2 anos 52 11,8 8,1 – 14,9 > 2 anos 275 62,4 57,1 – 70,6 Nunca foi ao dentista 15 3,4 1,8 – 6,6 Tipo de serviço procurado na
última visita
Público 269 63,9 56,1 – 70,6
Privado 152 36,1 29,4 – 43,9
Fidelidade ao serviço Público 317 71,9 66,7 – 77,3
Privado 104 23,6 18,7 – 28,2
Área de residência coberta pela ESF
Sim 364 82,5 67,7 – 91,3
Não 77 17,5 8,7 – 32,3
Para pouco menos da metade dos indivíduos, dentre aqueles que utilizavam algum tipo de prótese dentária, foi percebida a necessidade de substituição da mesma por motivos diversos. A última visita ao dentista foi realizada, na maioria dos casos, há mais de dois anos, sendo o serviço público o mais procurado para tal, bem como o mais utilizado pelos indivíduos até então. Observou-se ainda que a grande maioria dos indivíduos residiam em áreas cobertas por alguma equipe de estratégia de saúde da família do município.
Além dessas variáveis, também relacionadas à saúde bucal dos indivíduos, compuseram a caracterização de tal dimensão, os dados obtidos a partir do exame epidemiológico intra-oral. Para o edentulismo, foi observada uma prevalência de 50,8%, o que equivale a 224 idosos com ausência total dos elementos dentários. Já o edentulismo funcional, por sua vez, foi encontrado em 92,7% dos indivíduos. Tal condição corresponde à presença de, ao menos, 20 elementos dentários na boca (dentição funcional). A cárie radicular, uma condição marcante na população idosa, esteve presente em 28,1% dos indivíduos participantes do estudo. Outro dado de
importância fundamental para a caracterização das condições de saúde bucal dos indivíduos, o CPO-d médio, encontra-se apresentado na figura 5 a seguir, onde também se observam as médias dos componentes de tal índice.
Figura 5: Médias do índice CPO-d e seus componentes numa amostra de 441 idosos. Macaíba-RN. 2010. A partir do detalhamento deste índice por elemento dentário, observa-se uma distribuição generalizada da perda dentária nesses indivíduos e uma maior permanência da dentição constituinte do sextante central inferior (Figura 6).
Figura 6: Relação em termos absolutos de componentes do CPO-d segundo elemento dentário numa amostra de 441 idosos. Macaíba-RN, 2010.
A condição periodontal dos idosos foi avaliada a partir da observação de sangramento gengival, cálculo dentário e bolsa periodontal que estiveram presente em 66,3%, 77,9% e 19,3% dos indivíduos estudados, respectivamente.
No que diz respeito ao uso e necessidade de prótese, observou que 46,7% dos idosos usam prótese superior, enquanto que apenas 27,8% usam alguma prótese inferior. A necessidade de prótese, por sua vez, foi observada em 80% dos indivíduos, quando considerada a arcada superior e em 86,4%, quando se avaliou a necessidade de prótese inferior.
Os resultados da análise descritiva apresentada foram corroborados quando do tratamento da amostra como complexa, na medida em que foram obtidos valores estimados de percentuais e médias, compatíveis. Observaram-se ainda valores de efeito de desenho aceitáveis para a quantidade de conglomerados considerada no método de amostragem do estudo, o que confirma a representatividade dos dados para a população em questão.