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Mudanças climáticas locais podem ser verificadas a partir dos impactos ambientais decorrentes da atividade industrial que são percebidos pela população diretamente, a poluição atmosférica é um destaque no tocante a degradação ambiental. Alguns conjuntos habitacionais foram construídos a oeste do distrito industrial exatamente para onde preferencialmente se dirigem os ventos da RMF (de leste para oeste), assim a dispersão dos odores, poeiras, gazes tóxicos e fumaça se concentra justamente nos conjuntos Acaracuzinho, Novo Oriente e Maracanaú e nos bairros Jenipapeiro, Santo Sátiro e Vila Buriti e outros (Figura 1)

Tendo em vista que, apesar do intenso fluxo de automóveis, as principais poluidoras são as indústrias, devem-se levar em consideração as consequências da atividade industrial para a saúde da população. Os efeitos de um ambiente poluído se traduzem na forma de diversas doenças respiratórias, transtornos mentais, náuseas, cefaleias, irritações nos olhos e alergias. No tocante a este aspecto os conflitos socioambientais entre os conjuntos habitacionais e as principais indústrias poluidoras são evidenciados por ROSA (2008) que destaca a relação entre a saúde da população e a intensa atividade industrial. A pesquisa faz um registro da luta dos moradores dos principais conjuntos prejudicados pela poluição por melhores condições de vida, o impasse reside na impossibilidade de remobilização dessas comunidades para outro lugar e a resistência das indústrias em mudar de locação ou até mesmo de adotar novas tecnologias menos poluentes.

Figura 2 - Dispersão da poluição sobre os conjuntos habitacionais

(Fonte: Almeida, 2005)

A relação entre clima e saúde em Maracanaú destaca a possibilidade de se relacionar aspectos do clima com incidência de doenças respiratórias. De acordo com Cajazeiras (2012) os casos de morbidade por doenças respiratórias apresentam uma significativa sazonalidade, o maior número de internações ocorreu entre os meses de maio e setembro, final de outono e inverno no período analisado. Contudo não se pode estabelecer uma correlação direta entre e as internações por doenças respiratórias e a poluição do ar.

Os dados relativos aos aspectos climáticos foram obtidos junto ao INMET através da estação automática de Fortaleza, foram selecionados os dados de precipitação, temperatura máxima média e temperatura mínima média. Após a coleta dos dados houve o tratamento geoestatístico dos mesmos que foram organizados e analisados em ambiente computacional Microsoft Excel, no sentido de estabelecer uma padronização do banco de dados adquirido e de se elaborar gráficos que apresentam as condições climáticas de Maracanaú.

As características climáticas de Maracanaú correspondem a um clima subúmido, com precipitações sazonais e temperaturas mínimas próximas de 19ºC e máximas em torno de 29ºC, correspondendo um total de precipitação pluviométrica anual de 1.400 milímetros (Paiva; Estevão, 2015). As chuvas concentram-se, principalmente, nos meses de fevereiro/março/abril/maio, correspondendo à quadra chuvosa, quando o Estado está sob a influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema atmosférico causador de precipitações. Os Vórtices Ciclônicos de Ar Superior (VCAS), as Linhas de Instabilidade, os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) e as Ondas de Leste, são sistemas sinóticos responsáveis por gerar chuvas na região. (Zanella, 2005 apud Magalhães; Zanella, 2011).

No período analisado pode se observar certa sazonalidade dos eventos pluviométricos, com ocorrências concentradas na quadra chuvosa. Um destaque deve ser feito para o ano de 2011, apenas no mês de janeiro é registrado um total pluviométrico de 668,3mm o que representa 29,5% do total precipitado durante aquele ano. De acordo com o gráfico de precipitação mensal é possível perceber que as precipitações sofrem um declínio a partir de junho e julho, apesar de serem registrados níveis importantes de precipitação.

Os meses de setembro/outubro/ novembro marcam o período seco, com baixos índices de chuva ou sem registro de eventos chuvosos como ocorreram no mês de setembro dos anos de 2010 e 2011. Durante este período os sistemas atmosféricos atuam com menor intensidade na região.

Gráfico 1 - Total de precipitação mensal (mm) em Maracanaú entre os anos de 2010 e 2014

Fonte: INMET, organizado pelo autor.

Notadamente o ano de 2011 é ano que apresenta os maiores índices de precipitação anual, contabilizando um total de 2260.9 mm de modo a ser classificado como um ano muito chuvoso, com precipitação superior 1.355,6 mm (Xavier, 2001) Os demais anos da série analisada podem ser classificados como anos habituais ou normais já que os totais de precipitação estão entre 1.121,5 mm e 798,3 mm de acordo com a classificação proposta por Xavier (2001).

Gráfico 2 - Total de precipitação anual em Maracanaú entre os anos de 2010 e 2014

Fonte: INMET, organizado pelo autor.

No que diz respeito às temperaturas máximas médias os maiores valores foram observados nos meses de novembro e fevereiro de 2010 (32,5ºC e 32,4ºC respectivamente) e os menores valores nos meses de janeiro e abril de 2011 (30,3ºC e 30,5ºC respectivamente). A diferença térmica mensal indica uma variação 1,8ºC para o mês de março e de 0,2ºC para o mês de dezembro. O gráfico abaixo indica as

0 100 200 300 400 500 600 700 800

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

2010 2011 2012 2013 2014

Gráfico 3 - Temperatura máxima média (ºC) em Maracanaú entre 2010 e 2014

Fonte: INMET, organizado pelo autor.

O registro das temperaturas médias mínimas indica que os maiores valores foram verificados no ano de 2013 nos meses de janeiro e março (25,4ºC e 25,6ºC respectivamente) e os menores valores de temperatura do ar no ano de 2011 nos meses de julho e agosto (22,2ºC e 22,3ºC respectivamente). A diferença térmica mensal aponta uma variação da ordem de 2,5ºC para o mês de março e de 0,7ºC para os meses de outubro e novembro. De acordo com o gráfico abaixo podemos verificar estas variações mensais das temperaturas médias mínimas.

Gráfico 4 - Temperatura mínima média (ºC) em Maracanaú entre 2010 e 2014

Fonte: INMET, organizado pelo autor. 29 30 30 31 31 32 32 33 33

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2010 2011 2012 2013 2014 20 21 22 23 24 25 26

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3. INCIDÊNCIA DE TUBERCULOSE E CORRELÇÃO ENTRE AS VARIÁVEIS

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