Como exposto na metodologia, após a construção do índice, que é formado pelas três instâncias apresentadas no referencial, as famílias foram classificadas em três níveis de condição de vida: baixo, médio e alto.
Para obter o Índice de Condição de Vida dos Produtores dos domicílios em que há produção, foi calculado previamente, como já explicado, o sub-índice de cada instância.
4.1.1 Sub- índice dos fatores que favorecem o desenvolvimento
A primeira instância está ligada aos intitulamentos que representam o conjunto de combinações de bens, recursos e serviços que cada pessoa pode ou está apta a possuir. Os intitulamentos representam, portanto, os meios para atingir determinados fins, as condições para a realização de escolhas, sendo estabelecidos por ordenamentos legais, políticos e econômicos (KAGEYAMA, 2008). De acordo com Rambo et. al.(2012), a relação entre as instâncias apontadas por Kageyama (2008) e a abordagem de Sen (1999, 2001), levam a definir a primeira instância como os fatores que condicionam o desenvolvimento, estando ligados aos elementos constitutivos, aos recursos, às condições para a realização das escolhas.
As informações referentes ao Sub-índice de Condição de Vida da instância Fatores que favorecem o desenvolvimento podem ser verificadas na Tabela 1.
Tabela 1 - Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da dimensão: Fatores que favorecem o desenvolvimento
Classes Índices Média Freq. Ab. Freq. Rel.
Baixo 0,31|----|0,54 0,476 154 26%
Médio 0,55|----|0,68 0,617 289 49%
Alto 0,69|----|0,96 0,742 149 25%
Total 592 100%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT
De acordo com o teste ANOVA de um fator, há diferença entre a média dos grupos a um nível de significância de 0,05. Ao realizar o teste Tukey, verificou-se que todos os pares são significativamente diferentes. (Ver output ANEXO B).
Os dados apresentados indicam que 49% das famílias se enquadraram no grupo médio, referindo-se ao grupo de produtores que consideram ter uma condição de vida intermediária no critério intitulamento.
A Tabela 2 mostra que, para a instância Fatores que favorecem o desenvolvimento, os domicílios dos Territórios da Cidadania do Rio Grande do Norte que se
agruparam com os menores níveis de condição de vida concentraram-se em sua maioria no território de Mato Grande. Já do total de famílias do estado com uma alta percepção da condição de vida a concentração ficou no território do Sertão do Apodi, 60,4%.
Tabela 2 - Distribuição do Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da dimensão Fatores que favorecem o desenvolvimento, entre os Territórios da Cidadania do Rio Grande do Norte
Territórios Índice baixo Índice médio Índice alto
Açu Mossoró 26,62% (41) 29,76% (86) 23,49% (35)
Sertão do Apodi 28,57% (44) 37,02% (107) 60,40% (90)
Mato Grande 44,81% (69) 33,22% (96) 16,11% (24)
Total 100% (154) 100% (289) 100% (149)
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT
4.1.2 Sub-índice das características do desenvolvimento.
A segunda instância, de acordo com Rambo, et.al. (2012), busca identificar as possíveis diferenças nas trajetórias do desenvolvimento. Conforme o relatório de WAQUIL, et. al., 2007 citado pelo mesmo autor, essa instância esta relacionada aos elementos de conversão, ou seja, é um elo entre a primeira e a terceira instância, transformando meios em fins, intitulamentos em resultados.
Segundo as informações da Tabela 3, verifica-se que nessa instância a maior parte dos domicílios também se aglomeraram no índice médio. Entretanto, houve um aumento de 8% de produtores nesse grupo e uma redução de 7% no grupo baixo, quando comparada com a instância anterior, o que pode expressar uma maior satisfação dos produtores quanto aos indicadores que compõem essa instância.
Tabela 3 - Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da dimensão, características do desenvolvimento
Classes Índices Média Freq. Ab. Freq. Rel.
Baixo 0,25|----|0,5 0,443 113 19%
Médio 0,53|----|0,65 0,59 335 57%
Alto 0,68|----|0,98 0,724 144 24%
Total 592 100%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT
De acordo com o teste ANOVA de um fator, há diferença entre a média dos grupos a um nível de significância de 0,05. Ao realizar o teste Tukey, verificou-se que todos os pares são significativamente diferentes. (Ver output ANEXO B).
Pode ser observado, com base na Tabela 4, como cada Sub-índice está distribuído. Tabela 4 - Distribuição do Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da instância Características do desenvolvimento entre os Territórios da Cidadania do Rio Grande do Norte
Territórios Índice baixo Índice médio Índice alto
Açu Mossoró 34,51% (39) 23,88% (80) 29,86% (43)
Sertão do Apodi 23,01% (26) 40,90% (137) 54,17% (78) Mato Grande 42,48% (48) 35,22% (118) 15,97% (23)
Total 100% (113) 100% (135) 100% (144)
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT
A partir das informações apresentadas, verificou-se que dos 113 produtores que foram classificados com níveis de Condição de Vida baixo (Tabela 3), mais de 40% estão no território de Mato Grande e quase 35% estão no território do Açu Mossoró. Para os 144 classificados com um alto Índice de Condição de Vida 54,17% estão no território do Sertão do Apodi e apenas 15,97% estão no território de Mato Grande.
4.1.3 Sub-índice dos efeitos do desenvolvimento
A instância Efeitos do desenvolvimento está relacionada às capacitações e aos funcionamentos. Para Rambo, et. al.(2012), os funcionamentos encaminham as realizações, às oportunidades reais das escolhas de possíveis estilos de vida. Reportando-se a Walquil, et.al. (2007a), Rambo, et. al.(2012) declara que a terceira instância corresponde aos efeitos econômicos e sociais, ligados especificamente às realizações das pessoas ou das famílias, e que é possível incluir dimensões política, cultural e ambiental. Enfim, essa dimensão pressupõe os efeitos dos processos de desenvolvimento.
Assim como no índice da segunda instância, a tabela 5 mostra que na terceira instância os domicílios se classificaram em sua maioria no índice médio, 20% se aglomeraram entre os produtores que têm uma percepção baixa dos efeitos do desenvolvimento.
Na percepção dos produtores, a primeira instância foi a que obteve a pior avaliação, pois concentrou a maior quantidade de produtores na classe do índice baixo.
Tabela 5 - Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da dimensão, efeitos do desenvolvimento
Classes Índices Média Freq. Ab. Freq. Rel.
Médio 0,63|----|0,75 0,692 342 58%
Alto 0,78|----|0,98 0,82 131 22%
Total 592 100%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT
De acordo com o teste ANOVA de um fator, há diferença entre a média dos grupos a um nível de significância de 0,05. Ao realizar o teste Tukey, verificou-se que todos os pares são significativamente diferentes. (Ver output ANEXO B).
No tocante à análise de cada índice dentro dos Territórios da Cidadania do Rio Grande do Norte, os dados da Tabela 6 indicam que 47,06% do índice baixo entre as famílias que produzem estão no território de Mato Grande e 51,15 % dos domicílios que se classificaram com índice alto estão no território do Sertão do Apodi. Dessa forma, o território de Mato Grande tem a maior porcentagem de produtores que consideram ter um índice baixo para todos os indicadores, nas três instâncias.
Tabela 6 - Distribuição do Sub-índice de Condição de Vida dos Produtores da instância Efeitos do desenvolvimento entre os Territórios da Cidadania do Rio Grande do Norte
Territórios Índice baixo Índice médio Índice alto Açu Mossoró 21,01% (25) 26,32% (90) 35,88% (47) Sertão do Apodi 31,93% (38) 39,77% (136) 51,15% (67) Mato Grande 47,06% (56) 33,92% (116) 12,98% (17)
total 100% (119) 100% (342) 100% (131)
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do MDA/SDT