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Evidence from a field and lab experiment

4. Data and estimation methods

Como se sabe, os objetos são dotados de qualidades que os

permitem ser identificados como vestígios que referenciam um grupo social.

Em se tratando dos documentos de arquivo, Jardim (1995 b) aponta que

apresentam determinados valores que permitem sua integração ao patrimônio

de uma sociedade, em razão da sua capacidade de expressar a sua memória.

Assim, de modo inconsciente ou deliberado, o homem exerce suas

faculdades de decisão perante os objetos. E a base geral do processo de

Avaliação é esta. Que no contexto de uma realidade e sob métodos específicos

de julgamento, os objetos possam ser estimados em maior ou menor grau, e

mantidos em função disto.

Em essência, o processo de Avaliação arquivística também é este.

Julgar os registros que permanecerão, determinar o tempo de permanência e

explicitar as bases científicas e sócio-culturais sob as quais foram identificados

os seus atributos. Por isso, os documentos arquivísticos são avaliados à luz do

método e não de eventuais procedimentos que possam traduzir-se em critérios

subjetivos e parciais de exame.

Na concepção de Duranti (1994), a Avaliação arquivística é o

processo de estabelecimento do valor dos documentos produzidos e recebidos

no curso de uma atividade, qualificando tal valor e determinando sua duração

(Duranti,1994: 329). A autora acrescenta que o objetivo primário da Avaliação

reside na identificação dos documentos que serão mantidos continuamente e

Mas, os métodos de Avaliação de documentos nem sempre

estiveram explicitados. No século XIX, a Avaliação não era um procedimento

sistemático. A tendência predominante naquela conjuntura era a de inclusão e

manutenção de grandes volumes de documentos, sem atentar para uma

análise mais profunda de seus conteúdos.

Na primeira metade do próximo século já se sentiriam os efeitos de

tal prática, sobretudo nos EUA, onde se evidenciou uma tendência ao

descontrole documental. Assim, de acordo com Danniels (1990), o aumento

gradativo dos acervos e a consciência da impossibilidade estrutural de

armazená-los, impulsionou ao avanço nas metodologias de Avaliação. E a

partir delas conseguiu-se obter a racionalização dos custos de manutenção dos

documentos e a identificação precoce dos itens com potencialidade para a

preservação permanente.

Parêntese seja feito para dizer que a realidade descrita se restringe

ao contexto particular da América do Norte, palco de tendências pragmáticas e

de outras propostas para a área, como se vem demonstrando ao longo das

exposições feitas. Mas, de modo geral, não se pode perder de vista que a

Avaliação reveste-se de um caráter de terminalidade, porque decide sobre o

tempo de durabilidade dos objetos e determina os seus destinos.

Em Arquivologia, os documentos, a exemplo do que ocorre com os

arquivos, são avaliados sob a ótica do ciclo de vida. Assim, para Bradsher

(1990), eles iniciam seu ciclo quando nascem ou são adotados - ou seja,

produzidos ou recebidos, no cumprimento de alguma função. Em seguida,

dois destinos. Se aposentam - momento em que seu uso se reduz - e morrem -

quando são eliminados. E são também passíveis de renascimento, quando

findas as funções pelas quais foram criados, sejam-lhes acrescidas qualidades

que justifiquem a manutenção permanente.

Pela analogia, sugere-se que o processo de Avaliação seja feito em

cada uma das etapas da vida dos documentos, até o momento de se tomarem

as decisões finais sobre o seu destino: eliminação ou recolhimento. Portanto, é

evidente que por trás deste processo encontram-se os procedimentos que

garantirão, em alguma medida, sua permanência no futuro.

Em geral, as avaliações arquivísticas determinam o destino de

conjuntos inteiros. Isto é confirmado por Bellotto (1991), quando diz que as

decisões pertinentes à eliminação ou recolhimento repousam sobre a série

documental, a qual sofrerá a chamada sentença de vida ou morte, prevista em

dispositivo arquivístico específico 24. Esta sentença, via de regra, depende da

valoração dos documentos, tarefa arquivística que demanda grande esforço

teórico, em função da complexidade e interdisciplinaridade que envolve.

As perspectivas de valor, inicialmente estabelecidas para os

documentos, são apontadas por Schellenberg (1973), como segue:

a) valor primário: valores legais, fiscais, executivos e administrativos

atribuídos ao documento no ato de criação e na consecução de

determinado objetivo, pela entidade produtora;

____________________

24

Este dispositivo é a tabela de temporalidade. Seu conceito encontra-se no capítulo destinado à terminologia adotada.

b) valor secundário: valores que persistem, após o uso primário do

documento. Momento em que passa a ser utilizado por outras

pessoas, além da entidade produtora. Pode ser de duas ordens: probatório, quando tem um caráter de prova; ou informativo,

quando se associa a algum contexto de pesquisa.

As definições de valores citadas, foram retomadas mais

recentemente por Jardim (1995 b). O autor pondera que um documento de

valor secundário sempre apresenta valor informativo, porque deriva de

informação anterior, produzida no contexto da organização. Por outro lado,

complementa, independente do valor primário ou secundário, todo documento

apresenta um valor probatório, uma vez que testemunha um fato, a partir do

qual se constituiu. O autor propõe, então, que a Avaliação se faça mediante o

entrecruzamento destas categorias de valores.

Uma segunda categoria de valores, que pode ser utilizada na

Avaliação de acervos, é sugerida por Child (1997) e Atkinson (1997):

a) valor de uso: associa-se ao uso do (s) item (s) como fonte de

informação freqüente, o que justifica sua demanda;

b) valor intrínseco: associa-se à pesquisa e deriva das

características inerentes ao (s) item (s), que condicionam sua

O conceito de valor intrínseco, continua Child (1997), apesar do

caráter objetivo, pode ter uma aplicação relativa, em função da época ou do

profissional. Daí, a necessidade de que a Avaliação se dê de forma

interdisciplinar, onde as chances de atingir a objetividade poderão ser

aumentadas. A autora propõe ainda o reconhecimento de alguns requisitos,

que podem servir de embasamento no processo de atribuição do valor

intrínseco dos documentos. Seriam eles:

a) estrutura física;

b) qualidade estética ou artística;

c) autenticidade e originalidade;

d) antigüidade;

e) valor probatório ou informativo.

Diante das perspectivas apontadas, nota-se primeiramente que existe uma certa correspondência entre “valor intrínseco” e “valor secundário”. Ambos remetem o documento ao contexto dos arquivos permanentes, onde se

justifica a preservação prolongada. Por outro lado, a definição atribuída ao “valor de uso” se aproxima do “valor primário”, dado que enfatiza a demanda pelo documento como fonte de informação freqüente, ou seja, no âmbito dos

arquivos correntes.

Por outro lado, a questão do valor primário, quando associada à

Avaliação arquivística. Isso é relativamente fácil de explicar. A lógica do valor

de uso associa-se à demanda de consulta. Assim, num acervo, o documento

passaria a ter importância especial sempre que sua demanda aumentasse. O

que justificaria o interesse por sua manutenção.

Em princípio, essa lógica pode se enquadrar à Biblioteconomia,

onde estão justificados os investimentos em tratamentos e aquisições

individuais de objetos, que serão disponibilizados ao acesso de um número

maior de usuários. Porém, no caso da Arquivologia, os documentos são

avaliados prioritariamente pela função que desempenham e não pela demanda

dos usuários. Se assim o fosse, poder-se-ia proceder, por exemplo, à

eliminação de algum documento menos consultado do arquivo. Mas, isto não

ocorre, pelo fato de que os documentos são orgânicos, o que faz com que a

Avaliação não se processe de forma individualizada, mas sim em conjunto.

E existe ainda um outro fator. O arquivo, ao contrário da biblioteca,

recebe um tipo de usuário bastante específico. Esta realidade limita ainda mais

o seu universo de demanda. Portanto, conclui-se que, em princípio, o conceito

do valor de uso poderia ser aplicado, no arquivo, como justificativa para ações

específicas, tais como a reprodução ou reformatação de itens. Assim, os

documentos mais consultados receberiam estes tratamentos, de forma a

preservarem-se os originais sob melhores condições.

Uma terceira categoria de valores é apresentada por Danniels

a) significado da função: valor que se refere à importância de uma

atividade ou função comprovada pelo documento, no contexto de

sua criação;

b) singularidade da informação: refere-se ao caráter da informação

contida no documento, não estando esta disponível em nenhum

outro lugar, de nenhuma outra forma, que não seja no próprio

documento;

c) usabilidade da informação: refere-se aos requisitos de utilização

e acessibilidade da informação contida no documento.

As proposições anteriores levam a reflexões interessantes. O

conceito de singularidade da informação, por exemplo, pode ser associado ao

aspecto da unicidade da informação. Por outro lado, a usabilidade remete à

questão das possibilidades de uso do sistema por um usuário de informação.

No caso do arquivo, o documento pode não estar acessível por uma série de

motivos. Os instrumentos de pesquisa podem não existir; o suporte pode estar

fragilizado ou deteriorado; o conteúdo pode estar ilegível; as ferramentas

tecnológicas podem não ter sido bem empregadas. Enfim, durante a Avaliação

arquivística devem se consideradas todas estas possibilidades.

Em todas as categorias referenciadas, as definições de valores se

complementam. Evidentemente, em cada uma delas nota-se a preocupação

propósitos, que demonstra o esforço por determinar metodologias que

assegurem a eficiência e a objetividade nos processos de Avaliação.

Isso pode se tornar especialmente importante, quando as decisões

pesam também sobre a manutenção da informação, no formato original ou não,

o que se dá sobretudo nos grandes acervos, onde a demanda por soluções se

torna mais urgente. Nestes, muitas vezes, as medidas adotadas, ao contrário

do que se esperaria, se traduzem em políticas radicais de eliminação.

Um modelo contundente de tal racionalidade é citado por Lopes

(1997). Segundo ele, nos EUA e Canadá pratica-se uma política agressiva de

Avaliação de acervos, que resulta na eliminação de cerca de 90% da massa

documental. Assim, pela lógica de avaliação norte-americana, apenas uma

amostra de 10% dos registros tem caráter definitivo. Tal estatística, de acordo

com Jardim (1995 b), está em consonância com dados da UNESCO, cujas

estimativas apontam que são recolhidos aos arquivos permanentes apenas

10% da documentação produzida nas demais fases.

No caso dos EUA, tal política se associa, há pelo menos 20 anos, à

prática da reformatação, efetuada nos planos nacionais de microfilmagem para

preservação, vinculados às grandes empresas do ramo fotográfico. Este é um

importante diferencial, uma vez que na seqüência dos procedimentos de

microfilmagem dos documentos está prevista a eliminação ou negligência de

boa parte dos suportes originais.

Não se pode negar que no contexto atual já se ultrapassaram os

limites da noção incorporacionista de acervos, legada pelo século XIX. Por

em função de justificativas que se pautam na necessidade de modernização

dos acervos, disponibilização e utilização de ferramentas tecnológicas, sem se

valer de um questionamento mais profundo do processo, parece injustificado.

Diante de tudo o que foi exposto, emerge uma conclusão. Uma das

maiores dificuldades em avaliar um objeto, está em identificar a sua dimensão

aproximada no contexto de uma cultura. Os documentos são objetos que já no

ato de criação apresentam múltiplas determinações, sujeitando-se aos

caprichos de uma existência efêmera, que faz com que nasçam, vivam e

morram pelas mãos do homem. Obviamente, cabe ao seu criador, criar

possibilidades para que renasçam da obscuridade dos arquivos, desvelando

suas potencialidades.

Em presença de tantas importantes constatações, é de se esperar a

opção por procedimentos metodológicos capazes, ao menos, de dirigir aos

documentos múltiplos olhares. Não atentar para este fato significa negligenciar

uma questão fundamental, que, sugere-se nesta pesquisa, seja incorporada às

demais questões de fundo teórico da Arquivologia:

- que sentido existe em manter ou preservar um objeto, cujo valor não pode ser identificado com uma coletividade?

Infelizmente, tal questão não será abordada, no momento, porque

evidentemente força a uma ampliação das discussões para outras esferas de

análise e conhecimento, o que não está indicado para esta pesquisa. Mas, fica