4. Qualitative research design
4.3. Data collection and analysis
Deve-se entender que o propósito de uma pastoral é de abençoar famílias e pessoas por meio de relacionamentos transformados e promissores. Não se deve crer que o evangelho seja um pacote de transformação de costumes e atitudes exteriores, e sim um instrumento de mudanças interiores que se refletem exteriormente.
Pessoas obedecem às regras de acordo com seu contexto histórico, cultural e social. Se elas foram tratadas com respeito e estimuladas à cooperação, elas deverão gradualmente procurar a cooperação e bem estar do outro, como resposta. Ainda que depois sejam inseridas em um meio agressivo, o equilíbrio, provavelmente as seguirá.
Agir com calma e confiança no potencial do outro; evitar danos físicos; usar linguagem afetiva; validar os sentimentos; incentivar as verbalizações; identificar o real problema; ouvir sugestões; promover responsabilidade e objetivar restaurações dos relacionamentos, são algumas atitudes coerentes com o equilíbrio e autonomia relacional.146 Quando uma pessoa entra em contato com diferentes perspectivas, ela desenvolve suas habilidades sócio-morais e conseqüentemente sua capacidade de estratégias de resoluções de conflitos, diminuindo o estado de ansiedade.
146 Rheta DEVRIES, Bettz ZAN, A ética na educação infantil: o ambiente sócio-moral na escola, p.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As implicações dos conflitos relacionais abrangem varias áreas da vida humana. Envolvem a vida pessoal afetiva de qualquer indivíduo. Elas interferem em seus mais variados contextos, seja na família, na igreja, no trabalho, escola e em outros lugares.
As contribuições dos autores estudados nos ajudaram a entender em parte algumas relações entre a ansiedade e o conflito. Tanto os produzidos em relacionamentos autônomas, mais independestes, quanto aqueles produzidos por dinâmicas relacionais heterônomas e impostas. Também forneceram subsídios para identificar aspectos da qualidade relacional na interpessoalidade quanto à relação ansiedade-conflitos.
Quando considerarmos o que Kant expõe em sua visão de moral e relações sociais, podemos compreender um pouco sobre fracassos interpessoais, onde nenhuma conduta que ignora o raciocínio que soma racionalidade e emoção pode ser valorizada como harmônica. A idéia de governo do outro esgota imediatamente a condição de liberdade e convida à ansiedade e ao conflito.
Piaget, não se distanciou disto quando fez sua contribuição para a compreensão dos relacionamentos sociais concebendo que a coação da autoridade, resulta em uma prática de regras não conscientes. Neste sentido, parece plausível também concluir que tal coação é responsável por muitas feridas desenvolvidas por meio de ações desta origem.
Kohlberg menciona que o cumprimento de regras dirigido apenas pela punição/ recompensa é uma prática de conformidade à ordem constituída, e neste
sentido, a consciência da ação é ignorada e a relação punitiva é a produtora da ação.
Da mesma forma Vygotsky, ratifica estas posições quando declara que a conduta psicológica e a cultura de uma pessoa são resultantes de seu convívio e história social, ou seja, as pessoas exercem influência interpessoal.. Aliado a este autor, comparamos também as conclusões de Selmam, quanto a aquisição de perspectiva e formação sócio-moral. Mesmo não considerando esta influência diretamente ligada a idade cronológica, como outros autores, ele também entende que a influência interpessoal é predominante na formação do significado social de alguém.
Por fim Erickson, quando defende que cada pessoa inserida na sociedade se desenvolve dentro de determinados padrões específicos de educação, os quais são assimilados na infância e exercem forte influência sobre a maneira como a pessoa resolve os seus conflitos.
O contexto de formação das relações pessoais, por si, já faz notório o ciclo vicioso e causador de ansiedade. Neste contexto, fica claro porquê a sociedade contemporânea tem se transformado em uma arena de batalha interpessoal. O lar, que deveria ser o berço do amparo e acolhimento afetivo e espiritual de uma criança, passou a ser marcado pela desarmonia relacional. O desentendimento entre partes da família deu espaço até à formação de grupos de oposição envolvendo membros da mesma família, que ao se dividirem buscam seus próprios interesses na casa.
A escola, o ambiente da educação, tem sido para muitos adolescentes e jovens de nossos dias, o local de maior desafio interpessoal. A mídia, a influência negativa do grupo e os valores dos tempos atuais, estão sufocando a liberdade de expressão, a criatividade e a afetividade dos moços e moças freqüentadores destas
instituições educacionais. Nunca se presenciou um ambiente tão pulverizado de hostilidade como tem sido as escolas de ensino médio de nossos dias. Qualquer um que não se adequar ao sistema dos grupos é excluído e marginalizado.
O ambiente de trabalho tem sido permeado pelo sentimento de tensão como produto de disputas e tentativas de progresso pessoal. Até mesmo comunidades eclesiásticas, os ambientes sacros para onde os oprimidos poderiam correr para encontrar abrigo, tem deixado a desejar em sua real função espiritual, decepcionando imensamente a sociedade e produzindo mais ansiedade.
A proposta central do cristianismo e da pessoa de Jesus, que deveria priorizar o próximo como importante e objeto alvo do serviço cristão, não é na prática vista assim, e esta ação tem sido negligenciada, ou tem dado lugar à dissimulação. Ela aparece, muitas vezes, somente no discurso da conveniência e na maioria das vezes não senta na cadeira principal do ambiente religioso.
A luta pela sobrevivência e a valorização do dinheiro, do poder ou do status, como projeção social, entrou pelas portas de cada casa de nossa sociedade. Considerado como símbolo de espiritualidade, para muitos seguidores o poder financeiro significa benção e comunhão com Deus. O desejo religioso de renunciar em prol do outro parece não mais existir.
A questão que surge nesta análise é: até que ponto a pastoral contemporânea tem lugar no seio desta dinâmica interpessoal desarmônica? Mesmo que alguém não aceite uma pastoral de compreensão do outro, o que implicaria em responsabilidade de ação e harmonia, será impossível encontrar realização interpessoal de outra forma.
Sendo que o homem foi feito à imagem de Deus, ele precisa deste relacionamento para sua vida. Esta necessidade é parte da essência da natureza
humana. Desta forma, a causa por trás da ansiedade e conflitos relacionais é, ainda, a persistente determinação humana que busca independência de Deus e tenta fazer a vida funcionar longe dele. Buscar realização interpessoal satisfazendo os desejos e valores do meio onde está inserido, ou ter experiência, ou posse de coisas, ou controle sobre situações, nada parece suprir a essência da necessidade humana.
Um encaminhamento baseado na pastoral proposta, segue o viés da mudança comportamental ansiosa, por meio da contrição, mudança sensitiva destas reações e da confiança, instrumento que proporcionará o alívio nas relações interpessoais. Somente desta forma a liberdade de ação pode existir dentro do relacionamento, o autocontrole relacional e respostas não influenciadas pela ansiedade passam a ser presentes.
Cada pessoa deveria entender seus conflitos e buscar soluções que lhe tragam não só alívio, como também segurança relacional. Esta segurança seria a estabilidade e harmonia interpessoal, coisas que para ela, a faria sentir-se mais feliz. A maior intenção de alguém, em seu âmago, se resume em sentir-se feliz, e esta realização passa pela harmonia relacional com o outro e com a pessoa de Deus.
Sendo assim, somente por meio de ações conscientes dos fatores maximizadores da ansiedade e atitudes menos influenciadas pela ansiedade, o indivíduo alcançará relacionamentos mais harmônicos e com menor presença de tensão. Portanto, se deve considerar a importância da interpessoalidade baseada em uma pastoral reflexiva fundamentada na visão comum e não na unilateral, em uma conduta autônoma e não na heteronomia. E manter conectada a esperança espiritual com vistas a relacionamentos realmente harmoniosos, não utópicos, mas produtos de conhecimento, discernimento e compreensão da realidade intra e interpessoal de cada indivíduo.
Cabe, inclusive, manter aberta a investigação científica sobre o tópico ansiedade e conflito, desta feita, por meio de estudo de casos, onde a observação apurada traga, de forma mais objetiva, o valor do conhecimento sobre a dinâmica interpessoal produtora de ansiedade.
Ficam então, dois abjetos de pesquisa, para uma futura investigação: o relacionamento entre progenitora e progênito, onde possa existir controle por parte da mãe, com relação às ações do filho, retirando do mesmo, seu senso de autonomia e liberdade interpessoal; e o relacionamento conjugal, onde a ação do esposo controlando as ações da esposa (atitude comum em nossa cultura), retiram desta, seu senso de autonomia e segurança, produzindo ansiedade, dificultando a resolução dos conflitos.
Esta pesquisa somente esboçou brevemente esta possibilidade, valendo-se da contribuição de autores que podiam ajudar no estudo do comportamento humano, porem, muito ainda pode ser feito no estudo de um tema tão significativo para a sociedade. Mantendo aberta a reflexão científica acerca destas condutas comportamentais que consideram a autonomia e a confiança espiritual no objetivo de alcançar relacionamentos mais harmônicos.
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