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Classification of corruption

2. Conceptual and theoretical framework

2.2. Classification of corruption

Sigmund Freud em o “Futuro de uma ilusão,” tenta desenvolver um argumento sobre a inevitabilidade dos limites sociais à liberdade humana.131 É impossível o homem ter segurança e liberdade ao mesmo tempo, na quantidade que quiser, mesmo que isso não represente desistência na busca por tentar alcançar ambos.132 Assim “a liberdade é para muitos um objetivo cobiçado e para outros uma ameaça.”133

Essa ameaça, entretanto, pode ser minimizada se houver uma conscientização e um sentimento de cooperação. Em relacionamentos interpessoais se deve promover um ambiente de cooperação e que estimule a interação entre as partes. “Cooperar significa lutar para alcançar um objetivo comum, enquanto coordenam-se os sentimentos e perspectivas próprias com a consciência dos sentimentos e perspectivas dos outros.”134

O fator de maior extensão dentro do horizonte dos conflitos interpessoais é a abertura que as pessoas dão ao símbolo. Ao imergir na vida social, ou mesmo ao se entender como ser sobrevivente no mundo, a pessoa inicia sua jornada de valorização e assimilação dos valores atribuídos e já existentes em cada aspecto da vida humana. E isto sempre considerando seu contexto e realidade vivida.

Para um menino brasileiro, o significado de uma bola, será diferente, que para um americano. Para uma criança nordestina, a água terá um sentido diferente que para uma criança sulista. E assim, este mesmo horizonte simbólico ou de valor existe também na vida emocional e social de uma pessoa. Esse significado afeta

131 Zygmund BAUMAN, Comunidade, a busca por segurança no mundo atua, p. 18. 132

Ibid., p.11.

133

Ibid., p.16.

seus relacionamentos, podendo aumentar ou minimizar sua tensão, dependendo do que ela valoriza mais ou menos, e se o que ela valoriza é de fato em uma dimensão saudável ou não para seu relacionamento.

Em certo sentido, nenhuma pessoa se adapta a ordens ou padrões sem ser influenciada, portanto a adequação tem uma relação real direta ao desejo de ser parte, o que em outras palavras reflete o medo de exclusão. E em outra situação, o interesse de ser aceito pelo grupo, valorizando o que simbolicamente é importante para eles e não valorizando o que para eles também não tem nenhum valor.

A autonomia, seja cognitiva, ou sócio-moral, pode construir relacionamentos baseados em valores morais que irão permear o entendimento interpessoal. A influência do outro, por meio de condutas impostas e heterônomas, podem levar a uma demasiada tensão por ela provocada e se distanciará da conscientização de uma atitude autônoma e confiante, permeada pela esperança.

Baseado nesta tentativa de pertencer e ter seu senso de representatividade alcançado, a pessoa faz o possível para pertencer e possuir como os outros. É nesta tentativa que surge o sentimento da disputa e conseqüentemente da individualidade. A relação perde a cooperação e dá lugar à disputa. Passa a existir uma limitação de entendimento relacional, o outro ao invés de ser um parceiro comum, passa a ser um adversário e o conflito é assim inevitável, levando o indivíduo a uma necessidade clara de mudança, sem a qual não poderá harmonizar seus relacionamentos ou minimizar seus conflitos.

O princípio de condutas passa a ter lugar de real importância neste processo de transformação relacional. Os ensinos bíblicos já salientavam esta realidade, antes mesmo dos estudiosos do comportamento humano defenderem as agravantes ou conseqüências dos conflitos interpessoais. “Andarão dois juntos se não existir entre

eles acordo?”135 Nesta ocasião as Escrituras se referem à impossibilidade de

convívio comum entre pessoas que não têm harmonia relacional. Segundo Tim Bulkeley, acordo é uma ação passiva de entendimento mútuo.136 Esta ausência de acordo, decorrente da condição da pessoa e de sua conduta heterônoma traz como resultante a tensão relacional ou ansiedade. Produzindo conflitos maiores e impedindo uma caminhada harmônica das partes.

“A palavra dura suscita a ira, mas a resposta branda desvia o furor,”137 isto parece esclarecer que a ação contrária à atitude tensa é a forma de resposta que minimiza e atenua um problema de comunicação em um relacionamento interpessoal. A palavra tenra comunicada em uma inter-relação tem o poder de abrandar o problema e, conseqüentemente relaxar o relacionamento, como também a palavra dura pode produzir maior tensão e trazer mais conflito.

Um forte exemplo disto são os relacionamentos interpessoais de Cristo. Ele foi um profeta brando e cauteloso, suas palavras conduziam mais à reflexão e a uma introspecção da conduta, do que à ofensa e recriminação da atitude do seu interlocutor. Na maioria de seus relacionamentos, Cristo tinha intenção de produzir ações morais e éticas generosas que beneficiassem o outro, demonstrando que não comungava de necessidades individualistas, representativas ou mesmo competitivas diante das pessoas.

Em um outro momento, as Escrituras também promovem o valor da coerência entre o falar e o agir. Para ela, a palavra verbalizada nunca deve ser diferente da conduta vivenciada. Desta forma, ela expressa que as atitudes individualistas e

135

Bíblia SAGRADA, versão revista e atualizada no Brasil, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, Velho Testamento, Amós 3: 3, p. 786.

136

Tim BULKELEY, Bible study biblical commentaries. Amos: Postmodern Bible. http://bible.gen.nz/. Acesso em: 30 jan 2008.

137

Bíblia SAGRADA, versão revista e atualizada no Brasil, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, Novo Testamento, Provérbios 15: 1. p. 578.

influenciadas por valores capitalistas, comuns em relacionamentos, deveriam ser identificadas e tratadas, pois são contrárias ao ensino de amor ao próximo.138 Segundo Champlin, isso significa que “cada pessoa deve ser respeitada por aquilo que é, devido ao valor de sua própria individualidade e pessoa, e não por causa do proveito e benefício que se pode extrair de nossa associação com ela”.139

Pelo que se pode observar, a partir do momento que a indução, produto do contexto simbólico, o individualismo e a competitividade fortalecem a ação heterônoma, encontram também a reprovação das Escrituras e dos ensinos e exemplo de Cristo. E por sua vez passam a ser objetos de crises e afastamento de uma relação interpessoal mais harmônica, sob pena da mesma ser mais prejudicada à medida que o tempo passa.

“Condutas de assimilação ou adaptação são reflexos da necessidade impulsiva que o homem tem, pelo medo do isolamento, e para satisfazer seu impulso por uma companhia pode sacrificar-se por toda sua vida.”140