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O Ribeirão Águas Claras é um afluente da margem esquerda do Médio Rio Paraopeba e drena os municípios de Pequi e São José da Varginha. Ele é um curso d’água de 5ª ordem e possui 99,04 km de extensão e sua bacia tem área de 99,04km². O canal principal desse ribeirão não foi dividido.
A porção norte da bacia está localizada em um terreno composto de rochas do Maciço Granitoide de Maravilhas-Cachoeira da Prata. Na porção sul, afloram as rochas do Grupo Nova Lima. Uma pequena área, no limite sudeste da bacia, está localizada no Complexo Belo Horizonte. Os diques básicos e os veios de quartzo/falhas com preenchimento de quartzo se concentram no maciço granitoide. Os diques têm direção predominante WNW-ESE e os veios de quartzo e falhas têm direção N-S. Aparentemente, eles não apresentam relação direta com a espacialização dos depósitos fluviais de fundo de vale. As fraturas e falhas se concentram na porção sul da bacia, associadas aos contatos litológicos das rochas do Grupo Nova Lima e também não apresentam relação direta com os depósitos fluviais de fundo de vale. Os depósitos fluviais de fundo de vale são mais expressivos no médio e baixo curso do canal principal e também no alto curso do tributário da margem direita, localizado onde ocorrem as rochas do Complexo Belo Horizonte. De modo geral, esses depósitos são constituídos apenas da planície de inundação (Figura 34a).
A maior parte da bacia do Ribeirão Águas Claras pertence à DZCP (em grande parte do alto e em todo o médio e baixo curso do ribeirão). O restante do alto curso está localizado na SRP. Os Fundos de Vale estão localizados na DZCP, logo a jusante da SRP (Figura 34b).
Não foram encontrados trechos com aumento significado do gradiente do canal no perfil longitudinal do canal principal do Ribeirão Águas Claras (Figura 35). Contudo, no canal principal são identificadas duas zonas de formação dos depósitos fluviais de fundo de vale. Os depósitos da primeira zona, mais a montante, são horizontalmente menos expressivos que os depósitos localizados mais a jusante. Apesar disso, esses depósitos são verticalmente bastante semelhantes e isso inviabilizou a distinção de segmentos.
Figura 34: Bacia do Ribeirão Águas Claras.
Em A o quadro geológico da área e em B as unidades de relevo que compõem a bacia.
Figura 35: perfil longitudinal do Ribeirão Águas Claras e distribuição dos depósitos fluviais de fundo de vale –
Ribeirão Águas Claras (Segmento A) – N1 e N3
No Ribeirão Águas Claras foram identificados dois níveis deposicionais, o N1 e o N3. O N1 representa a planície e o N3 o nível deposicional alterado pelos processos de encosta. O N1 é um nível pareado, que se torna mais amplo quanto mais próximo da confluência com o Rio Paraopeba. O N3 é um nível isolado, identificado, durante os trabalhos de campo, em apenas um ponto. Entre os N1 e N2 de todas as bacias estudadas, apenas o N1 do Ribeirão Águas Claras possui uma camada de seixos visível, embora também não seja possível verificar a espessura real da camada, haja vista que a lâmina d’água encobre a sua base. A calha fluvial desse ribeirão é aluvial, sendo composta de seixos no alto curso, provavelmente oriundos do desmanche da camada de seixos do N1. No médio e baixo curso, a calha fluvial é composta de areia. O N1 chega a alcançar 450 m de extensão em seu baixo curso e se encontra escalonado em relação ao N3.
Nível Deposicional Fluvial 3 – N3
O N3 é um nível deposicional que tem apenas duas fácies preservadas. É possível que outras fácies que constituíam o depósito tenham sido erodidas ou deformadas. Ele é constituído de duas fácies com transição abrupta e sua base está a 5 m de distância vertical da lâmina d’água. Apresenta as seguintes características: (i) fácies basal de seixos de quartzo depositado sobre elúvio, mal selecionados (entre 1 e 7 cm), subarredondados, que embora se toquem têm os espaços preenchidos por matriz areno-argilosa e até 0,4 m de espessura; e (ii) fácies argilo- arenosa, avermelhada, de aspecto maciço e 1,0 m de espessura.
Nível Deposicional Fluvial 1 – N1 (planície)
O N1 é um depósito que deve estar em fase de abandono, pois suas fácies não correspondem à capacidade e competência atuais do curso d’água. Ele é constituído de quatro fácies com transições abruptas, com as seguintes características: (i) fácies basal de seixos mal selecionados, subarredondados e subangulosos, entre 1 e 5 cm, sendo que alguns chegam a medir 25 cm, são suportados por matriz argilosa, possuem litologia variada, como quartzo, granito, rochas máficas, a camada possui 60 cm de espessura; (ii) fácies arenosa (areia fina), cor amarelo escuro, de aspecto maciço, presença de raízes e 70 cm de espessura; (iii) fácies de seixos mal selecionados, arredondados e subarredondados, entre 1 e 20 cm, em alguns pontos
são suportados e em outros são suportados por matriz arenosa, de litologia variada, como quartzo, granito e rochas máficas, possui 50 cm de espessura; e (iv) fácies areno-siltosa (areia fina), amarela, com estruturas plano-paralelas, presença de raízes e 30 cm de espessura.
Na figura 36 estão representadas as principais características dos níveis deposicionais do Ribeirão Águas Claras.
Figura 36: Quadro síntese das principais características dos níveis deposicionais do Ribeirão Águas Claras. C D N1 A B
Em A, perfis estratigráficos. Em B, perfil transversal (sem escala) com a síntese da configuração espacial dos níveis deposicionais do Ribeirão Águas Claras.
N1 do Ribeirão Águas Claras. Em C, vista da sequência deposicional, em branco a estrutura plano-paralela da fácies superior e em preto a delimitação das fácies de seixos. Em D, visualização do patamar que corresponde à superfície do N1. A linha vermelha marca a ruptura do declive.
Em E, N3 do Ribeirão Águas Claras. A linha preta delimita a base do depósito deformada. E