• No results found

Dagens utdanning og tilgang på kompetanse

In document Godt håndverk i nye generasjoner (sider 16-20)

Para fortalecer mais ainda a comunidade na busca de sua libertação (FREIRE, 2000) o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza realiza em Canto Verde o XIII Seminário Rural de 10 a 14 de setembro de 1985, com a presença do Arcebispo Dom Aloisio Lorscheider, objetivando fortalecer as lutas pelos direitos dos mais pobres e a troca de experiências entre Canto Verde e outras comunidades do Ceará que também enfrentavam os mesmos dilemas.

Sítio Olival muda a data do Seminário Rural, realizado tradicionalmente no mês de janeiro, por isto, no mesmo ano acontece o XIII Seminário Rural, em Prainha do Canto Verde. O assumir das comunidades se torna mais concreto. Para ajudar na alimentação foram criados porcos, galinhas e patos, com ampla participação. Os pescadores com a sua jangada comunitária, não mediram esforços para complementar a alimentação com peixe do mar. O aspecto da reivindicação toma nova dimensão política, revitalizando as iniciativas comunitárias [...] A Prainha do Canto Verde foi um outro marco na mudança metodológica do trabalho comunitário. (Seminário Rural- uma história de participação, p. 31 Arquivo de Dona Veinha).

Esse seminário, esse encontro de pessoas, das comunidades que vivem os mesmos dilemas é uma mobilização que gera mais conhecimentos, são conhecimentos coletivos que

auxiliam no fortalecimento das lutas. De certa forma a troca que gera saberes gera também força para continuar. Segundo Paulo Freire (2005) a organização e mobilização dos grupos sociais, das classes populares na busca por seus direitos como cidadãos é um componente da educação popular, que produz saberes sistematizados no meio dos processos. De acordo com Gohn (2003, p. 175) “o caráter educativo desse processo é dado pela aprendizagem obtida, quanto aos assuntos em questão; pelo papel dos agente e atores envolvidos; e pelas estratégias ou resistências que são elaboradas”.

O seminário rural foi o primeiro evento grande que aconteceu aqui na nossa comunidade organizado pelo Centro de Defesa. Recebemos muitas comunidades do sertão. Lá era terra também, eles lutavam contra os fazendeiros. Lá era plantação de algodão e os fazendeiros queriam tomar as terras deles. A gente se juntou para trocar experiência, e eles contando a história deles, falando que a gente tivesse cuidado com os atravessadores, porque eles chegavam de mansinho dando as coisas, chegando de bonzinho, que era para poder pegar nós. Como a gente ver hoje. Lá no sertão eles matavam boi e distribuíam a carne para dar ao povo, dando uma de bonzinhos. (...) A gente saiu pedindo comida. Na praia a gente pedia peixe e nas bodegas a gente pedia arroz, feijão. Fizemos latadas com palhas e velas de jangada. Foi um momento muito bom, porque a gente partilhou muita coisa, e o pessoal que já tinha mais experiência nos ajudou a entender. (Veinha, líder comunitária, minha mãe).

Haviam essas trocas, o escutar de pessoas que já enfrentam há mais tempos os mesmos casos, os conselhos: “que a gente tivesse cuidado com os atravessadores, que

chegavam de mansinho dando as coisas, chegando de bonzinho que era para poder pegar nós”.

Nos enfrentamentos que Canto Verde também se encontrava essas palavras que soavam como uma conscientização que se apoderava dos que lutavam. Parecia ser devagarzinho que as pessoas iam percebendo que tinha que lutar para viver, e isso os tornava mais capazes de perceber, refletir e ler o mundo à sua volta, apercebendo-se sujeitos de uma história em curso.

Para Freire, a conscientização não é um processo subjetivo, apenas, que se dá isolado de intervenções no mundo – é um compromisso histórico. Quando a consciência histórica se aprende ser, é que assumiu um compromisso histórico, que se caracteriza pela relação íntima, visceral, consciência-mundo.

[...] a conscientização é um compromisso histórico. É também consciência histórica: é inserção crítica na história, implica que os homens assumam o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens criem sua existência com um material que a vida lhes oferece [...] A conscientização não está baseada sobre a consciência, de um lado, e o mundo, de outro; por outra parte, não pretende uma separação. Ao contrário, está baseada na relação consciência-mundo. (FREIRE, 2006b, p. 30 e 31).

O movimento de Canto Verde se torna mais eficaz com o auxílio do CDPDH e o XIII Seminário Rural chega no tempo propício. Apesar das dificuldades encontradas pela comunidade, a união dos moradores prevaleceu na busca de ajuda para a alimentação e organização. O texto escutado: “a gente saiu pedindo comida. Na praia, a gente pedia peixe e nas bodegas a gente pedia arroz, feijão. Fizemos latadas com palhas e velas de jangada”.

O Seminário Rural é um espaço conquistado por essa população para colocar em comum, em clima de liberdade, as descobertas feitas, os sinais de construção, as experiências e anseios. O seminário Rural é uma ocasião onde o saber popular adquire forma, organização, estrutura própria de pensamento e se torna “ferramenta” política na edificação de um “projeto comunitário” que vai da posse ao uso da terra, da água, do comércio, da indústria, dos sistemas bancários, dos meios escolares e sanitários, da moradia e da natureza toda. À nova maneira de organizar o poder. O Seminário Rural são as primeiras páginas escritas dessa nova História.

(Seminário Rural- uma história de participação; p. 08. Arquivo de Dona Veinha).

Nisto, a comunidade de Prainha do Canto Verde começa a entrar com mais eficácia no cenário das CEB’S e fazer parte das comunidades referência por conta de sua organização. E a luta continuava, agora com mais articulações e estratégias para que comunidade tivesse mais força e conseguisse vencer muitos obstáculos. Segundo Beto, da Arquidiocese:

Quando cheguei logo na Prainha, quando a gente ia para as reuniões, quando comecei a ter mais contato com as pessoas, inclusive de ir na casa delas, eu percebi que era necessário realizar mudanças em muitas coisas. Percebemos que era preciso conversar com as mães sobre a importância da higiene das crianças, de hábitos na alimentação, e aí fomos muito além da luta pela terra, começamos a discutir muitas outras coisas.

O Seminário Rural contribuiu de maneira relevante para o início da organização e articulação de Canto Verde, ele serviu como um norteamento e ao mesmo tempo colaborava para a organização das ideias e pensamentos dos comunitários, ajudando-os a perceber suas potencialidades como também tudo o que ainda era preciso mudar e pelo que era necessário lutar, buscando alternativas para viverem melhor em sua localidade.

4.3. Criação da Associação dos Moradores da Prainha do Canto Verde: o feminino se

In document Godt håndverk i nye generasjoner (sider 16-20)