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5.4 Doktorgradsstudier ved de tre høgskolene

5.4.1 Dagens situasjon

Sendo assim, como observamos pelo confronto entre essas interpretações citadas, é necessário reconhecer que os dois polos de interpretação possíveis podem nos conduzir a exageros: tanto desconsiderar o valor literário das argumentações, quanto o de supervalorizá-

37 los. Os diálogos de Platão permitem interpretações variadas: às vezes no mesmo diálogo é possível entrever pontos de vistas alternativos a respeito do mesmo tema. De modo geral, os diálogos têm a tendência de gerar pontos de partidas distintos às possíveis interpretações, o que também pode conduzir a conclusões contrárias e, na maior parte das vezes, incompatíveis. Nesse caso, é perceptível que nas duas extremidades temos: de um lado o caminho da literalidade, que leva o leitor a apostar que as afirmações que encontramos nos diálogos se propõem a ser definitivas e representam fidedignamente as opiniões do autor; enquanto que, do outro lado, é possível fazer uma interpretação cujo intuito é circunscrito nos aspectos mais literários dos diálogos, procurando seu sentido metafórico. Nesse último caso, sem a possibilidade de demarcar fidedignamente as opiniões do autor, pois elas estariam escondidas atrás de toda uma série de recursos metafóricos e literários, cuja estratificação seria impossível. Nesse sentido, pressupõe-se que estamos mais aptos à reflexão sobre os temas do que à observação de opiniões pré-definidas. Tanto de um lado, quanto do outro podemos ser levados a exageros interpretativos, seja pelo excesso de literalidade, seja pela sua completa ausência.

Diante desse panorama, apostamos na possibilidade de propor uma leitura intermediária entre o literal e o metafórico, no sentido de que se possa extrair determinadas opiniões do autor em relação aos temas debatidos nos diálogos. Porém, essas opiniões não são definitivas e, em alguns casos, estão sendo colocadas aos leitores de forma metafórica, para que eles possam atingir certo nível de reflexão, cujo objetivo não é necessariamente pré- definido pelo autor.

Entretanto, é sempre necessário evitar o exagero na compreensão metafórica pela admissão de que é possível traçar, de fato, linhas gerais de uma filosofia platônica, cujo papel histórico fundamental na formação do pensamento filosófico ocidental leva seus leitores a exageros. Em vista disso, podemos encontrar algumas linhas constantes de reflexão, contudo isso não nos permite chegar a conclusões definitivas. De fato, não é possível desprezar completamente essa tradição da literalidade, embora seja preciso reconhecer suas limitações exegéticas, quando a vemos cometer determinados exageros interpretativos como o de Popper.

Logo, a nossa proposta é a de que a interpretação esteja situada a meio caminho entre as extremidades do totalmente literal e do puramente metafórico, levando em consideração os recursos literários utilizados pelo autor, mas sem esquecer que os diálogos são filosóficos e que, ao produzir argumentos em um determinado contexto, têm a tendência de optar mais por

38 uma posição do que por outra. De alguma forma, optamos pelo reconhecimento do valor literário dos diálogos, porém sem esquecer de seu conteúdo nitidamente filosófico e, em um olhar mais detalhado, de sua proposta pedagógico-política, que é um dos focos de nossa análise.

Por conseguinte, quando voltamos essa perspectiva para poder pensar a respeito das posturas atribuídas a Sócrates por Platão sobre a poesia, ainda somos confrontados com as diferenças de posição apresentadas pelo autor ao longo de diálogos distintos, o que nos leva a querer extrair certa coerência ou mudança de postura dele frente ao tema, que não necessariamente é permitida pela própria característica literária dos diálogos. Desse modo, podemos apenas observar que as diferentes considerações a respeito da poesia apontam, na verdade, para um problema um pouco simples: não se trata somente de ver o literal e o metafórico, mas de ver a própria opção do autor como escritor. Se observarmos os recursos utilizados em confronto com as posições expressas, sem querer sobrepor um sobre outro, estaremos observando a própria escolha do autor diante da tradição.

Em alguns casos, as considerações se complementam com os recursos utilizados, como é o caso da crítica da escrita e o modo de argumentação de Sócrates no Fedro. Do mesmo modo que podemos encontrar uma crítica à imitação e à poesia homérica, acompanhada da utilização de um mito para concluir um diálogo complexo como a República. Grosso modo, as opiniões e pontos de vista quando contextualizados na argumentação e com o estilo de escrita apontam para caminhos semelhantes, ao mesmo tempo em que utilizam a contradição entre o que é feito e o que é dito como pressuposto reflexivo; isto é, quando confrontadas com o próprio modo como o autor está produzindo o seu texto, as posições expressas pelos seus personagens, sobretudo por Sócrates, ganham um contexto nítido em que obra e argumento se confrontam e complementam.

Para tanto, é suficiente perceber que a crítica à imitação feita na República, quando olhada detalhadamente, pode ser aplicada ao próprio texto de Platão. Todavia, somente no seu contexto reflexivo compreendemos que tal crítica tem o propósito de situar a própria imitação como algo passível de reformulação. Do mesmo modo, quando se observa a expulsão dos poetas no livro X, simultaneamente se percebe que a narrativa do Mito de Er tem um valor pedagógico nítido de conclusão metafórica do diálogo, semelhante à utilização homérica. O que o autor pretende com essas contextualizações e referências indiretas é, às vezes, estabelecer o próprio limite de sua reflexão e de sua proposta filosófica. A filosofia de Platão a nenhum momento parece estar a serviço de projetos filosóficos dogmáticos, por isso não

39 vemos o seu autor escrever em primeira pessoa, mas sempre a se utilizar da máscara dos personagens como recurso literário e filosófico.

Apesar de ser difícil apontar para uma solução definitiva quanto ao critério interpretativo, a lição que os diálogos nos trazem é que pelo menos não se tente bloqueá-los por pontos de vistas definitivos, posto que toda tentativa nesse sentido estará sujeita a ter seus conflitos e contradições. O que parece estar sugerido nos diálogos, em geral, é que, ao se deparar com suas incoerências internas, precisamos sempre recorrer à reflexão, tanto sobre a sua forma, quanto sobre seu conteúdo. Por isso, acreditamos que o contexto de cada obra nos leva a uma dinâmica filosófica própria, que, se levada à comparação com outras obras, permite-nos ampliar a reflexão e não a deixar de lado como algo insolúvel. O próprio movimento reflexivo para interpretar a obra de Platão parece ser o resultado de algo predefinido pelo autor como ponto de partida reflexivo. É como se o autor tivesse testando as diversas posições e as colocasse diante do leitor, para que ele também se questione sobre o conteúdo e a forma dessas posições. Não é para se perguntar se o autor tenha desenvolvido ou negado o que anteriormente acreditava ou que simplesmente tenha caído em uma contradição inconsequente. Na verdade, as aparentes incoerências dos diálogos são propositais para gerar um próprio fluxo para a reflexão; ou seja, um modelo filosófico que confere aos diálogos um valor literário-filosófico extremamente peculiar.

Há uma dinâmica típica do fazer filosófico platônico que permite sua reinvenção constante, que se recria na própria obra do autor, pois a todo momento o autor parece estar provocando seus leitores no sentido de não deixar pistas fáceis para sua leitura. As pistas deixadas por Platão nos diálogos sempre nos apontam para problemas que, grosso modo, parecem ser completamente insolúveis. Porém, com breves lacunas para soluções. Logo, sempre temos a iniciativa de querer sistematizar sua leitura por pontos de partida às vezes muito díspares, o que causa desconforto em alguns leitores.