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2. TEORETISKE BETRAKTNINGER

2.2 D IMENSJONER VED DEN “ FOLKEMORDERISKE ” IDENTITET

A palavra estrutura vem do latim structura, conotando um estilo de construção; e do verbo struere, trazendo a noção de disposição em camadas (IORIO, 2005). De acordo com Dosse (1993), o termo estrutura teve no início do seu uso um significado arquitetural. Nesse sentido, a palavra estrutura passou a ser utilizada para fazer referência, por exemplo, à maneira como um edifício é construído. Ainda de acordo com a referida autora, nos séculos XVII-XVIII, o sentido do termo estrutura modifica-se e amplia-se para fazer analogia aos seres vivos, ao corpo do homem percebido como uma construção. Aqui, o termo assume, o sentido da descrição da maneira como as partes integrantes de um ser concreto organizam-se numa totalidade.

Para Dosse (1993), o termo estrutura pode ainda abranger múltiplas aplicações (estruturas anatômicas, psicológicas, geológicas, matemáticas...), mas somente a partir do século XIX quando o Estruturalismo se apossou verdadeiramente do campo das ciências humanas, é que o termo estrutura passou a significar um fenômeno duradouro que combina de maneira complexa as várias partes de um conjunto numa acepção mais abstrata.

A concepção de estrutura de personalidade parte da premissa de que o ser humano possui aspectos em sua personalidade que são constantes e imutáveis.

Segundo Bergeret (1988), a estrutura de personalidade ou estrutura de base corresponde ao modo de organização permanente e mais profundo do indivíduo, a partir do qual se desenrolam os ordenamentos funcionais ditos normais, bem como os patológicos. Assim, a estrutura, para Bergeret (1988, p. 49), é “[...] uma organização estável e irreversível, com mecanismos de defesa pouco variáveis, um modo seletivo de relação de objeto, um grau definido de evolução libidinal e egóica, com uma atitude fixada de modo repetitivo diante da realidade [...]”.

Freud (1932-1936), na XXXI Conferência, intitulada Dissecção da personalidade

utilizar explicitamente estes termos. Ele afirma que a personalidade normal é como um cristal intacto, ou seja, não se vê facilmente suas linhas e planos de formação; onde as primeiras moléculas do cristal (linhas e planos) ou as primeiras fundações de um edifício são fundamentais para o jeito como ela se constituirá. Fazendo uma analogia do princípio do cristal com a formação da estrutura da personalidade, Freud (1936) salienta que, como no cristal, o psiquismo é desenvolvido a partir dos elementos e forças que atuam mais precocemente na psique. Tais elementos são: as pulsões, as primeiras sensações corporais de prazer e desprazer, os primeiros contatos com a mãe, as estimulações externas mais precoces etc. (BERGERET, 1988). Estas são as bases de grande peso na estruturação psíquica. Desta forma, o sujeito vai possuir uma estrutura característica, tendo em vista as influências que sofreu durante seu desenvolvimento psicossexual. Esta estruturação é desenvolvida ao longo de toda a vida, e tende a se tornar cada vez mais estável (BERGERET, 1988).

Até esse momento é possível perceber que o sentido da palavra estrutura, enquanto algo que diz sobre a base, o alicerce, vai ao encontro do sentido que é dado na Psicanálise ao desenvolvimento psicossexual do sujeito. Aqui, a noção de estrutura pode ser entendida como o resultado das inúmeras influências sofridas pelo sujeito durante seu desenvolvimento. A estrutura psíquica é algo que serve de parâmetro para o modo de ser do sujeito, influenciando o seu modo de pensar, sentir e agir.

Bergeret (1988) descreve a gênese da estrutura de personalidade, a qual tem início a partir dos estados precoces do ego da criança, em sua indiferenciação somatopsíquica. Aos poucos, esta diferenciação efetua-se e o eu distingue-se do não-eu. Neste estado inicial, o ego conservará, durante um período bastante longo, certa plasticidade às influências exteriores. Num segundo momento, já ocorreu uma espécie de pré-organização mais específica, em função das linhas de força determinadas, de uma parte, pelos inegáveis dados hereditários e congênitos e, de outra parte, pelas sucessivas experiências objetais envolvendo as zonas erógenas cada vez mais extensas, pulsões cada vez menos parciais. Agregam-se aí, aos poucos, ao gosto das circunstâncias, as relações com os pais e com os demais membros do contexto social e educativo. Tudo isso repercute no psiquismo em formação, por meio de conflitos, frustrações, traumas, mas também de seguranças anaclíticas e de identificações positivas. As defesas começam a organizar- se de forma cada vez menos flutuante e intercambiável. O Ego manobra por toques sucessivos, por movimentos de ensaios e retraimentos, para fazer frente às ameaças criadas tanto no exterior

quanto no interior, tanto pela realidade quanto pelas pulsões. Progressivamente, o psiquismo do indivíduo organiza-se, cristaliza-se, segundo um modo de reunião de seus elementos próprios, uma variedade de organização interna, com linhas de clivagem e de coesão que não mais poderão variar. Por fim, constitui-se então, levando a uma verdadeira estrutura da personalidade, que não mais poderá modificar-se nem trocar de linhagem fundamental, mas somente adaptar-se, de modo definitivo ou reversível, segundo uma linha de organização estrutural imutável.

A denominação estrutura de personalidade recobre o modo de organização do sujeito, que é caracterizado por seus elementos, os quais estão organizados num plano profundo e fundamental, denominado funcionamento mental latente. Tal funcionamento é expresso pela forma de ser no mundo que se configura por expressões do próprio sujeito.

A estrutura de personalidade corresponde a um aspecto bastante complexo da personalidade, sendo difícil analisá-la em sua totalidade. Assim, é por isso, que se ressaltam alguns de seus elementos para tentar compreendê-la.