7. ANALYSIS OF ITALIAN NATIONAL IDENTITY AND ATTITUDES TOWARDS
7.3 A MORE THOROUGH I NVESTIGATION OF I TALIAN I DENTITY AND A TTITUDES TOWARDS I MMIGRATION
7.3.4 Cultural Identity and Attitudes towards Immigration
De início, como que simbolicamente representando um indivíduo liberto da caverna, da vida em meio às sombras e às correntes de pensamento que aprisionavam a gestão da Anheuser-Busch, August III, mesmo sujeito à reprimenda poderosa do pai, permanecia incomodado com a ameaça dos concorrentes. Ele estava ciente de que a concorrência esmagaria a Anheuser-Busch com facilidade caso nenhuma mudança fosse implementada e caso não fosse rompido o modo de pensar imperante na organização até aquele momento.
Porém, o curioso é que, mais tarde, após uma difícil e assoladora escalada ao topo, em meados de 1975, e com o poder da organização agora em suas mãos, este comportamento de August III favorável à mudança acabou tornando-se irônico quando ele se prendeu em um estilo de gerenciamento e em uma perspectiva particular de interpretar o mundo externo à organização que persistiram mesmo sendo ultrapassados ao longe.
A interpretação dos fatos mostra que, ao tomar o poder à força, August III abandonou as velhas maneiras de seu pai, porém, inconscientemente, se prendeu em suas próprias maneiras e deixou transparecer a dificuldade que tinha em mudá-las. Ou seja, August III se tornou um novo prisioneiro, acorrentado não por correntes, mas por visões e pontos de vista que ele mesmo fundamentou.
Com a organização em suas mãos, o domínio e a independência da Anheuser- Busch no mercado americano acontecia segundo as suas interpretações e seus consequentes pontos de vista, os quais fizeram com que a realidade parecesse branca e preta por décadas. Confiante no poder, no sucesso e no domínio abrangente que alcançara, a organização era
regida segundo as visões enviesadas de August III. Os negócios eram realizados segundo as fórmulas de interpretação estabelecidas por ele.
Uma análise profunda da história da Anheuser-Busch transparece o quanto a sua forma de gerenciamento passou a ser adversa aos novos padrões de negócios que floresciam dentre o mundo cada dia mais globalizado. August III, que por muito tempo assumiu a presidência da organização, era quem estabelecia e ditava as formas de agir. Pode- se considerar que seus padrões interpretativos e as ações que lhes eram consequentes seguiam um ritual costumeiro. Pouco ou mesmo nenhum espaço era deixado para as novas maneiras.
Naquela época, as alternativas de alianças com outras organizações, as fusões, as aquisições delineavam uma nova tendência para as organizações que almejavam sobreviver no mercado. Porém, August III parecia não se importar com isso. Como se nota, ele era um exemplo típico de um executivo conservador. Obsecado pelo controle, durante os anos que dirigiu a Anheuser-Busch, ele mesmo era a Anheuser-Busch. Pode-se inferir que o que definia sua vida era seu trabalho e o papel que desempenhava na organização. Mudá-la parecia perigoso e, portanto, desnecessário.
Ao resgatar o seu passado como um indivíduo comum, torna-se possível postular algumas pressuposições do motivo pelo qual August III assumia este tipo de comportamento. Proveniente de uma família competitiva e hostil e fruto de uma criação isolada e provinciana, é fato que o que escondia os remorsos de August III, sua fragilidade e as heranças de seu passado doloroso era a própria imagem e o poder da organização projetados em seu nome. Isto é, pode-se afirmar que o desapego com o passado familiar fez da Anheuser-Busch a fornecedora de sua condição de contingência; era ela que lhe atribuía um significado perante o mundo. Era ela que, em troca de um passado frio e turbulento, lhe garantia poder e vitupério. Ou seja, pode-se considerar que a Anheuser-Busch era a própria identidade de August III, digna de ser preservada.
Vale enfatizar que a própria estrutura física da Anheuser-Busch e o que dela derivava ostentava esse seu valor. Sem muitas preocupações com os custos (RIBEIRO, 2011), o luxo dos escritórios, das salas de reuniões e mesmo da maneira que a organização procedia em relação às formas de transportar aqueles aos quais integrava, cultivava os sentidos individuais e gerava enorme afeição a ele.
Deste modo, não havia como alguém gostar mais daquele lugar do que August III. Nota-se da análise de sua postura que a Anheuser-Busch era o que saciava o seu desejo de completude. Assim, ele regia a organização como regendo sua própria vida, seu próprio poder e honra perante todos. Ao interpretar as suas ações, pode-se afirmar que August III fez da Anheuser-Busch o seu próprio espaço pessoal e neste espaço ele projetava si mesmo. Eram as suas crenças, seus valores e seus modos de pensar e interpretar o mundo que irrigavam toda a organização e August III lutava por protegê-los e levá-los sempre adiante. De forma sucinta, é válido ressaltar que a Anheuser-Busch, irrigada com tudo aquilo que fundamentava sua própria identidade, era o objeto transicional de August III, seu ursinho de pelúcia.
À medida que o tempo passava e o poder acrescia à Anheuser-Busch e refletia em seu nome, cada vez menos espaço August III deixava para divergências em seus gostos e pontos de vista cada dia mais provincianos. Seus pensamentos não mudavam facilmente. Ele tinha tanta confiança em si que rejeitava qualquer opinião que advertia seu modo de pensar.
Assim como Gussie, ao representá-lo simbolicamente, August III era como que um dos prisioneiros da caverna subterrânea. Sua convicção e confiança em suas maneiras e em suas visões o impediam de aceitar conselhos verdadeiros. O mundo mudava ao seu redor e novas tendências transpareciam no mercado cervejeiro. Todavia, ele tinha tanta confiança em sua própria capacidade que ele não julgava precisar de conselhos ou alertas de mais ninguém. Ao seu comando, a Anheuser-Busch era uma organização com toneladas de tradição e toneladas de ego. Assim, os contrários a ele eram simplesmente eliminados. Aliás, nem mesmo tinham condições de contrariá-lo.
A análise dos fatos mostra que August III tendia a evitar os aspectos da realidade fora àqueles que ele já tinha a capacidade de ver. Era um exemplo típico de indivíduo que se contentava com a vida em meio as sombras. A forma como interpretava as mudanças que ocorriam ao seu redor sempre resultava em ordens para que a Anheuser-Busch continuasse a fazer o que já estava determinado a fazer. Considerado como a força propulsora do domínio da Anheuser-Busch, a confiança que tinha em sua capacidade de comando o fazia assumir certas posturas como se considerasse que a Anheuser-Busch, como um ícone americano preponderante, detivesse de uma realidade particular às demais organizações. Isto é, interpretando-o psicanaliticamente, pode-se afirmar que August III, mesmo que inconscientemente, se centrava em uma realidade artificial que lhe dava uma visão imperfeita do mundo.
É claro que, embora muitas das vezes controversas, era difícil questionar as decisões de August III ao se examinar os resultados. No entanto, pode-se considerar que foi o pensar impositivamente que abriu o caminho e deixou a Anheuser-Busch vulnerável às ameaças que caracterizavam o ambiente global em meados de 2008.