4. Analysis of the collected data
4.3 CSR and its relevance to brand equity of Greencarrier Norway
Já é uma da tarde e nada do sztutman chegar. ele vai me ajudar a produzir a ação dessa noite. Projetar sobre a rua o valor do metro quadrado. A cada quarteirão, um preço diferente. A projeção em movimento sobre o espaço ur- bano. vou sair do Bairro de higienópolis, atravessar o centro e chegar ao bairro da luz. A variação de preço é alta, chegando a ser cinco vezes maior em higienópolis.
um pouco diferente das outras, essa ação é planejada e tem um trajeto es- pecíico. tenho os preços de todos os locais pelos quais vou passar com a Bicicleta visual e, mesmo assim, preciso ir até lá. A presença e a experiência são o que realmente importa, perceber com o corpo, pedalando, olhando, res- pirando.
estou preocupado, a luz do estúdio acabou e a previsão de voltar é só às 18hs.
AÇÃO o relato da experiência durante a intervenção, uma narrativa em primei- ra pessoa no tempo presente.
214 215 o sztutman chega; já são quase duas horas. Aviso que estamos sem luz: ele
oferece sua casa para inalizarmos os últimos detalhes do trajeto e os ilmes que faltam. Almoçamos rapidamente e vamos para lá.
A tarde passa rápido e trabalhamos irme entre cafés, copos d’água e cigar- ros. decido iniciar a ação no shopping Pátio higienópolis ao invés da Rua Ita- colomi, alterando o trajeto. como não tenho o valor exato do metro quadrado nesse quarteirão, hesito em começar por lá, mas fazemos uma aproximação pelos dados pesquisados no bairro e chegamos perto de R$ 12.000,00, um pouco mais alto que o da Rua Itacolomi.
Finalizamos todos os ilmes para seguir a ordem estabelecida pelo trajeto, cada um com seu preço. A cada ponto, um ilme novo deve ser trocado em tempo real. esse trajeto será feito uma única vez, não há espaço para erro. concentro-me no estudo do mapa e dos pontos das trocas de ilmes. Alguns são longos, com cerca de três minutos, outros bem curtos duram vinte segun-
dos. o pôr do sol invade a sala e sinaliza a hora da partida.
Retornamos ao estúdio e a luz ainda não voltou, ainda bem que não icamos lá esperando. Pego minha roupa laranja e sigo para o estacionamento. sztut- man já está esperando com seu carro. É um carro de carga pequeno, coniro a medida da caçamba com palmos e percebo que a Bicicleta consegue entrar. estamos um pouco atrasados e preiro ir de carro até higienópolis, por con- traditório que isso pareça. Passamos uma corda e amarramos a Bicicleta no carro. Partimos em direção ao Bairro de higienópolis. logo na primeira curva, ele pergunta:
- você está levando uma bomba de fumaça?
- não, por que, eu deveria? Acho que não faz sentido a fumaça e o metro qua- drado juntos.
- ela pode ser útil em caso de fuga. - em caso de fuga?
216 217 - se alguém quiser levar o computador, a câmera.
- Acho que não vamos precisar, mas pode servir para um epílogo, uma cena inal. ok, vamos dar meia volta, pego duas.
decidimos voltar, pego duas bombas de fumaça no estúdio.
ontem, na visita técnica, percebemos que entrar em um terreno que não co- nhecemos a fundo exige atenção e respeito. caminhávamos distraídos entre fachadas pixadas em um quarteirão da Rua vitória, entre a Av. são João e a Av. Rio Branco, quando avistamos um grupo à frente. Achei que era um ponto de ônibus lotado, até que passamos no meio do suposto ponto de ônibus e vimos cachimbos brilhantes para todos os lados. todos os cerca de trinta jovens fumavam crack. senti uma energia densa no ar. não tinha barulho algum, mesmo com todas aquelas pessoas. não nos olharam, nem interagiram co- nosco, não estavam atentos a nada além do próprio grupo. Foi um sinal de que estávamos em território desconhecido, com novas dinâmicas.
Imagino se não foi por conta dessa travessia que o sztutman lembrou da bom- ba de cor laranja, que concordei em trazer.
no caminho, ligo para o uba, que espera para nos encontrar. marcamos na padaria da Rua maranhão. estacionamos o carro e entramos. logo o uba se junta a nós, é hora de ainar o plano de ilmagem, ajustar o trajeto, decidir os detalhes. Pedimos um lanche. Abro o mapa com o trajeto sobre a mesa e, enquanto comemos, discutimos alguns pontos. uba sugere fazermos duas vezes o percurso; descarto, não temos tempo, energia e bateria para isso. vai ser uma única vez, uma única chance. combinamos fazer algumas para- das rápidas: uma no shopping Pátio higienópolis, cena inicial; uma parada no minhocão, cena clímax; uma parada no largo do Arouche, cena de areja- mento; uma parada inal, o grand inale. o resto será ilmado em movimen- to, de dentro do carro, ou como sugere o sztutman, da caçamba; sugestão aceita pelo uba. corremos o risco de tomar uma multa, mas a imagem pode icar melhor se feita de dentro da caçamba, com maior mobilidade para ir de
218 219 um lado ao outro, mirar para frente e para trás.
sigo para o banheiro, visto a roupa laranja: é hora de ação. descarrego a Bici- cleta visual e começo a instalação da câmera fotográica. essa câmera ilma com o ponto de vista de quem está na bicicleta, registra o que vejo. As mu- danças do preço no chão são acompanhadas pelas mudanças do espaço ao redor. vê-se em primeiro plano. chamo o uba para que instale a lente grande angular russa com abertura 8mm. É uma legítima olho de peixe, que distorce a perspectiva deixando as bordas arredondadas e consegue capturar quase 180 graus do campo de visão. com a câmera devidamente preparada, começo a fazer o primeiro teste de projeção. mapear um quadrado é muito simples e não toma tempo.
A projeção é formada pela sobreposição de três ilmes. o primeiro é o pre- ço do metro quadrado; o segundo é uma animação de um quadrado branco que se monta e se desmonta, acende e apaga; o terceiro ilme é uma anima-
ção gráica laranja e vermelha que percorre o interior do quadrado branco de cima abaixo, fazendo uma varredura, um índice de movimento. A terceira camada, a que faz a varredura, deixa evidente as passagens por espaços que delimitam fronteiras, entre bairros, entre tipologias de espaços, entre preços.
sobreponho os ilmes e os projeto no chão. A projeção tem exatamente um metro quadrado. Parto para um primeiro teste em movimento: descer pela Rua Itacolomi até a Av. higienópolis e dela ao shopping Pátio higienópolis, para o início das ilmagens. sztutman e uba estão no carro esperando minha saída, vão acompanhar gravando tudo.
estou apreensivo, o teste já é ação para mim. coloco o preço do metro quadra- do, R$ 11.096,00 e sigo em frente. A rua é bem arborizada e ica muito escura à noite, o que valoriza a projeção. desço em direção à Av. higienópolis, cora- ção do bairro. Prédios modernistas dos anos 1950, 1960 e 1970 são maioria na rua. eles complementam a iluminação pública e clareiam as calçadas, algo
220 221 já privadas, provavelmente temem o escuro, as surpresas invisíveis. chego à
avenida e sigo para o ponto de encontro do meu primeiro destino. o shopping Pátio higienópolis é um edifício emblemático, que atualiza o próprio conceito do bairro: de alto padrão e destinado à elite paulistana: arquitetura similar a dos palacetes franceses.
todos a postos, é hora de recomeçar. Fazer uma ação e um ilme ao mesmo tempo requer paciência para que se garanta uma narrativa. Aqui é o lugar onde eu começo para o espectador. ligo a Bicicleta visual para o procedimen- to de mapeamento. Ajusto a projeção no chão medindo um metro quadrado. sobre esse metro quadrado, projeto o ilme com o preço e a varredura colorida. o uba já está fazendo os closes desta cena; quer mostrar como a projeção é ma- nipulada em tempo real, como é elástica e pode se moldar ao chão em segundos.
estou parado em frente ao shopping na vaga dos táxis. um taxista pede que eu saia, falo que é rápido e peço sua compreensão. ele não gosta muito, mas vai
embora. continuo ajustando os últimos detalhes do vídeo. vejo um seguran- ça do shopping vindo em minha direção. caminha calmamente, com as duas mãos para trás, terno preto, gravata azul, cabelo curto, sapato de couro e o headphone por onde se comunica com a central de vigilância. olha ixo para a projeção no chão e pergunta:
- o que é isso aí?
- É um projeto sobre o valor do metro quadrado. - Ah.
- sobre quanto custa o metro quadrado em cada lugar. curtiu?
ele não diz nada, continua me itando com cara de segurança.
- Achou legal?
222 223 - Aqui o metro quadrado custa mais ou menos R$ 12.000,00 reais. Agora vou
dar uma volta no bairro inteiro projetando o preço por metro quadrado de cada lugar por onde passo.
ele ica olhando sem nada dizer. Aparentemente não vê maiores problemas na minha ação. não é nenhuma faixa com palavras de ordem, nem megafone, não tem ninguém vestido de preto ou com o rosto coberto, não tem o batman, não tem cara de rolezinho. não se encaixa em nenhuma norma de má condu- ta, não dá para pedir reforços pelo rádio. É apenas um metro quadrado. Que mal isso tem?
Percebo que essa imagem é um código, num primeiro momento não clas- siicável. um enigma a se decifrar. esse trabalho torna visível um dado até então muito distante, pouco palpável, como o preço do metro quadrado. uma relação de preço, até então, abstrata - envolvendo fatores diversos, como a quantidade de mão de obra e material envolvidos, passando pelas benesses
de seu entorno e acrescida pela especulação imobiliária - é materializada no momento em que passo com a Bicicleta, trazendo concretude para a questão do valor do metro quadrado e, talvez, o vislumbre da descoberta de novos valores para uma cidade.
o segurança continua parado, um passo atrás, sem dizer nada e com as mãos nas costas. ele não teme o valor do metro quadrado visível. talvez na hora em que for pagar o aluguel, a prestação da caixa ou comprar sua casa isso faça sentido. Por hora, considera inofensiva a equação projetada no chão.
É hora de continuar o trajeto, sem muitas paradas. olho para o lado, vejo o uba subindo na caçamba, o sztutman pronto dentro do carro e percebo que posso partir. saio pela Av. higienópolis e tenho que retornar sentido vila Buar- que. Iniciar ao Pátio higienópolis me rendeu um encontro com um segurança no ilme, mas vai me custar um retorno com subida.
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Ele não teme o valor do metro quadrado visível
226 227 viro à esquerda na Rua Aracaju, é hora de trocar o ilme. os R$ 12.013,00
decrescem até chegar a R$ 10.469,00, no Parque Buenos Aires. com o ilme trocado, inicio a subida da rua. A subida é mão única e logo se forma uma ila atrás de mim. Pedalo com calma, pois a Bicicleta é pesada. estou quase no topo, sei que tenho uma descida pela frente até a Praça vilaboim. no cruza- mento com a rua maranhão, deixo os carros furiosos passarem, sem eles a descida icará mais tranquila. não preciso pedalar, basta deixar a gravidade me levar. Aproveito e observo a rua arborizada e escura: vejo as grades que protegem os prédios modernistas, suas entradas com rampas curvas; nas grandes janelas, as luzes dos apartamentos acesas.
chego à Praça vilaboim e o ambiente se transforma completamente. o que antes era predominantemente residencial se inverte e temos uma grande quantidade de restaurantes e lojas, bancas de jornal, papelarias, cafés. A luz dessa área con- trasta com o escuro da descida. Buzino para atravessar a Rua Piauí. três pes- soas na faixa de pedestres e alguns taxistas que estão no ponto me observam.
viro à direita na rua Piauí para voltar ao Parque Buenos Aires. o vídeo está em piloto automático e ainda não se passaram os três minutos calculados para esse trecho, tudo corre bem. Passo por uma guarita bem avançada. Aqui em higienópolis, assim como no bairro do Jardins, elas fazem parte da paisagem e o vigia noturno se encontra sentado na cadeira. vejo as luzes vermelhas piscante de um carro de polícia, mas não escuto a sirene, não deve ser nada. Já enxergo à direita o Parque Buenos Aires. uma, duas, três, quatro pessoas correm em volta do parque fechado, onde mariposas fazem cooper em volta da luz.
Avisto à minha frente as luzes e o tráfego intenso da Avenida Angélica. chego até ela e o farol está fechado, muitas pessoas atravessam. vejo um carrinho de bebê cair ao meio io, algumas pessoas rapidamente chegam perto para ajudar, mas logo se vão, o bebê icou preso pelo cinto de segurança. Avanço mais um pouco na faixa de pedestres e já estou no limite com a avenida. A pesquisa mos- trou que o metro quadrado na avenida é mais barato do que dentro do bairro.
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mariposas fazem cooper em volta da luz
230 231 chego na esquina com R$ 10.776,00 e, ao atravessar, o preço vai baixar.
deixo o dedo pronto para disparar o próximo ilme. Assim que o semáforo abrir, disparo. olho para os dois lados, não vejo mais os carros e ônibus. Atra- vesso antes de o sinal abrir. disparo o novo ilme, rapidamente o preço do metro quadrado se transforma, caindo até chegar aos R$ 9.014,00. Assim que a avenida acaba, o novo ilme é acionado e o preço começa a subir novamente.
continuo na Rua Piauí, a avenida e seu luxo icam para trás. À medida que o excesso de luz e o barulho começam a diminuir, o preço aumenta, assim como a área de recuo dos prédios. A rua é plana e facilita meu deslocamento; imagino que deve ser fácil para os moradores fazerem suas compras, irem ao parque e organizarem a vida cotidiana a pé. será que utilizam o bairro a pé ou de bicicleta? vejo luzes piscando à minha direita, em seguida passam por mim vários ciclistas - perco a conta, são mais de vinte. mais uma vez sou atravessado por esportistas que utilizam a cidade de noite. eles olham para a
Bicicleta visual e para a projeção. Alguém, no meio da bicicletada, fala:
- Aí sim, hein?!
Respondo de sopetão:
- Aí sim, hein?! tá caro aqui o preço, né?!
Quem me abordou já está longe e pedala bem mais rápido do que eu. outro ciclista do grupo diz:
- som na caixa aê, maestro.
dou duas buzinadas. Penso que deveria ter feito o percurso com uma música saindo da minha caixa de som. mais algumas comunicações esparsas e me despeço ao virar à esquerda.
232 233 Rua Itacolomi, ponto de troca de ilme e com o preço mais elevado que as ruas
ao lado, R$ 11.064,00. não sei avaliar o porquê dessa diferença, ela me parece muito similar às outras ruas do bairro pelas quais passei: muitas árvores, prédios modernistas, grandes janelas nos apartamentos, grades nos portões, iluminação na calçada. uma placa devagar escola. de dia deve ser possível ver as crianças indo e vindo pelas calçadas. em teoria, imagino que o barulho diário das crianças e a ila dupla dos carros dos pais diminuiria o preço. Pro- vavelmente isso não está contabilizado. estou quase na Avenida higienópolis. não vejo estabelecimento comercial algum, a rua parece totalmente residen- cial, mas é perto de duas grandes avenidas que proveem o necessário. talvez isso esteja incluído na conta do metro quadrado.
na Avenida higienópolis, viro na contramão à direita. troco mais uma vez o preço do metro quadrado. nas próximas cinco quadras, passo por dois bair- ros diferentes e o preço sofre mudanças brutais. começo com R$ 11.034,00 e devo chegar aos R$ 3.900,00 no minhocão. em quinhentos metros devo per-
ceber mudanças suicientes para compreender essa queda de valores. A es- colha por esse trecho na contramão é para salientar essa queda. A decisão de incluir esse trajeto me custa uma atenção extra com os carros vindo na minha direção.
Prédios altos substituíram os palacetes que iniciaram a ocupação do bairro, são os novos palacetes, que já são velhos, pois tem, no mínimo, cinquenta anos sobre seus pilotis. Grades com lâmpadas a cada cinco metros fazem a separação entre o espaço público e o privado, mas deixam aparente, entre seus vãos, as rampas e marquises das entradas dos edifícios. na esquina, o preço já está em R$ 10.000,00 e baixando. Atravesso e continuo sentido vila Buarque, o próximo bairro. Alcanço o cruzamento com a Rua Itambé e o preço já baixou muito, o metro quadrado está em R$ 8.700,00.
Aqui é o limite entre o bairro higienópolis e a vila Buarque. É um grande átrio de asfalto, um entroncamento, um nódulo automotivo. É possível notar a dife-
234 235 rença entre os bairros com clareza. À minha frente, bem iluminado, avisto um
grande supermercado e um restaurante aberto. A calçada e a faixa de trânsito estão lotadas de jovens, que provavelmente saíram da Faculdade mackenzie na outra esquina.
Percebo que o sztutman e o uba acabaram de passar com os carros em dire- ção a Rua major sertório. como iz um pedaço do percurso na contramão, eles foram obrigados a fazer outro trajeto para chegarmos juntos ao novo ponto de encontro. disparo o próximo ilme em mais um portal, uma transição de bairros que conigura uma enorme mudança de preços. Ao atravessar a rua, o preço cai de R$ 8.700,00 para R$ 6.088,00. deixo para trás o último palacete de higienópolis, estou agora na vila Buarque.
desço em direção ao elevado Presidente costa e silva, o minhocão, como pre- iro. A mudança de cenário é completa. muitos comércios, poucas residências. conto quatro estacionamentos lotados, um bar, uma venda e um café, passo
também por algumas lojas fechadas: chaveiro, banco, mercadinho de bairro. Quase não vejo árvores nessa quadra, o recuo das casas é muito menor ou não existe, as ediicações dão direto para a rua, a frente dos terrenos é menor e muitos dos edifícios tem a pintura desgastada.
Atravesso a Rua dr. vila nova, e o preço do metro quadrado já cai para R$ 5.531,00, metade do valor que custava a três quadras na Avenida higienó- polis. A praça à minha esquerda enche todo o quarteirão de árvores e som- bras. A Praça do Rotary lembra que estamos perto de higienópolis, mas ao desviar o olhar para a direita já não estamos mais. uma sucessão de portas de ferro pequenas, fechadas e com pixações, mostram o comércio local. entre elas, há um boteco ainda aberto, com a típica luz azulada, paredes de azulejo branco, propagandas e cartazes com os preços dos produtos, caixas coloridas de cervejas misturando-se com as mesas. um boteco como esse não existe na rua de cima, só aqui.
236 237 o trânsito enche a rua até o minhocão. o uba salta da caçamba e vai à pé até
lá: combinamos que a imagem da entrada sob o viaduto seria feita dali, mar- cando esse momento como ápice. espero na ila o trânsito da faculdade luir. em frente à praça, está a base policial com três guardas na porta, sem tensão aparente. coniro se o ilme do minhocão está pronto, faço uma fotograia do local. Percebo, primeiro pelo visor da câmera e depois no céu, a lua sobre o minhocão; que dramática! o viaduto iluminado de azul a desembocar no edifí- cio Itália, um dos mais altos de são Paulo que, por sua vez, aponta para a lua.
A uma quadra do minhocão, o preço do metro quadrado já caiu para R$ 4.900,00 e vai cair ainda mais na próxima quadra. deixo passar um caminhão, faço a ilmagem com calma. Passo por mais portas de ferro, quase todas fechadas: super Boi, só som, Aluga-se, hsBc, estacionamento. nesses prédios, entre as portas dos comércios é possível ver as entradas iluminadas e estreitas que passam entre as lojas até atingir o acesso aos elevadores. são prédios de uso misto, com residências em cima e comércio em baixo. Passo agora por um
hotel ou motel. vejo uma mulher saindo com uma minissaia preta e salto alto. mais à frente, um travesti faz ponto esperando o próximo freguês. o minhocão já está logo ali, vou entrar à esquerda e pedalar por debaixo dele.
Agora, ao invés de cruzar um portal, vou entrar nele e percorrer essa nova dimensão. troco o preço do metro quadrado. durante as quatro quadras que percorro sob o viaduto, o preço ica quase constante, perto dos R$ 3.850,00. Até aqui, é o menor preço. A barreira visual formada pelo minhocão, a quan- tidade de ruído, o sombreamento ao nível da rua, devem contribuir para essa composição de preços.
entro na Amaral Gurgel pela pista da esquerda, quero sentir o peso da pe- numbra. os enormes pilares de concreto com graites são impactantes. As pernas tatuadas da centopeia de concreto estão petriicadas. na ilha central, sob o elevado, logo vejo uma moradora de rua. deixa sua cadeira de rodas va-