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CSR chain mapping and business process of Greencarrier Norway

4. Analysis of the collected data

4.2 CSR chain mapping and business process of Greencarrier Norway

154 155 tinha visto até agora possuíam as modernas cercas elétricas, detectores de

presença, câmeras de vigilância. mas, é a primeira casa desse bairro que vejo com concertinas. com suas espirais metálicas cheias de espetos, são a mili- tarização anacrônica do espaço, pois parecem deslocados de sua época. nada discreto, como as câmeras de vigilância ou os detectores de presença con- temporâneos. É um dispositivo ultrapassado, mas amedrontador. A imagem é projetada na casa e atravessa a cerca metálica. confundem-se a cerca, a sombra da cerca e a projeção. nessa imagem de muitas camadas, a cerca de concertina parece ter ainda mais lâminas e espetos, como se incorporasse a visão amedrontadora que me causa.

Projeto por mais muros, alguns vigias continuam entrando e saindo do plano de ilmagem. Passo por mais um, resolvo voltar, refazer o take talvez, deixar mais claro no vídeo essa presença-ausência. chamo o vigia para conversar.

- oi, posso falar com você? como você chama?

- cicero.

- eu sou o Rodrigo, estou andando com essa bicicleta fazendo umas imagens. - eu sei, já te vi outro dia por aqui, passou na frente da casa da doutora, na casa da veri, depois subiu direto lá pra pracinha.

- Isso mesmo, era eu.

- eu pensei que você vendia gás, mas vi você ilmando com esse negócio aí. - É mesmo, a bicicleta parece com as que vendem gás, pão e água.

- É, vi você passando. - Quem passa aqui de noite? - só vi você mesmo, de bike. - o resto é vazio?

- É vazio. tem os seguranças particulares que passam aqui na rua. - Pessoa não passa, né?

- É diicil. Quando é suspeito, a gente liga pra polícia. A polícia vem rapidinho. - e o que é uma pessoa suspeita?

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Suspeito é um cara de short, mal encarado

158 159 e desce de novo. Aí você liga e avisa: “tem um cara suspeito”. e eles vêm.

- É segurança privada ou polícia? - É policia mesmo.

- e é tranquilo aqui? Já aconteceu alguma coisa grave?

- comigo não, graças a deus. de dia tiveram uns assaltos, não tinha segu- rança, né? À noite, quando estou, tudo em ordem. deus ajude que seja assim.

o vigia é um agente central dessa rede de coniança e desconiança que se forma em torno da segurança; mas ele, assim como eu, faz parte dos que estão na rua, no front.

vejo que já passa da meia noite. daqui a pouco, a energia que alimenta o projetor vai acabar e ainda quero passar em alguns lugares. sigo para uma casa que tem os muros altos, equipada com detectores que acionam luzes na calçada, câmeras de segurança e cercas elétricas, além de uma guarita muito próxima, provavelmente compartilhada pelo dono da casa com alguns outros

vizinhos. muito similar às outras casas do bairro, se diferencia por possuir um elemento arquitetônico avançado para fora, um quadrado perpendicular ao muro, muito propício para encaixar a projeção da contra-vigilância. como o poste, esse elemento parece feito para a projeção: acolhe sua dimensão estética, física e política.

no caminho para essa casa, passo por uma guarita ao lado de um portão bem iluminado. uma área clara no meio das escuras. Passo direto. o vigia fala em voz alta:

- É pra revista?

decido voltar, falar com ele, talvez fazer mais uma tomada. Paro em frente à gua- rita e projeto dentro dela a câmera de vigilância. ele se levanta e vem em minha direção. Pergunto se posso ilmar. ele olha a imagem dentro da guarita e diz:

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belo exemplar da arquitetura fortificada

162 163 - você está vendo lá?

- você está ilmando, né?

- É. eu e você temos a mesma função, estamos vigiando as ruas. - É bom, né.

- eu também sou vigilante, olha minha camerinha lá dentro.

- eu tô vendo, você ilmou toda essa rua, né? vi você passando aqui na semana passada.

- É, eu passei aqui na semana passada, você viu? - vi.

- eu vim e ilmei. - um barato isso aí.

- vou passar de novo por aí, então. - vai lá.

dez metros e avisto outra guarita, no mesmo lado da calçada. o uba decide ilmar de dentro dela, com o ponto de vista do vigia. Acho interessante, volta-

mos e perguntamos se é possível. o vigia é simpático e deixa ilmar, mas não quer muita conversa. Apenas pergunta:

- vai passar na televisão? - não, é um trabalho de arte. - É trabalho de faculdade? - É sim.

- tá certo, pode ilmar.

ele está assistindo televisão. sua guarita é equipada com luz elétrica, telefone e televisão. É possível ver também alguns apetrechos pessoais: os casacos, o rádio relógio, um calendário e o inseticida.

chego à casa com o detalhe arquitetônico próprio para projeções de câmeras de vigilância. É realmente um belo exemplar da arquitetura fortiicada. não chega a ser ostensiva, mas contém todos os aparelhos necessários em pouco espaço. Já estou a três quadras da Av. Rebouças e as casas mais fortiicadas

164 165 icaram para trás. Aqui existe uma mistura de casas grandes com casas muito

grandes. Algumas residências são verdadeiros bunkers, algumas disfarçam melhor suas cercas. essa é do tipo grande, mas não do tipo grande demais. observo que a mancha de projeção é suiciente para que duas câmeras sejam projetadas, uma no primeiro quadrado saliente e outra no segundo. Pela pri- meira vez nessa noite, projeto duas câmeras, simultâneas, idênticas.

Já não era apenas eu a contra-vigilância, minha contra-câmera hoje foi soma- da ao uba, que ilmou tudo, e aos vigias. minha contra-vigilância continua de olhos abertos; com ela, os vigilantes são iguais a mim, também estranhos a esse espaço vazio vigiado; também invasores e fora da ordem.

escuto o apito agudo que sinaliza o inal da energia que alimenta o projetor. É hora de inalizar, subo na Bicicleta visual e sigo, para o escuro.

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CONTRA-

VIGILÂNCIA

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NOTAS a relexão provocada pela experiência, colocando em diálogo com o repertório de referências conceituais, urbanísticas e artísticas

A MORTE DE SÃO PAULO