• No results found

O painel 22 apresenta os primeiros resultados do modelo utilizado para a estimação do pertencimento às categorias de conjugação entre estudo e trabalho entre os jovens elegíveis à conclusão do ensino médio. Os gráficos apresentam a distribuição empírica acumulada das chances preditas de pertencimento à cada uma das categorias, por classes de origem, nos três anos analisados. No eixo x tem-se a proporção acumulada de casos, e no eixo y as

probabilidades de pertencimento à categoria em foco – ambos os eixos variam entre 0 e 1, e

os gráficos ordenam os casos da menor para a maior probabilidade predita de pertencimento à categoria correspondente de alocação de tempo. Quanto mais próxima a curva do eixo y, maior a concentração acumulada de casos em probabilidades baixas de pertencimento à categoria em questão. Inversamente, quanto mais distante do eixo y, maior a concentração dos casos em probabilidades mais altas de pertencimento. Cada curva representa a distribuição dos casos para cada um dos quatro estratos de origem, e a sobreposição das

curvas indicam maior similaridade na distribuição das chances preditas entre os estratos de origem.

A desigualdade entre classes de origem são menores nas chances de pertencimento às categorias de conclusão do ensino médio conjugada ao trabalho e de abandono da progressão educacional, sem conjugação com trabalho. Para os jovens elegíveis à conclusão do ensino médio, nota-se entre os anos, um deslocamento da curva de distribuição empírica acumulada nas curvas das probabilidades de abandono, que sugere uma certa diminuição na proporção de jovens com probabilidades altas de pertencimento predito à esta categoria, que ocorre de maneira um pouco mais pronunciada entre jovens com origem no estrato mais alto. A conclusão do ensino médio conjugada à participação no mercado de trabalho não apresenta desigualdades muito marcantes nas chances de pertencimento dos jovens de diferentes classes de origem, ainda que seja mais comum entre os jovens do estrato mais baixo em comparação aos outros três estratos analisados. Para os três estratos mais altos, são pouco distinguíveis diferenças na distribuição acumulada de chances preditas de conclusão do ensino médio conjugada ao trabalho. Por outro lado, é distinguível uma tendência temporal que sugere uma concentração crescente de jovens em faixas mais altas de probabilidades de

pertencimento a esta categoria de destino em T1 entre 2001 e 2009, para todos os estratos

de origem.

Diferenças mais pronunciadas entre classes de origem são observadas entre as categorias de progressão rumo à conclusão sem conjugação com trabalho e de abandono da progressão

com participação no mercado de trabalho. No caso do destino em T1 que envolve a conclusão

do ensino médio sem participação no mercado, as vantagens de jovens do estrato mais alto são muito claramente identificáveis, e estes se concentram de forma muito mais proeminente em faixas de alta probabilidade de pertencimento a esta categoria. Em oposição, os jovens do estrato mais baixo estão muito mais concentrados em faixas baixas de chances de

pertencimento a este destino em T1. Em 2001, as desvantagens dos jovens deste estrato são

muito próximas das desvantagens dos jovens no estrato imediatamente superior (V+VI), o que é sugerido pela similaridade das curvas de distribuição empírica acumulada das chances de

pertencimento a este destino em T1 entre os dois estratos mais baixos.

O diferencial de classe nas distribuição das probabilidade passa então a ser cada vez menor, mas em 2009, estes diferenciais ainda se sustentam em favor dos jovens do estrato mais alto. O oposto é observado ao examinarmos as curvas de distribuição das chances de pertencimento à categoria que indica o abandono da progressão educacional, conjugado à inserção no mercado de trabalho: neste caso, a curva de distribuição das probabilidades

Painel 22. Distribuição Empírica Acumulada das Probabilidades de Pertencimento às Categorias de Alocação de Tempo por Classes de Origem – T1 - 2001, 2005 e 2009

Fonte: PNAD, IBGE. 2001, 2005 e 2009. Elaboração do autor.

Completar ensino médio Completar ensino médio + Trabalho Não Completar ensino médio Não Completar ensino médio + Trabalho

2001

2005

indica sempre ser este um destino mais frequente em T1 para os jovens do estrato mais baixo.

Assim como no caso da conclusão do ensino médio não conjugado ao trabalho, as chances de abandono com participação no mercado tenderam a diminuir no período entre todas as classes de origem, mas o cenário de desigualdades persiste entre 2001 e 2009, ainda que as desigualdades tenham apresentado tendência de diminuição, principalmente entre os três estratos mais altos.

No painel 23 apresentamos a variação nas probabilidades preditas de pertencimento às

categorias de destino em T1 por idade e por classe de origem. Neste gráfico, apresentamos

as diferenças líquidas nestas probabilidades por classes, controlando por todas as variáveis

utilizadas nas estimações – mantendo todas as variáveis (à exceção da classe e da idade)

constantes na média da amostra analisada, de modo a verificar como variam as chances de

pertencimento às categorias de destino em T1.

Os resultados apresentados neste painel confirmam as tendências observadas nos gráficos de distribuição empírica acumulada. Com relação às categorias de participação no mercado de trabalho conjugada à progressão e de abandono sem participação no mercado de trabalho, as desigualdades de classe de origem não são proeminentes. As chances de que o destino

em T1 seja a conclusão do ensino médio conjugada ao trabalho são muito baixas entre os

mais jovens, e aumentam com a idade, chegando a mais de 60% a partir dos 22 anos. O abandono não conjugado à entrada no mercado de trabalho segue lógica oposta: o pertencimento a esta categoria de destino tende a ser mais provável entre os mais jovens e a decrescer com a idade.

Diferenças por classe de origem mais pronunciadas são observadas nas chances de conclusão do ensino médio com dedicação exclusiva aos estudos e o abandono da progressão com inserção no mercado de trabalho. As chances de conclusão do ensino médio sem participação no mercado de trabalho são crescentes com a idade até atingirem um pico por volta dos 20 anos, e a partir de então começam a decrescer, sendo esta uma lógica que se observa em todos os estratos de origem. Ressalta-se também, no caso desta categoria de destino, que as desigualdades entre os estratos de origem tenderam a decrescer no período analisado e, portanto, não têm se mostrado persistentes ao longo dos anos 2000. Os diferenciais de classe de origem também são significativos nas chances de abandonodo sistema educacional com participação no mercado de trabalho entre os elegíveis à conclusão do ensino médio. Neste caso, quanto mais baixo o estrato de origem, maiores as chances de abandono conjugado ao trabalho, que atingem pico por volta dos 18 anos de idade e decrescem significativamente a partir de então, passando a crescerem novamente a partir dos 23 anos.

Painel 23. Efeito Líquido da Classe de Origem por Idade nas Chances de Pertencimento às Categorias de Destino emT1 – 2001, 2005 e 2009

Fonte: PNAD, IBGE. 2001, 2005 e 2009. Elaboração do autor.

Ainda que os diferenciais de classe se sustentem ao longo do período, é perceptível uma tendência de diminuição nestas desigualdades entre 2001 e 2009 e uma diminuição em nível nas chances de pertencimento a esta categoria, que perpassa todos os estratos de origem. O que estas evidências nos sugerem é de que existem diferenças muito significativas na propensão dos jovens com origem em diferentes estratos a se engajarem no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que abandonam a progressão educacional rumo à conclusão do ensino médio, ainda que não hajam grandes diferenciais de classe nas chances de que a conclusão do ensino médio se dê conjugando estudo e trabalho. A estratificação educacional no acesso à conclusão do ensino médio parece estar vinculada à uma maior capacidade das famílias de jovens com origem em estratos mais altos em manter a progressão educacional

de seus filhos, em oposição a maiores chances de abandono do sistema educacional –

conjugado à entrada no mercado de trabalho – entre os jovens com origem nos estratos

sociais mais baixos. Neste sentido, a participação no mercado de trabalho contribui para que se compreenda melhor os padrões diferenciais de chances de conclusão do ensino médio por classes de origem entre os jovens no país em períodos recentes.