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da Igreja. “O celibato do padre não é um mandamento divino nem uma disposição apostólica. Mas corresponde a

uma experiência espiritual da Igreja de mais de mil e quinhentos anos” (2008, p. 60).

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- Democracia se apresenta como um direito de acesso ao poder e à palavra, igual para todos os membros da “cidade”, isto é, de um grupo definido por uma identidade, circunscrito a um território e compartilhando instituições de referência comum. Segundo BARUS-MICHEL, “Aí cada indivíduo é reconhecido como sujeito social (enunciador

do ‘nós’), como cidadão (ator na vida social e política) ao que a ‘res publica’ diz respeito. Em outras palavras, e por princípio, não existe só aquele Um que sabe, quer e pode, que seja ao mesmo tempo quem faz e aplica a Lei, que se confunde com ela para administrar os membros impotentes do grupo. A lei interessa a todos, ela é algo que se constrói, se discute, se adapta, em virtude dos valores escolhidos pelo grupo e do que é pertinente à práxis coletiva” (in ARAÚJO, SOUKI & FARIA, 2001, p. 32-33). A democracia necessariamente leva à dessacralização do poder. A

democracia tem lugar num contexto de mudança histórica e induz a uma fragilização: leis que evoluem, relações sociais que se transformam, normas que mudam. Tudo isto provoca nos cidadãos alguma incerteza quanto às suas ancoragens identitárias e práticas, pois eles são chamados a exercer o duplo papel de administradores e administrados. Uma das formas de resolver os conflitos quanto aos descontentes e excluídos nas tomadas de decisão por parte da autoridade é a questão da duração conveniente do exercício efetivo do poder. A democracia exige mais criatividade e uso da razão a fim de digerir melhor os conflitos. A democracia representa melhor o sujeito social, fugindo ao sentido clássico do exercício do poder, encarnado em figuras que ostentam seus atributos e sua natureza irradiando uma força sagrada.

psicologicamente, o que pode existir é apenas uma transição e não metamorfose ou melhor, objetivamente a vida não é transformada, embora o indivíduo possa fazer o ofício de presbítero com a chancela da Igreja, através do rito da ordenação, mas ele não se identifica como presbítero. Havendo esta situação, a maturidade presbiteral ficar comprometida. Isto não é impossível de acontecer, pois, como diz RANHER o presbítero “não é nenhum anjo

mandado do céu” (1968, p. 26), ele é um homem, como diz a Escritura, dentre os homens.

Homem, como continua RAHNER: “com suas taras hereditárias, com suas tendências bem

determinadas, com sua limitação bem demarcada, filho deste tempo e de nenhum outro, homens como os encontrais aos milhares na vida diária, nem um pouco diverso, nem uma fagulha melhores, pobres, fracos, fatigados homens necessitados da divina misericórdia” (1968, p. 26).

Numa visão psicossocial, segundo BARUS-MICHEL, psicóloga social, “sobre certos

aspectos, todo poder pessoal tem algo de suspeito: ele é ao mesmo tempo grotesco, arbitrário e perverso. A máscara do herói ou do pai mal esconde o tirano ou o ditador” (in ARAÚJO,

SOUKI & FARIA, 2001, p. 30). Os presbíteros ao serem ordenados eles são, no entendimento da Teologia Católica, revestidos de um poder sagrado, isto é, revestidos de um poder divino. Assim, também, sua função essencial é manter a identidade do sagrado. Sendo inscrito desta forma a identidade do presbítero, ele tenderia a caminhar junto com a religião, tendo poder em nome de Deus, e em sintonia com a tradição. Daí se compreende que sua natureza seja conservadora: ele mantém uma ordem sagrada que se opõe à História. Segundo Freud (1974), os “chefes” são dotados de um “eu forte” que os torna impermeáveis às culpabilidades e devoções do comum dos mortais, eles são narcísicos e não-intimidáveis. Por outro lado eles sabem passar a “ilusão de amar todos os membros do grupo com um amor igual”. Desta forma, eles se tornam modelos identificatórios para os membros do grupo que permanecem ligados a ele por um mesmo temor e um mesmo amor, filhos de um mesmo “pai espiritual”, seja qual for o preço que isto lhe custe. Resta perguntar se existe alguma outra religião que conseguiu conceber a função do representante do sagrado de outra forma. E se existe, em que ele poderia servir de inspiração para a Igreja Católica?

A vida presbiteral supõe que faça sentido para o indivíduo que abraça este papel. A vida presbiteral não é apenas desempenhar certos rituais próprios do presbítero, o que seria algo meramente ritualista, mas é entrar para um “novo universo de significados” (CIAMPA, 2001, p. 101), que permite ver e interpretar o mundo através desse olhar. Esse ver e interpretar o mundo através do olhar presbiteral significa uma maturidade presbiteral. Ciampa comenta como se dá essa maturidade na vida de Severina: “Para atingir a maturidade é

preciso mais que apenas condições infra-estruturais. Como animal simbólico, o bicho-humano sente carência de sentido, de significado – e de pertencer a um grupo que dê suporte e encarne esse significado” (2001, p. 104). O grupo, no caso de Severina, serve de terapia que

faz surgir uma personagem que dê sentido a sua vida futura, retrospectivamente ao passado, reinterpretando-o. Aplicando esta analogia para aquele que abraça a vida presbiteral, havendo sentido no projeto de vida presbiteral, a vida presente de presbítero também adquire sentido.

Para o presbítero, o grupo de suporte é o presbitério com o seu bispo e a comunidade da qual ele participa. Se o presbitério com o seu bispo e a comunidade lhe dão suporte e significado à vida presbiteral, servindo até de terapia, a maturidade presbiteral se desenvolverá. Para MORO, o presbítero deve viver seu ministério a partir da comunhão: “Como parte do povo de

Deus, o presbítero é chamado a viver e a anunciar a Palavra de Deus, presidir a celebração do culto e dos sacramentos e viver o serviço da caridade pastoral. Ao mesmo tempo, o presbítero é, faz e vive tudo isto como homem da comunhão” (1997, p. 73).

Para Severina poder chegar aonde chegou, ela precisou de um grupo de suporte: “Um

grupo que encarna o mundo descoberto por Severina e lhe dá suporte. Sua Identidade, que se transforma, vai-se concretizando nas e pelas novas relações em que está se enredando”

(2001, p. 109). O mundo no qual Severina encontrou suporte foi um mundo organizado, com relações entre seus membros bastante previsíveis; um mundo no qual tudo parece dotado de sentido, o que implica uma rede hierarquizada de valores e que traduz, pelas orientações que os diferentes níveis hierárquicos fornecem e, como diz Ciampa: “não importa o quanto ela seja

convencionalizada, hierarquizada, até mesmo estática” (2001, p. 109). Para o presbítero,

sendo o presbitério com o seu bispo e a comunidade, o grupo de suporte de sentido para sua vida presbiteral, implica que este grupo consiga traduzir na prática do dia-a-dia o sentido dos valores da vida presbiteral.

A imaturidade presbiteral está em relação a alguns valores da vida presbiteral. Neste caso, não havendo possibilidade de terapia, por qualquer motivo, fechamento do indivíduo, presbitério com o bispo ou comunidade sem condições de oferecer suporte, a vida presbiteral pode tornar-se representação de uma personagem, sem assumi-la. Neste caso, seria uma identidade somente de fachada, tendo como consequência um presbítero com “imaturidade” em suas ações. Ciampa comenta sobre Severina: “não basta apenas agir como a

personagem; é necessário pensar, sentir, acreditar como ela: ter fé e a convicção que caracterizam a personagem. É preciso ingressar no seu mundo, conhecê-lo, migrar para esse mundo e nele viver como o mundo! (...) Não basta simular, caricaturara. É necessário identificar-se com ela e com seu drama” (2001, p. 107). Assim, não basta ser ordenado

presbítero, é necessário amadurecer como presbítero, assumindo a condição de ser presbítero com todas as suas “alegrias” e “dramas”.

O ser humano é matéria, através da prática ele vai se transformando. Para Ciampa, esta transformação é metamorfose e metamorfose é um processo que acontece ao longo da vida. Mas é na tomada de consciência de si que se percebe a metamorfose como um processo que aconteceu paulatinamente ao longo da vida. Na história de Severina, Ciampa comenta que “no contexto biográfico de Severina expressam uma sabedoria sua, um reconhecimento

de quem passou pelo processo: sua vida é expressão dessa sabedoria, desse reconhecimento (...) É o depoimento de quem tem consciência de ser uma metamorfose” (2001, p. 111). A

consciência da metamorfose pode surgir tardiamente, mas ela acontece ao longo da vida. A vida é metamorfose. Do mesmo modo, a consciência de que a identidade do presbítero é metamorfose pode surgir tardiamente, mas ela acontece ao longo da vida presbiteral:

“Metamorfose é a expressão da vida. Como tal é um processo inexorável, tenhamos ou não

consciência dele” (CIAMPA, 2001, p. 113).

O candidato ao presbiterato deve passar por um processo de metamorfose na identificação com a identidade presbiteral. Teologicamente, o candidato se torna presbítero com o rito da ordenação, mas psicologicamente a identidade de presbítero dependerá da identificação com esta identidade “dada”, a qual acontecerá na prática. É na prática que a identidade vai se concretizando. Nesta concretização da identidade, as relações sociais servem de suporte. Ciampa comenta que “a materialidade dessas relações sociais faz com

que a nova identidade não seja uma ficção, uma abstração imaginária” (2001, p. 109). Assim,

podemos afirmar que cada presbítero constrói sua identidade de presbítero, a qual a Igreja Católica espera que esteja em referência à identidade presbiteral compartilhada socialmente no mundo e reconhecida por ela como autêntica.

Não podemos negar que a identidade presbiteral pensada como estabilidade pressupõe um corpo de valores em continuidade com o passado. Esses valores em continuidade com o passado servem de âncora e fonte de motivações básicas para a construção da identidade de cada presbítero. Por outro lado, o presbítero tem que enfrentar as forças que, com maior ou menor intensidade, impelem à mudança, para poder manter a estabilidade. Algumas provêm dos próprios irmãos presbíteros, outras da comunidade de fé e outras da própria sociedade que está sujeita às mudanças evolutivas, normativas e não normativas. Permanecer numa situação de estabilidade máxima, como acontece em sistemas fechados, não pode captar energias externas para investir. Como consequência a própria energia se consome, o sistema deteriora-se e mais cedo ou mais tarde autodestrói-se. Se as forças que favorecem as mudanças atuam, mas a hierarquia reage com a máxima força, é mais provável que, após um período de inércia, alguma coisa entre em crise.

Se a identidade presbiteral dá um sentido de estabilidade, a identidade do presbítero traz dinamicidade a esta identidade. Olhando para o mundo moderno ou não somente para este, mas em todos os tempos, notamos que os indivíduos passaram e passam por um processo de metamorfose durante a vida. Estas metamorfoses são mais ou menos acentuadas, de acordo com a época, a idade e contexto em que vivem, algo que se torna mais perceptível quando esses fatos são analisados enquanto história de vida de cada presbítero. As histórias de vida por si mesmas trazem em sua própria dinamicidade um processo contínuo de redefinir-se e reinventar a própria história. Assim, os sentidos e valores que direcionaram a vida de muitos presbíteros no passado, ao serem compartilhados no mundo da vida, podem ser tomados como criadores de novos sentidos e valores no presente.

1.1.8 - O processo de identificação do presbítero

Na antiguidade não existiam professores e alunos. Eram os mestres quem transmitiam aos seus discípulos não somente uma doutrina, mas o jeito de viver e de agir. Os discípulos buscavam a identificação com os mestres. Nesta visão dos mestres da “antiguidade”, parece que no magistério da Igreja Católica espera-se que aqueles que abraçam a vida presbiteral se

esforcem para configurar-se ao modelo Cristo Bom Pastor, adquirindo assim os traços típicos do Mestre. Mas em que medida o mecanismo de identificação pode estruturar, reestruturar ou desestruturar o indivíduo que abraça a vida presbiteral? Em que medida podem existir riscos de certa “alienação” do indivíduo submetido às influências de determinado “modelo de presbítero” a ser assumido?

Podemos ver aí uma oposição, à primeira vista, entre psicologia individual e psicologia social. Tudo indica que a primeira tem por objeto o indivíduo e que busca os meios dos quais ele se serve e os caminhos que ele trilha para obter satisfação de seus desejos e necessidades e que a segunda tem como objeto o coletivo com objetivo de ter maior controle sobre os indivíduos41. Mas perguntamos: até que ponto o outro exerce o papel de modelo, de um objeto, de um associado ou de um adversário?

Historicamente, é mais perceptível, nas sociedades do passado, maior equivalência entre projeto individual de vida e projeto coletivo de vida. O fato que legitima esta colocação é que nas sociedades do passado havia um controle maior da identidade no sentido de se ter uma identificação muito maior entre vida individual e vida coletiva. As vidas individuais estavam estreitamente inscritas no coletivo, muitas das decisões que hoje consideramos de ordem do indivíduo, integravam-se nas estratégias comuns dos grupos domésticos ou dos grupos da sociedade. As decisões não eram tomadas pelas pessoas individuais, mas pelo coletivo. Além disto, a religião exercia uma grande influência política e religiosa sobre a vida individual e o conjunto da sociedade tinha muita influência na vida das pessoas. Este poder de controle na vida da Igreja ficou circunscrito ao magistério eclesiástico, composto pelo Papa e pelos Bispos. Como a identidade presbiteral é algo essencial para a manutenção da Igreja, ela passou a ser de posse do magistério e não os presbíteros. Assim, o poder de mudança nos valores da identidade presbiteral passou a depender do magistério da Igreja, que é administrador da vida da Igreja42.

Tomando como único caminho que a auto-identificação do candidato como presbítero se dá quando o indivíduo presbítero se identifica com a identidade presbiteral compartilhada socialmente no mundo da vida e reconhecida como autêntica pelo magistério da Igreja Católica, fica-se sem possibilidades para pensar a identidade do presbítero, pois só poderá ser pensada e concretizada, neste caso, de acordo com a Identidade “dada” pela Igreja. Ciampa comenta esta identificação de Severina, dizendo: “Assume sua nova personagem; identifica-se

com ela; torna-se a personagem” (2001, p. 116). No caso da identificação do presbítero

católico, ele não se torna personagem somente por um “fato exterior”, como o uso da batina, mas por uma mudança interior. A “batina”, por exemplo, pode simbolizar exteriormente para

41 - Catalan, jesuíta e professor de psicologia no Centre Sévres, em Paris, faz um pequeno comentário a este respeito, dizendo que a oposição entre a psicologia individual e a psicologia social ou coletiva que, à primeira vista, pode parecer muito profunda, perde muito de sua acuidade quando é examinada mais de perto. Pois durante a busca individual o outro sempre exerce um papel de modelo, podendo ser de associado ou de adversário (Cf. 1999, p. 39-40).

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-Este poder do magistério se faz muito forte na vida da igreja e o podemos notar em Puebla, quando se fala da Eucaristia: “Como ela é administrada pelo Bispo, em união com o presbitério, é igualmente certo dizer que ‘onde

estiver o Bispo, aí está a Igreja’” (PUEBLA, nº. 662). Esta mesma analogia é aplicada aqui em relação à identidade

muitos que aquele que a usa é um presbítero, mas em si é apenas um sinal externo, não significa identidade presbiteral. O indivíduo atinge a identidade presbiteral quando age como presbítero. Ciampa comenta que “atinge o ponto que torna qualquer ator um ator convincente

e digno de admiração: espontaneidade. Já não representa obedecendo a ordens; age por sua própria vontade (sponte sua); é espontânea!” (2001, p. 116).

A Igreja Católica sempre manteve e mantém um controle muito forte sobre a construção da identidade presbiteral. Assim, qualquer candidato que almeje assumir esta identidade deve, em seu projeto individual de vida presbiteral, fazer a devida renúncia de tudo aquilo que, supostamente, ele idealizou como identidade presbiteral, sendo, muitas vezes, compreendida pela Igreja, como algo subjetivo, mas que, na verdade destoa da proposta do magistério da Igreja Católica. A lógica neste caso é pensar que o presbítero, fazendo renúncia de tudo que é tomado como subjetivo na construção dessa identidade, naturalmente teria maior possibilidade de identificação entre seu projeto pessoal de vida e o projeto socialmente compartilhado e reconhecido como autêntico pelo magistério da Igreja Católica. Ciampa, nas análises que faz de Severino e Severina, leva-nos a pensar que isto é uma armadilha.

Para Ciampa, ambos, tanto o Severino, quanto a Severina, quando assumem um projeto pessoal de vida, o fazem como renúncia daquilo que supostamente era a representação social de “Severino”. Ao fazer isto, eles não deixam de ser “severinos”, mas criam um novo modo de “representação da vida severina”. Assim, Ciampa não nega a possibilidade da identificação do projeto individual com as “representações sociais” compartilhadas no mundo da vida, mas leva-nos a perceber que deve haver uma criticidade em sua concretização, pois somente aí ela poderá se tornar positiva. Do mesmo modo, podemos dizer do presbítero que, ao abraçar a vida presbiteral, abraça uma representação social de presbítero compartilhada no mundo da vida. Sua identificação só se tornará positiva quando, posteriormente, ele for capaz de recusar a identificação com as “representações sociais” de presbítero que lhes foram apresentadas e criar seu próprio projeto pessoal de presbítero. Ao fazer isto, não significa que ele abandonou a representação do presbítero, mas que pode estar buscando concretizar criticamente esta representação, criando assim seu próprio modo de ser presbítero, que poderá se tornar um novo modo de “representação presbiteral”. E muitas dessas “novas representações” podem ser até mais interessantes e promissoras do que as do passado. Uma possível “nova representação presbiteral” poder ser “uma porta” abrindo-se em mais saídas, “uma porta” para o surgimento de novos sujeitos presbiterais.

Na sociedade brasileira, segundo o documento de estudos dos Encontros Nacionais de Presbíteros (VV.AA., 2001) parece existir um “modelo emergente de presbítero”, como sendo uma nova representação social do presbítero. Tal modelo significa que está havendo metamorfose na representação social do presbítero. Por “modelo emergente de presbítero” se entende algo que não está ainda bem definido em sua caracterização específica. Encontramos hoje muitos presbíteros que parecem fazer uma síntese entre os modelos de presbítero: pastor; tradicional e midiático-carismático. Despontam com um jeito dialogal e em comunhão.

Não são tanto reativos, mas críticos e proativos, ou seja, investindo sempre em alternativas, quer no campo pastoral, social ou no relacionamento interpessoal, no presbitério, na comunidade e na sociedade. Este modelo apresenta como característica notável o interesse de participação e colaboração no diálogo tratando reflexivamente de todas as questões pertinentes ao momento presente. Percebe-se neste modelo, maior disponibilidade à missão e o enfrentamento de situações delicadas; presença certa nas áreas de conflitos sociais e nas fronteiras da evangelização. A identidade do ser presbítero não está tanto na estética, mas se pauta pela ética de um comportamento simples e sóbrio, mais desapegado e livre no trato com os bens materiais (Cf. VV.AA. 2001, p. 314-333).

Para ERIKSON a comunidade não tem dificuldade de reconhecimento dos modelos emergentes, uma vez que estes modelos emergentes a reconheçam: ”A comunidade, muitas

vezes não sem alguma desconfiança inicial, dá esse reconhecimento com uma manifestação de surpresa e prazer em travar conhecimento com um indivíduo recém-emergente. Pois a comunidade, por seu turno, sente-se ‘reconhecida’ pelo indivíduo que se interessa em solicitar reconhecimento; ela pode, na mesma ordem de ideias, sentir-se profundamente – e vingativamente – rejeitada pelo indivíduo que parece não estar interessado nisso” (1972, p.

160).

Segundo Bauman, a identidade é conjugada em relação à comunidade de vida e de destino. A comunidade de vida é aquela na qual a pessoa nasceu e vive numa ligação absoluta; a outra é aquela ‘fundida’ unicamente por ideias ou por variedade de princípios (Cf. 2004, p. 17). O que nos chama atenção é a segunda categoria, pois é nela que se insere nosso objeto de estudo, a identidade do presbítero. O presbítero se une a uma comunidade e passa a construir sua identidade de presbítero em referência a essa comunidade presbiteral.

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