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6.2 Investeringsstrategier

6.2.3 CPPI

O desenvolvimento humano, o aprendizado e suas relações são temas centrais na obra de Vygotsky. Este autor “busca compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos ao longo da história da espécie humana e da história individual” (OLIVEIRA, 1995). Por enfatizar o processo de desenvolvimento, a abordagem utilizada por este autor é chamada abordagem genética, que se refere ao processo de construção dos fenômenos psicológicos ao longo do desenvolvimento humano.

Segundo Oliveira (1995), diferentemente de outros psicólogos, como Piaget e Wallon, Vygotsky não chegou a formular uma concepção estruturada do desenvolvimento humano, não nos oferece uma interpretação completa do percurso psicológico do ser humano, desde o nascimento até a idade adulta, mas oferece-nos reflexões e dados de pesquisa sobre vários aspectos desse processo.

Cabe observarmos ainda o fato de que, Vygotsky formulou seu conceito de desenvolvimento a partir de seus estudos sobre o processo de desenvolvimento da criança, e em nenhum momento se referiu a questões concernentes à formação de professores ou de desenvolvimento profissional docente. No entanto, entendemos que o seu conceito de

desenvolvimento nos permite compreender importantes aspectos do desenvolvimento humano

de forma geral e, em particular, do desenvolvimento profissional docente, especialmente no contexto específico desta investigação.

Dentre as preocupações com a questão do desenvolvimento, encontramos na obra de Vygotsky uma ênfase especial sobre a importância dos processos de aprendizado. Segundo ele, desde o nascimento da criança, o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é “um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (VYGOTSKY, 1991).

Vale ressaltarmos o significado de aprendizado aqui utilizado. O aprendizado (ou aprendizagem) é entendido como o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. Oliveira (1995) destaca ainda que, em Vygotsky, a idéia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo justamente por sua ênfase nos processos sócio-históricos. Sendo assim, embora seja um processo interno ao indivíduo, o aprendizado pressupõe sempre a relação com o outro dentro de um contexto sócio-cultural, constituído ao longo da história.

A aquisição da linguagem pela criança é um dos exemplos citado por Vygotsky que, segundo ele, pode ser um paradigma para a questão da relação entre aprendizado e desenvolvimento e ilustra uma lei geral do desenvolvimento das funções mentais superiores2. Conforme indica o autor, “a linguagem surge inicialmente como um meio de

comunicação entre a criança e as pessoas em seu ambiente. Somente depois, quando da conversação em fala interior, ela vem organizar o pensamento da criança, ou seja, torna-se

2 Segundo a teoria de Vygotsky, as Funções Mentais Superiores são os mecanismos psicológicos mais sofisticados,

mais complexos, que são típicos do ser humano e que envolvem o controle consciente do comportamento, a ação intencional e a liberdade do indivíduo em relação às características do momento e do espaço presentes. Tais funções não são inatas, mas sim, frutos de um processo de desenvolvimento.

uma função mental interna” (Vygotsky, 1991). Portanto, através das suas interações com as pessoas no seu ambiente a criança desenvolve a fala interior e o pensamento reflexivo.

Para Oliveira (1995), essa importância, dada por Vygotsky, ao papel do outro social no desenvolvimento dos indivíduos fez com que ele formulasse um conceito específico de sua teoria, o qual relaciona os processos de aprendizado e desenvolvimento: trata-se do conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).

Segundo ele, para se estabelecer as relações reais entre o processo de desenvolvimento e aprendizado deve-se determinar pelo menos dois níveis de desenvolvimento: o primeiro é o nível de desenvolvimento real, isto é, o nível de desenvolvimento das funções mentais que se estabeleceram como resultados de certos ciclos de desenvolvimento já completados, já consolidados; o segundo é o nível de desenvolvimento

potencial, ou seja, a capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de outros.

A partir do estabelecimento desses dois níveis de desenvolvimento, Vygotsky define o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal como “a distância entre o nível de

desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes” (VYGOTSKY, 1991, p.97).

Podemos dizer então que a ZDP define aquelas funções que a criança é potencialmente capaz de realizar, ou seja, as funções que estão em processo de amadurecimento, que ainda não foram consolidadas no seu nível de desenvolvimento real mas que estão num estado embrionário. Portanto, enquanto o nível de desenvolvimento real caracteriza o desenvolvimento mental retrospectivamente, a ZDP caracteriza o desenvolvimento mental prospectivamente, permitindo então que a interação com o outro possibilite a realização de funções ainda não consolidadas, ou seja, a ZDP define uma zona de

possibilidades.

A partir daí, Vygotsky (1991, p.101) propõe que “um aspecto essencial do aprendizado é o fato de ele criar a zona de desenvolvimento proximal; ou seja, o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros”.

Portanto, a “idéia de nível de desenvolvimento potencial identifica um momento do desenvolvimento que caracteriza não as etapas já alcançadas, já consolidadas, mas etapas posteriores, nas quais a interferência de outras pessoas afeta significativamente o resultado

da ação individual” (OLIVEIRA, 1995). É por isso que Vygotsky (1991) afirma ser o aprendizado o responsável por criar a zona de desenvolvimento proximal, pois, ao se dar na interação com o outro, “põe em movimento vários processos de desenvolvimento” (p. 101) que, sem a ajuda externa, não aconteceriam.

Sendo assim, o aspecto coletivo e contextual (sócio-cultural) se mostra essencial nos processos de desenvolvimento. Por outro lado, aprendizagem e desenvolvimento constituem processos internos, dados por um movimento dinâmico e dialético através das interações entre o interno e o externo, e que, como afirma Vygotsky (1991), “uma vez internalizados, esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança” (p. 101). É por esta razão que, embora constituídos em interdependência com os outros num determinado contexto, tais processos resultam em significados próprios de cada indivíduo, muitas vezes diferentes de uma pessoa para a outra.

Neste sentido, concordamos com Smolka e Góes (1993) ao afirmarem que “o desenvolvimento envolve processos, que se constituem mutuamente, de imersão na cultura e emergência da individualidade”, portanto, nesses processos “o sujeito se faz como ser diferenciado do outro, mas formado na relação com o outro: singular, mas constituído socialmente, e, por isso mesmo, numa composição individual mas não homogênea” (p.10).

Em síntese, segundo a teoria de Vygotsky, entendemos desenvolvimento como um processo interno, intimamente ligado ao contexto sócio-cultural em que a pessoa está inserida e que é possibilitado e estimulado pelo aprendizado. Um processo que ocorre num movimento dialético entre o interior e o exterior através das interações com o outro social e com o meio.