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Cooperation within the district council

In document Decentralisation and Gender CMIREPORT (sider 19-24)

2. Case one: Ileje District Council

2.3 Cooperation within the district council

Alguns autores equiparam o erro comum ao erro bilateral.

502

Entendemos,

todavia, que há uma diferença sutil mas substancial entre as duas espécies de erro.

O erro comum consiste naquele sofrido por ambos os contratantes.

503

Como

exemplo de erro comum, pode-se citar a venda de uma obra de arte, atribuída a um

determinado autor, na qual tanto o vendedor, quanto o comprador, estão na crença

comum e equivocada de que a obra realmente pertence ao autor invocado, quando, na

verdade, pertence a outro.

504

499 MORALES MORENO, Antonio-Manuel. El error en los contratos. Madrid: Editorial Ceura, 1988, p.

175: “la razón es ésta: La insolveencia del otro contratante (sea inicial o sobrevenida) tiene su propia regulación jurídica, que no debe ser interferida por la del error.” O autor informa que na Alemanha, a despeito da posição de Enneccerus/Nipperdey (Derecho Civil. Parte General. § 168, nota 23) e de Kramer (Münchener Kommentar, § 119, n. 108), a tese majoritária, ancorado em Flume (Rechsgeschäft (1979), § 23, 4, b), p. 487) é pela rejeição da possibilidade de se invalidar o contrato nesse caso.

500 Cf. GHESTIN, Jacques. Traité de Droit Civil – Les Obligations. Le Contrat. Paris: L.G.D.J, 1980, p.

327.

501 O exemplo foi extraído da obra de Paolo Zatti (Manuale di Diritto Civile. Milano: Casa Editrice Dott.

Antonio Milani, 2005, p. 609).

502 GALGANO, Francesco. Commentario del Codice Civile Scialoja-Branca. Della Simulazione. Della

nullità del contrato. Dell’annullabilità del contratto. Roma: Soc. Ed. Del Foro Italiano, 1998, vol. IV, p. 300. Vittorino Pietrobon afirma que “il codice non prevede espressamente l’errore detto bilaterale o comune, cioè l’ipotesi in cui entrambi i contraenti siano caduti nel medesimo errore, e quindi la disciplina dovrà esserne delieneata dall’interprete” (Errore, Volontà e Affidamento nel Negozio Giuridico. 2. ed. Padova: CEDAM, 1990, p. 487).

503 Conforme exposto por Díez-Picazo (Fundamentos del Derecho Civil Patrimonial.2. ed. Madrid:

Tecnos, 1983, vol. I, p. 136). .

504 O exemplo foi extraído da obra de Antonio-Manuel Morales Moreno (El error en los contratos.

Destaca Antonio-Manuel Morales Moreno que apesar do erro comum ter algum

paralelismo com a teoria da base do negócio, uma vez que gira sobre os motivos

incorporados à causa do negócio jurídico, não se pode deixar de considerar que, em se

tratando de erro, exige-se a incorporação dos motivos ao contrato.

505

O erro comum pode recair sobre o objeto do contrato, na identificação da coisa

ou da pessoa que a ele se refira, bem como sobre as qualidades de uma ou de outra,

como por exemplo, quando ambas as partes acreditam ser de ouro o anel de bronze

objeto da compra e venda; acreditam ser vinho o azeite contido no recipiente.

506

Nos casos de erro comum, a recognoscibilidade do erro deixa de ser requisito

para a anulação.

507

De acordo com Massimo Bianca

508

, Rodolfo de Sacco e Giorgio De

Nova

509

, não haveria confiança a ser tutelada, já que ambas as partes contratantes

celebraram o contrato com base em um erro. Em resumo: o erro comum aos

contratantes é reconhecido por cada um deles. Assim, não há confiança a ser protegida,

afastando-se a exigência da recognoscibilidade do erro pelo declaratário. Basta para que

o negócio jurídico seja anulado, a demonstração de que este é substancial, recorrendo-se

diretamente às disposições do erro contidas no art. 139 do Código civil brasileiro.

Um pouco diversa é a figura do erro bilateral. Apesar da distinção não ser

uniforme entre os juristas

510

, acreditamos que há duas distinções a serem feitas. Da

mesma forma que no erro comum, no erro bilateral ambas as partes também têm uma

falsa representação sobre um dos elementos substanciais do contrato. A diferença para o

erro comum é que no erro bilateral a falsa representação só é determinante para uma

delas. Imagine-se a situação de uma parte que compra um cavalo de um criador, sendo

505 MORALES MORENO, Antonio-Manuel. El error en los contratos. Madrid: Editorial Ceura, 1988,

p.213.

506 Os exemplos são de Vittorino Pietrobon (Errore, Volontà e Affidamento nel Negozio Giuridico. 2. ed.

Padova: CEDAM, 1990, p. 495).

507 PERLINGIERI, Pietro. Codice Civile Annotato con la dottrina e la giurisprudenza. Napoli: Edizioni

Scientifiche Italiane, 1991, p. 716: “il requisito della riconoscibilità, secondo la costante giurisprudenza del S. collegio e la dotrrina dominante, non é piú richiesto allorché si versi in ipotesi di errore bilaterale o comune, trovando in tale caso applicazione il principio dell’affidamento, per aver ciascun dei contraenti dato causa all’invalidità del negozio.”

508 BIANCA, Massimo C. Diritto Civile. Il Contrato. Milano: Giuffrè, 1987, vol. III, pp. 611-612: “nel

errore comune, riscontrabile quando entrambi i contraenti danno per vera uma circostanza falsa, la parte è appunto a conoscenza della falsa rappresentazione dell’altra.”

509 SACCO, Rodolfo de; DE NOVA, Giorgio. Il Contratto. 3. ed. Torino: UTET, 2004, t. 1, p. 534: “A

nostro giudizio, qui non manca um affidamento da difendere.”

510 Alguns autores como Francesco Messineo (Manuale di Diritto Civile e Comerciale. 9. ed. Milano:

Giuffrè, 1957, vol. I, p. 672) igualam o erro comum ao bilateral. Para Francesco Caringella e Giuseppe de Marzo, o erro bilateral é aquele na qual ambas as partes incidem em erro por efeito de uma declaração de outrem; enquanto no erro comum ambas as partes estão em erro por efeito de sua própria declaração (Manuale di Diritto Civile. Il Contratto. Milano: Giuffrè, 2007, vol. III, p. 845).

que ambas, no momento da conclusão do contrato, acreditam que o cavalo descende de

um garanhão. O erro pode ser determinante para o comprador mas não para o criador,

que estaria disposto a vender o cavalo em condições iguais mesmo não sendo filho de

quem ele pressupunha.

511

No caso de erro bilateral, a parte que invoca o erro deve demonstrar, para que

haja anulação, todos os requisitos previstos em lei para a sua observância, inclusive a

recognoscibilidade do erro pelo declaratário.

511 O exemplo foi retirado da obra de Vittorino Pietrobon (Errore, Volontà e Affidamento nel Negozio

Giuridico. 2. ed. Padova: CEDAM, 1990, p. 495. O autor relembra que “nel caso di errore bilaterale non può essere dubbia la necessità di applicare la regola di riconoscibilità, perché vi sono, nell’ipotesi fatta, due situazioni disuguali, e cioè la possibilita per una parte, e non per l’altra, di chiedere l’annullamento del contratto.”

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