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4.2 Labour market gains from graduating

4.2.1 Control variables

A análise/interpretação teve como foco principal a exploração do conjunto de opiniões e representações sociais sobre o tema investigado (GOMES, 2010). Para analisar o material coletado, utilizamos a Análise de Discurso, tradição interpretativa, fundada pelo filósofo francês Michel Pêcheux (1960), que parte de uma negação à ideia de que a linguagem é um meio neutro de refletir ou descrever o mundo. Desta forma, a maneira como compreendemos o mundo é histórica e culturalmente específica e relativa, estando entrelaçada aos processos sociais (GILL, 2008).

Segundo Orlandi (2003) e Mutti (2003), a AD não se limita a uma metodologia, é uma disciplina de interpretação fundada pela intersecção de epistemologias distintas, pertencentes a áreas da Linguística, ao deslocar a noção de fala para o discurso, do Materialismo Histórico com a teoria da ideologia, e da Psicanálise com a noção de inconsciente e descentramento do sujeito. Assim, não trabalha apenas o conteúdo traduzido, mas o sentido produzido e constituído pela interação da: 1) ideologia – sistema de ideias que constitui a representação e se reflete no posicionamento do indivíduo na formação discursiva; 2) o contexto sócio-histórico; e 3) linguagem, que extrapola a materialidade do texto com o

sentido que o sujeito pretende dar, mas incorpora sentidos pré-constituídos que são ecos da memória coletiva existentes antes do sujeito (CAREGNATO; MUTTI, 2006).

A língua não é transparente, homogênea e, como muitas vezes aparenta, possui um sentido único do enunciado, desta forma, permitindo leituras múltiplas. O sentido não é inerente à palavra, é um elemento simbólico, portanto, não é fechado, único e exato, caracterizado pela incompletude, e, por isso, o sentido pode escapar. Assim, o analista deve

buscar os efeitos dos sentidos e, para tanto, precisa sair do enunciado e chegar ao enunciável, mediante a interpretação do discurso marcado pela história e pela ideologia. Ao lançarmos mão da AD, não pretendemos nova descoberta, mas ensejar uma nova interpretação ou uma releitura, ressaltando como o discurso funciona, não tendo a pretensão do julgamento, mas de compreender os processos de formação dos sentidos e significados atribuídos às práticas e tecnologias aqui avaliadas (MUTTI, 2003; ORLANDI, 2003; CAREGNATO; MUTTI, 2006).

Na perspectiva de Orlandi (2004), a interpretação do discurso é um ato no nível simbólico ancorado na possibilidade, sendo o lugar próprio da ideologia e materializado pelos contextos sócio-históricos. Para a autora, deverá sempre existir uma interpretação para dar visibilidade ao sentido que o sujeito pretendeu transmitir no seu discurso. Na interpretação, é importante lembrar, o analista é um intérprete, que faz uma leitura também discursiva, influenciada pelo seu afeto, posição, crenças, experiências e vivências; portanto, a interpretação nunca será absoluta e única, pois também produzirá seu sentido

Para analisar os dados, adotamos os seguintes procedimentos metodológicos: após a transcrição das entrevistas, realizamos uma leitura inicial de todo o material coletado (entrevistas e observações) durante a pesquisa, para organizá-lo de modo a nos proporcionar um mapa horizontal das nossas descobertas em campo. Separamos as entrevistas dos profissionais e usuários, formando subconjuntos, visando a uma leitura que buscasse homogeneidades e diferenciações por meio de comparações e contrastes. Em seguida, classificamos os dados segundo as recomendações de Minayo (2010a). Iniciamos com uma leitura flutuante dos textos por meio da leitura horizontal e exaustiva de cada entrevista e de todos os outros documentos, fase que nos permitiu produzir as primeiras impressões como pesquisadora; aqui já se iniciou a busca de coerência interna das informações em consonância com os objetivos e questões teórico-metodológicas discutidas no estudo.

Minayo (2010) alerta para o cuidado na análise do material, seus signos, sentidos e ideias gerais dos textos. Sugere, referenciada em Bakhtin (1986), algumas regras metodológicas: 1) não separar a ideologia da realidade material do signo; 2) não dissociar o signo das formas concretas de comunicação (entendendo-se que o signo faz parte de um sistema social organizado); 3) não dissociar a comunicação e sua base material em que ela se sustenta.

Neste momento, tentamos nos aproximar das estruturas de relevância, evidenciando as ideias que tentaram transmitir os profissionais de saúde e usuárias, bem como

os momentos-chave e suas posições sobre o tema em foco. Assim, foram constituídas as categorias empíricas, com o recorte de cada entrevista ou documento em unidades de sentido por temas ou estruturas de relevância. Com o objetivo de unificar o pensamento e obter uma leitura mais ampla e coerente dos nossos resultados, reunimos as categorias ou unidades de sentido semelhantes, com o objetivo de perceber as conexões entre elas e codificando-as de acordo com um sentido mais geral que elas propunham. Várias categorias surgiram no decorrer deste processo. Em seguida realizamos a segunda categorização, com a unificação das categorias visando enxugá-las, buscando compreender e interpretar o que foi exposto como mais relevante e representativo pelo grupo estudado.

Segundo Gomes (2010), na interpretação, buscamos sentidos nas falas e ações para chegarmos a uma compreensão. Deste modo, tentou-se realizar uma análise final caracterizada por um movimento circular, que transitou do empírico para o teórico e vice- versa, onde, segundo Minayo (2010a, p.359) “dança entre o concreto e o abstrato, que busca as riquezas do particular e do geral é o que se chama, parafraseando Marx (1973), ‘o concreto pensado’.”

Ainda nas palavras da autora,

[...] a pesquisa sobre concepções de saúde e doença deve apresentar aos leitores um quadro complexo de respostas voltadas para esclarecer a lógica interna de um grupo determinado sobre o tema em pauta, quando o pensa, quando fala dele, quando se relaciona e quando a partir dele se comporta, projeta e planeja sua vida. Pois como lembra Sartre (1978), as significações que vêm do ser humano e de seu projeto se inscrevem por toda parte, na ordem das coisas e nas relações mediadas pelas estruturas enquanto ação humana objetivada. (MINAYO, 2010a, p. 359).