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6 MAIN CONTRIBUTIONS
6.2 Contribution 2: The space between design practitioners and researchers
Segundo Etienne Wenger (1998), a combinação de três elementos – o domínio, a comunidade e a prática em si - é o que constitui uma comunidade de prática e é através do desenvolvimento articulado desses três elementos que se cultiva tal comunidade.
Os elementos constituintes de uma comunidade e práticas, segundo este autor, serão apresentados a seguir.
O domínio: Uma comunidade de prática é algo mais do que um clube de amigos ou
uma rede de conexões entre as pessoas. “Ela tem uma identidade definida por um domínio comum de interesses. Ser membro implica, portanto, um compromisso com o domínio e, portanto, uma competência partilhada que distingue os membros de outras pessoas” (WENGER, 1998, p. 1, tradução nossa). O domínio não é necessariamente algo que precisa ser reconhecido como expertise fora da própria comunidade. Um grupo de jovens, por exemplo, pode desenvolver várias formas de lidar com o seu domínio, mantendo viva algum tipo de identidade. Eles valorizam a sua competência coletiva e aprendem uns com os outros, mesmo que poucas pessoas de fora do grupo, reconheçam ou valorizem seus conhecimentos.
A comunidade: “Em seu interesse no domínio, os membros se envolvem em atividades conjuntas e discussões, ajudam uns aos outros, e compartilham informações. Eles constroem relações que lhes permitem aprender uns com os outros” (Ibidem, p. 2, tradução nossa). Um site em si não configura uma comunidade de prática. Ter o mesmo tipo de trabalho ou o mesmo título, não faz dele uma comunidade de prática, a menos que os membros interajam, compartilhem as práticas e aprendam juntos. Alunos de uma escola podem ter muito em comum, porém a menos que eles interajam e aprendam juntos, eles não formam uma comunidade de prática.
A prática: Um grupo de pessoas que compartilham o mesmo interesse e se encontram
regularmente para o almoço podem não perceber que suas discussões durante estes momentos, são uma das suas principais fontes de conhecimento sobre como lidar com suas questões comuns. Ao longo dessas conversas, desenvolvem um conjunto de histórias e casos que se tornam um repertório compartilhado para a sua prática. "Os membros de uma comunidade de prática são praticantes. Eles desenvolvem um repertório compartilhado: experiências, histórias, ferramentas, formas de lidar com problemas recorrentes, em suma uma prática compartilhada. Isso leva tempo e interação sustentada" (Ibidem, p. 2, tradução nossa).
Wenger (1998) organizou um quadro, com alguns pontos presentes no cotidiano de comunidades, que permite observar formas de se relacionar no interior destas. Situações banais que indicam o estreitamento de vínculos e desenvolvimento de relações colaborativas sendo constituídas.
Tabela 1 – Exemplos típicos de atividades desenvolvidas na prática A solução de problemas
"Podemos trabalhar neste projeto e debater algumas ideias; Não consigo sair do lugar"
Os pedidos de informação "Onde posso encontrar o código para se conectar ao servidor?"
Buscando experiência "Qualquer pessoa lida com um cliente nesta situação?"
Reutilizar ativos "Eu tenho uma proposta para uma rede local que escrevi para um cliente no ano passado. Eu posso enviá-lo para você e você pode facilmente ajustá-lo para este novo cliente"
Coordenação e sinergia "Podemos combinar nossas compras de solvente para conseguir descontos em massa?"
Discutindo desenvolvimentos "O que você acha do novo sistema CAD? Será que realmente ajuda?" Projetos de documentação “É a quinta vez que enfrentamos esse
problema. Vamos registrá-lo de uma vez por todas"
Visitas "Podemos vir e ver o seu programa pós- escola? Precisamos estabelecer um em nossa cidade"
Conhecimento mapeamento e identificação de lacunas
"Quem sabe o que, e que estamos perdendo? Que outros grupos devemos nos conectar?"
Fonte: Adaptado de Wenger (1998)
Ampliando a visão do conceito de comunidade de prática, os autores que se dedicaram a compreender como as relações no interior de diferentes comunidades se davam (LAVE; WENGER, 1991 apud ANDRIESSEN, 2005; ORR, 1990 apud HOADLEY, 2012; BROWN; DUGUID, 1991 apud HOADLEY, 2012) apontam o princípio de que a aprendizagem profissional é também uma "aprendizagem situada", na qual grupos de trabalhadores co- alocados constituem a estrutura tanto para a transferência de conhecimento, como para o desenvolvimento de novas soluções e ideias inovadoras. Nesses grupos, com frequência, o conhecimento não é articulado de maneira consciente, é implícito, é tácito.
Desta forma, a participação é um elemento importante para a consolidação da compreensão da aprendizagem, e a evolução da comunidade passa a ser percebida no conjunto de relações que é constantemente renovado (LAVE; WENGER, 1991 apud ANDRIESSEN, 2005).
Os autores consideram que neste processo de geração de conhecimento, aplicação e reprodução, a participação ocorre de diferentes formas. Há as participações mais intensas, frequentes com maior atuação e intervenção e há também o que chamam de participação periférica. Destacam que mesmo as participações tímidas, desta natureza, são legítimas e importantes para a existência e desenvolvimento da comunidade. Através da participação periférica legítima, as pessoas entram em uma comunidade e, gradualmente, assumem suas práticas. Por outro lado, algumas pessoas podem participar de forma tangencial, mas ao longo do tempo, elas podem vir a estar mais atuantes na construção das práticas centrais e identidade do grupo. Esta adesão permite a estes sujeitos se perceberem como integrantes ou a aspirar a pertencer a uma comunidade em que as práticas de especialistas são centrais.