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4 Estimation in the Uncertainty Case

4.1 Consumption and Labour Supply Behaviour

Com base no conceito de práxis “como atividade prática material, adequada a fins que transforma o mundo material e humano”, defendido por Sanchez Vasquez (2007, p.234), elucida-se que a prática intencional seja uma maneira de aproximar a Filosofia dos alunos como forma possível de transformação real do mundo, já que, ao criar ambiente argumentativo em que todos possam participar com suas ideias de forma articulada, justificando-as e estabelecendo relações, há a possibilidade de encontrar acordos, ainda que provisórios, para a resolução de diferentes conflitos.

Partindo do princípio de Sanchez Vasquez (2007), entende-se que a visão de toda atividade humana se desdobra como produção de fins que prefigura idealmente o resultado real que se quer obter, manifestando-se como produção de conhecimento, isto é, na forma de conceitos, hipóteses e teorias, mediante as quais o homem conhece a realidade. Nesta investigação, comprende-se que a produção do agir crítico-reflexivo se estabelece da mesma forma.

Se o movimento da atividade aula de Filosofia estiver estritamente vinculado à interpretação e discussão dos temas, corrobora-se a concepção de Filosofia a serviço da interpretação ou contemplação da realidade, conforme criticado por Marx nas “Teses sobre Feuerbach” (1845/2004). Ao contrário disso, as performances, nas quais os sujeitos criam bases para possibilidades futuras na participação em atividades do mundo social, inserem atuações aliadas à imaginação, para que os sujeitos envolvidos possam experimentar aquilo que outros vivenciam em determinada cultura. Tal procedimento é, portanto, a representação da “vida que se

vive” (MARX e ENGELS, 1845/2004, p. 260), estabelecendo-se uma relação referendada entre o refletir e o agir.

A partir dessa ação, é possível criar oportunidades para que os alunos assumam papéis ainda não experienciados na vida real, caracterizando, assim, a sala de aula como um espaço de viver o mundo ou a vida como ela é. Nas palavras de Liberali (2008), baseada em Marx, a vida vivida na escola é entendida como uma rede de atividades, que se ocupa da discussão do sujeito no mundo agindo e fazendo história, inserindo professores e alunos como sujeitos em constante relação na produção criativa de novos artefatos culturais.

Segundo Vygotsky (1982), os processos criadores infantis se refletem, sobretudo, no faz-de-conta. Nesta pesquisa, as performances representam essa atuação imaginária, porque, por meio delas, as crianças (re) elaboram a experiência vivida em seu meio social, edificando novas realidades de acordo com os seus desejos, necessidades e motivações. A faculdade de combinar o antigo com o novo, assinalada por Vygostsky (1834/2009), é o que lança o sujeito para a atividade criadora tipicamente humana. Essa aquisição não é dada biologicamente, mas aprendida pelo indivíduo ao longo de sua inserção na cultura.

A imaginação, destacada por Vygotsky (2003), é tomada como função mental superior14, ou seja, é consequência do uso da linguagem verbal. O aprendizado desse meio de comunicação, por meio das palavras, concebe necessariamente uma nova forma de pensamento psíquico: o pensamento verbal. Isso corresponde a dizer que sem o pensamento verbal não pode haver imaginação.

Esse teórico explica que a imaginação ou fantasia nutre-se de materiais tomados da experiência vivida pela pessoa. A partir disso, Vygotsky (2003) postula a principal lei a qual se subordina a função imaginativa: quanto mais rica for a experiência humana, tanto maior será o material colocado à disposição da imaginação. Dessa lei, portanto, pode-se concluir a importância das ações pedagógicas em ampliar a experiência cultural da criança, para fornecer-lhe uma base suficientemente sólida, pela qual ela venha a desenvolver amplamente sua capacidade criadora.

14 Ou Funções Psicológicas Superiores – ações conscientes, recursos usados pelo homem, para o

desenvolvimento de seu desempenho e das estruturas psicologias: percepção categórica, atenção voluntária, memória, pensamento.

Nessa mesma trajetória, este estudo busca evidenciar que quanto mais amplas e significantes forem as experiências vivenciadas pelas discussões antes e pós-performance, nas aulas de Filosofia, maiores serão as possibilidades de competências argumentativas e de referenciais para tomada de atitudes na “vida que se vive”; Esses referenciais e experiências não são determinantes das ações dos sujeitos, porém, permitem que ações tomadas na vida real sejam refletidas e planejadas.

Trata-se de caracterizar a Filosofia, como demonstra Sanchez Vazquez (2007), por sua vinculação consciente como uma práxis revolucionária, como guia de transformação do mundo, ou seja, a Filosofia relacionada, conscientemente, à prática torna-se um instrumento teórico de transformação da realidade.

Segundo Gentili (2001), as reflexões filosóficas envolvem valores que são expressos pelos sujeitos atuantes por meio de suas ações e práticas. Para ele, valores e atitudes que definem a cidadania são resultados de uma ação conjunta em movimento constante, na qual há espaço para consensos e dissensos.

Esse autor defende a ideia de que a cidadania é constituída socialmente, sendo sempre uma construção comum, nunca um estado final. Nessa perspectiva, a formação da cidadania supõe a possibilidade de oportunizar voz e vez aos sujeitos sociais, para que questionem, pensem, critiquem, assumam valores, normas e direitos existentes. Considerando, portanto, que a cidadania implica uma ética cidadã, a questão fundamental é como definir ações pedagógicas dentro ou fora da escola para desenvolvê-la. Cabe lembrar que a ação educativa jamais é neutra, mas tem um caráter político, que pressupõe pensar em valores, normas e direitos que configuram a práxis cidadã e, por consequência, a práxis educativa.

Neste estudo, entende-se a argumentação colaborativa como uma forma para criação de cidadania, em outras palavras, na aula de Filosofia, a argumentação não envolve disputa, mas cria possibilidades de: respeitar os pontos de vista dos outros; respeitar a vez dos outros e exigir o mesmo respeito pela sua própria vez; respeitar as regras da comunidade de investigação; perceber que as regras podem ser discutidas e modificadas, atendendo necessidades; perceber que todo ser humano é digno de respeito. A explicitação da aula, conforme caracterização acima mencionada será discutida na próxima seção.