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Constructing messages

4 Analysis

4.4 Summary of cases

4.6.2 Constructing messages

Os dados bibliográficos retirados de Oliveira e Albuquerque (2005) apontam que após o evento intrusivo do Granito Teles Pires na suíte vulcano-sedimentar Colíder, ocorreu um evento transtrativo responsável pela formação da Bacia Beneficente, esta controlada por vezes por megazonas transcorrentes de direção EW a NW-SE, advindas possivelmente de reativações das feições estruturais herdadas da evolução do Arco Magmático Juruena, e sua deformação rúptil ocorre segundo zonas de cisalhamento descontínuas, confinadas, sendo que os cisalhamentos de movimentação destral possuem orientação NS e os de movimentação sinistral possuem as direções NW-SE e EW. Durante o Período Jurássico (180 Ma) ocorreram intrusões de diques de diabásio de direção preferencial NW-SE.

Observações realizadas em mapa pertencente ao mesmo relatório (Oliveira e Albuquerque, 2005) mostram que o rio na área pesquisada encontra-se encaixado em uma falha destral, com rejeito aparente em mapa, que se encontra confinada entre duas zonas de cisalhamento sinistrais, que pelo observado (Figura 36) não possui rejeito distinguível na escala do mapa. Por estar em tal confinamento estrutural, se esperaria que o rio fosse controlado por uma das falhas geradas de acordo com o modelo de Riedel, porém o único segmento dele deste confinamento que obedece tal estruturação é a porção do rio de orientação NE-SW, sendo uma falha R’ de Riedel. Essa observação implica que a direção NS observada no rio deve ter se formado em um evento independente das falhas de cisalhamento que confinam o bloco, porém não é possível situar temporalmente tal evento.

Figura 36: Configuração Estrutural ao qual o maciço granítico encontra-se submetido (N na direção

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Passando para uma visão mais local, a área de escavação dos túneis é constituída por 3 litologias, um monzogranito rosa, porfirítico grosso-muito grosso de matriz média-fina na região de emboque dos túneis, um granodiorito cinza, fanerítico médio-fino na região de desemboque dos túneis, e diques métricos de microgabro encaixados em fraturas presentes nos granitos (Figura 37).

Figura 37: Dique de microgabro encaixado na fratura do granito, de direção NW-SE.

Observações de campo, principalmente na região do emboque dos túneis por ser a mais crítica, possibilitaram a observação das fraturas sub-horizontais alteradas (Figura 38), de espessura centimétrica (Figura 39), com lentes de caulinita alongadas e delgadas, e grãos de quartzo por vezes estirados, o que sugere que a ocorrência de uma movimentação cisalhante nestes planos, que teria favorecido a alteração.

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Figura 39: zona alterada dentro de uma fratura sub-horizontal

Outra evidência de movimentação cisalhante é a presença de um dos diques de microgabro encaixados em uma das fraturas de direção NW-SE apresentar um fraturamento sigmoidal a losangular, e uma suave foliação (Figura 40), mais marcada pelos planos de fratura. Não é possível, porém, situar cronologicamente o período de intrusão (por volta de 180 Ma, conforme bibliografia) com o período de movimentação das falhas, de maneira que o dique pode ter intrudido durante a movimentação e ter sido cisalhado durante o resfriamento ou pode ter sido deformado após já ter ocorrido o resfriamento em um evento posterior. Outra observação relevante quanto ao mesmo dique, é que a densidade de fraturamento da rocha granítica é diferente em cada um dos lados do dique.

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A análise microscópica de amostras destas litologias revelou que as amostras dos

granitos apresentam cristais de quartzo quebrados, fragmentados, trincados e recristalizados parcialmente, comumente formando mimerquitas (Figura 12.a), e os cristais maiores que estão em melhores condições apresentam extinção ondulante. Os feldspatos, tanto o potássico quanto o plagioclásio, encontram-se pouco alterados, fragmentados, raramente apresentam suas geminações características e ocorrem englobando os cristais fragmentados de quartzo.

A análise microscópica do microgabro mostra que o dique encaixado nas fraturas, apesar de aparentar cisalhado, por causa de suas fraturas internas, apresenta essa feição na lâmina petrográfica, podendo ser sinal de intrusão na zona de falha ou fratura pré- existente conforme o ilustrado na micrografia da Figura 14. No entanto, mais adiante o dique apresenta um dos lados estriados e alterado indicando recorrência de falhamento.

As feições de deformação rúptil observadas nas lâminas petrográficas, juntamente com o estudo bibliográfico e as observações de campo, nos permite supor que as movimentações transcorrentes regionais se processaram em diferentes fases e com recorrência inclusive no Fanerozóico.

Essas movimentações e os esforços por elas responsáveis foram os responsáveis pelo atual padrão de fraturamento observado na área de estudo. O modelo estrutural tridimensional (Apêndice 9) foi seccionado por 9 seções, que seguem alinhadas as sondagens realizadas na área, gerando os perfis estruturais do Apêndice 11. Estes perfis estruturais, juntamente com as informações litológicas de cada sondagem, foram utilizados na elaboração dos perfis geológicos (Apêndice 12). As análises destes perfis geológicos elaborados já ilustram a diferença entre a qualidade da rocha do emboque e do desemboque com maior fidelidade a realidade, além de permitir a determinação das direções das zonas muito alteradas e/ou muito fraturadas nos testemunhos, não se limitando a interpretação somente de zonas horizontalizadas de alteração, que por mais que ocorram de fato, não devem ser preteridas em favor das fraturas com demais inclinações, a partir do momento que se conhece o comportamento das famílias de fraturas. Estas por sua vez, tendem a ir diminuindo de espessura de alteração até passarem ao contato rocha-rocha conforme se segue para dentro do maciço rochoso e mais distante do rio.

Com os perfis geológicos e estruturais propostos e as demais análises citadas anteriormente, pode-se gerar algumas hipóteses quanto à gênese de algumas das feições estruturais presente neste maciço rochoso. A primeira delas seria relativa à diminuição das zonas de alteração para dentro do maciço: as tensões de alívio do maciço granítico próximo a calha do rio tendem a ser maiores, pois como o rio já se trata de um plano de fraqueza, o maciço teria maior mobilidade próximo ao mesmo, fazendo assim que as fraturas sub- horizontais fiquem mais abertas. A segunda, e mais intrigante delas, é a relativa à presença

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de fraturas alteradas, oxidadas e espessas abaixo do nível freático mínimo da região, considerado na cota 160 m, por ser a cota da lamina d’água do rio durante o período de seca na região. Para que ocorra a oxidação é necessária à presença de oxigênio em uma concentração superior a presenta na água que percolaria por essas fraturas, logo ou em algum momento o nível freático esteve variando bem abaixo do mínimo atual, permitindo a entrada de oxigênio durante a seca, ou estas fraturas em algum momento estiveram acima do nível freático, ou algum fluido rico em oxigênio percolou por elas propiciando alterações com tais características, o que pode ser sugerido pela presença de veios de quartzo (Figura

41).

Figura 41: veio de quartzo alterado (próximo ao Ponto TTP-03)