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Na primeira metade do século XX as sinagogas de são Paulo se concentravam principalmente no bairro do Bom Retiro o qual acolheu o maior numero de imigrantes judeus, principalmente os asquenazitas. Já os sefaraditas se concentraram nos bairros operários da Mooca e do Brás (Mizrahi, 2003), lá fundaram suas sinagogas, porém as- sim como as do Bom Retiro sofreram um esvaziamento com a migração dos judeus para os bairros de classe media alta (Rattner, 1977).

A primeira sinagoga fundada na cidade de São Paulo foi a Sociedade Religiosa

Beit hakenesset Adat Ischurum, na Rua Prates 408, casa 8, foi fundada em 1908 por judeus poloneses que se refugiaram no Brasil ainda antes da 1ª Guerra Mundial.

Vieram a seguir:

A Sinagoga Comunidade Israelita de São Paulo — Kahalat Israel, fundada no ano de 1912, na Rua da Graça 160, também no bairro do Bom Retiro.

A Sociedade Israelita Paulista — Knesset Israel — Groisse Shill, fundada em 22 de novembro de 1916, no Bom Retiro. Funcionou na Rua Newton Prado, 176, até o ano 2006, quando seu edifício foi incorporado à instituição beneficente Ten Yad, onde man-

de. Atualmente a Knesset Israel funciona na Avenida Angélica, 579, sob a liderança do rabino Motl Malowani; seu público não é formado apenas por asquenazitas, mas de ju- deus de origem sefaradita que se concentram no bairro de Higienópolis desde a década de 1970.

A Congregação Israelita Asquenazita — Templo Beth El, fundada em 22 de ju- nho 1920, é uma construção imponente na Rua Martinho Prado, no centro de São Paulo; o projeto é do arquiteto Samuel Roeder (Wolff, 1988). Foi em sua construção que o concreto armado foi usado pela primeira vez em São Paulo. Atualmente passa por re- formas e sediará o Museu Judaico Brasileiro.

A Congregação Religiosa Israelita Paulista, fundada em 1961, fica na Rua Mi- nistro Rocha Azevedo, 1102 casa 14, e é frequentada pelos judeus ultra-ortodoxos as- quenazitas que vivem na região dos Jardins.

O Centro Israelita Brasileiro de Cambuci, situado na Rua Teixeira Mendes, 54, foi fundado no ano de 1941 por judeus oriundos da Síria, e hoje é liderada por rabino formado na linha Habad/Lubavitch e agrega judeus sefaraditas e asquenazitas do bairro.

A Sinagoga Religiosa Israelita da Penha, à Rua Dr. Raul da Rocha Medeiros, 99, e a Sinagoga Israelita da Lapa (ligada à Escola Theodor Herzl hoje inexistente) fica na Rua George Schmidt, 183.

No bairro da Mooca, onde os imigrantes sírios e libaneses se estabeleceram, ha- via duas sinagogas na Rua Odorico Mendes: uma no número 174, a Sinagoga Israelita

Brasileira, e no número 380, a Sociedade União Israelita Paulista, essa ligada ao grê- mio Monte Sinai, que fundou em 1971, a Congregação Monte Sinai, na Rua Piauí 624, no bairro de Higienópolis. Seu público fiel é formado por descendentes dos sírios, mas a

esses se juntaram também judeus egípcios descontentes com a rigidez ortodoxa adotada pelo rabino Isaac Dichi na sinagoga fundada por essa comunidade.

A Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob, situada na Rua Arthur Azevedo, 1781 foi fundada em 1937, por imigrantes húngaros asquenazitas.

A Sinagoga Ohel Yaakov, ou Templo Israelita Brasileiro do Rito Português Sha-

ar Hashamaim da Rua da Abolição 457, foi fundada em 1924 e ficou conhecida como a sinagoga da Abolição. Fundada por imigrantes turcos e gregos, agregou todas as comu- nidades de imigrantes sefaraditas que chegaram a São Paulo até a metade do século XX. Em 2000 foi demolida, e no momento seus fieis se reúnem no salão da sede da Bnei

Brit, na Rua Caçapava, 105, até que sua nova sede no bairro dos Jardins fique pronta. Atualmente é liderada pelo rabino Garson. Localizada na região dos Jardins, agrega judeus sefaraditas, incluindo egípcios residentes nessa região.

A Congregação Beneficente Sefardi Paulista, fundada por imigrantes vindos de Alepo, atual Líbano, foi fundada em 1960. Sua sede na Rua Bela Cintra, 801, foi por muitas décadas a sinagoga escolhida para os casamentos da coletividade, fossem asque- nazitas ou sefaraditas, isso por causa de sua arquitetura imponente e de um longo corre- dor que leva ao altar. Essa sinagoga continua funcionando para serviços regulares, mas um templo ainda mais suntuoso com instalações confortáveis foi inaugurado nos anos 2000 na Rua Veiga Filho, Higienópolis, com o importante apoio da família Safra. É lá que se realizam os casamentos dos judeus sefaraditas ricos, vale destacar que uma taxa administrativa é cobrada para o uso da sinagoga e do salão de festas, taxa que varia se forem incluídas as contratações do cantor litúrgico e do rabino.

juntaram àqueles que já viviam por lá. Foram seguidos por aqueles que viviam nos bair- ros de Campos Elíseos e Santa Cecília. Num rápido passeio pelo bairro percebemos que esse é o atual bairro judaico da cidade de São Paulo47; nele se concentram escolas, a- çougues e mercearias judaicas, peixaria com utensílios exclusivos para a clientela judai- ca, serviços de banho ritual, lavanderia de talit, escola religiosa para meninos e outra para meninas além de colel (centro de estudos judaicos para meninos) e ainda uma ie-

shivá. Numa observação mais cuidadosa, percebemos que é o número de sinagogas que mais chama a atenção. Desde a fundação da Congregação Mekor Haim em 1967, pri- meira sinagoga do bairro na Rua São Vicente de Paula, o número não para de crescer. De acordo com a Federação Israelita do Estado de São Paulo, são 55 sinagogas em ati- vidade na cidade, sendo 15 em Higienópolis.

Desde finais dos anos 1980, Higienópolis agrega também um grupo importante de judeus ortodoxos, famílias formadas por jovens asquenazitas vindos de outros bairros da cidade ou de outras capitais como Rio de Janeiro, Belém do Pará ou mesmo do exte- rior como Argentina, Israel ou Estados Unidos. Assim vemos não apenas congregações que migraram da Mooca ou do Bom Retiro, mas também o estabelecimento de novas congregações de orientação ortodoxa como, por exemplo, a sinagoga do movimento ortodoxo Bniam Olam, na rua Emílio de Menezes, 38, em Higienópolis.

Ainda há a Bait, à Rua Baronesa de Itu, 438, em Higienópolis, criada pelo rabino Isaac Michaan que já havia liderado a congregação Monte Sinai, fundou sua própria sinagoga em 2005 com o apoio da rica comunidade síria-libanesa (Guertzenstein, 2008). O que mais chama atenção além de seu projeto arquitetônico diferenciado repleto de

47 O site http://www.koshermap.com.br/home além de trazer um mapa dos estabelecimentos onde é pos- sível encontrar produtos casher faz, ainda, um apelo para que se prestigie os estabelecimentos, os serviços e os lojistas membros da comunidade.

obras de arte e simbolismos judaicos, é o fato do rabino Michaan compartilhar o púlpito com o rabino asquenazita Yerachmiel Belinow.

A proliferação de novas sinagogas em bairros como Pompéia, Santana, Vila Ma-

riana ou Morumbi se deve ao trabalho do movimento Habad Lubavitch. Mas, atrair oca- sionalmente um público para serviços religiosos ou atividades culturais não significa fidelizá-lo à congregação. Esse movimento é muito mais um comprometimento com a sinagoga do que comprometimento com a religião. E como no judaísmo comprometi- mento religioso ocorre na prática e na obediência de uma multiplicidade de regras, mesmo havendo um crescimento da frequência nas sinagogas, não significa que uma parcela significativa da comunidade judaica esteja disposta a adotar o modo de vida do praticante do judaísmo. Isso explicaria a resistência na fidelização, preferindo o não comprometimento com a sinagoga.

Em 1936 foi fundada a Congregação Israelita Paulista, CIP, por judeus alemães liderados pelo rabino Fritz Pinkus. Primeira sinagoga liberal em São Paulo, localiza-se hoje à Rua Antônio Carlos, 653, bairro de Cerqueira César. Por trinta anos foi liderada pelo rabino Henri Isaac Sobel.