Chapter 2 Theory
2.7 Consolidation and Creep…
Macedo de Cavaleiros teve a sua origem num aglomerado que povoou a aldeia de Macedo, a partir do Século XII, localizada no núcleo atualmente denominado como Prado de Cavaleiros. Este núcleo iniciou a ocupação da encosta a partir de um moinho e da ribeira. O prado era atravessado por caminhos que faziam parte das rotas do distrito de Bragança, constituindo-se como um ponto de convergência. Ver Figura 9. No Século XVII surgiu outro núcleo em volta da Igreja de São Pedro, construída no mesmo século. Esta localizava-se no largo com o mesmo nome onde terminava a rua retilínea iniciada no Prado, para sul. Com a alteração de traçado mas no seu seguimento, construiu-se o cemitério velho, a caminho de Castelãos. No mesmo período, foi construído o Solar dos Morgados de Macedo a caminho de Cortiços, a Sudoeste do Prado de Cavaleiros. Era uma casa com quinta mas isolada do aglomerado inicial. O Prado e estes dois núcleos, su se ue tes,à aliza a à aà p i ei aà expa s oà deà Ma edo.à Esteà t i gulo à at avessado,à sensivelmente a meio pela Ribeira, permaneceu inalterado durante quase dois séculos, consolidado com um preenchimento relativamente lento. (Cardoso, 2005). Ver Figura 10.
Até à elevação de Macedo a sede de Concelho, em 1853, o crescimento do aglomerado verificou-se de modo lento e oneroso ainda que constituísse ponto de passagem para trocas comerciais e expedição de produtos agrícolas locais e provenientes dos aglomerados que ainda hoje fazem parte do Concelho. Este aspeto refletiu-se positivamente na Vila no Século XIX.
Figura 10. Dinâmicas do crescimento urbano. 1.ª Fase de Expansão. Entre Séculos XVII e XIX.
O Largo das Eiras, inicialmente Eira dos Morgados, depois Praça das Eiras era propriedade privada usada pela população, nomeadamente para ocasiões de feira. Gradualmente constituiu-se um núcleo comercial importante para os comerciantes locais e de fora que aí se estabeleceram de modo permanente, mantendo-se como local de feiras e mercados ocasionais (Cardoso, 2005). O Largo das Eiras não resultou de uma localização não estruturada, configurando-se na extensão do centro e na bifurcação de dois caminhos muito importantes: Cortiços - Travanca, Pinhovelo e Sezulfe. Ver Figura 11.
No final do Século XIX, estava consolidado o núcleo comercial localizado na Praça das Eiras e o núcleo administrativo, atual Praça Agostinho Valente. O Largo do Toural complementava a Praça das Eiras. Neste realizava-se a feira de animais, antes localizada nas Eiras, mas transferida por motivos de higienização e de espaço. A feira era realizada no terreiro do Toural permanecendo neste local até à década de 1960, sendo transferida nesta altura, para as imediações da Cooperativa.
A viragem de século foi marcada pela inauguração do Antigo Edifício da Cadeia Comarcã localizada no atual Jardim 1.º de Maio. A cadeia foi depois transferida, na década de 1940, para novas instalações localizadas na estrada que estabelecia a nova ligação a Sezulfe, onde atualmente está sedeada a Guarda Nacional Republicana.
Com a mudança de estatuto político foi conquistada, na década de 1910, a localização da Estação do Caminho-de-ferro. Embora inicialmente prevista para as imediações a sul do Largo das Eiras, por motivos de custo de terraplanagens e de interesses de proprietários, foi localizada na intersecção do Caminho para Castelãos, depois do cemitério. Este novo eixo constituiu uma nova dinâmica no crescimento da Vila. O desenvolvimento que o progresso e o movimento de pessoas e principalmente de bens inerentes à Estação dinamizaram esta nova artéria. Aqui, instalaram-se edificações maiores como celeiros, armazéns, habitações com comércio e habitações com características de solares. Após a sua construção, esta via teve várias designações atribuídas, com diferentes hierarquias . Desde Rua a Avenida, o nome estava associado à característica predominante da época: Caminho de Castelãos, pela localização na via de acesso a Castelãos, Rua da Estação ou Avenida da Estação, atribuída pela existência da Estação do caminho-de-ferro, no limite a sul desta artéria e Carçolândia justificada pela presença de muitos comerciantes provenientes de Carção, concelho de Vimioso. Atualmente, a designação oficial é Avenida D. Nunes Ávares Pereira, apesar de continuar a ser conhecida como Rua da Estação. Ver Figuras 11, p. 66 e 35, p. 108.
Figura 11. Dinâmicas do crescimento urbano. 2.ª Fase de Expansão. Transição do Século XIX para o Século XX.
A toponímia oficial desta Avenida deveu-se ao facto de a primeira revista às tropas na história do exército português foi feita na Vilariça por D. Nuno Alvares Pereira e ficou conhecida como o Alardo da Vilariça. Após este ato, uma das alas deste exército veio acampar a Castelãos. (Cardoso, 2005, p.20)
No início do Século XX, em 1910 foi construído o Hospital Civil de Macedo de Cavaleiros e assistiu-se à chegada do primeiro avião à Vila, a 26 Julho de 1922. Neste período, decorreram obras de abastecimento de água e pavimentação de estradas e a Vila iniciou uma transformação urbana muito rápida, comparativamente com o seu processo de desenvolvimento em finais do Século XIX. Ver Figuras 7, p. 58 e 12, p. 68.
O Campo de Aviação reuniu as melhores condições de utilização na década de 1930 após grandes terraplanagens e obras de beneficiação, dispondo de duas pistas. Contudo, foi desativado na década de 1980, com o argumento da sua deslocação para Morais, o que nunca se verificou. O local é atualmente ocupado pelo Estádio Municipal, Quartel dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros e ainda pelo Heliporto, de construção recente. Ainda no início do Século XX, a Vila cresceu nas imediações a Noroeste do então núcleo administrativo, nomeadamente pela construção de novas habitações na rua que ligava o centro ao novo edifício da Cadeia, localizado na entrada norte da Vila. Foi também construída a Rua Infante D. Henrique, objeto de planeamento urbanístico, por iniciativa do proprietário do Solar Costa Macedo, atual Casa Falcão, localizada no limite sul da via. Surgiu ainda o Bairro habitacional localizado no alçado posterior do cemitério, cuja desig aç oà seà deveuà aoà a a pa e toà doà à deà I fa ta iaà oà es oà lo al (Cardoso, 2005,p. 31). Entre a década de 1930 até à década de 1960 realizaram-se um vasto plano de obras. Entre estas, destacou-se o novo edifício dos Paços do Concelho, com maior visibilidade e impacto dado pela nova localização. Foram construídos novos edifícios e desenvolveram-se infraestruturas, nomeadamente a canalização e cobertura da Ribeira que atravessava a Vila.Ver Figura 13, p. 70, Figura 20, p. 80 e Figura 22, p. 84.
O Arquiteto Arménio Losa elaborou, de 1945 a 1951, vários estudos da Vila de Macedo, para conceber o Anteplano de Urbanização de Macedo de Cavaleiros, datado de 1952 e abordado especificamente no Capítulo 3 desta Dissertação.
Na década de 1960 o número médio de pessoas por agregado familiar no Concelho de Macedo de Cavaleiros era superior ao do Distrito de Bragança. Este facto pode ser interpretado como sinal de prosperidade, justificando a transformação que ocorreu em Macedo durante um período inferior a um século, durante o qual a expansão do aglomerado urbano acompanhou o crescimento demográfico.
A par da ação do Município, o Estado e as entidades locais de utilidade Pública, desenvolveram uma ação colaborante da mais alta valia, instalando na Vila novos serviços e constituindo novos edifícios, entre os quais se destacam a Administração Florestal, a Estação Pecuária de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Nova Cadeira Comarcã, a Casa dos Magistrados, o edifício dos C.T.T., as Escolas Primárias, o Dispensário Antituberculoso, o edifício dos Socorros Mútuos, os celeiros da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, os Armazéns do Grémio da Lavoura, o Campo de Jogos, o Aeródromo e as novas instalações do Hospital da Santa Casa da Misericórdia. (PGUMC, 1976, 33). Ver Figura 7, p. 58.