3 CJEU CASE LAW: C-101/01 (LINDQVIST)
3.4 Implications
3.4.3 Consequences
A Animação Hoteleira, aparece nos nossos dias como uma necessidade imprescindível, se tomarmos em consideração as Novas Motivações no Turismo. As unidades hoteleiras de vanguarda, tiveram que se adaptar às mudanças operadas na sociedade, indo ao encontro duma clientela que deixou de estar somente interessada num quarto ou apartamento confortável, ou comodamente sentados num restaurante com serviço impecável, para exigir também um complemento diferente, que ocupe os seus
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_______________________________________________________________________________________ Paulo Almeida Página 71 tempos livres, sem pressões e com liberdade para escolher o que pretende fazer. Possibilitando assim, o aumento das taxas de ocupação e rentabilidade dos diferentes departamentos que compõem uma unidade.
A Hotelaria teve então que conseguir os meios, as instalações, o pessoal necessário para corresponder cabalmente a estas necessidades, implementando programas de animação, não só a nível desportivo, mas também cultural, quando ao mesmo tempo reformulava os seus serviços e incentivava o seu pessoal, para um apoio mais directo à clientela Animando-os verdadeiramente.
A Animação Hoteleira passa em primeiro lugar, pelo comportamento do pessoal dos diversos departamentos operacionais, na eficácia dos serviços que prestam, das estruturas complementares que apresentam, conjugando esforços para que haja uma comunicação constante entre os clientes, serviços hoteleiros e as actividades postas à sua disposição.
Elaborando uma definição de animação hoteleira e com base em vários autores, Chaves y Mesalles (2001) e em Blanco (s. d.), podemos afirmar que animação hoteleira
“É o conjunto de acções sociais que um estabelecimento hoteleiro leva a cabo de uma forma programada, organizada, avaliada e continuada, com o fim de complementar o bem estar dos seus clientes. Assenta na criação de uma estrutura que transmita tranquilidade e distracções complementares aos serviços clássicos hoteleiros. Além das actividades de grupo deve assegurar o divertimento e a distracção”.
A oferta de animação, deverá conter determinados ingredientes para que possa ser aceite positivamente pelos clientes das unidades hoteleiras. O número de animadores e a forma de programar, tendo em conta os seus tempos livres dos clientes, a originalidade, a atenção que se deve prestar aos diversos tipos de clientela (consoante a sua idade, nacionalidade, personalidade), são factores que irão potenciar o interesse destes clientes pela unidade hoteleira onde estão alojados, fazendo com que fiquem mais tempo e automaticamente despendam mais dinheiro nos departamentos onde essa animação se realiza. Aliás, o grande objectivo dessas unidades é o incremento das receitas dos departamentos através de uma boa componente animação.
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Passando a enumerar algumas considerações sobre a Animação nas Unidades Hoteleiras, temos em conta algumas das características e problemas que podem surgir na programação, com base em Chaves y Mesalles (2001):
- Entretenimento dos hóspedes dentro do empreendimento turístico/hoteleiro, oferecendo-lhe a todas as horas do dia, numerosas e diversificadas actividades recreativas vocacionadas para os mesmos;
- Não é suficiente organizar as iniciativas e esperar que os hóspedes adiram espontaneamente, é necessário cativa-los a participarem;
- Animação nas unidades nunca é obrigação ou responsabilidade, é sim prazer, espontaneidade, divertimento, inter-relação, animação;
- Os programas do dia deverão ser expostos nos locais mais frequentados do empreendimento, de modo a que possam ser visionados em pleno por todos os clientes;
- Os programas podem e devem ser anunciados por vídeo, projector, circuito rádio interno, etc.;
- Os programas devem conter ingredientes que possam motivar os clientes levando- os a participar;
- Durante as actividades nocturnas, dever-se-á anunciar os programas do dia seguinte, pois a noite é o prime-time da animação;
- Só a promoção adequada e eficaz das iniciativas produz sucesso.
A animação nas unidades hoteleiras tem de ter em conta determinados objectivos, essenciais para a viabilização económica do investimento realizado. Também com base nos autores espanhóis, Quintas y Castaño (1998) e Chaves y Mesalles (2001), a animação deve procurar a:
Diversão – Procurar que as pessoas se divirtam enquanto estão alojadas na unidade
hoteleira;
Integração – Procurar integrar os clientes na cultura da unidade hoteleira, na
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Ocupação – Manter os clientes ocupados durante os tempos mortos da sua estadia; Participação – Motivar os clientes através de promoção adequada, levando-os a
participar nos programas de animação elaborados, criando assim alguma interactividade entre o hotel e o cliente;
Tranquilidade – Procurar que os programas de animação, mesmo por vezes sendo
muito dinâmicos, ofereçam alguma tranquilidade aos participantes, levando-os a esquecer o que os espera no regresso;
Diversificação – Diversificar ao máximo os programas de animação, permitindo ao
cliente a experimentação de várias actividades, interferindo directamente com a sua rotina diária;
Interacção – A abertura dos programas, devem permitir que diferentes tipos de
clientes possam interagir em simultâneo, coagindo assim as suas diferenças culturais;
Pedagogia – Os clientes ao participarem nas actividades de animação tem que
sentir que estão a adquirir algum tipo de saber, cultural, artístico, desportivo, gastronómico, tradicional, histórico, etc.;
Fidelização – Toda a interactividade criada, tem por objectivo o aumento da
cumplicidade entre o cliente e o hotel, por forma a que a sua relação se mantenha no futuro.
Numa altura em que cada vez mais o horário de trabalho tem tendência a diminuir, surge a grande oportunidade do turismo, através de actividades de recreio capazes de ocupar algum desse tempo disponível. Não é de estranhar, que cada vez mais as unidades hoteleiras se apetrecham de actividades de animação, para fazer face à concorrência e às adversidades da economia mundial. “Cada vez mais a agressividade e competição entre
países turísticos da nossa área tornou a animação num elemento característico e diferenciador, que ajuda a nossa melhor infra-estrutura e o nosso maior profissionalismo a continuarem mantendo a vanguarda dentro do mundo turístico e recreativo a nível europeu e mundial.” (Blanco, s. d.).
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O tempo disponibilizado ao turismo, vai ser cada vez mais ocupado por actividades de animação dinâmicas e atraentes, já ninguém se satisfaz unicamente com sol e com os preços baixos. “Do homem português, da sua cultura e das suas paisagens provém os
valores mais nobres que podemos dar a uma Europa sem fronteiras. Não acredito que possa o turismo sobreviver em Portugal sem o esplendor das belas paisagens, sem o aconchego das casas típicas, ... Este é o ouro da nossa animação.” (Guedes, s. d.).
Figura 2.10 – The Relationship Between Time, Leisure, Tourism and Recreation
Fonte: Tribe (1999, p3)
A animação, consegue criar e desenvolver hobbies e acções que noutro tempo e noutro lugar, eram difíceis de levar a cabo. A animação hoteleira, consegue pôr em prática programas que se adaptam às infra-estruturas, por forma a dotá-las de capacidades que vão de encontro às necessidades dos clientes desejados.