Os eventos desportivos, são uma realidade emergente, do novo turismo. Novo turismo, muito virado para a participação activa nos destinos eleitos. “O desporto inclui-
se, na actualidade, entre as principais razões da deslocação de pessoas seja para assistir a espectáculos desportivos seja para a prática de uma actividade de carácter desportivo.”
(Cunha, 2001, p283). As deslocações, relacionadas com o desporto, são hoje muito importantes, pelo movimento que geram em torno dos destinos e, pela ajuda que concedem ao desenvolvimento desses mesmos destinos. “In some areas, recreation and sports
facilities may be expressly developed to attract tourists, in other places, they are developed primarily for local use but also attract tourists for major events, and some are developed as secondary or complementary attractions, such as golf courses and tennis canters in beach resorts.” (Inskeep, 1991, p88).
Para Youell (1994, p5.2) os eventos desportivos são tão importantes, “By their very
natural, sports events are outside the normal activities of most leisure and tourism organisations. While this undoubtedly creates opportunities for the organisers, it can also lead to problems, particularly if the event is poorly planned or badly managed.”.
Para um profissional do desporto, “Os eventos desportivos, são essencialmente
experiências subjectivas, de difícil mensuração, onde praticantes e espectadores são parte integrante do acontecimento. Os eventos são heterogéneos, dependem de quem os fornece e do dia em que são produzidos, o que coloca sérias dificuldades a qualquer controlo de qualidade.” (Correia, 2001, p10).
Um evento desportivo implica a gestão de processos, economicamente significativos, obriga a um conjunto alargado de parcerias e compromissos, nacionais e internacionais, de alianças internas e externas. “Em termos da comunidade, um evento
tem de ser encarado, explorado e desenvolvido pensando-se nos benefícios que pode trazer ao nível da promoção turística, valorização política, receitas fiscais, rentabilização de estruturas locais, dinamização da economia e desenvolvimento do desporto.” (Correia,
2001, p10). Do ponto de vista das pessoas que participam, activa ou passivamente, os eventos desportivos só podem ser geridos e promovidos como algo verdadeiramente excitante, capaz de proporcionar momentos únicos de prazer.
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Se quisermos dar alguns exemplos de eventos desportivos, organizados e explorados em prol do turismo, podemos começar por referenciar os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de Futebol, outros torneios ou corridas de automóvel. Aqui existe ocupação, só por parte dos desportistas, “Neste caso o desporto surge como um
espectáculo em relação ao qual os viajantes assumem atitude passiva.” (Cunha, 2001,
p52). No entanto, enquanto espectadores, podem ser turistas nesse destino e assim, terem uma atitude mais activa, cabe às unidades hoteleiras, neste caso, proporcionar actividades desportivas que complementem a sua estadia.
O ténis, o golfe, o esqui, desportos aquáticos, podem ser altamente atraentes, e motivo gerador de participação, “As tendências actuais da procura, em que a preferência
pelas férias activas assumem uma importância cada vez maior, obrigam a que o desenvolvimento de qualquer centro turístico deva ser equipado com meios apropriados para a prática dos desportos.” (Ibidem).
Esta tendência, fez com que muitas unidades se apetrechassem de determinados tipos de animação desportiva, direccionando o seu produto a um mercado especifico. “As
actividades desportivas de animação são um complemento importante de permanência num destino e muitas vezes este pode ser preterido por não dispor de condições para a prática de actividades desportivas, ...” (Cunha, 2001, p284). Acontece, por vezes, que
grande parte das actividades de animação desportiva, não são a principal atracção de um destino, mas constituem um excelente meio de promoção de uma unidade, um local ou uma região. Pessoas que se deslocam, por razões de saúde, para apanhar e tomar banhos de sol, acabam por jogar ténis, fazer ski, praticar natação e, cada vez mais, jogar golfe.
O Golfe surge assim, na linha da frente das actividades de animação turística desportiva explorado por muitas unidades hoteleiras. Admite-se que o golfe tenha nascido na Escócia, para onde terá sido levado pelos Romanos, “Tornou-se tão popular na idade
média, que chegou a ser proibido por desviar a atenção dos praticantes de tiro com arco, o que era perigoso para a segurança do país.” (Cunha, 2001, p285). Mais tarde foram os
Ingleses que o levaram para o resto do mundo. Em Portugal a prática do golfe iniciou-se no século XIX, tendo sido transformado nos últimos anos numa grande atracção turística, capaz de combater a sazonalidade de algumas regiões.
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Em Portugal, estima-se que o número total de praticantes de golfe seja de 16.000, dos quais 6.500, são praticantes federados e os restantes praticam de uma forma menos regular, distribuídos por 56 campos de golfe.
Quadro 3.2 – Crescimento dos Campos de Golfe e nº de Jogadores em Portugal
Ano Campos Jogadores Federados
1985 13 3.000 1986 19 3.000 1987 19 4.000 1988 20 4.000 1989 21 4.000 1990 21 4.000 1991 21 4.000 1992 26 4.100 1993 33 5.000 1994 33 5.000 1995 36 5.100 1996 36 5.100 1997 43 5.500 1998 46 6.000 1999 49 6.000 2000 51 6.200 2001 56 6.500
Fonte: Revista de Golfe (2002)
De salientar que a conceituada revista britânica Golf World (1999), depois de ter promovido uma eleição bienal dos melhores 50 campos de golfe da Europa Continental (Ilhas Britânicas excluídas), resolveu alargar o sufrágio para os 100 melhores campos - numa base de 2.600. E, dessa centena de elite constam 10 portugueses, com a particularidade de oito figurarem no Top 50.
Na lista de 1997, San Lorenzo (Algarve) figurava em segundo (logo atrás de Valderrrama), a Quinta do Lago (Algarve) em 24º, Tróia em 27º, Vila Sol (Algarve) em 29º, a Penha Longa (Lisboa) em 31º, Vale da Pinta (Algarve) em 43º e a Penina (Algarve) em 44º. Dois anos depois, em 1999, numa lista ainda liderada por Valderrama, San Lorenzo surge em quinto lugar, o Praia D’El Rey em 17º (entrada directa), a Quinta do Lago em 28º, Tróia em 30º, Vila Sol em 31º, a Penha Longa em 32º e outros.
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_______________________________________________________________________________________ Paulo Almeida Página 114 Gráfico 3.1 – Segmentação do Mercado Golfe Nacional em 1999
Fonte: Russel (1999)
Segundo Russel (1999), “Dos jogadores estrangeiros, os que mais ocuparam os
campos de golfe nacionais, foram os oriundos do Reino Unido com um total de 52,3%, seguindo-se os alemães (13,7%), escandinavos (12,5%), irlandeses (4,7%), holandeses (2,7%), franceses (2,2%), belgas (1,9%) e um conjunto de nacionalidades menos significativo.” Assim, transformando estes jogadores em turistas, verificamos a
importância desta prática desportiva e do valor económico que representa para o turismo nacional, a ocupação dos campos de golfe nacionais por parte de visitantes oriundos de outros países. “Deste modo o golfe tem-se transformado num dos produtos turísticos
mais importantes para o país, não só pelo número de turistas que atrai mas também porque contribui para reduzir a sazonalidade e aumentar a atracção turística de novas zonas.” (Cunha, 2001, p285).
O golfe tem um atractivo especial, por ser um desporto de ar livre, permite um contacto directo com a natureza e o desfrutar de todas as paisagens envolventes. Talvez seja por isso, que a maioria dos adeptos desta modalidade sejam oriundos dos grandes centros urbanos. Necessitados de ar livre e puro, procuram um contacto directo com a vida do campo, sob a forma de um desporto, o golfe. “O golfe vai ser no futuro, para a Região
Oeste, a principal atracção turística. Este tem a capacidade de angariar bons clientes, clientes com formação e capacidades económicas acima da média, com uma característica muito especial, são conhecedores e desfrutam da nossa cultura, do nosso artesanato, do alojamento e alimentação das nossas unidades e tem um carinho especial por esta paisagem, ainda muito natural.” (Carneiro, 2003).
8%
92%
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