A.3 Significant & identical communities found between the different
C.1.1 Clustering
7.2 Assessing network robustness and impact of delays
A escolha do objeto dessa investigação permitiu revisitar um momento em que a formação em Saúde Pública adquiriu significado no Brasil, merecendo ser compreendida na sua relação com o processo de construção da própria Saúde Pública contemporânea.
As primeiras aproximações permitiram contornar o problema, nas suas dimensões de relação com o cotidiano de formação nessa área, envolvendo inúmeros fatores de interface, onde o ensino e as escolas se ofereceram como fatores de concretude no interior do objeto, e ponto de partida para outras descobertas.
A eleição dessa associação Escola-Ensino, através de sucessivas revisões bibliográficas, permitiu o adensamento das reflexões teóricas em torno do tema, guiou o levantamento de questões relevantes que constituíram o caminho da formação e o movimento das Escolas nesse período,
indicando pistas para encontrar peculiaridades, na realidade expressa em dados empíricos.
O movimento de busca pela melhor forma de abordar o objeto desse estudo ensejou a retomada dos seus pressupostos, para estabelecer os recortes por eles apontados, extraindo elementos fundamentais ao desenho da estratégia, buscando orientações para a construção dos dados mais adequados à abordagem de ensino eleita por esse trabalho.
A expansão dos Centros Escolares nas décadas de 70 e 80 e sua dinâmica de relação entre si e com as conjunturas da época; os diferentes programas de formação de recursos humanos oferecidos no período; a relação entre os centros de formação e as políticas de saúde e o possível surgimento de uma rede de formação em Saúde Coletiva, foram pontos assinalados nos pressupostos considerados fundamentais na definição do método e das técnicas utilizadas.
Uma referência mais ampla foi parte integrante de todo o processo de reflexão sobre o objeto. Trata-se da valorização do conceito de Representações Sociais, que, nessa investigação adquiriu uma grande importância. O contexto e os fatos, já se apresentavam na revisão bibliográfica preliminar, marcados por manifestações de atores, cuja atuação de natureza técnica ou política, permitiu a ampliação dos espaços de construção das políticas de saúde, criando condições para o surgimento de múltiplas alternativas para a realização do ensino da Saúde Pública.
As representações sociais se constituem em uma referência vital e indispensável à pesquisa social, fonte de recuperação de processos sociais constitutivos de uma determinada realidade, manifestando-se através de condutas, idéias, imagens e visões de mundo dos atores sociais. Expressam-se através da linguagem do senso comum, e “devem ser analisadas a partir da
compreensão das estruturas e dos comportamentos sociais” (Minayo,1992:173). São “ao mesmo tempo ilusórias, contraditórias e verdadeiras”. Embora consideradas matérias primas importantes
para análise do social e também para a ação pedagógico-política de transformação, “as
representações sociais não conformam a realidade e seria outra ilusão tomá-las como verdades científicas, reduzindo a realidade à concepção que os atores sociais fazem dela” (Minayo, 1999:174).
A escolha da hermenêutica dialética como método, pareceu-nos a mais coerente com o objeto definido, para dar relevância à práxis, observando o que adverte Minayo: “a hermenêutica e a
dialética não devem ser “encurtadas” através de sua redução à simples teoria de tratamento de dados. Mas pela sua capacidade de realizar uma reflexão fundamental que ao mesmo tempo não se separa da práxis, podemos dizer que o casamento dessas duas abordagens deve preceder e iluminar qualquer trabalho científico de compreensão da comunicação” (Minayo, 1992:219).
A escolha está vinculada à incessante busca que acompanha todo esse trabalho, de entender o significado, mais do que de reconstruir processos que se organizaram de forma seqüenciada, para, nesse caminho, buscar na linguagem da práxis a compreensão do sentido dos fatos que compuseram a dinâmica do ensino no período.
Assim, a relação entre o visível e o invisível, o manifesto e o não manifesto, do contexto indicado, foi aqui referenciado como parte de um processo em permanente construção, cuja expressão do que se evidenciou como visível e repetitivo, foi tomado como um referente expresso em palavras, e que deveria retratar o caminho que pautou a opção pelas estratégias da época, fruto, portanto, das contradições daquele momento, em que, muitos espaços estavam impregnados por movimentos dos atores identificados e considerados no processo de produção da pesquisa.
invisível, orientando a busca, nessa direção.
Vale ressaltar que essa compreensão considerou que “o universo do homem primitivo
encontra-se aparentemente bipartido entre o visível e funcional e o modelar, mas o visível e funcional é inteiramente dotado de significação, porque concebido como repetição de um acto mítico. É justamente este significado, este caráter repetitivo, que assegura, aos olhos do homem, a realidade e duração de todo o existente, seja o que ele constrói (casa, cidade, templo, utensílio), seja a própria natureza” (Santo Agostinho et alii, 1984:7).
Minayo tomou como referência o conceito de Gadamer, que apresenta a hermenêutica como “a busca de compreensão do sentido que se dá na comunicação entre os seres humanos”, onde “a
linguagem ocupa um ponto no tempo e no espaço”, conceito que é complementado pela autora quando ressalta que ao “ampliar os horizontes da comunicação e da compreensão, nunca escapamos da história, fazemos parte dela e sofremos os preconceitos de nosso tempo” (Minayo,
1992:220).
O resgate das experiências, a recuperação dos fatos e os levantamentos exaustivamente efetuados de uma determinada época foram aos poucos reconstituindo um determinado contexto, que, no entanto, está “sempre passível de compreensão; é ao mesmo tempo questionável, e potencialmente incompreensível. A experiência hermenêutica balança entre o familiar e o estranho, entre a intersubjetividade do acordo ilimitado e o rompimento da possibilidade de compreensão” (Minayo, 1992)
A hermenêutica destaca a importância da compreensão e dos registros através da escrita, daí resultando a sua enorme contribuição à História e à Literatura. Ela “nasceu do antagonismo entre
as diversas formas de interpretar obras essenciais e da necessidade conseqüente da fundamentação das regras. É a arte de interpretar os monumentos escritos” (Santo Agostinho et alii, 1984). Na
hermenêutica é importante “compreender e registrar”, suscitando desse processo, a ordenação do pensamento.
Esse mesmo autor ressalta que o sujeito vive e olha para trás; “o significado surge no
processo de sua compreensão e arrasta consigo a conexão, como forma categorial. Na medida em que, na História, se apresentam conexões, utilizamos simplesmente o conceito de significado. Trata- se de aplicar o conceito de significado em toda a liberdade da realidade. Onde ocorreu a vida e essa vida é compreendida, temos História” (Santo Agostinho et alii, 1984:178).
A dialética, por sua vez, no seu sentido metodológico, estabelece “a relação entre o objeto
construído por uma ciência , o método empregado e o objeto real visado por essa ciência” (De
Bruyne, 1977:65).
Como características comuns às abordagens dialéticas é possível identificar que:
a) “ela visa simultaneamente os conjuntos e seus elementos constitutivos, as totalidades e suas partes, é ao mesmo tempo análise e síntese, é movimento reflexivo do todo às partes e reciprocamente;
b) é sempre negação, porque nega as leis da lógica formal (identidade, não contradição, terceiro excluído) na medida em que as hipóteses e os fatos que esta permite analisar são abstraídos do conjunto concreto. Recusa tudo o que está submetido a etapas de um percurso;
c) é um abalo de todo conhecimento rígido, de todo conceito mumificado, mostra que todos os elementos do mesmo conjunto condicionam-se reciprocamente numa infinidade de graus
intermediários entre os termos opostos” (De Bruyne, 1977:65-66).
A análise dialética “visa um conjunto objetivo que determina o sentido do desenvolvimento
histórico (leis dialéticas da história); as leis por sua vez revelam o sentido objetivo de um conjunto histórico, e propõe assim uma espécie de hermenêutica do sentido objetivo da História” (De Bruyne,
1977:67).
Minayo sugere a associação da hermenêutica com a dialética, por entender que essa é uma complementaridade possível, a partir da própria realidade, destacando que “a reflexão hermenêutica
produz identidade da oposição, buscando a unidade perdida. Ela se introduz no tempo presente, na cultura de um grupo determinado para buscar o sentido que vem do passado ou de uma visão de mundo própria, envolvendo num único movimento, o ser que compreende e aquilo que é compreendido” (Minayo, 1992:221).
Para a autora, “enquanto a hermenêutica penetra no seu tempo e através da compreensão
procura atingir o sentido do texto, a crítica dialética se dirige contra seu tempo. Ela enfatiza a diferença, o contraste, o dissenso e a ruptura do sentido. A hermenêutica destaca a mediação, o acordo e a unidade do sentido” (Minayo, 1992:227).
A complementaridade entre a hermenêutica e a dialética está assim comentada por Stein: “ambas trazem em seu núcleo a idéia fecunda das condições históricas de qualquer manifestação
simbólica, da linguagem, e de qualquer trabalho do pensamento; ambas partem do pressuposto de que não há observador imparcial nem há ponto de vista fora do homem e fora da história; ambas ultrapassam a simples tarefa de serem ferramentas do pensamento. São modos pelos quais o pensamento possui racionalidade, contrapondo-se aos métodos das ciências positivistas que se colocam como exteriores e isentos do trabalho da razão; ambas questionam o tecnicismo presente nos métodos das Ciências Sociais, para descobrir o fundo filosófico que as diversas técnicas metodológicas tendem a negar. Finalmente, ambas estão referidas à práxis e mostram, no campo das Ciências Sociais que seu domínio objetivo está preestruturado pela tradição e pelos percalços da história" (Stein, 1987, apud Minayo, 1992:227).
A escolha da hermenêutica dialética para referenciar e guiar essa investigação deve-se portanto à afinidade das suas construções com a abordagem que pretendemos realizar, buscando “entender o texto, a fala, o depoimento, como resultante de um processo social (trabalho e
dominação) e processo de conhecimento (expresso em linguagem) ambos frutos de múltiplas determinações mas com significado específico. Esse texto, é a representação social de uma realidade que se mostra e se esconde na comunicação, onde o autor e o intérprete são parte de um mesmo contexto ético-político” (Minayo, 1992:227).