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E) POT DE PARAULES DOLCES I PARAULES AGRES

5. CONCLUSIONS

A evolução da indústria automobilística sempre esteve ligada ao desenvolvimento do próprio capitalismo. Foi responsável por promover novas formas da organização do trabalho como, por exemplo, o fordismo, o toyotismo, a acumulação flexível, entre outros. Tais métodos de produção de bens também foram aplicados com sucesso em outras atividades industriais, constituindo-se em importantes inovações para empresas de outros setores. Desse modo, as empresas âncoras da indústria automobilística investem constantemente em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na busca por produtos cada vez mais sofisticados, com novo design, maior nível tecnológico, maior durabilidade e também por combustíveis alternativos. (SILVA, 2010; OICA, 2013).

As empresas montadoras de automóveis apresentam grande necessidade de se articularem a outras empresas, tanto à jusante quanto à montante, estabelecendo-se em forma de redes. São empresas que movimentam grande quantidade de capital; necessitam apresentar volume de produção, obter fornecedores especializados e também se relacionar com o mercado consumidor, muitas vezes intermediado pelas concessionárias. Sendo assim, os fluxos que entrelaçam a montadora às demais empresas participantes da rede são grandes. Geralmente ligados à jusante estão os fornecedores de autopeças, prestadoras de serviços e empresas terceirizadas. À montante estão as concessionárias, transportadoras e os consumidores. Tudo isso forma fluxos materiais e imateriais em um emaranhado de relações em diversos lugares do país e até do exterior (SILVA, 2010).

Nesse sentido, pode-se inferir que as empresas do setor automobilístico exercem efeitos multiplicadores sobre vários outros setores da economia, e são importantes como elementos geradores de emprego e renda, direta ou indiretamente. Isso explica a importância de se estimular o crescimento e o desenvolvimento deste setor a fim de se sustentar a manutenção e a expansão da atividade econômica como um todo.

Inicialmente, a indústria automobilística se localizou no estado de São Paulo, mais precisamente na região do chamado “ABC Paulista”, que abrange os municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano. O Quadro 4 mostra as montadoras instaladas nessa região:

Quadro 4 – Principais montadoras que se instalaram na região do ABC paulista

Montadora Instalação Origem Observação

General Motors do

Brasil Ltda 1925 EUA

Willys Overland 1954 EUA Adquirida pela Ford do Brasil Ltda em 1969

Mercedes-Benz do

Brasil Ltda 1956 Alemanha

Volkswagen do

Brasil Ltda 1957 Alemanha

Simca do Brasil 1958 França

Adquirida pela Chrysler em 1969 e depois comprada pela Volkswagen em 1981

Internacional

Harvester 1959 EUA Adquirida pela Chrysler em 1966

Scania Vabis 1962 Suécia

Karman- Ghia 1960 Japão

Toyota 1962 Japão

Fonte: Elaboração própria, baseado em Silva(2010) e Borges(2011).

A região do ABC paulista também concentrou um grande número de fornecedores de autopeças, entre elas a Cofap, Firestone, Pirelli e a Metal Leve. Diante disso, consolidou-se o chamado “pacto tripartite”, que unia o capital privado internacional, o Estado e o capital privado nacional (BORGES, 2011). Com o passar dos anos, o movimento sindical se tornou forte na região devido ao grande volume de trabalhadores que toda a indústria automobilística exigia; os trabalhadores organizados passaram a exigir melhorias nos salários e nas condições de trabalho. Houve a constituição da Central Única dos Trabalhadores – CUT e a fundação do Partido dos Trabalhadores – PT, que chegou ao poder com a eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Porém, desde o final da década de 1980, essa região vem sofrendo com a emergência de novos paradigmas de produção; entre eles, a opção pelo modelo de

produção enxuta que impactou grandemente o mercado de trabalho na região e gerou demissões em massa.

Os novos paradigmas atingiram não apenas a região do ABC Paulista, mas grande parte da indústria automobilística. Alguns exemplos dos novos paradigmas são o consórcio modular (ou sistemista) e os condomínios industriais. As cadeias automobilísticas que atuam nos moldes de condomínios industriais são em Betim, MG (empresa âncora Fiat),em São José dos Pinhais/PR (empresa âncora Audi), em Gravataí, RS (empresa âncora GM) e em Camaçari/BA (empresa âncora Ford) (SACOMANO NETO; TRUZZI, 2009).No condomínio industrial, as empresas fornecedoras participam diretamente do processo de produção, pois compartilham com a montadora as instalações e responsabilidades ao utilizarem a mesma linha de montagem (NAJBERG; PUGA, 2012).

Já em Resende/RJ, a empresa âncora Volkswagen atua sob a forma de consórcio modular em que toda a montagem realizada na sua fábrica de caminhões é feita por fornecedores. Sendo assim, eles montam cabine, cabine interna (bancos, vidros, tapeçaria), pintura, chassi, suspensão, roda e motor. À montadora cabe apenas a tarefa de verificar a qualidade dos bens finais produzidos. Algumas características desses modos de produção são: terceirização, contratos de longo prazo, acordos integrativos, coprodução de componentes, suporte aos fornecedores (SACOMANO NETO; TRUZZI, 2009).

Em Betim, onde está instalada a FIAT, optou-se pelo modelo de produção enxuta que visa reduzir custos e também permite buscar informações nas concessionárias sobre a demanda por veículos automotores. Com isso, a fábrica pode programar sua linha de produção, evitando que os estoques produzidos fiquem parados e se acumulem em seu pátio (DIAS; CASTILLO, 2004).

Em Camaçari/BA, a empresa âncora Ford conduz as estratégias para consolidar o seu arranjo produtivo local que atua em forma de condomínio industrial. A Ford é uma das empresas que está localizada fora do circuito dos grandes centros automotivos tradicionais, como São Paulo. Entre as empresas fornecedoras instaladas localmente estão a Autometal, Arvin, Pirelli, Siebe e Valeo (NAJBERG; PUGA, 2012). A Ford, em parceria com o governo estadual da Bahia e com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEB, lançou, no final de 2003, o programa de “baianização dos

fornecedores” visando reduzir o percentual de compras de insumos realizadas fora do contexto local, uma vez que foi detectado que esse percentual estava demasiadamente elevado. Foram apontados alguns problemas que originaram essa situação, um deles é a ausência de encadeamentos à montante, na direção da matéria-prima, insumos e componentes e a indisponibilidade de serviços técnicos especializados (GUERRA; MERCES, 2004).

Outros dois arranjos produtivos locais que estão em fase de implantação/consolidação estão localizados em Goiás, mais precisamente são o APL da MMCB, localizado na microrregião de Catalão, e o APL da Hyundai Caoa Montadora, localizado na microrregião de Anápolis. Portanto, Goiás desponta como centro automotivo da Região Centro-Oeste ao atrair três montadoras asiáticas, sendo duas plantas instaladas e uma terceira em fase de instalação (SVB Automotores do Brasil S.A, conhecida como Suzuki Veículos).

O Protocolo de Implantação da Montadora de Veículos Mitsubishi entre o Governo do Estado de Goiás, a Prefeitura Municipal de Catalão e o diretor da Mitsubishi Motors Corporation do Brasil – MMCB foi assinado em 06 de junho de 1997. Esse documento contém a previsão de concessão de incentivos, benefícios e vantagens para a localização da Montadora em Catalão. Nesse momento, iniciou-se um novo desenho para a indústria automobilística brasileira, principalmente no que se refere à desconcentração espacial, incluindo lugares historicamente fora do circuito industrial, como as Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste (SILVA, 2010), visto que o protocolo de implantação da Ford Nordeste só foi assinado em 1999, portanto, após a Mitsubishi. A MMCB possui capital 100% nacional, sendo que a matriz localizada no Japão recebe royalties pela transferência de tecnologia e uso da marca.

Goiás também entrou na disputa pela instalação da Hyundai Motor Company em seu território e acabou “ganhando” da Bahia. A disputa, que pode ser considerada acirrada, teve início em 1997 e a decisão final da montadora só foi anunciada em 2006, portanto, foram quase dez anos de intensas negociações. O médico Carlos Alberto Oliveira Andrade (fundador e atual presidente do grupo Hyundai CAOA Montadora) adquiriu os direitos pela revenda dos produtos importados da Hyundai em 1999. Porém, outros dois distribuidores já haviam adquirido esse direito anteriormente. A marca foi ganhando importância no Brasil após a compra dos direitos de representação por Carlos

Alberto Oliveira Andrade. Esse processo acabou culminando com a instalação da CAOA, representante exclusiva da marca Hyundai no Brasil, em 2007, no município de Anápolis. O investimento inicial foi da ordem de R$300 milhões, com 100% do capital nacional, cabendo à matriz na Coréia do Sul o recebimento de royalties pelo uso da marca e transferência de tecnologia (SILVA, 2010).

Com isso, é possível afirmar que está ocorrendo no Brasil um processo de espraiamento da indústria automobilística e o surgimento de novas regiões produtivas, sem, necessariamente, tradição industrial nesse ramo de negócios. Em seguida, será analisada a distribuição da renda industrial brasileira gerada pela indústria automobilística.

2.4 A Renda Industrial Brasileira Gerada pela Indústria Automobilística em