• No results found

Conclusions and limitations

Categorias de transmissão do conhecimento literário.-Didática da literatura e integração interdisciplinar.-Teoria da Literatura e didática da literatura.- Sujeitos de aprendizagem e conhecimentos prévios.- Pragmática do ensino da literatura e contextos institucionais específicos.- Ética na crítica e ensino das Literaturas Africanas.- Anti-intencionalismo e intencionalismo.- Ética comunitarista e intencionalismo.- Desafios da ética nos estudos literários pós- coloniais.-

Ao elaborar a proposta de uma definição explicativa e instrumental de disciplina no I Capítulo, procurámos representar a cadeia de transmissão do conhecimento, isolando para o efeito quatro categorias configurando agentes e objetos: sujeitos – aquele que transmite e aquele a quem se destina; e objetos – o que se transmite, ou seja, a estrutura proposicional formada pelas proposições e o modo como se transmite, isto é, o processo de ensino-aprendizagem em que se opera com conhecimentos, procedimentos pedagógicos e metodológicos. A incidência sobre o segundo tipo de categorias conduz-nos à identificação da zona em que ocorre a integração interdisciplinar dos estudos literários, da ética e das ciências da educação. Tal zona corresponde ao território ocupado pelo ensino da literatura, um domínio de intervenção em que se reúnem condições epistémicas específicas e mobilizam comunidades disciplinares para uma prática específica no plano institucional, atividade autónoma através da qual os professores transmitem a alunos e estudantes conhecimentos produzidos no âmbito de disciplinas constitutivas dos estudos literários. Emerge assim a disciplina de didática da literatura cuja institucionalização pode ser situada na década de 80 do século XX. De acordo com o modelo de integração interdisciplinar, a nova disciplina que tem um lugar cativo nos estudos literários, resulta de uma convergência das várias «ciências de referência». A didática da literatura é, por isso, uma «ciência da mediação» (Bredella, 1989: 14-17) que combina a Teoria da Literatura, a sociologia, a psicologia, a pedagogia e a ética. Ocupa, por outro lado, uma posição entre a produção do conhecimento teórico acerca da literatura e a transmissão desse conhecimento em contexto institucional escolar ou académico, tendo em atenção as necessidades e capacidades dos destinatários. A construção do ensino da literatura corresponde aos desafios suscitados por novos tipos de problemas que exigem o recurso a epistemologias, conceitos, terminologias, metodologias e procedimentos de disciplinas já existentes. Deste modo, a Filosofia

83

da Literatura será uma das fontes constitutivas do repertório epistemológico usado na didática da literatura cuja autonomia disciplinar estabelece um imperativo: traçar os seus limites para que não seja assimilada à prática do ensino enquanto tal. Em virtude de ter como objeto o ensino da literatura, a didática da literatura é simultaneamente «teoria do ensino da literatura», e «teoria para o seu ensino» (Bredella, op.cit: 28). Portanto, a didática da literatura poderia ser definida como um metadiscurso que produz a sua eficácia em dois níveis epistémicos. Por um lado, no primeiro nível temos a receção de dispositivos conceituais da Filosofia da Literatura e Teoria da Literatura, bem como a teorização autoreflexiva sobre a natureza disciplinar da didática, concentrando-se o seu foco nas questões teórico-literárias53. No segundo

nível, dominado pela teorização sobre a prática da transmissão e aquisição do conhecimento literário e respetivos sujeitos epistémicos, são abordadas problemáticas atinentes aos processos de aprendizagem, à prática pedagógica e ética centrada na crítica do texto literário e às competências que devem, consequentemente, ser adquiridas pelos estudantes e alunos. Para Lokhtar Bredella, a reflexão que deve sustentar a didática da literatura introduz uma questão sobre a possibilidade de se determinar o agir do sujeito epistémico da aprendizagem.Nesta medida, a legitimação desse ensino não pode depender apenas das injunções que impendem sobre os estudantes e alunos, será necessário igualmente ter em conta os conhecimentos prévios gerados pelos seus horizontes culturais.Aqui a teoria literária desempenha a sua função de «filtro» através da regulação de processos de transferência do discurso teórico-literário para o discurso didático, exigindo-se uma adequada «adaptação pragmática» à luz dos instrumentos orientadores do sistema educativo (Aguiar e Silva, 2010:221). A este propósito, Silvina Rodrigues Lopes entende que a «relação entre a Teoria da Literatura e ensino da literatura» gravita em torno de dois núcleos.O primeiro constitui a resposta à pergunta formulada:«O que é ensinável?». Pretende-se explicar que «o ensino da literatura consiste em fazer do discípulo o depositário de uma herança, a história da literatura» (Lopes, 1994:359). O segundo diz respeito à «interpessoalidade ou inter-relação, bem como a possibilidade de associar ou não àquela atividade um efeito estético» (Id.). As respostas deixam outras interrogações cujo alcance varia de acordo com os conteúdos

53 Cf. Vítor Aguiar e Silva, As Humanidades, os Estudos Culturais, o Ensino da Literatura e a

84

que constituem objeto de ensino, bem como os ditames de uma epistemologia dos estudos literários e de uma ética da crítica literária.

Do segundo nível emergem outros tipos de questões concernentes às Literaturas Africanas de que nos vamos ocupar em seguida. São fenómenos que têm lugar no contexto institucional do ensino, tais como as relações entre o processo de transmissão do conhecimento disciplinar, as dinâmicas da pervivência das literaturas orais, a coexistência de textos literários em línguas africanas e textos literários em línguas de origem europeia, bem como a sua recepção, crítica e leitura. Por razões de ordem epistemológica, o ensino das Literaturas Africanas, enquanto τεχνη (tékhne), recomenda a observância de determinada axiologia ou sistema de valores e uma fundamentação ética como qualquer outra atividade prática. Sendo a moral sempre concreta, a sua fundamentação que é da ordem do filosófico, reconduz-se, no âmbito deste tese, à discussão dos relevantes problemas éticos respeitantes às práticas discursivas desenvolvidas em torno das culturas africanas em cujas tradições se inscrevem as reflexões que relevam da ética ou filosofia moral. De um modo geral pela sua natureza prática, a vocação da moral é a felicidade e a formação do caráter dos indivíduos para uma vida em comunidade. A intersecção da literatura e da filosofia permite compreender o modo como se pode justificar a fundamentação da moral quando o discurso filosófico é igualmente literário ou o inverso. A argumentação que sustenta tal relação de intermutabilidade baseia-se no facto de as literaturas orais constituírem repositórios de códigos morais veiculados através de máximas, provérbios e aforismos cujo estudo, situando-se no plano da metaética, nos conduz às fontes do pensamento filosófico tradicional africano. Trata-se de um campo negligenciado a que os filósofos mais comprometidos com a investigação da filosofia tradicional de algumas comunidades étnicas africanas atribuem elevada importância. Tal é caso do filósofo ghanense Kwasi Wiredu, um dos mais intrépidos e robustos defensores de semelhante perspetiva, quando afirma:

The readiest sources of an oral philosophical tradition are comunal proverbs, maxims, tales, myths, lyrics, poetry, art motifs and the like. These are often single statements or sets (which may be numerous) of relatively brief pieces of discourse as opposed to the lengthy exercises in assertion, explanation, and justification that are so characteristic of developed traditions of written philosophy (Wiredu, 1996:114).

85

A economia verbal enquanto característica formal do provérbio não lhe retira a potência persuasiva do ponto de vista filosófico quando comparada a outros tipos de discursos mais extensos. Kwame Gyekye, um outro filósofo ghanense, trabalhando com o material filosófico dos Akan do Ghana, considera que «one fundamental task, however, must be accomplished: the delineation of proverbs’ philosophical features and explanation of why they can and ought to be utilized as a source of Akan philosophical ideas, alongside the myths, folktales, beliefs, and customs of the Akan people» (Gyekye, 1995:16). Por seu lado, Claude Summer parte do estudo da tradição filosófica Oromo da Etiópia e conclui que a mensagem proverbial pode desempenhar cinco funções (cognitiva, expressiva, normativa e educativa; discursiva; e cultural) entre as quais extraímos a «função normativa e educativa» cuja finalidade consiste em convocar as normas que se impõem aos indivíduos provocando uma certa linha de conduta e um comportamento recomendável à luz das exigências da sociedade (Kiros, 2001:38-39). Assim, a fundamentação da moral ou seja a possibilidade de uma ética a partir da referida intermutabilidade das literaturas orais e fontes da filosofia tradicional africana é uma reflexão tipicamente metaética. Mas ao mesmo tempo configura logicamente as premissas que subjazem ao discurso crítico e ao ensino da literatura, residindo aí a justificação de uma ética da leitura e crítica literária enquanto aplicação dos fundamentos filosóficos às atividades específicas correlatas.Por outro lado, a especificidade argumentativa dos provérbios nas tradições orais africanas suscita interesse académico no quadro de uma lógica daí emergente, sendo possível admitir que o método adequado para a prossecução da fundamentação ética deve ter em atenção a dimensão pragmática da linguagem. Gildas Nzoukou, que tratou desta matéria em tese de doutoramento, procura demonstrá-lo nos seguintes termos:

Nous dirions en termes logiques que, dans les traditions orales africaines, les proverbes jouent le rôle de propositions primitives – en effet on ne démontre pas les proverbes, mais on s’entend d’office sur leur véridicité puisqu’ils sont le lègue sapiential de la tradition – en même temps qu’ils sont des règles d’inférence d’un genre particulier.

De fait, la considerération sur la constitution génétique des proverbes nous les fait découvrir comme le condensé et la synthèse d’expériences vécues, de déroulements phénoménaux, scrupuleusement observés par des générations de sages, et ce, sur des intervales temporels três étendus; de sorte

86

que les connaissances tirées de ces longues observations sont synthétisées dans des formulations phrastiques ayant des caractéristiques grammaticales assez remarquables (Nzoukou, 2013:156).

As observações de Gildas Nzoukou estão em linha com as reflexões de outros autores africanos, quer especialistas dos estudos literários quer de filosófos. Todos eles entendem que a investigação e o ensino das Literaturas Africanas, especialmente das literaturas orais, levanta problemas que na Europa e nos Estados da América preocupam poucos setores das várias comunidades disciplinares. O dissenso revelado pelas comunidades disciplinares africanas e outras a respeito das prioridades das agendas de pesquisa sobre as literaturas africanas é, desde logo, um problema ético cujas soluções exigem o abandono do universalismo ingénuo e eurocêntrico, se avaliarmos a fecundidade do conceito de interdisciplinaridade presentemente. Uma das soluções do problema ético relativamente ao dissenso pode ser encontrado no pluralismo, pois já não faz sentido operar com princípios presumivelmente aplicáveis em qualquer parte do espaço planetário e em qualquer domínio disciplinar. Para Adela Cortina não há unanimidade sobre a existência daquilo que poderia ser designado como a ética filosófica, na medida em que a queda do artigo definido do singular dá-se igualmente aí. É que a «la ética aplicada exige adentrarse en cada uno de los âmbitos de que tratemos e intentar captar en ellos su propia lógica y la modulación de los princípios éticos que les es peculiar, y esto solo pueden hacerlo los expertos en cada campo en estrecha colaboración con quienes se ocupen de la ética» (Cortina, 2012:175).

Poder-se-á então falar de uma ética da crítica literária? A resposta implica, em primeiro lugar, a caracterização da crítica literária como atividade prática. De acordo com Edward Said, a crítica literária manifesta-se sob quatro formas. Enquanto crítica prática corresponde ao exercício do jornalismo literário que consiste em recensões de livros e atividades correlatas. A segunda forma é a história literária académica, herdeira de especialidades da investigação clássica ocidental, a filologia e a história cultural. A apreciação e interpretação académica constituem a terceira forma. Por apreciação literária Edward Said entende o ensino e a atividade desenvolvida pelos professores de literatura na universidade cujos beneficiários em sentido literal são os milhões de indivíduos que aprendem na sala de aula como ler um poema, como fruir a complexidade de um conceito metafísico, como pensar a

87

literatura e a linguagem figurativa com as suas características únicas irredutíveis a simples mensagens morais ou políticas. A quarta forma é a teoria literária, disciplina relativamente nova e atraente para as discussões académicas e populares (Said, 1983:1). Se tormarmos como referência a terceira forma de crítica literária proposta por Edward Said, aquela que, não se reduzindo à dimensão moral ou política, configura o ensino da literatura como manifestação das virtualidades da linguagem, chegaremos a uma conclusão que permite afirmar que a ética da leitura54 não se

confunde com a ética da crítica, pois esta estende-se às práticas discursivas das tradições orais.

Nos círculos académicos ocidentais ligados à filosofia, a relação incindível entre a ética e a literatura representa um importante capítulo da epistemologia da leitura. Após a fortuna teórica do formalismo russo, a apologia da cisão entre a ética e a literatura caracterizou uma das mais controversas correntes teóricas, o New Criticism, que dominou a história da crítica literária na Europa e na América durante a primeira metade do século XX. Quando em 1946 W.K.Wimsatt e M.C. Beardsley publicaram o seu ensaio intitulado «The Intentional Fallacy» renovavam um tema nas agendas de pesquisa da teoria e da crítica literária. Era o manifesto da supressão dos vínculos entre a literatura e a vida real dos homens, defendendo a imunização hermenêutica do texto como princípio de uma interpretação fundada na exclusão do autor, sua intenção e biografia. Para W.K.Wimsatt e M.C. Beardsley importa distinguir a «crítica da poesia» e a «psicologia do autor», podendo esta tornar-se biografia literária porque histórica. E deste modo é legítimo estudo da personalidade do autor. No lado oposto, situa-se o estudo da poesia centrado no texto autotélico do poema.

There is a differene between internal and external evidence for the meaning of a poem. And the paradox is only verbal and superficial that what is (1) internal is also public:it is discovered through the semantics and syntax of a poem, through our habitual knowledge of the language, through grammars, dictionaries, and all the literature which is the source of dictionaries, in general through all that makes a language and culture; while what is (2)

54 Cf. J.Hillis Miller, A Ética da Leitura, Imago Editora, Rio de Janeiro, 1995. Hillis Miller resume a ideia de ética da leitura nas seguintes palavras: «O ensino é uma situação ética do tipo mais concreto e particular: de pessoa para pessoa. O professor encara os alunos na sala de aula, atrás dos livros abertos que contêm o texto do poema» (1995:74).

88

external is private or idiosyncratic; not a part of the work as a linguistic fact: it consists of revelations (in journals, for example, or letters or reported conversations) about how or why the poet wrote the poem […] There is (3) an intermediate kind of evidence about the character of the author or about private or semi-private meanings attached to words or topics by an author or by a coterie of which he is member. The meaning of words is the history of words, and the biography of an author, his use of a word, and the associations which the word had for him, are part of the word’s history and meaning (Davies e Matheson, 2008:128).

Para o New Criticism os significados de um poema obtêm-se através de «provas internas» produzidas ao nível da dimensão sintática e semântica da língua e de outras fontes associadas. Daí deriva a natureza pública do texto literário. As «provas externas» resultam de fontes não linguísticas e visam produzir o efeito testemunhal sobre a vida do autor. É esta a dimensão que pela sua irrelevância conduz à «falácia da intenção». Com o ensaio que trata da «ética da crítica» do seu Anatomy of Criticism Northrop Frye vem corroborar os argumentos de W.K.Wimsatt a M.C. Beardsley, quando considera que a leitura dá lugar a dois tipos de movimentos, um externo, centrífugo e outro interno, centrípeto. O movimento interno é o que permite determinar os significados das estruturas verbais. Já o movimento externo é secundário na medida em que as obras literárias não pretendem descrever ou afirmar, não sendo por isso verdadeiras ou falsas, e muito menos em condições de avaliar o que é tautológico quando se afirma que «o bom é melhor que o mau» (Frye, 1973:74). Para Northrop Frye, em literatura as questões de facto ou sobre a verdade estão subordinadas ao fim literário que consiste primordialmente em produzir uma estrutura verbal autónoma. Tal estrutura estará ausente sempre que as palavras forem usadas como instrumentos da consciência humana para realizar ou compreender algo mais (Ibid..). Northrop Frye entende que se trata de uma fatalidade da crítica literária a que se denomina «falácia da intenção», uma noção segundo a qual o poeta tem a intenção primária de transmitir um significado ao leitor, sendo a primeira obrigação do crítico «recapturar» a referida intenção (op.cit.:86).

Apesar da sua esmagadora influência, as propostas do New Criticism norte- americano suscitaram intensos debates um pouco por todo lado. Uma das mais controversas posições nessa polarização é, nos Estados Unidos da América,

89

representada pelo livro de J.Hillis Miller, The Ethics of Reading, publicado em 1990. Para J.Hillis Miller a ética da leitura encontra a sua configuração típica no ensino, analisando-se na relação intersubjetiva entre professores e alunos, especialmente em sala de aula (1995:74). Hillis Miller forma as suas convicções relativamente ao que considera ser necessário para a recuperação da «antiga urgência» do ensino da literatura (Id.:85). Tais convicções são enunciadas em três momentos. Ao considerar que a «obrigação ética primária do professor de literatura é para com a obra literária», J.Hillis Miller anuncia a sua «nova ética da leitura» reivindicando igualmente a aproximação às correntes do positivismo da leitura, propondo que para «a boa leitura» os subsídios teórico-literários e outros sejam prescindíveis.

A leitura, não a teoria [itálico nosso], é a única necessidade insubstituível no ensino da literatura. A rara capacidade de ver o objeto, nesse caso um poema, um romance, uma peça teatral ou uma obra filosófica, como ele realmente é, para novamente citar a fraseologia de Armold, é a única coisa necessária num bom professor de literatura (op.cit.:86).

No segundo momento, enuncia um dos princípios da «nova ética da leitura» segundo o qual a obrigação primária do ato de leitura será e deve ser filológica. Isto é:

O ensino da literatura deve ter por base um amor pela linguagem, um cuidado com a linguagem e com o que a linguaem pode fazer. O estudo da literatura deve começar pela linguagem e deve permanecer focalizado nela. Suas principais ferramentas são a citação e a discussão dessa citação. Tal estudo deve ser uma retórica e uma poética, antes de ser história, ou um repertório de ideias que vêm sendo expressas através dos séculos na literatura (Id.:87).

Reitera-se aqui a perspetiva assética da leitura, longe de qualquer contaminação do que seja extrínseco à literatura.

No terceiro momento, supondo que os alunos e estudantes nos Estados Unidos da América estejam expostos ao ensino multilingue, alude o caráter «supranacional» e interdisciplinar da Literatura Comparada donde emerge um novo

90

problema com a consagração do princípio da «intradutibilidade fundamental de língua para língua», segundo o qual «os leitores não devem nunca confiar numa tradução mais do que confiam naquilo que um livro secundário ou que um professor diz estar acontecendo numa determinada obra de literatura ou filosofia. Se temos a esperança de descobrir do que se trata devemos nós mesmos ler o livro, no original» (Id.:88). Ora, a argumentação de J.Hillis Miller expõe as razões que estão na origem da neutralidade axiológica da leitura, operando com uma noção ambígua de ética que nega a existência de qualquer relação de implicação entre a determinação dos fundamentos da moral e a sua aplicação à prática da leitura.Tobin Siebers refuta os