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DRETS I DEURES DELS PROPIETARIS DE SÒL

IV. TURISME

8. CONCLUSIONS

A partir das décadas de 1960 e 1970, um fenômeno chamou a atenção de estudiosos e especialistas de diversas áreas do conhecimento, como economia, sociologia, antropologia, entre outras. Esse fenômeno pode ser descrito como a passagem de uma economia agrícola para uma economia industrializada, com base em pequenas empresas, ocorrido na Itália, mais especificamente, em uma região conhecida como Mezzogiorno (BAGNASCO, 1999).

O Mezzogiorno era uma região subdesenvolvida da Itália que apresentou um significativo crescimento econômico sem nenhuma indução de políticas públicas ou previsão de expansão. Houve o renascimento de setores tradicionais (vestuário, móveis e calçados) frequentemente associado a alguma inovação tecnológica que ocorreu tanto em técnicas de produção quanto em técnicas de gestão. Essa região também ficou

conhecida como a “Terceira Itália”. Este termo foi utilizado para diferenciar a região italiana da primeira Itália, uma referência ao norte industrializado, e da segunda Itália, referência ao sul agrícola.

Dentre os fatores que contribuíram para o desenvolvimento da pequena empresa italiana, pode-se destacar a questão cultural. Observou-se que os trabalhadores começaram a esboçar reações aos trabalhos em grandes indústrias onde, muitas vezes, as tarefas tornam-se repetitivas, não exigindo muitos conhecimentos. Também há a radicalização das relações capital-trabalho. Por isso, começaram a vislumbrar que a pequena empresa poderia ser uma boa opção de trabalho, pois proporcionava condições mais flexíveis de uso da mão-de-obra, abrindo maiores oportunidades para implementação de inovações tecnológicas.

Becattini (1999) lembra que as vantagens obtidas pela produção em grande escala em uma organização de grande porte também podem ser obtidas pelo somatório de pequenas empresas que atuam em um mesmo território ao recorrerem a um único mercado de trabalho local. Tal fato está fundamentado no pensamento de Marshall (1996) que chegou à mesma conclusão ao estudar os distritos industriais ingleses.

A Terceira Itália também se beneficiou do chamado “campo urbanizado”, ou seja, havia interação entre o setor rural e o urbano. O território era constituído por municípios de pequeno ou médio porte, com uma rede de empresas comerciais, artesanais, fábricas de produção em série limitada, bancos. Também possuía boa infraestrutura das rodovias, serviços administrativos eficientes prestados pelo Estado. A importância do rural está na formação familiar autônoma, pois as famílias eram proprietárias de pequenos lotes de terra. Alguns membros dessas famílias constituíram ou foram prestar serviços nas pequenas empresas. Estavam culturalmente acostumados a trabalhar com autonomia e mobilidade, tornando-se polivalentes. Assim, as pessoas poderiam somar as rendas do trabalho assalariado prestado para as pequenas empresas às rendas suplementares obtidas no meio rural, proporcionando maior acumulação de capital (BAGNASCO, 1999).

A conjuntura econômica mundial, aliada ao fenômeno cultural descrito acima, também contribuiu para o desenvolvimento da pequena empresa, pois havia uma demanda por bens de consumo não-padronizados, valorizando a diferenciação entre os produtos. Foi criado um bom clima social, cultural e político direcionado para o

desenvolvimento da pequena empresa. Bagnasco (1999) resume os pontos fundamentais do fenômeno. São eles: pequenas acumulações de capital inicial distribuídas pelo maior número de empresários potenciais (famílias de artesãos, comerciantes, agricultores, etc.); capacidades de gestão; qualificações técnicas; estruturas relacionais que proporcionem confiança recíproca e bom clima social, constituindo-se como um recurso imprescindível para qualquer tipo de desenvolvimento. Já Becattini (1999) destaca: a coexistência singular de concorrência e solidariedade entre as empresas, reduzindo os custos de transação no mercado local; inovação favorecida pelo “clima industrial”; grande mobilidade, tanto horizontal quanto vertical, dos postos de trabalho; e cooperação para alcançar objetivos econômicos, geográficos e sociais.

Todos esses aspectos favorecem o surgimento das “economias externas”, descritas por Marshall (1996), que geram benefícios para todas as empresas que estão instaladas no território, mesmo que não haja participação individual de todas nas ações desenvolvidas. O simples fato de estar instalada no mesmo território garante os benefícios que contribuem para o aumento de sua produtividade. Além disso, predomina a “produção flexível”, também chamada de “especialização flexível”, segundo a qual as pequenas e médias empresas articuladas entre si conseguem alcançar grande flexibilidade na produção. Com isso, conseguem atender aos seus clientes no volume e no prazo estipulado e mantêm seus custos e preços competitivos.

Os distritos industriais italianos tiveram grande desenvolvimento econômico, principalmente durante as décadas de 70 e 80 do século XX. No entanto, conforme destaca Schimitz (1997), esses resultados não foram observados no início da década seguinte, o que mostra que os distritos industriais também podem passar por momentos de crise, conforme evidenciado pelo trecho a seguir:

(...) os distritos calçadistas italianos estão passando por um momento difícil e estão começando a se reestruturar: no passado havia competição e cooperação entre iguais; agora há mais hierarquia, no sentido de que as firmas que se tornaram grandes estão subcontratando as menores. (SCHIMITZ, 1997, p. 176).

Castells (1999) também observou a crise das empresas italianas da região da Terceira Itália. O autor destaca que ocorreu uma série de fusões, com isso, algumas empresas passaram a ser controladas por grandes empresas ou elas mesmas se tornaram grandes, um exemplo é a Benetton.

Esta reação não era exatamente a esperada, uma vez que vai de encontro aos pressupostos de criação do distrito industrial baseado em micro e pequenas empresas com relações horizontais. Entretanto, Schmitz (1997) destaca que a crise em si não demonstra nenhum sinal de fraqueza, o importante é verificar a capacidade de reação e restauração do período de prosperidade econômica. Nesse contexto, é possível verificar que os distritos industriais europeus podem passar por fases e se moldarem conforme o ambiente. Por isso não devem ser tomados como exemplos absolutos ou padrão de medida para a construção ou replicação do modelo em outras partes do mundo, principalmente quando se trata de países em desenvolvimento em que o conhecimento e estudos a respeito de distritos industriais ainda estão em construção.

Schmitz (1997) ressalta que os modelos de distrito industrial inglês e italiano apresentam pontos em comum. No entanto, podem se diferenciar pela questão da existência ou não do fator cooperação entre as empresas. Marshall (1996) mostra que os distritos industriais ingleses geram tanto economias internas quanto externas. Já o modelo de distrito industrial italiano, descrito por Bacattini (1999), mostra que, além das economias externas e internas marshallianas, no distrito industrial deve haver cooperação entre as empresas e interação destas com a sociedade. Fato que pode gerar sinergias positivas e fomentar a cultura empreendedora. Outro conceito que busca explicar a aglomeração de empresas é conhecido como “cluster”.