O objetivo desta fase era treinar a emissão de respostas de Tocar o Alvo (ToA), sem que a caixa estivesse presente. Esperava-se com isso aumentar a probabilidade de que respostas de olhar em direção ao alvo ocorressem durante as etapas seguintes, quando os animais precisariam empurrar a caixa em direção ao alvo.
Nesta sessão, sem que a caixa estivesse presente, o alvo era afixado na parede frontal ou traseira da Câmara de Insight e eram modeladas as respostas que gradualmente se aproximassem de ToA, e posteriormente foram reforçadas apenas as respostas de ToA estando longe do mesmo.
O alvo variava de posição dentro da câmara, sempre ocupando uma nova posição ao longo da parede frontal ou traseira da câmara a cada tentativa concluída corretamente pelo sujeito.
Seguindo o procedimento original realizado por Epstein et al (1984) e Epstein (1985 e 1987), não foi determinado critério de encerramento baseado em desempenho para esta fase,
tendo sido programada apenas uma sessão deste tipo. Esse critério evitava que ocorresse um fortalecimento excessivo das respostas de ToA.
Fase 12 – Modelagem da Terceira Habilidade do Repertório 2: Empurrar a Caixa (EmCx) Direcionadamente com o arame.
O objetivo desta fase era estabelecer as respostas de Empurrar a Caixa (EmCx) em direção ao alvo, que nesta fase eram “guiadas” por um fino arame preso da extremidade frontal à extremidade traseira da Câmara de Insight.
O arame traspassava o Cubo e era preso na base de uma das barras do piso, de modo a ligar verticalmente a extremidade frontal à extremidade traseira da Câmara de Insight. Com o Cubo traspassado pelo arame todas as respostas de EmCx seriam necessariamente em linha reta, uma vez que o arame impedia que a caixa corresse de lado.
Nesta fase o arame estava sempre disposto verticalmente, ligando as paredes frontal e traseira da Câmara de Insight. O alvo era colado sempre em uma destas paredes e na direção do arame, sempre pelo lado de fora da Câmara. Deste modo só havia duas possibilidades de resposta de EmCx: acerto (EmCx em direção ao alvo) ou erro (EmCx em direção contrária ao alvo).
O procedimento de modelagem envolvia aqui a combinação dos procedimentos de modelagem das duas últimas fases: quando o animal emitisse uma resposta de Tocar o Alvo (ToA), uma gota d’água seria liberada. Uma vez que o reforço fosse liberado para esta resposta, a próxima resposta de ToA não seria reforçada até que o sujeito houvesse emitido uma resposta de EmCx. Depois disto, assim como ocorria com a resposta de ToA, uma nova resposta de EmCx não seria reforçada até que uma resposta de ToA fosse novamente emitida. Em suma, era necessário que o animal alternasse entre ToA e EmCx, sendo cada uma dessas respostas reforçadas alternadamente. Cada uma dessas respostas tinha critérios próprios de
modelagem (descritos na apresentação dos resultados) e as mudanças de critérios eram independentes entre si.
Ao longo da sessão os critérios para ToA (Critérios A) foram sendo “afrouxados”, ou seja, eram exigidas respostas de contato cada vez mais distantes com o alvo, até culminar com o padrão de apenas Olhar em Direção ao Alvo (OlA). À medida que este padrão final ia se estabilizando, o número de reforços por OlA ia diminuindo gradualmente até cessar totalmente. Eram alternadas seqüências com reforço por OlA (EmCx – S+ – OlA – S+ – EmCx – S+) com seqüências sem reforço para esta resposta (EmCx – S+ – OlA – EmCx – S+), sendo que o número de seqüências com reforço por OlA era gradualmente reduzido.
Já o critério exigido para EmCx em direção ao alvo (critérios B) era aumentado ao longo das tentativas, de modo que os sujeitos precisavam cobrir distâncias cada vez maiores com a caixa até que esta atingisse o alvo. Não era exigido o deslocamento da caixa ao longo de toda a câmara, pois como ela estava sempre em linha reta com o alvo, era possível que o animal aprendesse a empurrar a caixa sempre em direção à parede oposta àquela onde a caixa estava encostada. Com o procedimento adotado, era possível identificar os erros do animal e reforçar apenas aquelas respostas que levassem a caixa ao alvo, e não aquelas que fossem simplesmente guiadas para a parede oposta.
Cada tentativa era feita com o alvo fixo em uma das paredes da Câmara de Insight e a caixa era colocada na posição relativa ao critério em vigor (a 15 cm, 22 cm ou 30 cm da parede). Em uma tentativa os sujeitos poderiam empurrar em direção ao alvo ou para o lado contrário. Cada vez que os sujeitos empurravam na direção contrária, a tentativa era considerada falha, e a caixa era recolocada em seu lugar de origem23. As tentativas eram repetidas até que uma resposta correta fosse emitida, quando, então, o reforço era liberado e a caixa recolocada na posição relativa ao critério em vigor e uma nova tentativa reiniciada.
23Era utilizado um sistema de arame para puxar a caixa de volta para seu lugar. Esse sistema consistia em um fino fio de arame preso por debaixo da caixa e cuja outra extremidade ficava para fora da câmara, de modo que o experimentador podia manipular a posição da caixa por ele.
As posições do arame e do alvo eram fixas durante toda a sessão. As únicas exceções foram na terceira sessão para o H6A e na segunda para o H6B, nas quais foram usadas duas posições diferentes ao longo da sessão (Furos 1 e 7 para o H6A e 2 e 7 para o H6B, sendo que cada alvo foi utilizado por 15 minutos consecutivos).
Para que essa fase fosse encerrada era necessário o cumprimento de dois critérios: (1) que as respostas de olhar para o alvo e empurrar a caixa em direção ao mesmo fossem emitidas de forma encadeada e não como respostas independentes; e (2) que a distância percorrida com a caixa nessa condição fosse igual ou superior a 2/3 da extensão da profundidade da câmara (30 cm). Terminada essa etapa de modelagem foi realizada uma sessão de fortalecimento dessa habilidade para cada sujeito24.
Nesta sessão de fortalecimento houve variação da posição do alvo, quando sua posição passou a ser trocada a cada tentativa corretamente completada. A posição era alternada entre a parede da frente e de trás. Essa medida foi tomada para garantir que o animal empurrasse para onde estava o alvo e não para a última posição onde houvera a liberação do reforço. Contudo, nem sempre era feita uma interpolação dessas duas posições. O fato de nem sempre se alternar a posição a cada tentativa tinha como objetivo garantir que não houvesse a aprendizagem de empurrar sempre na direção oposta de onde se havia empurrado antes. A proporção de mudanças de posição era de aproximadamente 90% em relação a 10% em que não eram feitas alterações de posição. Após esta sessão de fortalecimento esta etapa foi encerrada.
24Uma análise posterior dos resultados mostrou de que a adoção de uma única sessão de fortalecimento foi equivocada, de modo que para futuras replicações a adoção de um critério baseado em desempenho pode ser mais adequado.
Fase 13 – Modelagem da Quarta Habilidade do Repertório 2: Empurrar a Caixa (EmCx) Direcionadamente sem o arame.
O objetivo desta fase era treinar os animais a Empurrar a Caixa (EmCx) Direcionadamente em direção ao alvo Sem o auxilio do Arame. Nesta etapa, sem o arame presente, as respostas de empurrar a caixa em direção ao alvo eram reforçadas.
A distância percorrida com a caixa a cada tentativa era de toda a extensão da profundidade da Câmara de Insight25, ou seja, 45 cm. Deste modo, cada tentativa era iniciada com a caixa sendo “descolada” da parede oposta ao alvo e poderia terminar de três diferentes maneiras: (1) com a caixa sendo levada até o alvo, o que levava à liberação do reforço e o início de uma nova tentativa; (2) com a caixa sendo levada para a parede onde o alvo estava afixado, mas em uma posição distante do alvo (acima de 10 cm), o que acarretava em uma “falha” e no início de uma nova tentativa; ou ainda (3) com a caixa sendo descolada da parede, levada até algum ponto central da Câmara e trazida de volta para a parede em que estava encostada originalmente, o que também era considerada uma “falha” e acarretava na realização de uma nova tentativa. Caso os sujeitos empurrassem a caixa para a parede com o alvo e a abandonassem em algum ponto próximo ao alvo (até cerca de 10 cm), a tentativa prosseguia normalmente até que um dos critérios de acerto ou falha acima descritos fosse cumprido.
Independentemente de ser concluída com um sucesso ou uma falha, cada tentativa era reiniciada com o alvo sendo alocado na parede oposta àquela em que a caixa estava encostada. Contudo, se a tentativa fosse uma falha o alvo era posicionado de modo a formar com a caixa um ângulo aproximadamente igual ao ângulo do início da tentativa anterior e em caso de sucesso um novo ângulo era adotado.
25Posteriormente verificou-se que a adoção de um critério inicial tão alto para as respostas de EmCx sem arame foi precipitada, de modo que para futuras replicações é recomendável que se use critérios mais baixos de deslocamento.
A cada tentativa bem sucedida a posição do alvo em relação à caixa era modificada. A primeira tentativa de cada sessão era feita com o alvo sempre em alinhamento vertical (ângulo reto) com a caixa e a partir daí eram utilizados também posicionamentos em diagonal. O ângulo formado entre a caixa e o alvo na diagonal variava durante e entre as sessões, sendo que a caixa era afastada do cubo a duas distâncias distintas: uma distância mínima de “meio furo” (7,5 cm) e uma distância máxima de um furo (15 cm). Ou seja, para esta fase poderiam ser adotadas três possibilidades de deslocamento distintas: ângulo reto; afastamento de meio furo e afastamento de um furo. Como a posição de onde a caixa partiria a cada tentativa era imprevisível era inviável a adoção de uma seqüência prévia das posições a serem utilizadas. Um esquema com dois dos três ângulos programados para esta fase foi apresentado na Figura 6 abaixo:
Figura 6: Figura esquemática da amplitude das mudanças de ângulo entre a caixa e o alvo realizadas durante as sessões de modelagem de empurrar a caixa direcionadamente sem o arame.
As mudanças de ângulo não eram necessariamente apresentadas em ordem crescente (ângulos progressivamente maiores), pois a posição e orientação (reto ou diagonal) da caixa precisavam variar entre ângulos maiores e menores durante a sessão para evitar o fortalecimento excessivo de empurrar sempre em um mesmo sentido.
Esta etapa estava programada para ser encerrada quando os animais fossem capazes de produzir pelo menos três reforços empurrando a caixa a uma distância de um furo em uma
mesma sessão. No entanto, como este procedimento não estava apresentando os resultados esperados, esta fase foi encerrada antes que tal critério houvesse sido atingido.
Fase 14 - Modelagem da Quarta Habilidade do Repertório 2: Empurrar a Caixa