A constituição de um Grupo de Trabalho, no contexto pedagógico da escola, oportuniza interações entre seus participantes, com vista a essa dinâmica grupal, podemos diferenciar as práticas cooperativas das colaborativas.
Ponte (2004) contribui para a nossa pesquisa, considerando a colaboração como uma estratégia fundamental para ser incluída nas atividades profissionais docentes na medida em que surgem os problemas ou dificuldades, além disso, afirma que essas não se resolvem em nível puramente individual.
Seria conveniente destacar Ponte (2004) que descreve o percurso de umaexperiência de um grupo de professores e formadores ligados à disciplina de Matemática, na qual se empenharam na produção coletiva e na divulgação de suas investigações sobre a sua própria prática. Como, particularmente, vivenciamos uma situação similar, o que nos proporcionou reflexões e debates dos desafios enfrentados, das dificuldades existentes e da superação pelos
docentes. Enfim, mostrou-nos a necessidade de reagir à acomodação confortável de uma circunstância, para avançarmos, seguirmos em frente, passo a passo, e enfrentarmos os desafios identificados também no Grupo de Trabalho que pesquisamos.
Destacamos Ponte (2004) pelo fato de observarmos a conquista do grupo com um todo; por conseguinte, dos professores, que se superaram na produção de conhecimento teórico de suas práticas. Esse grupo que Ponte (2004) cita propôs coletar e analisar textos. Produziu um livro que contém dez relatos de experiências realizadas pelos professores, bem como convidados, com experiência de formação de professores. Entre as dificuldades mencionadas por vários sujeitos participantes do grupo, estão a compatibilização entre o trabalho a realizar no âmbito do grupo e outros compromissos profissionais e pessoais, e o processo de escrita de artigos científicos produto desse grupo.
Estes problemas poderiam ser atenuados, conforme sugere Maslow (1968, p.81) sobre o desenvolvimento do indivíduo: “não podemos forçar a pessoa a progredir, apenas podemos instigá-la para que o faça, criar mais possibilidades para ela, confiando em que o simples fato de ela aceitar uma nova experiência fará com que ela a prefira a outras já conhecidas”.
Destacamos, agora, uma pesquisa realizada com grupos de professores, na qual Ferreira (2003, p.79) aprofunda o tema discutindo sobre o trabalho colaborativo. De acordo com sua experiência pessoal, a autora considera que o grupo deve ter as seguintes características para sua formação: a primeira refere-se à “ideia de que a participação precisava ser voluntária”. Também compartilhamos com esse modo de perceber o grupo, visto que não será possível realizar nenhum trabalho se essas pessoas se sentirem obrigadas a participar do grupo, uma vez que elas precisam se sentir participantes, envolvidas com o objetivo grupal, que, discutido por elas, passa também a ser sua meta. Consequentemente, o grupo compartilha com elas os problemas e os desafios, e a pretensão do coletivo resultará no alcance dos objetivos particulares.
A segunda característica decorre da anterior na medida em que, para que as pessoas decidam participar do grupo, é, como afirma a autora, “necessário existir um compromisso e uma responsabilidade para com o grupo”. Avaliamos com isso que elas devam conhecer as proposta do grupo, decidir metas, ser frequentes, compromissadas com o horário, ter responsabilidades com o material e motivar-se e, quando necessário, incentivar os seus colegas.
Em seguida, como terceira característica, temos a importância de “que todos tivessem vez e voz”, que consideramos imprescindível, visto que almejamos um ambiente que possua o sentido dialógico, no qual os participantes, mesmo em perspectivas diferentes, deveriam ter o
direito de pronunciar-se e, para isso, devemos respeitar as opiniões dos outros. É um processo de aprender a escutar o outro, as suas argumentações.
Como última característica, a autora aponta a necessidade de que “o grupo representasse o anseio de seus membros, não apresentando uma proposta fechada, mas construindo os próprios caminhos”. Desta forma, há uma aprendizagem contínua de todos os participantes, com liberdade para decidirem sob quaisquer aspectos do grupo para que esse se consolide.
O grupo do tipo coorperação nós consideramos o mais comum no ambiente das escolas, pois como define Ferreira (2003), a hierarquia é clara, os professores obedecem a uma pessoa que os coordena e participam de algumas decisões, às vezes, não conhecem as metas com um todo, apenas executam uma tarefa. As consequências são o pouco envolvimento dos mesmos, apesar de todos serem beneficiados em alguma proporção, quando a meta é alcançada.
Tanto Ferreira (2003) como Ponte (2004) afirmam que as situações, com os tipos de relacionamento e de estratégias, colaboração e cooperação, assemelham-se na ideia de que as pessoas trabalham juntas com um objetivo comum; no entanto esses tipos são diferentes em sua essência da organização, por exemplo, em relação ao grau de compromisso das metas comuns. Na colaboração, há uma maior harmonia no grupo, na execução do projeto, seus membros tomam decisões conjuntas. O grupo se beneficia como um todo, e, por consequência, o indivíduo participa das decisões e tem consciência da importância do grupo para ele.
Neste ponto, esse tipo de relacionamento se distingue do tipo cooperação, no qual os participantes aceitam responsabilidades e papéis diferentes, além de trabalharem juntos por uma meta que não necessariamente é de todos. Ponte (2004, p.2) enfatiza que, “num trabalho de colaboração, a existência de objetivos comuns fortes não é incompatível com o prosseguimento de objetivos individuais próprios por cada um dos intervenientes”. Neste contexto, o autor avalia que uma condição fundamental para o êxito do trabalho seria a articulação entre os objetivos pessoais e os grupais.
Outra diferença ressaltada por Fiorentini (2006) é sobre a relação de hierarquias existente dentro do grupo, em cooperação, uns ajudam aos outros, mas há relações de desigualdade e hierárquicas, enquanto, no grupo colaborativo, todos trabalham conjuntamente, as relações tendem a ser não hierárquicas, havendo liderança compartilhada e corresponsabilidade pela condução das ações.
Neste sentido, Fiorentini (2006) sugere também a pesquisa como cooperativa ou colaborativa, contando com a participação de todos os envolvidos numa prática também investigativa, em que todos cooperam ou colaboram na realização conjunta do processo investigativo que vai até a fase de análise e escrita do relato final.
Como a atividade da educação é um processo complexo, optamos por caminhar valorizando o saber da prática do professor, sua experiência pessoal e profissional, bem como estimular a troca de informação, de forma colaborativa. Esse diálogo é fundamental entre os professores, visto que são eles que, refletindo sobre suas práticas, irão criar condições de ação, sendo responsáveis pela produção de seu saber e capazes, se quiserem, de mudar, de transformar suas práticas.