Software Implementation
6.5 Conclusion on Software Implementation
Os agentes (indivíduos e organizações) têm poderes diferenciados nas instituições. A disposição de suas ações está relacionada à disputa pela posição relativa que ocupam no espaço social e à concorrência com os demais agentes. A posição do agente depende de sua capacidade de acumular capital simbólico no espaço social em que se efetivam as disputas sociais.
Enquanto Campo Social, as instituições são sistemas de classificação que se estruturam através de uma dinâmica social relacional. A sua lógica de funcionamento é pautada pela forma de distribuição e de valoração do capital simbólico, estruturado sobre os atos de conhecimento e reconhecimento dos agentes no interior do espaço social. Portanto, o capital simbólico é elemento importante para explicar o funcionamento das instituições, a relação entre instituições e com a própria sociedade.
O capital simbólico tem diferentes formas de valoração, de acordo com as maneiras de composição relativa existente em cada instituição entre os capitais econômico, social e cultural, na distribuição do capital simbólico. Cada instituição em um determinado momento tem a sua repartição específica42. Essas diferentes formas de capital atuam como ―fichas‖ dentro do jogo social em que o agente está inserido, que têm a motivação de manter-se na mesma posição que ocupa ou de alcançar novas posições; sua força é alterada em função do acúmulo do tipo de capital de que dispõe e da forma como a composição desse capital é valorizada nas instituições que atuam no espaço em que está inserido o agente.
O capital simbólico leva ao reconhecimento prático do agente que se faz representar em uma dada posição social, adquirindo, ao mesmo tempo, o reconhecimento e o poder de reconhecer. Cada instituição faz uma investidura simbólica conforme seus ritos (tácitos ou implícitos), usados para justificar quem pode ser consagrado, são regras aceitas pelos seus membros (contidas no nomos, legitimadas pela doxa), o que faz do ―rito da investidura‖ um
escolares, ou pelas relações sociais de transmissão do conhecimento (tácito ou erudito); da posse dos bens culturais; ou por formas institucionalizadas, representado pelos títulos conferidos pelas instituições. E o capital social que corresponde ao processo de produção, acumulação e de reprodução da rede de relacionamentos, que possibilita o acesso social e a capacidade de mobilização, pela posição formal que ocupa na instituição ou pela liderança que exerce.
42 O capital simbólico seria a representação da posição social relativa em cada estrutura, determinada
pela combinação do volume e da qualidade, a partir da síntese da forma de distribuição em cada instituição de diferentes espécies de capital (econômico, social e cultural) que atribuem ao agente o seu reconhecimento social interno (pelos seus pares) e influenciando o reconhecimento externo (pelos demais agentes e pelas instituições que compõem o espaço).
poder simbólico que só permanece como tal se for reconhecido socialmente como um ato legítimo capaz de consagrar e de ser consagrado. Embora tenha ares de impessoalidade, a ordem simbólica que se efetiva é sempre pessoal, pois se trata de um processo prático, entre agentes concretos, no mundo em que estão inseridos, ou seja, são relações conformadas socialmente por um processo de poder, de diferenciação entre agentes, em distintos espaços.
Os agentes são caracterizados pelo volume de seu capital em relação ao capital dos demais agentes, ou seja, sua caracterização depende de forças internas, dentro das instituições, e de forças externas, no espaço social em que estão inseridos. Existe, assim, uma correlação entre a capacidade de influência da estrutura social sobre o agente e a instituição, onde a pressão é maior quando o seu peso relativo for menor. Nesse sentido, a relação entre os agentes na vida social cotidiana acaba sendo afetada pela distribuição do capital em um dado momento. Não existe, entretanto, uma relação direta entre o peso exercido por uma instituição e o peso das demais. Com efeito, as instituições exercem suas atividades com certo grau de autonomia e com composições diferenciadas em ambientes institucionais diferenciados, estabelecendo relações objetivas e subjetivas no espaço em que se efetivam.
Vale lembrar que, embora tenha um peso fundamental, o capital econômico não é o único determinante para que se tenha prestigio e reconhecimento institucional. Há outras formas de acumular capital simbólico, que podem resultar de outras motivações mediatas e imediatas subjetivas, o que não significa que no futuro não venham a transformar-se em algum ganho objetivo. Muitas ações existentes são direcionadas para a mobilização da busca de reconhecimento ou prestígio perante os outros.
A disputa pelo poder exercido no jogo da vida social cotidiana jogado pelos agentes objetiva-se nas ações práticas em um dado momento. Essas certezas que se formam enquanto uma lógica interna são as regras de um jogo. Ao definirem os limites, dão sentido a quem está no jogo. De um ponto de vista externo, isso se torna completamente incompreensível: por exemplo, ―as ambições de carreira do alto funcionário podem deixar o pesquisador indiferente, e os investimentos a fundo perdido do artista ou a luta dos jornalistas para ter acesso à primeira página permanecem quase ininteligíveis para o banqueiro‖ (BOURDIEU, 2001, p. 118).
No processo de formação do capital simbólico nas relações sociais, as representações simbólicas assumem posições tão poderosas que passam a exercer um conjunto de censuras silenciosas impostas por uma lógica moral que remete a sentimentos de fobia, culpabilidades, desejos etc.
O capital simbólico assegura formas de dominação, que envolvem a dependência perante os que ele permite dominar: com efeito, ele exerce apenas na e pela estima, pelo reconhecimento, pela crença, pelo crédito, pela confiança dos outros, logrando perpetuar-se apenas na medida em que consegue obter a crença em sua existência (BOURDIEU, 2001, p. 202).
A conformação do capital simbólico está relacionada à estrutura de dominação simbólica, o agente tende a submeter-se à correlação de forças sociais. A sua capacidade de motivação para agir é proporcional a sua força dentro da instituição e da sociedade em que está inserido; o habitus, pelo senso prático, está ligado à posição que o agente ocupa socialmente, como representação simbólica, diante de questões objetivas dadas.
A busca do poder simbólico efetiva-se nas representações simbólicas que influem no reconhecimento pelas estruturas sociais das instituições. Essa relação entre as formas de dominação simbólica e o agente varia de acordo com o peso simbólico que for atribuído a cada instituição.
As instituições procuram manter uma autonomia dinâmica em sua própria evolução, têm uma racionalidade própria, mas acabam também aprisionadas dentro da mesma lógica sistêmica, gerando uma dependência institucional43. Cada instituição tem suas especificidades nas relações práticas, em função da forma como se efetiva o poder simbólico nas decisões e nas ações de seus agentes.
As instituições, pelas interseções cotidianas, por atuarem duplamente na constituição especifica do agente: na percepção cognitiva enquanto ser e nas regras e normas do ambiente social em que está inserido, pode-se recorrer a elas (as instituições) para delinear a formação do habitus do agente. A formação do agente deriva da vivência social, do senso prático, por meio da família, do clube social, da escola, da empresa, da religião e das demais instituições que fazem parte do cotidiano da vida prática. Cumpre lembrar que as instituições só se efetivam por serem relações sociais, de agentes (seres sociais) conectados entre si, em uma diversidade social, cultural, econômica, com diferente acúmulo de capital simbólico, inseridos
43 Segundo Weber, o processo histórico de racionalização social, por meio da racionalidade material e
formal pelos fins, na qual se baseiam as instituições modernas, faz nascer os principais atores da política moderna: os políticos profissionais e a burocracia estatal, com duas categorias de funcionários – os de carreira e os políticos. Logo é possível viver da política ou para a política. Por causa da complexidade dos problemas sociais, ganha força uma burocracia moderna, com a ascensão de um funcionalismo especializado, em um sistema ordenado e hierárquico que distancia o cidadão das decisões fundamentais. Essa irrefreável burocratização que aprisiona o Estado e a economia é descrita no capítulo ―Sociologia da dominação‖, em Economia e sociedade (WEBER, 2012, v. 2, p. 542-543).
em um espaço apropriado, geográfico e socialmente concreto, ligados por relações objetivas e subjetivas, mediadas pelo habitus.