Desenvolver esta monografia foi de extrema importância para mim, uma vez que foi capaz de tornar possível o meu crescimento como historiadora, possibilitando um maior conhecimento sobre o papel atribuído ao futebol durante o Estado Novo, bem como os instrumentos utilizados pelo governo em questão na busca da construção de uma nacionalidade por meio do esporte, principalmente o futebol durante a realização dos campeonatos mundiais.
Durante esse trabalho procurei mostrar como o futebol se constituiu como forte elemento manipulador das massas. Sendo possível perceber que lhe foi concedido um papel político com objetivo de consolidar uma nação forte, preparada e capaz de se apresentar diante das demais nações, se constituindo ao longo dos anos como elemento de manipulação política através dos meios de comunicação, diretamente influenciados pelo regime autoritário de Vargas, que foram de grande auxílio no controle das massas, controle social que projetava a imagem de um nação vencedora por meio de grandes espetáculos públicos, leis trabalhistas, manifestações culturais e decretos-leis, vinculados diretamente à figura do líder político Getúlio Vargas. Foi necessário mostrar a nacionalização do esporte, por meio das leis nacionalistas fiscalizadas pelos órgãos de repressão, uma vez que a partir dessas intervenções e regularizações seria possível construir e fortalecer o projeto político do país: a identidade nacional.
Dessa forma foi possível perceber que o futebol não foi e não é somente um esporte que se apresenta com o propósito de simples diversão e espetáculo esportivo, além de possuir grande responsabilidade social, teve a sua imagem vinculada às políticas públicas brasileiras, principalmente durante o Estado Novo, além de apresentar uma função cultural inegável.
Procurei mostrar como se constitui a relação futebol e Estado Novo – um regime autoritário centralizado na política trabalhista e na paixão futebolística –, pois essa foi a primeira vez que um governo brasileiro utilizou o esporte de forma direta para legitimar as suas ações. Neste sentido, procurei mostrar como foram construídas as simbologias do futebol no imaginário popular e como se deu a busca de um “homem novo”, que apresentaria as qualidades necessárias para a formação de um Estado forte, por meio da educação e da prática esportiva, atingindo assim a ideologia nacionalista. A associação dos jogadores de futebol a heróis da pátria, antes das partidas nos campeonatos mundiais, também foi apresentada como consequência de um governo soberano capaz de fazer os brasileiros não se apresentarem
como inferiores perante os demais. Os jogadores passaram a ser representados como exemplo de coletividade harmônica, feliz em defender a imagem do país no exterior.
Considerei necessário mostrar os quatros primeiros mundiais, pois a partir deles foi possível compreender como foram construídas as relações entre futebol e povo. Os dois primeiros mundiais (1930 e 1934), foram importantes na medida em que as péssimas colocações foram apresentadas como reflexo da intolerância de alguns dirigentes, principalmente os paulistas, que por questões políticas não liberavam os seus melhores jogadores. Neste período ainda permaneciam as rivalidades regionais herdadas dos dois pólos (Rio de Janeiro e São Paulo) de poder no país. Nestes casos ficou evidente que as questões políticas permaneceram em primeiro lugar, enquanto as questões relacionadas diretamente ao esporte ficaram em segundo plano. A partir de 1937 os Estados perdem a sua autonomia e se submetem à União.
O mundial de 1938 foi importante neste trabalho porque a partir dele o governo varguista viu diretamente no esporte o objeto ideal na busca do projeto de unidade nacional, intensificando assim os ideais de uma nação unida. A Copa de 1950, apesar de já findo o Estado Novo, foi de extrema importância para compreender como um campeonato foi capaz de mobilizar os diversos setores da nossa sociedade e como uma possível conquista seria capaz de mudar a construção de alguns estereótipos que o brasileiro carregava. Ao apresentar a derrota procurei compreender como ela atingiu a população brasileira, como influenciou na caracterização dos brasileiros.
Sabemos que hoje em dia o futebol possui grande destaque na mídia, em todos os canais de televisão e emissoras de rádio há programas esportivos e nos jornais ganha tanto destaque quanto a política e a economia. Nos cadernos dedicados ao esporte, o futebol possui o maior destaque, são várias as páginas dedicadas ao assunto, por ser o esporte que atinge as multidões e desperta grandes emoções e paixões, não é de se surpreender todo o destaque e interesse que ele provoca na população brasileira, enquanto outros esportes ficam em segundo plano. Na literatura também ganhou destaque, são vários os autores que procuram abordar esse esporte a partir de distintas perspectivas. Nesse sentido, a utilização de crônicas sobre futebol foi muito importante na realização deste trabalho, devido ao fato de que abordam o futebol, principalmente as derrotas, de uma forma diferente dos demais meios de comunicação, que procuram desvalorizar este ou aquele jogador. As crônicas sobre o mundial de 50 ajudaram a compreender a construção das imagens de alguns jogadores e a relação da população com o esporte mais praticado no mundo, o esporte mais adorado pelos brasileiros.
Na realização deste trabalho, foi possível entender como um campeonato mundial foi e é capaz de despertar todo o sentimento de amor à pátria até mesmo naquele que não torce por nenhum time. Em ano de Copa do Mundo, saímos nas ruas com bandeiras do Brasil e por todo o país o verde e o amarelo se tornam as cores do país. Durante um mês nos esquecemos dos problemas que o país enfrenta e depositamos nos jogadores todas as nossas esperanças em busca do primeiro lugar. Dessa forma foi possível entender como o futebol ganhou todo esse destaque no nosso país, como foi capaz de despertar os mais distintos sentimentos e a sua utilização pelo governo varguista como um importante instrumento de manipulação política.