A Nova América S.A. - Agroenergia é a nova designação a partir de 2006 da Nova América S.A. - Alimentos, unidade estratégica de negócios do grupo Nova América, este sediado em Assis, São Paulo. Para conhecer a empresa, portanto, é preciso antes apresentar o grupo da qual faz parte.
O grupo Nova América, fundado em 1947 no interior de São Paulo, é uma empresa de capital fechado e controle familiar que atua no agronegócio, mais especificamente nas agroindústrias sucroalcooleira e citrícola. Tem o açúcar e o álcool, commodities gêmeas derivadas da cana- de-açúcar, como seus principais produtos, mas atua também na área de produção e comercialização de laranja, suco concentrado e sucos prontos para beber. Possui ainda um terminal de importação e exportação no Porto de Santos para atender à própria demanda do grupo e também à de terceiros, além de duas tradings, uma instituição financeira e uma fundação, que assessora o grupo na área de recursos humanos, comunicação interna e responsabilidade social. Mas seu foco situa-se na agroindústria canavieira, assumidamente o seu core business. No setor sucroalcooleiro o grupo opera de maneira verticalmente integrada, desde a produção da matéria-prima cana-de-açúcar até a sua comercialização e distribuição, passando pela industrialização em suas usinas (NOVA AMÉRICA, 2006b, passim).
O faturamento total do grupo atingiu 1,4 bilhão de reais em 2005/2006, contra 893 milhões em 2004/2005, possuindo no final do exercício de 2005/2006 um patrimônio de 870 milhões de reais e empregando cerca de 7.000 pessoas. Comercializa anualmente 1,4 milhão de
toneladas de açúcar, 150 milhões de litros de álcool etílico anidro e 70 milhões de litros de álcool etílico hidratado. As informações referem-se a anos-safra, que vão de maio a abril do ano seguinte (NOVA AMÉRICA, 2006b; 2005). O grupo Nova América exportou cerca de 20% do açúcar que comercializou e o mesmo montante da produção de álcool na safra de 2004/2005, e tinha previsão de manter os percentuais na safra de 2005/2006 (SCARAMUZZO, 2005).
Desde a instalação da primeira usina do grupo em 1947, o grupo passou por fases distintas, como a simples produção agrícola, incorporação da industrialização da matéria-prima produzida, até a agregação de aspectos mais complexos da comercialização e distribuição de seus produtos, como a logística de distribuição e a criação de produtos e marcas no varejo de açúcar.
Em 2005 o grupo Nova América comprou a marca União da Copersucar, consolidando a sua atuação no varejo de açúcar com um aumento aproximado de 600 milhões de reais no faturamento do grupo. Em 2006, redefiniu nova visão e missão alinhadas com a revisão de seu planejamento estratégico. A sua visão foi estabelecida assim:
Vivemos integrados à natureza. A natureza será fonte inesgotável de energia para a vida somente se o cultivo, a transformação e a comercialização de seus produtos e serviços forem feitos com sensibilidade, competência e responsabilidade.
Sua missão foi redefinida como:
Do valor do campo ao campo de valor. Utilizar tecnologias de cultivo e gestão, transformar e comercializar produtos e serviços oriundos da natureza (valor do campo) por meio da criação e manutenção de uma rede de relacionamentos de pessoas e instituições comprometidas com a geração de valor para todos de forma sustentável (campo de valor).
O grupo declara possuir competência logística e domínio da cadeia. Deixa clara ainda, como estratégia para o atendimento das necessidades de seus públicos, a busca contínua da geração de valor ao longo da cadeia produtiva (NOVA AMÉRICA, 2006b, p. 5).
O grupo possui um conselho de administração composto pelos seus acionistas, membros da família Resende Barbosa, responsáveis pelas decisões em nível macro da gestão corporativa do grupo como um todo. A Resende Barbosa S.A. Administração e Participações controla um
total de doze empresas que integram o grupo Nova América. A organização se coloca entre os duzentos maiores grupos privados do país (NOVA AMÉRICA, 2005, p. 4).
A Nova América S.A. - Agroenergia, objeto do estudo de caso que complementa esta dissertação, atua especificamente na indústria sucroalcooleira, fabricando e comercializando derivados de cana-de-açúcar, açúcar e álcool, além de levedura e ainda gera energia por meio do bagaço de cana, que serve à sua auto-suficiência de energia e à comercialização de pequenos excedentes. Segundo o gerente administrativo Marcelo Avanzi, o foco da empresa é o mercado interno, tendo optado pelos segmentos varejista e industrial, ainda que exporte uma pequena parcela de sua produção.
A unidade estratégica de negócios aqui estudada produz açúcar cristal, refinado e líquido para os segmentos industrial e varejista. A Tabela 1 apresenta o volume produzido de açúcar da empresa em toneladas, nas safras findas em 30 de abril do ano indicado. Não incluem, portanto, ainda, a aquisição da marca União.
Tabela 1 - Volume de açúcar em toneladas produzido pela Nova América S.A. – Agroenergia
2003 2004 2005 Cristal 530.266 559.590 522.006
Líquido 26.240 29.079 27.724
Refinado 136.727 166.103 175.230
Açúcar total 693.233 754.772 724.960
FONTE: NOVA AMÉRICA, 2005, p. 5.
No segmento industrial, a empresa atua com os açúcares refinados Dolce, Cristal Nova América e confeiteiro Dolce Sabor, em sacas de 25 e 50 quilos e big bags de 1.200 quilos. Também produz açúcar líquido refinado em diferentes versões. O segmento industrial de açúcar, segundo Mathias (2005, p. A8), “[...] recebe impacto da variação da renda e da expansão ou retração do mercado.”
A atuação no varejo de açúcar começou a partir da década de 1980 por meio do açúcar cristal Nova América. Na década de 1990 foram lançados o açúcar refinado Dolce e o açúcar de confeiteiro Dolce Sabor. Em 2001 a empresa colocou no mercado varejista o Dolce Light, que adoça duas vezes mais que o açúcar tradicional. As embalagens podem ser de 500 gramas, um, dois e cinco quilos, além de sachês de cinco gramas, de acordo com o produto.
Na trajetória recente da empresa, além da mudança de denominação para abarcar a idéia de fornecedora de energia derivada de produtos como o álcool, o açúcar e a própria levedura de cana-de-açúcar, outro fato se destaca. A tradicional marca União foi adquirida em 2005 da Copersucar, cooperativa de usinas que desejava se concentrar nos mercados industrial e de exportação, de maiores volumes. A aquisição teve a finalidade de reforçar a atuação do grupo Nova América no varejo, o que de fato significou a conquista da liderança no mercado brasileiro varejista de açúcar. A família de marcas União conta com açúcares refinado, light e cristal, em embalagens e quantidades variadas, com as marcas União, Cristalçúcar, Neve e Duçula. São ofertados ainda o que a empresa chama de União Especialidades, um conjunto de produtos especiais para certas aplicações, como o União Premium, o açúcar em cubos União, o Glaçúcar e o Doçúcar. A Nova América S.A. - Agroenergia está lançando em 2006, no segmento industrial, a marca União Pró, com versões ou tipos de produtos variados. Assim a empresa passa a contar com um portfólio bastante vasto de açúcar não só para o varejo, mas também para o segmento industrial (NOVA AMÉRICA, 2006a.; 2006c; 2006d; AÇÚCAR UNIÃO, 2006).
A Nova América S.A. - Agroenergia, que emprega em torno de 2.500 pessoas, faturou em 2005, com exercício findo em 30 de abril de 2006, cerca de 1 bilhão de reais. Segundo o gerente de marketing da empresa, Sérgio Alves Teixeira, aproximadamente 25% vieram da venda de álcool, 1% de levedura de cana-de-açúcar e 74% de açúcar. Esses percentuais, entretanto, são mutáveis em razão das cotações das commodities variar e direcionar a produção e comercialização da empresa em certa medida para um ou outro produto. Da quantidade de açúcar comercializada pelo grupo, parte é produzida em suas duas usinas em Maracaí e Tarumã, no interior de São Paulo, e parte é originada de terceiros. Do faturamento total da unidade 24% correspondem ao açúcar comercializado junto ao segmento industrial, enquanto 50% representam as vendas ao varejo. A marca União representou cerca de 60% desse montante vendido ao varejo. A empresa se considera bastante açucareira, ao contrário das demais que se concentram no álcool ou num equilíbrio entre as commodities produzidas.
Entre as razões que justificaram a aquisição da marca União junto à Copersucar estão o fortalecimento e a consolidação do grupo Nova América no mercado de açúcar varejista, a obtenção de economias de escala e ainda a possibilidade de utilização da marca União em outros ramos da indústria alimentícia (BRASIL, 2005; SCARAMUZZO, 2006a).
Segundo o diretor comercial da empresa, Melchíades Terciotti, A Nova América S.A. – Agroenergia detém com todas as suas marcas, União, Dolce, Duçula e Neve, cerca de 50% do mercado varejista brasileiro de açúcar refinado e 7% do mercado de açúcar cristal. No mercado varejista brasileiro total de açúcar, englobando o açúcar refinado e o cristal, a empresa atinge cerca de 28% de participação, ocupando a liderança. Outras marcas relevantes no mercado de açúcar refinado são Caravelas, Da Barra, Alto Alegre e Guarani (SALOMÃO, 2005a, p. 58). O mercado de açúcar cristal, por sua vez, é bastante pulverizado, com cerca de 300 a 400 marcas, segundo Terciotti. A marca individual líder tem apenas cerca de 4% do mercado brasileiro.
É importante salientar que, conforme Teixeira, a Nova América S.A. – Agroenergia não se coloca como uma empresa de alimentos simplesmente, mas sim especificamente como uma empresa de geração de energia por meio dos alimentos. Daí a sua denominação ter sido trocada de alimentos para agroenergia. Teixeira ressalta sempre, nesse sentido, a necessidade de transformação da empresa.
Outro ponto que merece destaque são as certificações de qualidade alcançadas em vários de seus processos, como ISO 9002:1994 e ISO 9001:2000, além de ter implantado programas de boas práticas de fabricação e análise de perigos e pontos críticos de controle (NOVA AMÉRICA, 2006d). A importância que o grupo dedica ainda à tecnologia pode ser verificada pelo fato de Roberto de Resende Barbosa, diretor presidente do grupo Nova América, ser também presidente do Centro de Tecnologia Canavieira, importante instituto de pesquisa do setor, responsável por investigar “[...] novas tecnologias para aplicação nas atividades agrícolas, logísticas e industriais dos setores canavieiro e sucroalcooleiro e desenvolver novas variedades de cana-de-açúcar.” (CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA, 2006).
A empresa está em processo de transformação constante também em sua estrutura organizacional. Não existe um organograma atual formalizado, segundo o gerente administrativo Marcelo Avanzi, e as empresas do grupo que estão no setor sucroalcooleiro mostram-se bastante inter-relacionadas e integradas, muitas vezes se confundindo. A Nova América S.A. – Agroenergia, coração do negócio sucroalcooleiro do grupo, conforme Avanzi, possui quatro diretorias: a diretoria comercial, responsável pela área de vendas, marketing e distribuição; a diretoria de controladoria comercial, situada na cidade de São Paulo e que presta suporte à diretoria comercial; a diretoria industrial e a diretoria administrativa. Acima
do nível de diretoria há um diretor superintendente que responde por todas as empresas do grupo Nova América e acima dele situam-se os três acionistas e irmãos da família Rezende Barbosa. Na prática, segundo Avanzi, o diretor superintendente é o responsável direto pela administração das empresas do grupo, estando o seu diretor presidente Roberto de Rezende Barbosa um pouco mais distante das operações cotidianas.