Para construir o modelo de avaliação da colaboração em APLs proposto por esta pesquisa utilizou-se a GTA. Para a aplicação dessa abordagem era necessário definir as inter- relações entre os fatores e entre os subfatores de avaliação no que dizia respeito à influência de uns sobre os outros. Assim, optou-se por utilizar a ferramenta Delphi com o objetivo de obter notas assertivas acerca dessas inter-relações, pois se as notas fossem obtidas diretamente das empresas avaliadas os resultados poderiam ser relacionados apenas à realidade dessas empresas, prejudicando o modelo genérico proposto. Com isso, a realização do Delphi trouxe maior robustez ao modelo, por ter sido aplicado com professores pesquisadores da temática investigada, e maior generalidade, pois não foi direcionado para o arranjo de móveis, podendo ser replicado em qualquer outro segmento de APL. Devido à dificuldade de chegar ao consenso entre as notas dos pesquisadores, foi necessário estabelecer o que seria considerado como influências baixa, média e alta e, por fim, tirar a média entre as notas obtidas.
O modelo de avaliação oferece informações sobre a colaboração que a empresa estabelece com outras empresas do APL em relação aos fatores e subfatores considerados em sua construção. Dessa forma, cada empresa torna-se capaz de identificar o que pode ser melhorado individualmente e tomar ações que promovam e melhorem a colaboração. Além disso, se o arranjo for gerenciado por um órgão ou uma instituição, o modelo serve para direcionar ações coletivas que alcancem as empresas no geral, contribuindo para o aumento da competitividade de cada empresa e, consequentemente, do arranjo como um todo.
É importante destacar que, da maneira como foi desenvolvido, o modelo pode ser aplicado em APLs dos mais variados segmentos produtivos. Mas, além disso, ele permite que novos fatores e subfatores sejam inseridos, ou alguns já identificados sejam retirados ou ainda reagrupados, de acordo com o levantamento teórico que pesquisas futuras venham a realizar. Os fatores de avaliação podem ainda ser identificados de acordo com o setor produtivo no qual o modelo será aplicado, adaptando-se de um modelo genérico para uma realidade
particular. Dessa forma, trata-se de um modelo de avaliação flexível, que se adapta à realidade que se deseja avaliar.
Platts (1993) defende o desenvolvimento de métodos que proponham melhorias efetivas aos processos de gestão, de acordo com as reais necessidades das empresas. O autor desenvolveu critérios para avaliar procedimentos de formulação de estratégias de manufatura. Para ele, a aplicabilidade de um modelo pode ser verificada de acordo com três critérios: a viabilidade (o modelo pode ser usado na prática), a usabilidade (o modelo é fácil de ser utilizado) e a utilidade (o modelo é útil e oferece resultados relevantes).
Em relação à viabilidade, como discutido anteriormente, o modelo pode ser utilizado na prática pelas próprias empresas com o objetivo de avaliar em que nível de colaboração estão atualmente. As empresas podem comparar seus índices e desenvolver ações que promovam a realização de práticas colaborativas. Como também já foi mencionado, o modelo pode ser aplicado em outros arranjos produtivos locais, em qualquer segmento produtivo, pois é um modelo genérico.
No que diz respeito à usabilidade, o passo a passo descrito ao longo da aplicação da pesquisa torna o modelo fácil de ser utilizado pelas empresas e replicado para outros arranjos. No entanto, é necessário ter conhecimento prévio sobre a ferramenta utilizada, ou seja, a GTA, para compreender a abordagem e conhecimento matemático para realizar os cálculos necessários para a geração do índice de colaboração. Para facilitar a aplicação empírica do modelo e aumentar a sua usabilidade, especialmente para os gestores das empresas, sugere-se o desenvolvimento de um software que comporte toda a sequência da GTA e realize os cálculos matemáticos, de modo que o utilizador necessite apenas inserir as notas para as avaliações, de acordo com a realidade da empresa. Esse suporte computacional tornaria o modelo facilmente utilizado, gerando rápidos resultados para os gestores.
Em relação à utilidade, verifica-se que o modelo possibilita uma melhor gestão dos relacionamentos por parte das empresas, pois aponta para o que pode ser melhorado e incentiva a realização de práticas de colaboração. É importante destacar que a colaboração é uma estratégia empresarial que pode contribuir para fortalecer os relacionamentos das empresas que fazem parte de APLs. Por se tratarem especialmente de empresas de pequeno porte, as relações interorganizacionais fortalecidas pela colaboração podem aumentar a vantagem competitiva desses negócios e o próprio desenvolvimento local. Com a utilização
do modelo de avaliação da colaboração, as empresas poderão reconhecer a importância de estabelecer relacionamentos colaborativos que tragam benefícios particulares e conjuntos.
Assim, o modelo desenvolvido alerta os gestores e os órgãos de apoio, que direta ou indiretamente podem participar da gestão do arranjo, para a realização de ações colaborativas que beneficiem as empresas e o APL.
4.4CONSIDERAÇÕES FINAIS DO CAPÍTULO
Neste capítulo foram apresentados os resultados da pesquisa empírica realizada para finalizar e aplicar o modelo de avaliação da colaboração em empresas participantes de arranjos produtivos locais; para tanto, descreve a aplicação da técnica Delphi e os estudos de casos realizados nas empresas do APL de móveis da Grande João Pessoa.
Na primeira seção foi apresentada a aplicação empírica do modelo, com a descrição de como os dados empíricos foram coletados e calculados. O detalhamento de cada etapa foi necessário para indicar como as notas dos fatores foram geradas e, consequentemente, como resultaram no índice de colaboração. Destaca-se a importância do software Maxima na execução dos cálculos dos permanentes das matrizes que, se feitos à mão, consumiriam bastante tempo e estariam sujeitos a erros inoportunos. Nesta seção houve uma breve descrição do APL de móveis no qual o modelo foi aplicado e das empresas que participaram da pesquisa de campo. As Empresas A, B e E produzem móveis planejados com foco de mercado voltado para pessoas físicas. São empresas bem consolidadas no mercado local, que atraem clientes especialmente a partir da indicação de outros clientes que tiveram uma boa experiência com os serviços e produtos adquiridos. A Empresa C atende ao mercado de material escolar e cozinha, participando inclusive de licitações, enquanto a Empresa D fornece apenas móveis de cozinha. Ambas também atendem ao mercado de pessoas jurídicas não só locais, mas da região Nordeste.
Na seção de discussão dos resultados, uma importante constatação encontrada foi a importância de conciliar a análise quantitativa gerada pela GTA com a análise qualitativa, a fim de comparar as notas com as respostas dos entrevistados e verificar se o índice encontrado é condizente com a realidade de cada empresa. Também foi verificado que a confiança é o fator que mais contribui para o índice de colaboração das empresas estudadas. Em
contrapartida, a governança é negativamente afetada pelo baixo suporte de políticas públicas existente no APL de móveis.
A análise do modelo proposto permitiu verificar a importância do seu desenvolvimento e da sua aplicabilidade. Trata-se de um modelo robusto, flexível e aplicável a APLs de diferentes setores produtivos.