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Literature Review

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2. Background and Literature

2.2. Literature Review

Na terceira revisão da literatura buscou-se identificar trabalhos que investigassem, na literatura nacional, os arranjos produtivos locais, a fim de extrair as características particulares desse tipo de arranjo que pudessem estar associadas à colaboração. Com isso, a revisão teórica comporta trabalhos nacionais, já que é uma temática voltada para estratégias que impulsionem o desenvolvimento regional. Parte das pesquisas consultadas inclusive trataram os arranjos produtivos locais como sinônimo de clusters. No Quadro 6 está apresentado um resumo das pesquisas consultadas.

Sousa et al. (2015) realizaram uma investigação sobre os construtos que explicam as relações de cooperação entre as empresas do APL de eletroeletrônica de Santa Rita do Sapucaí, no Estado de Minas Gerais. Os construtos relacionados à colaboração considerados inicialmente foram a governança, a confiança e os benefícios. A partir dos dados empíricos a governança foi subdividida, dando origem a outro construto, que é a atuação do poder local. Os resultados apontaram para uma relação positiva entre a governança e os benefícios da cooperação.

Marini e Silva (2014) propuseram uma metodologia para mensurar o potencial interno de desenvolvimento de um APL, a partir de critérios e subcritérios que originaram o Índice do

Quadro 6 – Pesquisas recentes sobre arranjos produtivos locais

Autor(es) Aplicabilidade Procedimento Setor/Indústria

Sousa et al. (2015) Empírico Estudo de caso

APL de eletroeletrônica de Santa Rita de Sapucaí

(Minas Gerais) Marini e Silva (2014) Empírico Estudo de caso APL de confecções do

sudoeste do Paraná Gonçalves e Cândido

(2014) Empírico Estudo de caso

APL de pegmatitos e quartzitos da microrregião

do Seridó da Paraíba Souza e Campos

(2013) Empírico Estudo de caso

APL de confecções de Vila Velha (Espírito Santo) Pugas, Calegario e

Antonialli (2013) Empírico Estudo de caso

APL de vestuário de Divinópolis (Minas Gerais) Mascena, Figueiredo e

Boaventura (2013) Teórico Pesquisa bibliográfica -

Sordi e Meireles

(2012) Empírico Estudo de caso

APLs de diversos setores de São Paulo: têxtil, aeroespacial, cerâmica

vermelha, bordado, calçado e jóia de ouro Lübeck, Wittmann e

Silva (2012) Teórico Pesquisa bibliográfica -

Teixeira e Teixeira

(2011) Empírico Estudo de caso

APL de madeira e móveis de Rondônia Nascimento, Cardoso

e Lima (2009) Empírico Estudo de caso

APL da cal da região metropolitana de Curitiba Sgarbi (2009) Empírico Estudo de caso APL de turismo da região

Lagoas de Alagoas Vidigal, Campos e

Trintin (2009) Empírico Estudo de caso

APL de confecção de Maringá

Galdámez, Carpinetti

e Gerolamo (2009) Empírico Pesquisa-ação

APL de cama, mesa e banho de Ibitinga (São Paulo) e APL de calçados

femininos de Jaú (São Paulo)

Vial et al. (2009) Teórico Pesquisa bibliográfica - Barroso e Soares

(2009) Empírico Estudo de caso

APL de

ovinocaprinocultura de Quixadá (Ceará) Costa e Pinheiro

(2007) Empírico Estudo de caso

APL de móveis de Ubá (Minas Gerais)

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Potencial Interno de Desenvolvimento de um Arranjo Produtivo Local (IPID). Os critérios centrais considerados na abordagem foram: ações conjuntas, capital social e governança local. Os critérios estão envolvidos pelas dimensões espacial, cultural, política e institucional. A aplicação da metodologia foi realizada no APL de confecções do sudoeste do Paraná, o qual

demonstrou um IPID de 70% na escala proposta. Os melhores resultados foram oriundos do capital social e da governança local.

Gonçalves e Cândido (2014) analisaram a estrutura de um APL do setor de extração mineral na microrregião do Seridó da Paraíba. A análise qualitativa foi realizada por meio da descrição de sua origem, do mapeamento dos agentes produtivos e institucionais envolvidos, da explicitação da sua estrutura e da identificação do seu estágio de evolução. Como um dos principais resultados, os autores verificaram que o APL se encontra em transição do estágio embrionário para o de crescimento.

Souza e Campos (2013) desenvolveram um modelo para apoiar a consolidação de ações de cooperação em empresas que fazem parte de APLs de confecções. O modelo é descrito em quatro fases: ações de estruturação para cooperação, ações para cooperações operacionais entre micro e pequenas empresas de confecções, ações cooperativas para o crescimento do APL e ações cooperativas de aprendizagem. O modelo foi aplicado em um APL de confecções de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo. A pesquisa de campo constatou que as ações de cooperação devem considerar o grau de maturidade do APL e as particularidades das empresas, além de verificar que as ações operacionais, como treinamento e capacitação, constituem uma das principais necessidades do APL.

Pugas, Calegario e Antonialli (2013) buscaram verificar a heterogeneidade interna do APL de vestuário de Divinópolis, no Estado de Minas Gerais. Por meio de análise estatística diversos aspectos foram considerados dentro do potencial produtivo, inovativo, gerencial e humano. Os resultados demonstraram que o APL possui heterogeneidade, pois as empresas diferenciam-se em relação às suas capacidades. Destacou-se, ainda, que a combinação de especialidades que gera competitividade varia em relação ao ramo produtivo.

Mascena, Figueiredo e Boaventura (2013) realizaram uma revisão da literatura para analisar as publicações sobre clusters e APLs no Brasil, considerando o período de 2000 a 2011. A busca gerou um portfólio de 80 artigos, dos quais os autores extraíram as características das publicações, como as abordagens metodológicas utilizadas, autores mais referenciados e os clusters e APLs pesquisados. Em geral, observou-se que as pesquisas empíricas se restringiram a identificar os APLs e descrevê-los de acordo com o tema investigado.

Sordi e Meireles (2012) discutiram uma nova dimensão para análise, distinção e classificação de localidades com concentração de atividades produtivas, considerando como atributo principal os eventos para transferência de informação e conhecimento, a fim de tornar a mensuração e a caracterização das localidades mais completas. Por meio de dados de seis

localidades de diversos setores produtivos, verificaram que a ocorrência de atividades de transferência de informação e conhecimento de interesse comum ocorre mais facilmente entre empresas de aglomerações empresariais.

Lübeck, Wittmann e Silva (2012) demonstraram a necessidade de conjugar métodos e variáveis para classificar os aglomerados de empresas de acordo com o estágio de desenvolvimento. As variáveis agrupadas a partir da literatura consultada pelos autores foram: capital social, redes de empresas, inovação, políticas públicas, quociente de locação e gini locacional e indicadores econômicos. A força da cooperação entre os atores locais foi observada como um fator preponderante para o aumento da vantagem competitiva, especialmente as aglomerações em estágios mais desenvolvidos.

Teixeira e Teixeira (2011) realizaram uma análise do papel dos agentes econômicos e institucionais que atuam no APL de madeira e móveis de Rondônia, identificando quem são esses agentes e verificando como eles se relacionam. A análise qualitativa permitiu verificar os seguintes aspectos: formação do APL, agentes econômicos e institucionais envolvidos, motivações para integrar o APL, vantagens e desvantagens da participação, formas de cooperação e governança, nível de formalidade e tipo de estratégia. A partir das dificuldades encontradas, os autores puderam coletar e propor sugestões de melhoria.

Nascimento, Cardoso e Lima (2009) buscaram analisar como o APL da cal da região metropolitana de Curitiba pode aumentar sua competitividade no mercado em que participa. Para isso, foi utilizado um método já aplicado e comprovado na indústria alimentícia, que considera aspectos estruturais e fatores competitivos que envolvem as empresas do APL. Os autores verificaram que as empresas obtêm vantagens, como a redução do custo de transporte e a melhor negociação das matérias-primas, mas que os empresários ainda não usufruem dos benefícios de manterem uma estratégia de cooperação.

Sgarbi (2009) buscou compreender como a participação de uma empresa em um APL pode interferir na sua competitividade e identificar quais as características que os participantes do APL consideram como as mais importantes. A pesquisa de campo ocorreu no APL de turismo da região Lagoas, em Alagoas, e demonstrou que as principais características que contribuem para a competitividade são o aumento da capacitação da mão-de-obra, a cooperação entre os participantes e o aumento da divulgação da região.

Vidigal, Campos e Trintin (2009) buscaram identificar os níveis de consolidação da interação, da cooperação e das ações conjuntas no APL de confecções de Maringá. A principal constatação encontrada na pesquisa empírica, aplicada nas micro e pequenas empresas do APL, foi que a cooperação aparece como um aspecto frágil e as interações entre

os agentes do arranjo ainda se dá de forma incipiente, limitando a consolidação do arranjo. Galdámez, Carpinetti e Gerolamo (2009) propuseram um sistema de medição de desempenho a fim de apoiar o processo de gestão do APL. O sistema foi construído a partir da pesquisa empírica nos APLs de Ibitinga e Jaú, no Estado de São Paulo. Os resultados demonstraram que a medição de desempenho integrada à melhoria contínua pode promover a gestão colaborativa e o aprimoramento da tomada de decisão. Verificou-se que a medição de desempenho pode ser influenciada por aspectos como a confiança e a cooperação, por exemplo.

Vial et al. (2009) realizaram uma revisão conceitual sobre arranjos produtivos locais e cadeias agroalimentares a fim de que a definição mais clara desses arranjos tornasse possível uma identificação adequada dos casos reais. Especialmente em relação aos APLs, os autores discutiram duas abordagens, uma baseada na Economia Industrial e outra na Economia Neo- Schumpeteriana, apontando para as semelhanças e diferenças entre os aglomerados de acordo com a perspectiva adotada. Barroso e Soares (2009) investigaram o impacto das políticas públicas implementadas no APL de ovinocaprinocultura de Quixadá, no Estado do Ceará, em relação ao desenvolvimento local e às melhorias das condições de vida dos sujeitos. A análise qualitativa levou à constatação de que as políticas públicas tiveram um impacto significativo para os criadores da região.

Por meio da Análise de Redes Sociais, Costa e Pinheiro (2007) discutiram se o APL de móveis de Ubá era um espaço propício à inovação e ao aumento da competitividade. O estudo constatou a importância de um ator que exerça a liderança e a governança na rede e destacou o papel das entidades de apoio na organização e institucionalização de espaços de interação entre os atores do arranjo, a fim de promover a criação e o compartilhamento de informação e conhecimento. O Quadro 7 contém os principais aspectos abordados nas pesquisas anteriormente descritas.

De posse das categorias de análise elencadas na revisão de pesquisa e de toda a discussão realizada em torno da colaboração em relacionamentos interorganizacionais, especialmente os modelos de avaliação da colaboração em cadeias de suprimentos e das características das pesquisas sobre clusters, industrial districts e APLs que podem estar associadas à colaboração nesses aglomerados, é possível construir as categorias de análise que serão utilizadas na elaboração do modelo de avaliação da colaboração desta pesquisa. Os fatores considerados estão apresentados na próxima seção.

Quadro 7 – Aspectos analisados nas pesquisas referentes à revisão III

Autor(es) Categorias de análise

Sousa et al. (2015) Governança / Atuação do poder local / Confiança / Benefícios / Cooperação

Marini e Silva (2014)

Ações conjuntas (Objetivos comuns, Práticas cooperativas, Vantagens percebidas, Probabilidade de ações, Inovação coletiva) / Capital social (Interação da rede social, Participação no APL, Relacionamento no APL, Atributos sociais, Atributos territoriais, Capacidade inovativa) / Governança local (Centralidade, Comunicação e relacionamento, Sinergia local, Plano de ações, Liderança, Práticas democráticas, Organização, Ambiente inovativo)

Gonçalves e Cândido (2014)

Origem / Mapeamento dos agentes produtivos e institucionais / Estrutura / Estágio de evolução

Souza e Campos (2013)

Ações de estruturação para cooperação / Ações para cooperações operacionais entre micro e pequenas empresas de confecções / Ações cooperativas para o crescimento do APL / Ações cooperativas de aprendizagem

Pugas, Calegario e Antonialli (2013)

Potencial produtivo (Qualidade, Custos, Rapidez, Flexibilidade) / Potencial inovativo (Aprendizagem, Inovação) / Potencial gerencial (Reputação, Competência financeira, Competência em marketing) / Potencial humano (Operacional, Gerencial)

Sordi e Meireles

(2012) Transferência de informações / Transferência de conhecimentos Lübeck, Wittmann e

Silva (2012)

Capital social / Redes de empresas / Inovação / Políticas públicas / Quociente de locação e gini locacional / Indicadores econômicos Teixeira e Teixeira

(2011)

Formação / Agentes econômicos e institucionais envolvidos / Motivações / Vantagens e desvantagens / Cooperação e governança / Nível de

formalidade / Estratégia Nascimento,

Cardoso e Lima (2009)

Concorrência regional / Clientes exigentes / Cadeias produtivas / Produção por demanda / Mix simplificado / Estrutura de rivalidade / Indústrias

correlatas e de apoio / Condições de fatores / Condições de demanda Vidigal, Campos e

Trintin (2009) Interação / Cooperação / Ações conjuntas Galdámez, Carpinetti

e Gerolamo (2009)

Perspectiva de sistema de medição de desempenho / Indicadores de desempenho / Processo de coordenação do APL / Cooperação das pequenas e médias empresas

Barroso e Soares (2009)

Produtividade / Capacitação / Inovação na gestão / Inovação tecnológica / Linhas de crédito

Costa e Pinheiro

(2007) Compartilhamento de informação / Compartilhamento de conhecimento

Fonte: Elaborado pela autora (2017).

In document GRA 19703 (sider 11-16)