Fonte: Arquivo Pessoal
1) Processo de construção do espetáculo Myzéryaz Buzznezz – Dia 24 de julho de 2006, domingo
Fonte: Diário de Bordo
Vivíamos os ensaios de forma muito intensa e, na grande maioria das vezes, estabelecíamos diálogo com o espaço e as pessoas que ali se colocavam. Nesse momento do processo de criação, os personagens já estavam com suas personalidades bem estabelecidas, bem como suas relações, tanto com os demais atores, como com as pessoas que se encontravam nos espaços que ensaiávamos. Todos os domingos, os ensaios aconteciam na feira da barra, como demonstra a Figura 3. A direção nos orientou a estabelecer quais seriam os lugares de atuação de cada núcleo da trama, já que vínhamos realizando ensaios
Figura 3 - Myzéryaz Buzznezz no país do futebol (Ouro Preto,2006)
“... ado, ado, cada um no seu quadrado... Quando dentro do exercício se tem um objetivo e uma meta a ser alcançada e esse mesmo objetivo se mistura a vida? No exercício em específico, defender ou conquistar algo que se quer muito. E, nesses casos sempre penso na minha família. Isso traz uma força muito maior, a energia da conquista também ganha uma proporção maior, porque insiro no mesmo exercício essa linha tênue de arte e vida, que para mim funciona muito bem. Meu objetivo era de proteção, e dentro estavam pessoas muito importantes, iria fazer de tudo para expulsar quem ali estivesse. E fui obrigada a raciocinar, porque lidando com homens, a força física deles é muito maior, ter que usar de estratégia e não de agressividade me fez sentir inteligente, porque na grande maioria das vezes me sinto burra por não conseguir pensar nas minhas ações. Obs.: O cauã disse que foi o ensaio mais legal porque tinha uma tarefa difícil”.
conjuntamente e não mais separados. Assim, com o espetáculo sendo realizado em três espaços distintos, cada núcleo teria um local como sendo de seu domínio. A feira da barra já se constituía como um lugar de acolhimento e significados para nosso núcleo, formado por mãe (Luneta) e filho (Cleiton Rogério). O estímulo dado pela direção era para definir lugares e estabelecer aquele território como sendo meu, para já pensarmos em possíveis marcações de cena para o espetáculo. Então, cada núcleo tinha que defender seu território da invasão do outro e, para gerar um estímulo afetivo, tinha que colocar, dentro do espaço, algo ou alguém de muita estima. Através do recurso da imaginação, artifício esse muito usado pelo ator, coloquei meu marido e filho. Lembro que o embate foi duro, o jogo só terminaria com um vencedor e, ao final, estávamos exaustos porque, tendo que disputar com o homem, saberia que iria perder em força física, então tive que usar de recursos criativos e persuasivos para alcançar o meu objetivo, como, por exemplo, usar do discurso como mecanismo para tirar a atenção do adversário, enquanto minha companheira de trabalho, que também era mulher, mas fazia uma construção masculina, conseguia vir por trás e, unidas em força, conseguirmos tirar o adversário (ator) daquele espaço. Outra forma foi, também, usar os feirantes e transeuntes que ali se encontravam a comprar nossa briga, uns já sabendo se tratar de teatro e entrando no jogo do faz de conta, e outros que, mesmo não sabendo do que se tratava, se compadecia da dor daquela mulher que estava sofrendo uma eminência de agressão masculina.
Essa mistura entre ficção e realidade em uma vivência de ator muito profunda exercia uma faceta comentada por Stanislávsk, que é a utilização do consciente e do inconsciente na criação. Ele vai dizer: “Durante o processo de busca das tarefas que se usam para a construção consciente do papel, o inconsciente desempenha uma grande e importante função” (LABAKI; VÁSSINA, 2016, p. 190). Aqui, quero, recorrendo a Birman (2014), me aproximar e fazer uma relação de possível diálogo através do exercício do que emerge do inconsciente para a cena psíquica e do que emerge do inconsciente do ator para a cena teatral. Ao recordar a própria história através da narrativa oral no processo de análise, analista e analisando a recriam em possíveis ressignificações, essa fala e escuta imbricadas fazem das histórias difíceis de serem elaboradas se tornarem apaziguadas pelo analisando. Assim, posso dizer que na cena teatral, ao trazer fatos do inconsciente para a cena por meio das falas e ações do personagem e ao percebê-los como recalques ou características de personalidade minha que evitava encarar, tornam-se apaziguadores pela repetição do ato teatral.
Por meio do exemplo descritivo deste diário de bordo, quero dizer que, ao trazer para o jogo cênico a energia afetiva do valor familiar pelo improviso usando a memória emotiva,
trouxe, para a minha construção, um vigor para a conquista e sobre o valor do sentimento. Stanislávski diz que “o afeto às vezes é mais forte do que a realidade” e que ele pode ser consciente ou inconsciente, porque é necessário que a ação passe pelo sentimento do ator para se tornar uma interpretação verdadeira (LABAKI, VÁSSINA, 2016, p. 143). Assim, entregue à ficção com um senso de realidade muito potente, passei a estabelecer o meu intento, mas, quando deixei o meu raciocínio de ator interferir na proposta, comecei a perder o jogo, porque, como já mencionei aqui, estava em crise com a minha maternidade ao acreditar que ela me traria reflexos negativos para a realização das minhas escolhas profissionais. Foi quando comecei a me colocar abaixo dos atores homens e o que me fez conseguir estabelecer o comando do jogo foi trazer para minha realidade de atriz (sujeito) a energia da Luneta, mulher que, mesmo tendo problemas bem parecidos com seu filho, se safava das situações mais cabeludas pelo amor a ele e, mesmo em muitos momentos de baixa estima, conseguia passar um batom da mesma cor da meia arrastão e correr atrás dos seus sonhos. Com isso, quero comprovar que comecei a observar nas entrelinhas da construção do personagem e nos escritos dos meus diários de bordo aspectos da minha personalidade que precisavam ser ressignificados. Assim como na cena psicanalítica, a cena teatral se descortinou, para mim, como um mecanismo de autoconhecimento.
Outra situação que ainda quero destacar é o comentário ao final do diário, no qual fica clara a inserção do meu filho nos períodos de ensaio e, ao trazer a metodologia autobiográfica para essa pesquisa, me recordei o quanto era divertido a sua participação, o quanto sua infância foi regada pela ludicidade do jogo cênico como uma prática positiva e como estávamos juntos e cúmplices da construção da nossa história. Por muito tempo depois, me deixei levar por comentários contrários e achei que tivesse agido negativamente com ele, mas esta pesquisa me estimulou a conversar com ele e o que tanto me chamou a atenção foi perceber que suas recordações são muito positivas, embate que sempre foi negado por mim pelo medo da resposta. Mas, ainda assim, posso dizer que, se assim o fosse, teríamos tempo de reaver seus reflexos.
Percebe-se que o processo autobiográfico se dá através de uma investigação por elementos múltiplos e heterogêneos do sujeito: físicos, psíquicos, fisiológicos, sociais, religiosos, etc. (SOUZA, 2004). Através da narrativa nesta pesquisa, fez-se um exercício mental de apropriação da memória - em consonância com a proposta autobiográfica, que é uma investigação-formação que passa pelas minhas vivências pessoais, educacionais e profissionais. Sendo assim, posso dizer que, antes de entrar para a graduação, tinha uma postura obtusa em relação aos diversos corpos ao meu redor e, somente após o exercício
intelectual da minha formação acadêmica, vislumbro possibilidades de entendimento e forças para questionar e investigar o meu lugar de sujeito na relação com os mesmos. Consequentemente, a minha situação emocional vem ficando cada vez mais equilibrada para processar todas as questões que me afetavam para um equilíbrio e crítica. Foi necessário um tempo de exercício até me considerar madura para formalizar essa experiência pessoal em possível pesquisa, buscando a efetivação desta prática como recurso pedagógico.
2) Processo de ensaio do Edifício Dora – 26 de Agosto de 2012, domingo Figura 4 - Edifício Dora (Mariana, 2013)
Fonte: Arquivo pessoal
Figura 5 - Edifício Dora (Mariana,2013)
Esse espetáculo foi criado dentro das dependências da casa de Cultura de Mariana e teve patrocínio do Fundo Estadual de Cultura. Os atores vivenciaram a realidade de uma casa e seus conflitos familiares. A trama girava em torno de uma parteira e seus filhos adotivos, todos rejeitados pelos seus pais. Esse foi o primeiro trabalho em que realizei uma relação de casal: o meu personagem era homem e a personagem do ator Edgar Barros,uma travesti.
“Achei interessante o fato do Flávio não poder participar do ensaio hoje para ver se consigo retomar a relação de Castanha e Reginaldo. Mas, sem saber que o Edgar vinha ensaiar com toda uma ação arquitetada. Castanha se arrumou toda e levou Reginaldo para o fundo da casa, arrumando no quintal uma toalha, e em cima um pote com calda de chocolate, vinho e um baralho, dizendo ter visto na televisão esse piquenique. Disse que tinha programado passar a tarde juntos, e toda insinuante e jogando charme convencia Reginaldo a se lambuzar de calda de chocolate e beber o vinho, mesmo ele tendo feito uma promessa para Padim Virgulino de não beber até arrumar um novo emprego. (Quando consigo empregar em Reginaldo pensamentos masculinos e pensar como homem sinto satisfação porque nos momentos de relação conflituosa e em momentos que tenho que usar de raciocínio rápido penso como a atriz e mulher que sou, aí dá certos conflitos, por que foge um pouco do reflexo masculino. E para fazer isso preciso de estar muito concentrada nas ações do personagem e nas ações que estão sendo realizadas pelos meus companheiros de trabalho). E quando ele percebe em Castanha toda essa sedução, ele se demonstra muito macho querendo tirar proveito daquela que é seu objeto de desejo. Concorda com toda a sua artimanha, mesmo que somente para realizar seu intento de possuí-la, ao convencê-lo a vender o filho de Marta. Mas, ao mesmo tempo discorda inventando uma história fiada pode encontrar um pepita de ouro nas minhas de mariana no mesmo valor da venda do menino: 40 mil reais. Mas, que para isso precisava ser registrado na firma, e passar os meses de experiência. (Agora avaliando esse momento e depois de uma discussão sobre o que é o pensamento do ator e o que é o pensamento do personagem, me pergunto: é Reginaldo que inventa uma história para tirar proveito da situação ou é a Paola que não quer colocar um macula na sua criação, inserindo um desvio de caráter em seu personagem?!. Quero empregar um boa índole na construção deste personagem, mas isso têm feito com que eu não ampliei meu jogo de cena quando as propostas de trabalho são voltadas para o desvio da moral e isso está um pouco conflituoso na minha construção). Reginaldo tendo o baralho que Castanha havia levado em mãos propõe um jogo a valer favores sexuais. Tendo ganhado a partida pedi para ela dançar para ele cantando a música da Dalva de Oliveira e nesses momentos o meu personagem parece que ganha vida sobre a minha pessoa e minha concentração se volta toda para a relação que ele estabeleceu com Castanha, ele fica muito excitado por ela. Ele reforça o seu desejo de ser Diva dizendo que ela pode chegar a esse lugar. Como ela se empolga com a situação, e como medo de perdê-la fica com ciúmes e desconversa chamando a atenção de novo para ele. Nesse momento, Castanha começa a lambuzá-lo com calda de chocolate e o faz beber o vinho beijando a sua boca, insistindo nos 40 mil reais e na venda do menino dizendo precisar do dinheiro para montar um salão para ela. Os dois se empolgam no contato físico, Reginaldo joga Castanha em cima da toalha e começa a beijar a sua barriga. Ela se levanta e ele atordoado corre atrás dela dizendo que não pode deixá-lo assim tesudo e ir embora (...).
Fonte: Diário de bordo.
Para um melhor entendimento, relatarei a situação da trama para situar o processo de ensaio descrito. Uma das filhas da parteira, Marta, se encontrava grávida e era mantida presa no porão da casa, todos os demais filhos tinham interesses individuais no nascimento desta criança. Esse conflito virou um jogo cênico potente para estabelecer a relação e a história comum entre os personagens, além das particularidades individuais de cada um. Castanha queria vender o filho de Marta para o comércio clandestino de órgãos com objetivos de montar um salão. Reginaldo, por sua vez, queria estabelecer com Marta uma relação familiar de fachada para manter sua relação às escondidas com Castanha. Na trama, seu desejo era se apropriar das terras de sua família nordestina e voltar para a vida no sertão para um regaste e reconhecimento do que era antes de vir para a capital.
Novamente, percebo, através desta história criada pelo meu personagem, o desejo de retorno à família. Esse conflito estabelecido por mim entre o teatro e família e seus reflexos, em certa medida, sempre permeiam as minhas construções. E, também, a questão da autoestima, pois, além de trazer um personagem que por si já sofre muitos preconceitos sociais por ser nordestina, tem uma deficiência na perna. Eu não consegui, ao longo da trama, entender porque ele tinha essa deficiência. Às vezes, tentava trazer uma história que justificava, mas não me convencia, então, comecei a investigar uma possibilidade psicológica embutida. Foi quando percebi que essas fragilidades demonstradas pelo personagem eram minhas: estava, novamente, demonstrando a minha baixa estima em relação ao jogo com o outro.
Quando comecei a construir esse personagem, iniciei o processo com o meu rosto tampado. Não queria uma identidade e nem um gênero para ele, queria que, ao longo do processo, isso fosse se descortinando. Depois, começamos a trabalhar com uma máscara neutra e, quando ele se estabeleceu como homem, a mantive em uma alusão há quando,
(...) Ela pega uma mangueira e joga água nele, depois nela e dois voltam a rolar no chão. Existe um frenesi nessas ações, um estado de entrega muito grande entre os atores. (Pensando agora friamente sobre o ensaio de hoje, fica cada vez mais evidente que realmente existe uma realidade ficcional criada pelos atores, e que existe também uma humanização nessa relação e uma química muito grande. E que de fato não consigo manter o mesmo nível de excitação e de atração pelo Edgar depois que o ensaio termina assim estabelecendo uma divisão clara de ficção e realidade). E que empresto o meu corpo para a relação de atração e passionalidade que existem entre Castanha e Reginaldo. O toque dos dois é abrupto, tosco, existe uma possessão. Hoje, por exemplo, talvez não teria me entregando tanto ao contato como o Edgar propôs, mas devolvo o jogo na mesma proporção de energia que me é mandado. E acho muito interessante essa construção”.
socialmente, criam-se padrões com alguns grupos, como se cada indivíduo que pertença a ele não tenha uma individualidade, são considerados iguais. Nesse caso, estava trazendo a figura do homem nordestino.
Através do desejo da inserção social do meu sujeito “louco”, busquei recursos também considerados marginalizados, e o teatro ainda é uma instância social que sofre muitos preconceitos. Isso fica muito claro quando alguém pergunta: - O que você faz? - Teatro, eu respondo, e a pessoa retruca: - Mas, você trabalha com o quê? Como se o teatro não fosse trabalho. Ao longo desses 13 anos de grupo, não há outra coisa na vida que tenha feito que não seja trabalhar muito para estabelecer minhas escolhas. Ao trazer o tema da “loucura” para dentro da academia sem ter uma formação tecnicista, faço um movimento hercúleo de legitimar a minha prática como válida para a comunidade científica e, ao realizar minha defesa, percebi quantas vezes repeti a palavra L-E-G-I-T-I-M-I-D-A-D-E. Notei que, primeiro, precisava reforçar em mim a minha própria competência ao trazer essa temática e discuti-la mesmo que pela via do empirismo, da subjetividade. Assim, como o personagem Reginaldo, que precisava voltar para o sertão para reencontrar sua essência para se reconhecer e legitimar a suas raízes, precisei mergulhar em mim, na minha história para validar a sua importância para mim, é claro, mas para uma reverberação possível daqueles que querem realizar o mesmo aprofundamento.
3) Processo de criação do espetáculo Léon – 05 de Junho de 2013, quarta-feira
Muitas vezes, iniciamos um novo processo pensando em uma temática comum para todos os personagens e, nesse trabalho, a abordagem eram as diversas deficiências humanas: físicas e intelectuais. Escolhi a falta da visão como abordagem de construção. Tive que abandonar o processo por problemas pessoais e a atriz Jailda Freitas continuou a construção da minha personagem.
“Terminei o ensaio com uma sensação dúbia: satisfação e insatisfação. Aconteceram algumas coisas interessantes para traçar a personalidade da minha personagem e as relações e as relações com o Luiz e a Dani. A direção nos orientou que eu e Guina trabalharíamos juntos com algumas músicas românticas selecionadas em um pendrive, e o objetivo era trabalhar a afetividade entre os personagens, e representarem nas ações os conteúdos das músicas. Dani e Luiz trabalhariam temas individuais. A direção levou para mim fotos de pessoas mortas, não me deixou vê-las, o que achei interessante, por que criei uma relação intuitiva e sensorial com elas (...).
Fonte: Diário de bordo
A cada novo processo, foi se estabelecendo não somente uma construção e crescimento em âmbito teatral, mas ampliando as percepções de mim mesma e das relações e coisas ao meu entorno. O jogo cênico estabelecido entre atores se tornou campo fértil para os meus reflexos e respostas servirem de autorreflexão para uma percepção muito pessoal de como eram minhas reações e, ao me perguntar o que me levava a reagir assim, através da
Como estou criando um painel ao lado da minha cama para fixá-las precisava entender com o tato o lado correto da impressão, já que todas tinham a mesma textura do papel, com os dedos não conseguia sentir essa diferença, passando no rosto conseguia sentir um lado mais poroso, o que considerei como o lado impresso. Um delas coloquei do lado errado, e não lembro agora se estava dispersa com outra informação para fixá-la errado. Algumas ficaram de ponta a cabeça, mas super pertinente. Essa relação com a morte para mim é muito presente, por que não tenho medo dela, e de uma certa forma, a desejo, não por que queira adiantá-la, mas me sinto presa estando viva, a tal liberdade que temos discutido, para mim se dá depois da morte. Sempre tive essa sensação, que estar vivo e estar limitado, mas não sabia descrevê-la. Estudando um pouco filosofia cheguei aos estudos de Kardec e a continuidade da vida pós-morte, enquanto espíritos eternos que somos, estando cativos em mundos corpóreos para o aperfeiçoamento moral. Ainda estou estudando e não posso me dizer convicta dessa realidade. O que sei de pronto, que a morte é uma temática universal e esse possível fim acarreta no humano, sensações, sentimentos, atitudes diferentes a partir do que se acredita no depois. No caso dessa personagem que prepara o seu dia como um acontecimento importante de libertação, em que voltará e enxergar, porque acredita estar momentaneamente cega, vive os seus dias preparando o local que seu corpo irá descansar. Ao fim do ensaio comentei com a direção que gostaria de já traçar uma possível personalidade. Já existem algumas atitudes que permanecem a cada novo ensaio: a autoestima elevada, a infantilidade, certa sensualidade, a busca de atenção para si, uma superproteção com o irmão. Acredito que essa forma de postar é um mecanismo compensador para a cegueira (vou pesquisar novamente possíveis mitos). A relação com o irmão (personagem do Luiz) vai ficando mais afetuosa, possessiva e dependente. Eles são carinhosos um com o outro, mas tem uma percepção um do outro estranha, de negação, se não se admitem como deficientes.